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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A mulher e a Arte da Magia


A magia é a essência que habita em todos nós. Um pulsar suave de nossa essência em contraste e ampliando o que nos cerca. Somos parte do todo e o todo é parte de nós. A nossa ligação com o mundo que nos cerca não é apenas ilusão.

Mas o que aconteceu? Porque olhamos para o céu e esquecemos da Terra? Não habitamos os céus, apesar de dele dependermos. Por que fechar os olhos para o que nós cerca e nos focarmos nas estrelas? O paraíso se encontra no céu? Quem nos legou este saber?
O céu representa o masculino, o ativo. Com o tempo nos focamos apenas no lado masculino e esquecemos a essência feminina. Quem é o ser da qual viemos? Viemos do útero materno. Não paterno.
Durante milênios, antes que o papel masculino na reprodução fosse descoberto, era a mulher dona dos filhos. Ela os gerou, fazem parte dela. A linhagem real era materna, não paterna, uma vez que a identidade do pai era extremamente discutível, mas a da mãe era inegável. Um homem não se sentava no trono, a não ser como consorte.
Dentre as tribos o papel e a influência feminina eram tão grandes que os homens se juntavam em grupos separados para fugirem ao julgo feminino. E também para terem seus próprios mistérios do Sagrado Masculino.
Os papeis só se inverteram com a descoberta do sêmen na geração. Os homens orgulhosos de serem os portadores da semente da vida, passaram a menosprezar a essência feminina.

Para os egípcios o Sêmen tinha o poder de gerar a vida. O que é contado no mito da criação de Heliópolis, que diz que Rá, copulou com o próprio punho, e que o sêmen ao tocar a terra, teve inicio a criação. Segundo o mito heliopolitano, Shu e Tefnut, o casal primordial surgiu do sêmen de Rá ao tocar o solo ou ao oceano primordial.
"Assim foste engendrado:
concebeste com a boca
e deste a luz de tua mão no prazer da ejaculação.
Eu sou o astro que se originou dos dois [dedos] de Rá."
(Texto Funerário, onde Shu fala sobre seu nascimento)

A pederastia dos gregos ia muito além de uma questão sexual, era uma questão educacional. Além de trasmitir conhecimento, os pederastas gregos trasmitiam através do sêmen a virilidade de uma maneira total, iniciando assim seus pupilos, não só nos mistérios da masculinidade, mas na própria sociedade.
Para os baruya, da Nova Guiné, um filho é o produto do esperma do homem. Uma vez dentro da mulher, porém, o esperma encontra-se misturado aos seus próprios líquidos. Se o esperma do homem vencer a água da mulher, a criança será um menino, caso contrário, será uma menina. Após a fecundação, o homem alimenta o feto por meio de coitos repetidos e o faz crescer no ventre da mãe. O esperma é o alimento que dá força à vida, e as mulheres enfraquecidas pela menstruação ou pelo parto bebem esperma. Um segredo dos homens baruya, que nenhuma mulher deve conhecer, é que o esperma dá a eles o poder de fazer renascer os jovens fora do ventre de suas mães, fora do mundo feminino, no mundo dos homens e apenas por eles. Assim que os jovens iniciados penetram na casa dos homens, são alimentados com esperma dos mais velhos. Essa ingestão é repetida durante vários anos, com a finalidade de fazê-los crescer mais e mais fortes. Para os baruya, o feto só se desenvolve graças ao esperma masculino. O leite com que mais tarde as crianças são alimentadas é o resultado desse esperma, já que, segundo eles, o leite da mulher nasce do esperma do homem.
(Retirado do blogg Falo- o Sagrado Masculino)

Vemos aqui o egocentrismo masculino. Devido o seu culto a força, impuseram sua vontade ao longo das eras vindouras.
Porém nem sempre foi como é hoje. A mãe é a força geradora, o poder da criação, a essência da magia vem do feminino, que é capaz de gerar. O masculino é uma parte da Deusa Mãe, amante, donzela, anciã assim como ela é pai, amante, jovem e ancião.
Das eras distantes temos apenas ecos da força feminina esquecida nos dias de hoje, mas aos poucos tentando ser recuperada.
O que nossa cultura representa? Por que a mulher é a portadora do pecado? Por que a mulher deve sofrer? A mulher é um ser irracional e inferior?
Por exemplo
“Acreditava-se que o sangue menstrual azedava o vinho, arruinava as colheitas, tirava o fio das lâminas, enferrujava os metais, e infectava as mordidas dos cães com um veneno incurável. Com poucas exceções, as mulheres eram tratadas como menores de idade vitalícios, sem quaisquer direitos legais ou de propriedade. A lei permitia que seus maridos batessem nelas; o estupro era encarado como uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada, pois uma mulher culta era considerada não apenas uma aberração, mas também um perigo.”
(Papisa Joana; Donna Woolfolk Cross)
                            
