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terça-feira, 20 de março de 2012

A cultura do mundo


 
Quem somos nós no tempo dos humanos?
Vivemos em um mundo que já não sabe mais seus próprios caminhos. Ao longo do tempo nossa sociedade ocidental forjou um novo mundo, mas ela não forjou apenas um novo mundo, mas também uma nova cultura.
Quando se reúne inúmeros ingredientes para formar algo novo, tanto pode gerar algo muito bom, quanto também uma catástrofe, ou algo que não podemos controlar, é como vemos em filmes, quando o cientista cria um ser e depois se arrepende e quer destruí-lo, mas esse ser também tem uma vida, também passa a ter sentimentos, pois quer queiramos ou não, não somos os únicos seres com sentimentos. Então acabamos por destruir aquilo que criamos, e aos poucos estamos destruindo nossa cultura para criar uma nova, e essas mudanças não são simples, não vêem ser consequências.
Vamos agora a um exemplo, na antiga Grécia o corpo humano era cultuado e tido como sagrado. Os gregos adoravam seus corpos, como a representação do divino na terra, por isso vemos em suas estátuas uma perfeição no corpo humano que nada se iguala na arte do resto do mundo, tamanha a preocupação dos artistas em retratarem o corpo divino na terra, suas nuances, cada parte deste delicado presente divino.
Mas essa forma de ver o humano não é a vigente em todo mundo. Muitas culturas não vêem o corpo como sagrado, e sim como fonte de pecado, que é necessário livrar-se dos pecados, da sujeira da matéria e apegar-se ao espiritual, esquecer do corpo em favor da alma. São culturas diferentes, cada uma com seu tempo, sua história. Contudo elas não ficaram separadas. Elas foram unidas, coladas ao longo do tempo.
Representação de Baco e suas seguidoras
Quando um grande império pretende criar fortes raízes com os povos conquistados eles precisam inserir sua cultura aos poucos, sem pancadas bruscas, pois sabem que elas não resultarão em nada, que o novo povo não será realmente fiel a eles. Dessa formas os costumes são mesclados aos costumes da própria terra, de modo a soarem naturais, uma transição sem grandes rompimentos com o passado. Afinal quando nascemos em uma cultura, em um povo em que ela vigora há séculos ela está entranhada não só em você, mas em cada pessoa, manifestação da sociedade, e impor uma nova traz revolta, mortes, uma ligação fraca com o império.
Agora os vários impérios que surgiram em nossa história mundial sempre fizeram o mesmo, impuseram sua própria forma de ver o mundo sobre a dos outros, criando uma outra, uma nova forma. A Terra é nossa casa, é como se ela fosse divida em quartos e cada continente é um quarto, e em cada quarto existem povos, línguas, costumes, totalmente diferentes, o que os uni é ainda morar na mesma casa e poderem se comunicar através dos corredores, das portas, mas esse contato não é fácil e, muitas vezes, também não é amigável.
Agora cada um dos quartos quer adentrar ao outro levando consigo seus próprios costumes, sendo que o outro quarto já tem os seus, então o conquistador encontra um meio, uma ponte que os ligue, que faça com que seja fácil o domínio, não só da força através de um exército, mas sim também da mente dessas pessoas, que é o mais difícil. E o que resultará disso? Desse encontro?
Estátua de Perseu
Citamos acima o caso do corpo, podemos ver o exemplo disso nos dias de hoje, quando falamos em corpo humano vem diversas abordagens que não possuem uma raiz própria, uma raiz cultural forte, é como se houvesse inúmeros pedaços e aos poucos alguns são unidos, formando alguma coisa que não é totalmente inteira, tem pedaços das duas partes, uma vez que não sabemos ao certo o que pertence ao que.
Então para muitos o corpo é fonte de pecado, mas também de prazer, então sentem o prazer do corpo, que naquele momento é algo divino, mas depois o vêem como pecado, como fonte de malícia, talvez até de nojo. Então o que vemos? Uma cultura bem estruturada ou fraturada justamente por sua insistência de juntar valores tão diferentes sem saber ao certo à função de cada um? Como podemos saber o que fazer se nas instruções está escrito para gritar e também está escrito para não falar? O que fazer? Os dois? Nenhum? Qual o certo? Há realmente algo certo a se fazer nesse caso?
Aí nesse mesmo exemplo entra algo muito conflitante que vemos em nossa cultura, a nudez. Para muitos representa apenas sexo, “sacanagem”, não é mais algo natural ver alguém nu, é quase como se vermos o corpo fosse ver o “diabo” como dizem. E ao mesmo tempo a nudez é cada vez mais explorada, com a função sexual, não como o corpo em si,  não como os gregos viam nosso corpo, e sim uma visão que fica no meio do caminho, o corpo não é sagrado, mas também é fonte de prazer então deve ser mostrado com essa função, não como arte, como expressão do belo humano. Pensem se realmente não pudéssemos ver a nudez, não nasceríamos assim.
É como se criássemos um monstro e não sabemos lidar com ele. Contudo não é um monstro, é um ser, um ser que ajudamos a construir e aos poucos o abandonamos, abandonamos nossa cultura, nossos valores, por misturas que não sabemos lidar. Permanecer parado no tempo não é a solução, não evoluir, não se adaptar as mudanças, e será que a saída é agir por impulso e se arrepender depois por falta de pensar antes de agir?
Talvez acima eu não tenha me expressado bem, pois o meu desejo é ajudar, a nos fazer ver que vivemos em um mundo quebrado e reconstruído, um bela arte pode e está surgindo dos cacos, mas ainda sim podemos ver os fragmentos, os milhares de pontos, de valores, culturas, sentimentos que forma a sociedade em que vivemos. Isso não a torna melhor, ou pior, mas sim nova.
Perdemos sim muito do passado, e também ganhamos um novo mundo, uma nova obra que ainda estamos moldando. Apenas temos que ter muito cuidado para que esta nova obra construída por tantas mãos diferentes não acabe por destruir o que outros já fizeram.
Nossos antepassados deixaram conosco a missão de moldar o mundo de hoje que está se desfigurando aos poucos. Iremos mesmos deixá-lo se desfigurar totalmente sem nada fazer para ajudar?

 

Espero que possa tê-los ajudado a refletir um pouco. Um grande abraço a todos.
Pallas


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