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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Olhai os lírios do campo

Olhai os lírios do campo



Erico Veríssimo, através das páginas de “Olhai os lírios do campo”, nos faz deslizar pelos dramas resultantes do mundo capitalista em que vivemos, somos lançados num mar de egoísmo, crueldade, cobiça e libertinagem.  Todos esses sentimentos são observados por um jovem médico que possui suas próprias desilusões, dúvidas e medos. Porém é, para seus clientes, mais que um simples médico, ele representa um confidente e conselheiro para as misérias da vida.
Os personagens vão se desenvolvendo através do fluxo de lembranças contrastadas com o presente vivido por Eugênio. Quando recebe a notícia de que sua amada está prestes a partir deste mundo, parte imediatamente. Durante o caminho para o hospital suas memórias lhe formam o quadro de sua vida.
Embalado pela, talvez, iminente perda de Olívia, retorna ao seu passado. Conhecemos a criança que sofreu preconceitos por ser pobre e as conseqüências para seu caráter. Vislumbramos um menino que possui vergonha de ser pobre e daí nasce o desejo de se tornar alguém, não importando quais os preços que ele teria de pagar.
O menino cresce e, com muito custo, se forma, mas e agora? O diploma é só um papel, seus medos e incertezas continuam. O que será o amanhã? Neste ínterim ele finalmente repara na única mulher que havia em sua turma de medicina.
O jovem médico começa a trabalhar, a trabalhar cercado de seus medos, até mesmo em sua profissão ele treme. Porém agora ele possui Olívia, um ser misterioso que se tornou sua confidente e apóio para seus momentos de desespero.
Olívia é calma e serena, tudo aquilo que ele não é. Ela não se atormenta, ao menos aparentemente, com as frustrações e crueldade da vida. Ela tem fé em seu Deus, possui fé nos homens, que por mais ignóbeis, com a orientação certa podem se tornar os reformadores do mundo, como certo profeta que pregara o Sermão da Montanha.
A relação de Olívia e Eugênio passa da amizade para um complexo sentimento de amor, um sentimento muito parecido com o de uma mãe para com seu filho. Porém a relação se embaça quando ela vai trabalhar como médica em Nova Itália. Deixado aos seus medos, sem os doces pareceres de Olívia, entregado a tratar das misérias do povo, seu desejo de ser rico e reconhecido aflora com força.
Conhece e se casa com a jovem filha do milionário Cintra, Eunice, com esse casamento os luxos da vida lhe são descortinados, e é fácil esquecer as mazelas do mundo quando se vive nos veludos de uma mansão. Após seu casamento Eugênio procura Olívia para pedir perdão a ela por se casar e confessa que casou por puro interesse.
Logo descobre que não vive mais, que nunca viveu. Sua vida até agora foi um mar de desilusões e hipocrisias. Mais ainda há tempo. Procura novamente Olívia para ver se ela o ama e descobre o amor sincero e sem interesse desta mulher incrível e sábia. Outra vida lhe é defrontada, a pequena Anamara, fruto do amor dos dois.
Contudo, até mesmo as rosas possuem espinhos, a paz familiar do trio dura pouco tempo, apesar de Eugênio continuar casado com Eunice. Olívia está no hospital, enquanto Eugênio está longe em uma fazenda junto de sua esposa.
A partir da morte de Olívia, Eugênio enfrenta seus medos, decide mudar sua lamentável existência e passa a ser o médico humano que as pessoas necessitam.


Título: Olhai os lírios do Campo
Autor: Erico Veríssimo
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 283

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