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sexta-feira, 2 de março de 2012

Perdido em mim, Capítulo II


Este é o segundo capítulo do conto Perdido em Mim, espero que gostem, logo escreverei o terceiro capítulo, espero que gostem:
Anjo
A dor de um ferimento não chega ao receber o golpe, apenas quando vemos nossa carne nos damos conta do estrago e a dor se espalha de tal forma que não há como viver, ela continua a tomar proporções cada vez maiores. Assim também foi com meu ferimento, não havia percebido o quão profundamente a solidão massacrara meu ser, quando percebi um anjo me salvou.
O mais estranho é que eu nem mesmo acredito em anjos e um me salvou. Talvez mesmo que não acreditemos em algo, ainda sim ele exista. Eu não acredito na felicidade, na salvação, e elas existem?
Quando meu corpo, meu espírito se preparavam para entregarem-se a correnteza do rio, a velejar para o grande oceano, para o infinito, minha viajem foi interrompida antes mesmo de começar. Eu não estava sozinho, não era o único a sentir os flocos de neve pairando no ar, a sentir as lágrimas do céu. Quem era ele? Por que impedia minha viajem?
O tempo parou, um espaço na realidade, aqueles braços traziam de volta não só meu corpo, como também minha alma, perdida nas trevas de mim mesmo. Foi tão grande o choque que minha consciência me abandonou aos poucos.
Antes, porém, ela me permitiu um breve vislumbre. Em movimentos serenos, ao menos eu via tudo com extrema lentidão devido à fraqueza de minha consciência, ele abraçou-me com força, puxando-me de volta. Meu corpo gritava em protesto, contudo minha alma esperava. Segurou-me em seus braços, como uma criança que apenas descansava.
Meu corpo tiritava de frio, vendo meu tremores, estando eu nu, ele retirou seu casaco, foi nesse instante que pude abrir os olhos, havia uma aura luminosa em torno dele, um brilho azulado, cristalino, seus cabelos esvoaçavam com o sopro da neve, uma visão que nunca esquecerei, colocou seu casaco sobre mim, ao sentir o toque quente da lã deixei de ver qualquer coisa, desmaiei no colo de meu anjo.
É tão estranho não saber ao certo onde se está, se é noite ou dia, frio ou quente, luz ou trevas, era neste reino insólito me encontrava. Pensava se realmente esse é o outro lado, o além da vida, o nascer da morte, foi então que me lembrei que este ainda não era o reino dos mortos, que eu ainda não fazia parte dele.  Meus olhos se abriram, despertei novamente para o mundo.
Tentei me localizar, porém minha cabeça doía tanto que desisti, então dediquei-me a tarefa de levantar-me, contudo uma voz grave, mas também delicada e gentil veio das sombras.
––Não se mecha. Por favor. Você ainda está fraco e precisa descansar.
––Quem...
––Não diga nada. Não está na hora de respostas. Está na hora de dormir. Feche os olhos...
Ao terminar de falar ele se aproximou, novamente pouco vi de meu anjo, apenas o dourado cascateante de seus cabelos pousado sobre meu rosto e seus olhos de safira lapidada, brilhantes como à gema a luz das estrelas.
Olhou-me com ternura e cuidado, colocou sua mão sobre meus olhos, fechando-os, um toque tão macio, beijou-me a testa, como se ele fosse meu guardião, novamente adormeci, com a certeza de que meu anjo me guiaria, que o céu existe.
Até a próxima
Pallas

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