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domingo, 1 de abril de 2012

Sombras divinas do amor


O cantar de Afrodite

Eu sou a Senhora da Terra
A Senhora dos céus
A senhora dos mares
A senhora dos corações

Senhora dos sonhos
Emoções
Desejos

Ouçam meu chamado
Ele ecoa em cada um de vós

Sob o som da batida do coração disparado
Sob o som dos lábios
Do toque da pele
No cantar da brisa

Trago comigo a energia criadora
A energia do mistério criador
O mistério a que todos se rendem

Todos os seres são minha casa
Todos os seres habitam em mim
A força que em mim habita está  em vós
Meus amados filhos

Ouçam minha voz sob as estrelas
No luar
No pôr-do-sol
No espelho da alma

Estou sempre ao lado de cada um de vós

Os corações anseiam pelos mistérios
Eu sou o maior mistério
Eu habito em vós
Vejam meus olhos
Meu poder
Nos olhos daqueles que mais amam
Neles eu estou

Assim como em você também encontrará a mim
Deixem que meu chamado tome conta de vocês
Que as flechas de meu filho
Tragam não só a dor
Como a maior das alegrias

Está em vós meu poder
Meu maior templo
Minha oração é o cantar de seu coração vibrante
Minha oferenda é o fruto de seu encontro
A semente de meu ser

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Estações, Outono


As Folhas que Caem
Continuando a falar sobre um tema que nunca terá fim, a natureza, venho agora falar sobre o outono.
 No post anterior tivemos o inverno, com a sua brancura, o veludo enganoso da neve, escondendo perigos mortais.
Nesta estação, o outono, vemos as folhas caírem, o dourado tomar conta da paisagem, o vento espalha uma saudade sem fim, pois estamos nos aproximando do inverno época de ficar afastado, em que hibernamos em nossos corações para podermos seguir adiante com nosso esforço.

Uma grande tristeza paira no ar, uma saudade dos tempos passados, dos tempos idos do verão, o calor passa a se transformar em frio, tudo muda aos poucos. Somos assim, seres mutáveis e a natureza também o é, na verdade é isso que nos permite avançar no patamar do mundo, na nossa evolução, seja ela física ou espiritual.
Aos poucos vamos nos adaptando a ver as árvores perderem suas folhas, seus mantos verdes se tornarem mantos dourados e depois caírem sobre suas raízes forrando o chão, transmutando-o em  algo novo, transforma-o na magia da vida.
Podemos temer as mudanças, mas não vivemos sem elas, elas nos fazem progredi. Que a partir de hoje possamos encarar tudo o que a Mãe Natureza colocar em nosso caminho.
E eu deixo com vocês imagens do outono, das folhas caindo, dos carvalhos, das florestas mágicas:

            

           
  





E para terminar deixo essa mensagem para vocês:
“Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiúra, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente”
Dalai Lama

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Conto, Despedidas



Despedidas
A noite está tão bela, calma, suave, acariciando o mundo com o veludo da escuridão. A neve espalha-se pelo terreno, um manto que aparenta ter a delicadeza da seda, contudo esconde o gélido e suave toque da inanição.
As árvores estão tão diferentes, não há mais flores, relva, o perfume da primavera, nem o abraço reconfortante do verão, apenas o escárnio do inverno, sorrindo perante os seres congelados, os corações despedaçados.
Mesmo assim continuo perambulando, relembrando cada instante daquele tempo que nunca mais voltará. Em cada centímetro memórias são despertadas e o açoite do frio me faz sentir uma sensação de vazio, é como uma ampulheta quebrada, onde toda sua areia, seu tempo escoa para fora, desfazendo seu propósito.
O caminho para chegar a casa encontra-se bloqueado por montanhas de neve. Da casa uma pequena fumaça sobe aos céus, como um pedido aos Deuses pela dor que paira em todos os lugares. A neve não é empecilho, não em meu estado atual. Com tranqüilidade, com uma dor sem igual, continuei.
Parei em frente à porta, observando as aldravas, os dragões que escolhemos para guardar e avisar da vinda de estranhos, destinados a também guardar nosso maior tesouro, nosso lar.

