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domingo, 22 de abril de 2012

Luzes do Esquecimento


Luzes do Esquecimento
Mesmo depois de todas as noites em claro
Mesmo depois de encontrar...
Chorar
Soluçar
Cantar aos céus

Mesmo depois de sorrir
Colorir os fantasmas
Descobrir as verdades

Ainda assim...
Depois de tudo
Nada vejo
Nada desejo
Nada sei

Por dias
Por anos
Sentei-me nos bancos da dor
Caminhei sobre as pedras do sofrimento
Naveguei nas águas do esquecimento
Sob a barca da solidão

Os ventos sopram a brisa da paixão
Os pássaros voam sob a força da vida
As raízes espalham-se pelas lembranças remotas

Existe mesmo o infinito?
O sonhar vibrante
A realidade tocável
O simples olhar do amor?

O beijar dos suaves acordes
O luzir de vozes míticas
O dançar sedutor da melodia

Olhar profundo
Sombrio...
Tangível...
Perturbador dos Mortais

Quem são estes seres
Vestidos com o fino manto da inocência
Trazendo o intocável véu da verdade

Banhado nas sombras da incerteza
Trajando o ego perturbado
O cingir da lâmina da mentira
Na lâmina do corpo
Aqui estou...

Para que trazem a mim
Este véu?
Não sabem que ao tocar meu pútrido ser
Definhará sob o olhar do arrependimento?

Um dia talvez...
Os elos se quebrem
A voz se desfaça
As correntes definhem
Um dia...

Neste dia tudo o que sobrará
Será apenas o
EU
O verdadeiro senhor
O verdadeiro deus
O verdadeiro Universo

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A importância de contar histórias


Uma história de
Bardo
Nos dias de hoje somos bombardeados por inúmeras histórias que a cada dia se tornam mais e mais reais. Não ouvimos mais o estalar da língua dos bardos, os contadores de história, porém, em compensação temos os filmes e os livros.
 Já pensaram no que era a vida há tantos anos atrás quando ler era um privilégio que nem mesmo os reis possuíam? E o cinema nem mesmo sonhava em existir, o mais perto dele eram os sonhos, provavelmente os pesadelos, se é que as pessoas podiam se dar a esse luxo.
Naqueles tempos idos as noites eram muito especiais, especialmente em festivais importantes, como o da colheita. Era o momento das pessoas se sentarem, deixarem suas mentes vagarem por lugares ao qual nunca chegariam, presos na terra, seja pelas correntes da escravidão, seja pelo medo, pela ligação com a própria terra e Senhor feudal que a detinha, como se fossem parte da propriedade.
Se formos abordar diversos níveis de tempo, desde os feudais, com seus senhores de terra, a conhecida Idade das Trevas onde a luz do conhecimento permanecia apagada, voltando mais e mais, aos tempos de Roma, com seu Coliseu torturando pessoas para divertimento de outras, para a Grécia dos deuses, das encenações e da filosofia, navegando pelas águas do Nilo, serpenteando sobre as areias dos faraós nos movendo pelas mais diversas culturas do mundo sempre encontraremos os contadores de histórias.
Para você, hoje em dia com o computador, redes sociais, televisão, cinema, revistas, jornais, livros, parece uma profissão, no mínimo dispensável, contudo retire de você todos esses luxos e veja como você reagirá perante um mundo que exige tanto de você e você não pode em momento algum fugir dele, mergulhar por outras terras, viver outras vidas, sentir outros sentimentos... Consegue imaginar?
A importância de uma história vai além do que possamos imaginar. Nossa vida é composta delas, e não apenas as histórias que você aprende na escola, nas tão entediantes aulas de História. Aqueles causos dos avós, tios, primos, o que aconteceu com você a algum tempo e está passando a outra pessoa...
Superficialmente falando você já pode perceber o quão elas são essenciais. Porém os exemplos dados acima, são, de certa forma, de um iniciante, de um leigo. O verdadeiro bardo, contador de histórias, é aquele que através das palavras, dos sons, dos gestos, transmite aquela realidade as pessoas que estão ouvindo, faz com que elas acreditem em seus contos, lendas, mitos, fábulas, torna-as reais com a própria realidade.
Quer um exemplo maior que quando se está no campo, em uma noite estrelada, em volta de uma fogueira e começam a contar os contos de terror que supostamente ocorreram, e mesmo que você nunca tenha ido ao campo ou estado de frente com uma fogueira, então pense quando estavam você e sua família, seus amigos e de repente a luz apaga e todos se sentam em volta de uma vela e alguém decide contar uma história...
Não importa se elas são reais ou fictícias, importa é o mistério, o romance, a paixão daquele que conta, que enlaça o outro em sua teia de palavra, que envolve a presa nas armadilhas das frases, dos trechos e aos poucos tem uma presa suculenta ansiosa por mais histórias. Tudo nos levando a uma proximidade sem fim, a um calor humano que as poucos vêm se perdendo.
Realmente, estar numa sala de cinema, é mais impactante, ver, ouvir, e, atualmente com a tecnologia, até mesmo sentir, a história, o enredo, os personagens. Mas ainda sim não substitui a imaginação, essa proximidade que apenas uma história contada diretamente pode proporcionar.
Reflita um pouco nestes pequenos momentos, com seus amigos, colegas, familiares, ou mesmo os estranhos, aqueles singelos momentos em que vocês podem contar ou ouvir uma história. Vale à pena parar para ouvir, mesmo que por um instante.
Despeço-me agora de vocês e também agradeço por pararem e ouvirem minhas palavras, realmente muito obrigado.
Sei que não posso me comparar a um bardo, mas também conto histórias e declamo em mim as poesias, compartilho com vocês, dêem uma olhadinha nas páginas das Poesias e também dos contos, os Contos Eternos, de meu blog. Excelente leitura e realmente obrigado por visitar meu singelo blog.
Pallas
E antes de ir totalmente, como a música é uma das maiores formas de nos conduzir a estes mundos de histórias deixo com vocês duas delas que são belíssimas, vale a pena conferir:



quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sombras de mim


Existir ou Perecer?
Tantas e tantas vezes existe um dor sem nome que nos corrói e nos leva ao mais profundo dos poços, o poço do desespero, da saudade, das lembranças de um tempo perdido onde não há mais o que pensávamos existir, onde existe apenas sombras de um passado distante.
Muitos dizem que das sombras podem surgir algo, que delas podemos nos levantar, seguir adiante, nos guiarmos em um mundo de escuridão apenas com nossa luz interior, seguirmos tropegamente por caminhos tortuosos, caminhos nunca antes percorridos, que podemos caminhar mesmo estando feridos, sangrando profusamente. Realmente podemos?
Realmente podemos caminhar em um mundo onde tudo desmorona e somos parte desse mundo decadente, não o mundo exterior que caí, mas sim o interior, um mundo construído com tantos sacrifícios, perdas, dores sem nome, ferimentos e cicatrizes que nem mesmo nos lembramos à causa devida a dor sofrida, que nos traumatiza de tal forma que nos obriga a esquecer.
O passado não deixa de existir, não deixa de nos rondar, como antigos fantasmas. Sempre rondando com suas correntes amaldiçoadas, perseguindo seus carrascos que os tentam trancar em escuros porões da memória, que a cada instante tentam apagar seus corpos insanos e descabidos de uma força desconhecida e poderosa a qual damos o nome de passado, de ontem.
Como cúmplice nas noites sombrias e frias, nas quais somos atormentados pelos fantasmas do passado, em suas raias surgem outros fantasmas, ainda mais espectrais e difusos, o futuro, o amanhã.
Sendo ainda mais assustador, pois por mais terríveis que sejam os tormentos do passado, os conhecemos, conhecemos seus barulhos, suas feridas, suas formas, seus sangramentos. E o futuro? Como saber as suas formas? Seus ferimentos? Suas dores? Existe uma forma de nomear um ser sem nome? Uma mera miragem nas sombras da noite?
Sofrer por algo que nem mesmo veio atormentar-se por feridas que nem mesmo aconteceram. Qual dos fantasmas é o pior? O do passado ou o do futuro?
Não há palavras para descrever o quão vasto é o medo, as sensações nas noites escuras. O insano torpor dos híbridos tormentos humanos. Dessa vastidão que assusta exatamente por não se poder ver os limites, os limites dessa planície, totalmente desprotegido, açoitado pelos ventos, pelos doces ramos da brisa.
O vazio continua crescendo, continua ganhando seus espaço. Um buraco negro pode engolir a si mesmo? Tragar sua própria existência? Talvez nos portais do tempo o maior dos segredos seja tragar a si mesmo para o vazio do nada. Para o esquecimento eterno, e talvez seja simplesmente lembrar-se, lembrar-se de todos os momentos pequenos que nem ao menos nos damos conta de sua grande importância. Permanecermos eternamente presos em pequenos hiatos de boas memórias.
Um dia ainda poderei responder a essas perguntas. Mas agora apenas posso fazer as perguntas e quem sabe as perguntas certas possam me levar aos caminhos certos, a uma jornada que mesmo não obtendo as respostas posso obter o aprendizado, posso obter a mim mesmo.
Pallas