“ E vocês não sabem o que são Eva? [...] Vocês são o portão do diabo, o traidor da árvore, a primeira desertora da lei Divina; vocês são aquela que instigou aquele a quem o Diabo não ousou abordar [...] por causa da morte que vocês merecem, até o Filho de Deus teve de morrer.”
(Tertuliano, Padre Apostólico)
“ [...]É  mais amarga que a morte, porque a morte do corpo é um inimigo franco e terrível, mas a mulher é um inimigo lamuriento e secreto. E o fato de que é mais perigosa que uma armadilha, não falando das armadilhas dos caçadores, mas dos demônios. Pois os homens são capturados, não só por seus desejos carnais, quando vêem e ouvem às mulheres; mas, como diz São Bernardo: “Seu rosto é um vento quente, e sua voz o apito das serpentes”; e também provocam encantamentos em inúmeros homens e animais. E quando se diz que o coração delas é uma rede, se fala da inescrutável malícia que reina em seu coração. E suas mãos são como laços para amarrar, pois quando posam suas mãos sobre uma criatura para enfeitiçá-la, então, com a ajuda do demônio, executam seu desígnio.
Para terminar. Todas as bruxarias provem do apetite carnal que nas mulheres é insaciável. Vejam-se Provérbios XXX: “Há três coisas que nunca se fartam; ainda a quarta nunca diz basta”: a matriz estéril. Pelo qual, para satisfazer seus apetites, se unem inclusive aos demônios. Muitas outras razões deveríamos apresentar, mas para o entendimento está claro que não é de se estranhar que existam mais mulheres que homens infectadas pela heresia da bruxaria. E em conseqüência disso, é melhor chamar de heresia das bruxas do que dos bruxos, já que o nome deriva do grupo mais poderoso. E bendito seja o Altíssimo, que até hoje protegeu o sexo masculino de tão grave delito; pois Ele se mostrou disposto a nascer e sofrer por nós e, portanto concedeu esse privilégio aos homens.”
(Trecho de Malleus Maleficarium)

Em um período de trevas, onde a ignorância reinava, a corrupção era o centro, como era a mente da população? O que significava para uma mulher nascer em um meio que a tratava como um ser irracional, criado para parir e constantemente surrada por seu marido, ou melhor, seu dono? Um único passo fora, ou mesmo sem isso, um dia que seu “dono” estivesse de mau humor poderia espancá-la, ás vezes, até chegando a desfigurar seu rosto e corpo.
A mulher como ser para procriação, tinha, era sua obrigação, parir. E, preferivelmente um homem, uma vez que qual a utilidade de uma mulher?
As mulheres versadas na arte da natureza, que preparavam poções para aliviar a dor, as parteiras, eram consideradas bruxas. A mulher TEM que sentir dor, para expiar seus pecados, por cobiçar a MAÇÃ PROIBIDA
.
Por que a mulher? E não o homem, que possui o raciocínio mais lento e de menor percepção, uma vez que se concentra em sua força e não em sua mente?

 Porque a divindade máxima era uma mulher, uma Deusa, a divindade geradora e ancestral. Com uma nova crença surgindo, baseada na masculinidade, em um Pai, ao invés de uma mãe era necessário desacreditar a mulher e tudo lidado a ela (Por exemplo o lada esquerdo, dizemos que o lado esquerdo da azar, já se perguntou por que? Pois o esquerdo é o lado feminino, portanto fonte de pecado e também de azar). Quando sentimos medo, a quem recorremos?, ao pai ou a mãe, quem nos causa maior temor?
A nova crença necessitava extirpar as antigas raízes pagãs, a mulher deixou de ser divina, a humanidade deixou de cultuar a Terra e passou a cultuar os céus. E hoje temos o resultado de nossa escolha, nossa casa expira por nossas torpes escolhas. Destruir a Terra, porque ela representa a carnalidade, a inspiração de Satã, outra figura desvirtuada (seus chifres, símbolos de fertilidades, eram o símbolo do Deus pagão, e o que fazer com ele? Como estava enraizada na mente do povo, desvirtuaram a sua imagem, tornando-a assustadora, para afastar o povo do culto pagão).
“Não terás outros deuses diante de mim.” (O Segundo Livro de Moisés Chamado ÊXODO;CAPÍTULO 20: Os Dez Mandamentos). Se este Deus é onipotente, onipresente e onisciente, porque ele permitira a seus filhos terem outros Deuses quando tem o poder de impedir? Por causa do livre arbítrio de seus filhos? Será mesmo que seus filhos não conseguem ver sua grandiosidade, que este ser é supremo e que se manifesta de inúmeras formas a seus filhos, que não existe uma verdadeira e outra falsa? Que todas são um complemento?


Não há razão em destruir o que as mulheres são e representam em nome de um deus, uma vez que ele também é mulher, ele é o todo e o nada. Feminino e masculino. E seu caráter, sua forma de se manifestar não deve ser extirpado e sim respeitado.

Símbolo da antiga força feminina


Um exemplo disto é a Papisa Joana que teve seu papado entre os anos de 853 e 855. Porém a Igreja, no século XVII sob o constante ataque protestante, deu início a seus esforços para destruir os vergonhosos registros históricos sobre Joana. O desaparecimento quase completo de Joana da consciência moderna, apesar de durante a Idade Média e Renascença sua história tenha sido aceita pela Igreja, atesta sua eficácia. Em sua história vemos a luta feminina por uma reconquista, por idéias altruístas em um clero cada vez mais decadente e corrupto. A história de superação, força e dignidade.



As fogueiras da Inquisição arderam durante séculos, insufladas com os ventos da ignorância. Hoje em dia não nos encontramos tão diferentes dos antigos Inquisidores, apenas já não se ataca diretamente, mas sim por meios indiretos e lentos.
Devemos deixar novamente que este fogo apague nossos escritos, como fizeram em Alexandria? Já não basta de sermos relegados as sombras sob falsos julgos?




 

Um comentário:

  1. Olá - boa noite:

    Sou fâ de "sofia", a deusa filosófica... !!!

    E considero este blogue muitíssimo interessante.

    Suponho que no passado, passou-se do mito à filosofia e à ciência, através da arte.

    No presente, sou de opinião que se retorna ao mito, por meio da arte e da mística mais ou menos espiritual; reconciliando o Homem com a Terra, na prática duma religiosidade em que a Humanidade, o planeta e o sistema solar em que vivemos, formamos uma unidade natural.

    Amigavelmente - artur

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