A porta estava fechada, contudo novamente atravessei-a. Era tão grande a vontade de poder rever ao menos uma vez tudo o que amo, que a porta se abriu e a neve, o vento, varreram o calor para o interior da casa, incessantemente.
Fechei meus olhos, senti o lugar em que estava, meu lar. Abri os olhos e a primeira memória foi à primeira fez em que entramos por essa porta. O outono estava no auge, tudo estava tão belo.  Você me carregou no colo, abriu a porta e o vento encheu o corredor de folhas douradas, um tapete de recepção nos guiando para nossa casa, nossa vida. Você me carregava pelo corredor, acabou escorregando nas folhas, me derrubou próximo a escada, caindo em cima de mim. Rimos muito, nos beijamos, nosso primeiro beijo em nossa casa. Apoiamos nossas cabeças no primeiro degrau da escada, juntos observamos o pôr-do-sol pela janela. As folhas continuavam a cair, trazidas pela brisa, emolduradas pelos últimos raios dourados de sol. Era como se penetrássemos no mundo das fadas, onde os instantes são eternos.
Essa lembrança foi-se com as rajadas que adentravam pela porta, agora o sol se punha envolto em sombras e escuridão.

Continuo caminhando pela casa, procurando por você. Dirijo-me para o único cômodo ainda quente da casa. Lá está você sentado em nossa cadeia, de frente para a lareira, dormindo segurando o livro que até poucos instantes você lia, o nosso livro.
Ao me aproximar de você logo a cena muda. Lembro-me de outro inverno em que estávamos juntos. Eu estava sentado aos seus pés, nevava lá fora, nos aconchegávamos em uma única coberta, sobre suas pernas e meu corpo. Eu abraçava suas pernas como uma criança que pede abrigo e você calmante me beijou. Serviu chocolate quente, começou a ler para nós Contos eternos, nossos contos. Ouvíamos a lareira crepitar, esquentar nossos corpos, enquanto juntos aquecíamos nossos corações.
Esta cena também se desfez. Você permanecia dormindo, eu estava em sua frente, sem nada para poder fazer para dizer o quanto eu te amo, o quanto sofro por você. As janelas se abrem com o sopro forte do vento, a neve, ambos tomam conta de teu leito, meu amor. Não posso permitir que parta também.
Novamente outra cena se forma em minha mente. Era uma linda tarde de primavera, os pássaros cantavam, as flores se abriam. Fazíamos um pequeno piquenique em nossa casa, nesta sala. Estava um pouco frio, acendemos a lareira, espalhamos velas pela casa, mesmo estando de dia.
Nos sentamos nesta sala, colocamos uma linda toalha branca, para não manchar o tapete. Distribuímos nossas taças, uvas, morangos, tortas. Apenas sorríamos. Então fizemos um brinde a nós. Antes de levar a taça aos meus lábios ela caiu, lentamente, espalhando vinho por toda toalha. Junto com a taça eu também caí, e antes de fechar os meus olhos eu vi os seus. Antes tão felizes, sorridentes, parou a taça a poucos centímetros dos lábios e a dor os preencheu. Foi à última visão que tive. Meu amor, nunca quis te causar dor, me desculpe.
Meu corpo caiu, um filete de sangue escorreu de minha boca, espalhou-se pelo branco. Pude sentir seu gosto antes de meu coração parar de bater.
Você foi até mim, me pegou em teu colo e tentou escutar meu coração, porém já não podia mais ser ouvido. Você gritou, abraçou meu corpo desesperadamente como se pudesse me manter vivo com o pulsar de seu coração. Encheu-me de beijos, cada vez mais desesperado e a única coisa que encontraste foi um filete de sangue e meu olhar vazio.
De algum lugar você encontrou forças, me pôs em seus braços e carregou meu corpo para fora de nossa casa, assim como o trouxeste. Enquanto corria comigo, me levava, tentava me salvar, mesmo sabendo que já era tarde, o vento novamente soprou trazendo milhares de pétalas de flores sepultavam meu corpo.
A lembrança foi-se. Foi-se com tanta dor que causou. Mas assim como tu, Meu amor, tentaste me salvar, eu salvarei a ti.
Como não consigo fechar as janelas, trarei você do mundo dos sonhos. Reuni todas as minhas energias e as enviei ao meu amor. Que no mesmo instante despertou, não com a dor que sentira na última vez em que o vi, mas sim feliz, pois você sabia que eu estava contigo. Por um breve instante você pode me ver como as pétalas de nosso adeus. E também pude sorrir pata ti antes de partir novamente.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Grafite, a arte das ruas