terça-feira, 20 de março de 2012

A cultura do mundo


 
Quem somos nós no tempo dos humanos?
Vivemos em um mundo que já não sabe mais seus próprios caminhos. Ao longo do tempo nossa sociedade ocidental forjou um novo mundo, mas ela não forjou apenas um novo mundo, mas também uma nova cultura.
Quando se reúne inúmeros ingredientes para formar algo novo, tanto pode gerar algo muito bom, quanto também uma catástrofe, ou algo que não podemos controlar, é como vemos em filmes, quando o cientista cria um ser e depois se arrepende e quer destruí-lo, mas esse ser também tem uma vida, também passa a ter sentimentos, pois quer queiramos ou não, não somos os únicos seres com sentimentos. Então acabamos por destruir aquilo que criamos, e aos poucos estamos destruindo nossa cultura para criar uma nova, e essas mudanças não são simples, não vêem ser consequências.
Vamos agora a um exemplo, na antiga Grécia o corpo humano era cultuado e tido como sagrado. Os gregos adoravam seus corpos, como a representação do divino na terra, por isso vemos em suas estátuas uma perfeição no corpo humano que nada se iguala na arte do resto do mundo, tamanha a preocupação dos artistas em retratarem o corpo divino na terra, suas nuances, cada parte deste delicado presente divino.
Mas essa forma de ver o humano não é a vigente em todo mundo. Muitas culturas não vêem o corpo como sagrado, e sim como fonte de pecado, que é necessário livrar-se dos pecados, da sujeira da matéria e apegar-se ao espiritual, esquecer do corpo em favor da alma. São culturas diferentes, cada uma com seu tempo, sua história. Contudo elas não ficaram separadas. Elas foram unidas, coladas ao longo do tempo.
Representação de Baco e suas seguidoras
Quando um grande império pretende criar fortes raízes com os povos conquistados eles precisam inserir sua cultura aos poucos, sem pancadas bruscas, pois sabem que elas não resultarão em nada, que o novo povo não será realmente fiel a eles. Dessa formas os costumes são mesclados aos costumes da própria terra, de modo a soarem naturais, uma transição sem grandes rompimentos com o passado. Afinal quando nascemos em uma cultura, em um povo em que ela vigora há séculos ela está entranhada não só em você, mas em cada pessoa, manifestação da sociedade, e impor uma nova traz revolta, mortes, uma ligação fraca com o império.
Agora os vários impérios que surgiram em nossa história mundial sempre fizeram o mesmo, impuseram sua própria forma de ver o mundo sobre a dos outros, criando uma outra, uma nova forma. A Terra é nossa casa, é como se ela fosse divida em quartos e cada continente é um quarto, e em cada quarto existem povos, línguas, costumes, totalmente diferentes, o que os uni é ainda morar na mesma casa e poderem se comunicar através dos corredores, das portas, mas esse contato não é fácil e, muitas vezes, também não é amigável.
Agora cada um dos quartos quer adentrar ao outro levando consigo seus próprios costumes, sendo que o outro quarto já tem os seus, então o conquistador encontra um meio, uma ponte que os ligue, que faça com que seja fácil o domínio, não só da força através de um exército, mas sim também da mente dessas pessoas, que é o mais difícil. E o que resultará disso? Desse encontro?
Estátua de Perseu
Citamos acima o caso do corpo, podemos ver o exemplo disso nos dias de hoje, quando falamos em corpo humano vem diversas abordagens que não possuem uma raiz própria, uma raiz cultural forte, é como se houvesse inúmeros pedaços e aos poucos alguns são unidos, formando alguma coisa que não é totalmente inteira, tem pedaços das duas partes, uma vez que não sabemos ao certo o que pertence ao que.
Então para muitos o corpo é fonte de pecado, mas também de prazer, então sentem o prazer do corpo, que naquele momento é algo divino, mas depois o vêem como pecado, como fonte de malícia, talvez até de nojo. Então o que vemos? Uma cultura bem estruturada ou fraturada justamente por sua insistência de juntar valores tão diferentes sem saber ao certo à função de cada um? Como podemos saber o que fazer se nas instruções está escrito para gritar e também está escrito para não falar? O que fazer? Os dois? Nenhum? Qual o certo? Há realmente algo certo a se fazer nesse caso?
Aí nesse mesmo exemplo entra algo muito conflitante que vemos em nossa cultura, a nudez. Para muitos representa apenas sexo, “sacanagem”, não é mais algo natural ver alguém nu, é quase como se vermos o corpo fosse ver o “diabo” como dizem. E ao mesmo tempo a nudez é cada vez mais explorada, com a função sexual, não como o corpo em si,  não como os gregos viam nosso corpo, e sim uma visão que fica no meio do caminho, o corpo não é sagrado, mas também é fonte de prazer então deve ser mostrado com essa função, não como arte, como expressão do belo humano. Pensem se realmente não pudéssemos ver a nudez, não nasceríamos assim.
É como se criássemos um monstro e não sabemos lidar com ele. Contudo não é um monstro, é um ser, um ser que ajudamos a construir e aos poucos o abandonamos, abandonamos nossa cultura, nossos valores, por misturas que não sabemos lidar. Permanecer parado no tempo não é a solução, não evoluir, não se adaptar as mudanças, e será que a saída é agir por impulso e se arrepender depois por falta de pensar antes de agir?
Talvez acima eu não tenha me expressado bem, pois o meu desejo é ajudar, a nos fazer ver que vivemos em um mundo quebrado e reconstruído, um bela arte pode e está surgindo dos cacos, mas ainda sim podemos ver os fragmentos, os milhares de pontos, de valores, culturas, sentimentos que forma a sociedade em que vivemos. Isso não a torna melhor, ou pior, mas sim nova.
Perdemos sim muito do passado, e também ganhamos um novo mundo, uma nova obra que ainda estamos moldando. Apenas temos que ter muito cuidado para que esta nova obra construída por tantas mãos diferentes não acabe por destruir o que outros já fizeram.
Nossos antepassados deixaram conosco a missão de moldar o mundo de hoje que está se desfigurando aos poucos. Iremos mesmos deixá-lo se desfigurar totalmente sem nada fazer para ajudar?

