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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Babbitt

Babbitt
Sinclair Lewis
Alguma vez já paramos para pensar o quanto nossa vida é moldada pela sociedade em que vivemos? Seja qual for o país, região, aldeia nossas atitudes sempre estão de acordo com o que mundo espera de nós. Mas é aí que reside o problema, estar de acordo com a sociedade em que vivemos não significa que conseguimos o que desejamos. È esse espírito de aceitação do que vier que o livro Babbitt trata, ele fala claramente dos dissabores que a vida moderna causa, do enfastiamento da vida social sem graça, com um tom de contemplação somos guiados pelo mundo monótono do suburbano.
A vida de George Babbitt pode parecer perfeita, uma bela esposa, filhos, uma posição social digna, um bom emprego, uma bela casa. Porém quando passamos a analisar mais seriamente o que se passa por detrás da fachada da casa, aparentemente perfeita, encontra-se uma família movida pela rotina, com as pequenas discussões diárias, as obrigações sociais e dentro disso tudo onde está a realização pessoal? Isso é uma das coisas que Babbitt irá descobrir ao longo do livro.
Para as ambições de Babbitt, um homem de negócios, prático, conservador, um americano de primeira classe, sua vida atual é o que qualquer pessoa sensata deseja.  Uma casa, uma família, uma empresa imobiliária tudo plenamente uniforme, de acordo com os preceitos da nova ideologia capitalista-conserdorista que estava em marcha na época.
Analisemos a uniformidade: quando se caminha por uma rua em que todas as casas são idênticas, um sentimento de frieza nos invade, afinal, onde está à criatividade dos moradores, será que todos ali são iguais? As mulheres que estão cuidando da casa, na maioria das vezes devido a um machismo ainda existente, são todas iguais, possuem os mesmos pensamentos e sentimentos? Os homens que saem para trabalhar, pode-se dizer que são a mesma pessoa? É nesse sentido que a uniformidade é desconcertante, pois ela mata o individualismo, deixa as pessoas apagadas perante a massa. Como distinguir um ser quando todos são iguais?
No começo do livro somos apresentados a essa questão, quando George e sua mulher Mary oferecem um jantar. Neste jantar fica visível o desconforto do personagem em lidar com todas essas mulheres que parecem ser todas iguais e conforme o jantar se desenrola ele percebe o quanto elas diferem entre si. Enquanto que os homens, mudando as aparências, sãos os mesmos, com os assuntos iguais, maneiras idênticas.
A rotina também é apresentada. Este pode ser um elemento, que para alguns pode tornar o livro sem graça. O desenrolar da história é lento, sem as grandezas e aventuras excitantes dos romances melodramáticos, isto deixa o livro com o ritmo característico da vida, muitas vezes monótono.
Rotina, para quem deseja manter as aparências e quer subir socialmente é essencial. Ela serve como uma ponte para transpor as turbulências da vida boêmia, um crime capital para os conservadores. Sempre fazer a mesma coisa todos os dias garante estabilidade, evita as mudanças, que o ser humano não vê com bons olhos, afinal o futuro reserva surpresas e elas podem ser desagradáveis.
Babbitt vislumbra o quanto sua vida é vazia, desfalcada de paixão e que esta se perdendo na uniformidade da vida social e decide, graças a seu amigo e protegido, Paul, rasgar o véu da rotina e se melindrar pelos caminhos da aventura.
Então chega a hora da vida de Babbitt tomar novo rumo. Ele passa a freqüentar festas e noites de aventuras com sua amante Tanis. Um novo mundo lhe é apresentado com todos os seus luxos e extravagâncias. Mas um homem vivendo no meio de conservadores capitalistas não se pode dar ao luxo de esbanjar atitudes “indecorosas”. Logo ele é afastado da roda da sociedade, de seus amigos, clientes e até mesmo sua família o trata de modo diferente.
Esse arroubo de vida não continua por muito tempo. George Babbitt se dá conta que não pode viver fora da esfera a que estava acostumado e abandona sua vida de extravagâncias. A segurança proporcionada pela rotina é forte demais e suplanta a simples satisfação de viver nossos desejos.
    Outro laço, que o firma ainda mais a sua antiga vida é o fato de sua mulher passar por uma cirurgia, trazendo o velho Babbitt a sua esfera de ação social. O medo da morte iminente é a maior força para nos faz agir.
Babbitt de Sinclair Lewis deixa uma mensagem: por mais desesperante que possa ser a rotina ela é essencial para todos que temem a mudança. Agarre-se firmemente a ela se você não tem coragem para enfrentar o futuro. Mas, lembre-se que ela pode sempre ser quebrada!

Babbitt
Autor: Sinclair Lewis
Editora: Abril
Número de páginas: 441

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