Tela, as Paredes

O mundo em que vivemos se tornou praticamente urbano e a natureza quase nunca é vista às vezes as vemos em pequenos quadros naturais ao longo de passeios que fazemos, ou em trechos de rodovia e para muitos é até surpresa ver verde em meio a tanto cinza. Mas algumas pessoas, que vivem em meio ao meio urbano e vêem a sua decadência visual e abandono resolveram fazer arte com a destruição e o abandono, foi daí que surgiu o grafite.
Tendo origens em manifestações políticas estudantis na França em 1968, a arte do grafite é controversa até os dias de hoje. Muitos não a vêem como uma arte, mas sim como mera pichação de parede.
Mas será mesmo apenas pichação? As pessoas que transformam um ambiente cinza e sem vida em algo que pulsa, que chama a atenção, que mostra protestos, humor, sentimento, cotidiano, através da tela mais acessível, as paredes.  Um grafiteiro transmite através da tinta de um spray o mesmo que um pintor faz com as tintas em suas telas, arte, sentimento, emoção.
E desta forma trago um pouco desta arte que gera tanta discussão. Vale à pena conhecer antes de julgar uma obra, alguém.



















segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Quem são os Deuses?


Quem são os Deuses?


Imaginamos os deuses, como seres distantes, intocáveis. Mas afinal o que é um deus?
Do mais profundo de cada ser podemos encontrar a resposta. Um deus é tudo o que há e também o que não há. Eles não habitam tronos celestiais,
 paraísos longínquos. Em cada ato da natureza habita o toque divino, em cada soprar da brisa, crescer da relva, canto dos pássaros, rios e oceanos livres, sorrisos, lágrimas, raio de sol. Tudo palpita com a alma de um deus.
E como os deuses habitam cada ser, gesto, ação, tudo compõe o divino. Ainda necessitamos aprender a respeitar e aceitar o divino que habita em nós. Afinal, como ousamos profanar o divino?  Não somos hereges do celestial, do real, da essência divina ao destruir partes sagradas? Não foi pelas mãos humanas que se tornaram sagradas, mas sim pela essência que as habita.
Cada um de nós somos deuses, porém ainda não aprendemos a lidar com nossa divindade.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Adormecer do Mundo


Adormecer
Do Universo


Tantas vezes observamos as estrelas
E pensamos estar vendo
Refletido no céu
O sorriso...
Sorriso de um ser amado
Que não está ao alcance de um toque...
De um leve farfalhar da brisa
A tocar suavemente
A pele
Como a incitar
De uma região distante e esquecida
Tudo o que os humanos esqueceram
E nestes instantes
A brisa leva consigo
Mais que as folhas tépidas
De um eterno outono
Sempre a esperar a aspereza do inverno
Sem nunca desfrutar
Do veludo da neve
Da pureza imaculada
De uma existência sonhada
E tão esperada
Mas a neve
De tão pura
Se desfaz ao menor toque
E com ela se esvai
Os sonhos
Traçados sob os antigos carvalhos
Sob a chuva dourada
Agora substituída
Pelo ouro
Ouro que retine por sua brancura
A penetrar a luz
E a esmaecer
Cada tom dos sentimentos
Como a dizer que tudo não passa de um sonho
Que as estrelas
São pontos inalcançáveis
Onde os homens depositam suas esperanças
Com o desejo
De vê-las tornarem-se reais
Pelas mãos do divino
E o tempo passa
As areias escorrem pela ampulheta
Mostrando como a vida é pequena
Como é instável
Como ao mais leve toque ela pode se desfazer
E flutuar para o abismo
Onde a existência não tem sentido
Onde as estações
Se perdem
Em uma vastidão eterna
Tentando alcançar o inalcançável
Como se a escuridão fosse palpável
E dela surgissem braços
Que amparassem 
A chuva pálida
E a dourada
Transmutando-as
Em algo jamais sonhado
Por uma mente mortal
E o resultado escoa para as profundezas
Procurando a saída das trevas
Procurando o vazio
Onde possam escoar para eternidade
De uma mente
Uma mente ansiosa
Por respostas
Que nunca surgem
Porque caem
Em um abismo sem fim
-----------
A primavera deixou de existir
O canto dos pássaros já não se ouve
O tilintar da vida germinando
Foi-se,
Com a vida
Que a cada instante se afasta cada vez mais

O verão
Tornou-se gélido
Os cálidos raios solares
Tornaram-se
A foice da morte divina
Já não sustenta mais a vida
A ceifa