 

Espero que possa tê-los ajudado a refletir um pouco. Um grande abraço a todos.
Pallas


quinta-feira, 8 de março de 2012

Olhos belos


O olhar divino do ser humano
 
Somos um espécie tão controversa, tão cheia de mistérios, talvez de origem divina, talvez de origem alienígena ou até mesmo intra-terrena, para os céticos tudo não passa de teoria da conspiração, mas para os crentes nos humanos a resposta está visível, os olhos.
Nossos olhos foram considerados ao longo das eras a evidência da perfeição humana, a prova da existência de um ser superior, afinal como uma estrutura tão magnífica quanto os olhos poderia ser obra do acaso? Da Evolução? E seja em qual cultura for eles sempre revelam mistérios insondáveis da alma.
Mesmo que não os entendamos eles são como janelas para um céu, ou para um abismo. Quantas vezes um olhar muda tudo, com um simples olhar toda a situação muda, a forma de encarar, tudo acaba por transmutar devido a este órgão tão cheio de perguntas.
Pelo tempo ele foi considerado sagrado, no Egito o olho de Hórus, símbolo da proteção, da vida, da essência divina, sendo seu maior símbolo o sol, o olho dos deuses. Os
mistérios, lendas, contos, envolvendo os olhos são infindáveis.
Este é um conto retirado deste blog, sobre a origem das cachoeiras de Lisboa:
 
