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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amor e morte

Eu peço a quem for ler esta história que primeiro carregue estes vídeos iniciais, a música faz parte da história, deixe-a tocar ao fundo enquanto lê, é um pedido meu, porque ela é uma história que mecheu comigo e gostaria de poder passar isso também a quem for ler.
Amor e Morte
Numa vala, perdidos em um mundo de morte e podridão, cercados pelos horrores da guerra, vendo seus amigos morrerem diante de si, encontravam-se dois amigos.
Amigos há tanto tempo quanto suas memórias são capazes de se lembrar. Neste dia como todos os outros havia apenas a desolação diante de seus olhos. E uma chuva delicada e cinzenta, vestígios da fumaça das bombas e dos corpos queimados, caía dos céus chorosos. O solo havia a muito perdido suas cores, restava apenas o prateado e o negro das cinzas. Já não se distinguia ao longe inimigos de aliados, havendo grandes riscos de atingir um companheiro.
Os dois estavam sentados sob um toldo isolados dos outros soldados, lembrando das cores de sua terra natal, agora tão sonhada.
Mas o sino do combate não cessava. Puderam ouvir do lado norte do acampamento o retumbar das granadas e seu brilho macabro. Logo após ouviu-se os estampidos dos tiros clamando a presença dos dois.
Movidos por seus corpos, não por suas mentes, os amigos se dirigiram ao local. A cada passo o mundo dos dois desmoronava aos poucos. Thomas, um jovem de olhos e cabelos intensamente negros, uma face de alegria e felicidade corrompidas pela guerra. Ao seu lado, Alexander, cabelos loiros, olhos de um azul intenso, seu rosto fincado por antigas cicatrizes emocionais, mais profundas que as físicas.
Alexander virou o rosto, sujo de sangue e molhado, para Thomas e sorriu. Thomas preencheu-se de um sentimento de perda, como se este fosse um adeus, o último sorriso de seu amigo.
Chegaram ao local do bombardeiro, contudo já não havia combatentes. As bombas estraçalharam os mais próximos, deixando espalhados seus corpos, tingindo de vermelho o cinza reinante. E os que sobreviveram, mataram-se mutuamente com suas metralhadoras. Caminharam pelas sombras, evitando serem localizados por possíveis sobreviventes.
Thomas não encontrando ninguém vivo, levanta-se para aumentar seu campo de visão. Ao erguer-se não percebeu que ao longe, em sua direção havia um homem escondido que apontava em sua direção e disparou.
No momento em que percebeu o que iria acontecer, Alexander atirou-se na frente de Thomas agindo como seu escudo. O tiro acertou-lhe o estômago e o pulmão.
Thomas virou-se, pode apenas perceber que seu amigo caía e sangrava. Colocou sobre si o corpo de Alexander e gritou, um grito que ecoava do mais profundo de seu ser. As lágrimas começaram a rolar. O sangue escorria dos ferimentos e ao tentar falar o sangue também começou a sair por sua boca.
— Não, Alexander, não! Não fale. Não se mexa. Eu vou te levar daqui. Eu vou te salvar. POR FAVOR, NÃO MORRA!
As palavras jorravam junto com as lágrimas de Thomas. Que maculava o cinza de sua roupa com o sangue de seu amigo.
—Thomas... sei que... não tenho muito tempo...
— Não! Não diga isso! Sempre estivemos juntos! Sempre fomos mais que irmãos! Fomos...
—É isso! Thomas... por favor, me escute. Por tanto tempo amei calado, por tanto tempo escondi o amor que habita em mim. E... não quero morrer sem que você saiba.
— O que Alexander?
—EU TE AMO! Por todos esses anos. Cresci com você. Fui seu ombro em todas as vezes que precisou chorar. E quando chorava com você era porque me doía tanto te ver sofrer sem poder fazer muita coisa por você. Quando estava em meu colo, chorando, porque seu coração havia sido partido, o meu esfarelava-se. E, todas as vezes que rimos juntos era como se tudo perdesse o sentido e houvesse apenas você. Quando saíamos para as festas e você sempre me via sozinho, era porque eu zelava por você. E porque a pessoa mais importante para mim estava ao meu lado. E quando decidiu que iria se alistar, não faz idéia do medo que passei em te perder. As lágrimas derramadas. E foi por isso que também me alistei. Não porque era meu sonho. Mas porque você é meu sonho, meu mundo. Os horrores que passamos nessa guerra, apenas me mostraram o quanto eu te amo. A minha vida é sua. Por isso eu a dou a você, meu amor...
— Alexander... por favor... Eu te amo! Com todas as minhas forças. Você me fez ser quem eu sou. É o meu caminho, a minha luz, minha estrela. Por quê? Por que fez isso? Você não pode morrer. Você não vai morrer...

Enquanto falava, misturado as lágrimas e a dor, ao sangue, os dois se abraçaram, Thomas tocou delicadamente o rosto de Alexander na esperança de o impedir de partir, como quando eram crianças e queria que ele fizesse algo. Um último sorriso emanou de seus lábios. Seus olhos começaram a fechar-se. Antes de fecharam-se totalmente Thomas o beijou, o beijou como se conseguisse impedi-lo de partir. Em meio ao gosto salino das lágrimas e do ferro do sangue, Thomas pode sentir o doce hálito da vida que deixava o corpo de Alexander.
Vendo toda a cena havia um soldado inimigo, o próprio que matara Alexander. Mas parara sem reação diante da cena. Com lágrimas em seu rosto e a voz embargada disse:
—Me desculpe...
Com um olhar lacerado, de um homem morto, sem vontade de viver, aninhado ao corpo de Alexander, aos prantos, Thomas não desviou os olhos de seu amor e disse ao soldado.
—A culpa não é sua. É da Guerra. Você é apenas uma criança.
O jovem soldado começou a afastar-se quando os tiros recomeçaram. Desta vez vindos dos aliados de Thomas. Sem saber em quem atiravam, devido à chuva e a falta de cor que permitisse distinguir algo, os aliados atiraram em Thomas, em seu coração.

O soldado pode ver Thomas morrer, era impossível descrever, tão forte e vasta era a dor, que ele mesmo se sentiu lacerado. Como em câmera lenta seu corpo tombou sobre o de Alexander, caindo ao seu lado, com suas mãos entrelaçadas e com os rostos muito próximos como a espera de um beijo da eternidade. Foi à última visão antes que um tiro atingisse sua testa e caísse morto. Foi à visão do amor em meio à morte e destruição.







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