Seus raios gelam as planícies
Os raios divinos são as adagas divinas
Para punir os mortais
Com o sangue derramado
De um celestial que definha no horizonte
E busca a vida
No único local que encontrar
O inverno chegou a estas terras
Trouxe a morte
Parou o trono do
 Senhor do tempo
Distorceu os véus da realidade

E neste mundo
Não há distinção do que é realidade
Da fantasia
E minha mente já não suporta tal caos.
O universo retorna a sua origem
E nos arrasta com ele
Mas não é permitido a nós ver sua origem
Então definhamos no caminho
Vemos a morte imperando
E ruindo
Tudo o que era belo
Tudo o que era vivo
Mas a destruição tem sua beleza
Cruel...
Eficaz...
Arrasando em suas ondas de fogo e gelo
As cercanias do mundo
Trazendo as profecias antigas
Trazendo ao mundo
O poder celestial
---------
Dós céus
Uma forte luz emana
Apaga cada contorno do universo
E o Sol definhante
Expande sua maça
Em um raio de luz
E dos meus sonhos
Desperto

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O rio das rosas


O rio das rosas
 
Caminhamos...
Em meio às flores
Flores mortas,
De uma primavera esquecida.
Esquecida em um mundo
Onde as cores se mesclam
Onde o véu da noite
Nunca cai
Onde o véu do dia
Nunca desce
 -------------

Neste mundo nós caminhávamos
Vi tu apanhares uma das rosas...
Negra
Como teu coração desesperado,
Quebrado pela dor...
Pela dor do passado
Onde nossa carne se desfaz.
A rosa que apanhaste
 Além das pétalas negras
Possuía também seus espinhos
Coroados com nosso medo
--------------







                             Pousaste tuas mãos sobre o medo
E ele perfurou tua carne
A gota rubra
Cai pelos espinhos
No esquecimento...
Em teu rosto vejo estampada a surpresa.
E não sei por quê.
Por quê?
Meu Amor
Tua face estampa mais que o medo
Mas também o toque gélido da morte
----------






Quando desvio meu olhar
Vejo uma gigantesca serpente
Levando consigo teu precioso rubi
Incrustados em suas escamas.
Em seus afiados marfins
Pontilhando-se de veneno
Ela leva mais que a morte...
Ela leva você...
---------

Desesperado
Olho para ti.
Como se o tempo houvesse parado
Vejo-te cair
Amparado pelas rosas
Manchando teu corpo
Mas teus olhos ainda brilham
Sua cabeça repousa entre o veludo das flores
Coloco tua cabeça em meu colo
Enquanto tu olhas o eterno alvorecer
----------

“— Por mais que caminhemos um dia temos de deixar de caminhar. Não posso mais te acompanhar pelos mundos. Em busca do eterno. Minha hora chegou. E fico feliz, por te ter ao meu lado.”
Após dizer o que seu coração dizia
Pude ver o brilho deixar-lhe a face
Aqueles olhos...
Antes a fonte do meu ser
Agora deixam de brilhar
---------

Com o sopro da vida que o deixou
Todo o mundo mudou
As rosas perderam suas pétalas
Formando um rio negro
De correnteza inquebrantável.
O céu escureceu.
E no mais distante do horizonte
Uma tênue linha de luz se formava.
O rio escoava em direção luz.
O corpo de meu amor
Já não jazia mais sobre meus braços
Ele flutuava em meio às pétalas
Maculando-as com um intenso vermelho
Sua pele alva destacava-se
Navegava como um navio sem seu comandante
A mercê das marés
--------

Meu coração...
Minha alma...
Não suportaram te perder neste rio.
Uma lágrima...
Escorria por minha face
E ao tocar o solo...
Pude sentir
Que a mesma serpente se enrolava em mim
--------
Ela enroscou-se em mim
Com seu corpo forte
Me abraçando suavemente
E eu nada fazia.
Ao chegar à altura de minha face
Ela afastou-se
Olhou dentro de meus olhos
E vi...
Vi o rosto de Meu Amor
Com esta última visão
A serpente me presenteou com seu beijo
Suas finas presas
Penetrando em minha carne
Apenas senti que caía
E como uma mãe
A serpente me amparou.
Meus olhos se fechavam...
E antes de deitar-me nos braços da Morte
Pude vê-lo
Meu Amor...
 







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