Lenda dos Olhos de Água 
“Há muito, muito tempo viveu  por estas paragens  um rei mouro e a sua filha.
A princesa uma linda moça, de cabelos negros e olhos de azeitona, perdeu-se de encantos por um pobre jovem que de seu nada tinha. 
Quando se apercebeu do que se estava a passar o rei, como era hábito no seu tempo, impediu que o enlace se consumasse. E ordenou:
- Proíbo-te que vejas de novo o teu amado. Deverás casar com um príncipe muito rico que eu já te reservei. Iremos unir as nossas coroas e a força dos nossos exércitos. Isto te ordeno eu...
Desolada, a princesa nega o seu destino mas, perante as exigências do pai nada podia fazer. Certo dia, com a chegada daquele que seu pai havia escolhido para seu  futuro marido e, aproveitando um descuido dos guardas, ela foge de casa. Abriga-se numas grutas que há junto à nascente do Alviela.
O rei, homem astuto, não mandou os guardas atrás da filha. Encomendou os serviços a uma bruxa. Esta depressa descobriu o paradeiro da princesa. Todos os dias, chegavam de todos os reinos em redor, novos príncipes desejosos de conquistar o coração da princesa. Todos os dias a bruxa lhe apresentava um novo pretendente e, todos os dias a princesa recusava dizendo:
-  Diz a meu pai que: O meu coração tem um dono, pobre que não tem tostão e mais nenhum  outro  senhor conquistará  este  trono, eu prefiro morrer de dor!
Muitos pretendentes depois, deixaram o rei muito zangado com tamanha afronta. Um
dia irritado as palavras saíram duras:
- Pois então se não quer mais ninguém, digo-te já aqui,  encanta um boi e transforma-o num belo rapaz. Que case com um boi! Filha ingrata!
A bruxa assim fez... Mas, nem aquele belo rapaz de falas doces a fez demover do amor que dedicava ao jovem pobre, que de seu nada tinha, e disse:
-  Diz a meu pai que: O meu coração tem um dono, pobre que não tem tostão  e mais nenhum  outro  senhor  conquistará  este  trono, eu prefiro morrer de dor!
Logo de seguida o rei mandou novo recado à filha:
- Como não aceitas nenhum dos pretendente que para ti arranjei, não serás nunca rainha no meu condado. Viverás eternamente nessas grutas! Os bois e as vacas viverão em teu redor. As tuas lágrimas serão tantas e tão grossas que os teus olhos se tornarão enormes... As lágrimas que daí brotarem regarão as terras do Alviela e vão dar de beber a pessoas e a animais.”

Como na lenda acima podemos ver o quão nossos olhos dizem de nós mesmos, de nossa alma, de nossos sentimentos. Não há nada como um olhar apaixonado, como aquele sorriso irradiante dos olhos de uma criança, da pessoa amada, as lágrimas derramadas por nossos sonhos. Tudo nos leva ao nosso caminho, a nós mesmos.
Talvez nunca entendamos este mistério da natureza, nosso olhos, mas eles são a beleza sincera da alma.
Agora para despedir deixo com vocês algumas fotos de olhos lindos e misteriosos, até a próxima...


 







E só para terminar um espiadinha também em meus olhos:

terça-feira, 6 de março de 2012

Maior gênio da renascença Leonardo da Vinci

Este blog é destinado a arte, seja ela qual for, a beleza dos seres, objetos, sentimentos. Há muito tempo fiz um trabalho e pesquisei sobre Leonardo da Vinci, o maior artista da renascença, um dos maiores gênios que nossa humanidade já viu nascer.
Estava pesquisando em minhas pastas e encontrei este trabalho, hoje transcrevo-o aqui para o blog, vale a pena conhecer mais desse artista sem precedentes e procedentes.
Como é um trabalho baseado em uma biografia ele é muito extenso, portanto dividirei a postagem em algumas e atualizarei está página e as seguintes com as demais partes. Aqui está a segunda parte e a terceira parte.
 
Leonardo da Vinci
Pai da Arte
Auto-Retrato de Leonardo da Vinci
Esboço de Leonardo
Leonardo nasceu em Vinci, aldeia de Alta Toscana, perto de Florença, nas bases do monte Albano. Em 15 de abril de 1452 ele nasceu, sendo seu pai, Piero, notário na aldeia de Vinci, de onde a família traria o nome. A mãe, Catarina, era camponesa, vivera cinco anos com o filho, quando Piero o tomou para jamais devolvê-lo.
Menino em Vinci era muito ávido em saber o porquê das coisas ao seu redor. Dotado de grande perseverança, nada, mas nada mesmo, o desanimava. Irritavam-no apenas as injustiças, os maus tratos e as humilhações.
Encontrou, em certa ocasião, meninos maiores que se dispunham a matar uma toupeira e, apiedado, lançou-se contra eles tentando arrancá-la de suas mãos. Derrubado, pisoteado quase desacordado, mas percebendo que conseguira fazer com que a toupeira fugisse, sentiu-se pago das agressões. E, não muito tempo depois, acusado te ter promovido uma briga, puseram-no de castigo sem qualquer explicação.
Vítima dos atrasos da época: porque escrevia com a mão esquerda, acusaram-no de bruxaria; uma mulher chegou a afirmar que a cabra que o amamentava estava enfeitiçada. E o melhor menino de Vinci acabou sendo olhado com certo temor pelos habitantes de Vinci.
Certo dia passou por um terreno onde seria construída uma vila. Então passou a observar diariamente os pedreiros trabalharem. Mas a insistência com que acompanhava o curso das obras chamou a atenção do arquiteto, Blas de Rávena, que lhe ensinou noções de Aritmética, Mecânica e Geometria.
Permaneceu até os 17 anos de idade em sua aldeia de Vinci. Em 1469, o pai decide mudar-se para Florença, devido ao talento evidente de Leonardo para a pintura (eram centenas de esboços e croquis – de flores, pássaros, peixes e rochas).
Assim que chegam em Florença, Piero leva seu filho para conhecer Verrochio. Levando seus trabalhos de desenhos e pintura para que ele examinasse. Andrea Del Verrochio, não escondeu o entusiasmo logo que viu os trabalhos de Leonardo. E já que devia passar por um longo período de preparação artesanal e técnica, ingressou como aprendiz na escola de Verrochio onde, em troca de estudos, da moradia e da alimentação devia servir ao mestre durante muitos anos.
O Batismo de Cristo
Verrochio também iniciou Leonardo em Medicina, Geologia, Mecânica e Geologia, sem descuidar do ensino de artesanato da pintura. Como recebia encomendas de grandes quadros e estátuas para estabelecer confiança nos estudantes, os discípulos o ajudavam, inclusive e, sobretudo Leonardo.
Leonardo permaneceu na Escola de Verrochio, impondo-se como principal colaborador, trabalhando inclusive em “O Batismo de Cristo”, como o fim de sua aprendizagem. A contribuição, o anjo mais à esquerda e ao fundo da tela -  a mostrar o contraste dos dois estilos – é de fato o seu primeiro trabalho sério. Porém, este não é o último trabalho na Escola. Leonardo ficou seis anos nessa Escola.
Leonardo permaneceu na Escola e trabalhou inclusive em  “A Anunciação”, até que se inscreveu na Corporação dos pintores de Florença.
A Anunciação
Logo o nome de Leonardo já era amplamente conhecido, o que não demorou que pintasse o primeiro retrato: Ginevra di Benci, uma jovem florentina.
Com o governo dos Médicis ameaçado pelo rei de Nápoles, que pretendia conquistar Florença, Lorenzo de Médicis contratou engenheiros militares e mercenários.
Ginevra di Benci
Embora Lorenzo não solicitasse os seus serviços, Leonardo da Vinci resolveu colaborar desenhando novos tipos de armas (chegou mesmo a inventar uma metralhadora). Porém Lorenzo dele não toma conhecimento.
Leonardo após algumas crises financeiras, quis sair de Florença. Apesar de suas ocupações como pintor e pela sua paixão pela música. Leonardo criou um alaúde de prata, de muitas cordas em forma de crânio de cavalo. E a Lorenzo de Médicis (apesar de não ter nenhuma simpatia por ele) mostrou aquela peça incomum.
Original, tão original e bela que Lorenzo a pediu para enviá-la a Ludovico, o Mouro, Duque de Milão, apaixonado por tudo que era extravagante e não propriamente artístico.
O Duque Ludovico, fascinado pela peça de prata, pediu para conhecer aquele inventor, Leonardo da Vinci. Então, este parte para Milão, com a certeza que venceria como artista, engenheiro e cientista.
Da Vinci envia uma carta contando suas incríveis habilidades como engenheiro militar. O Duque de Milão pergunta a Ambrósio de Rosate o que ele acha sobre a carta. Que ao final da leitura disse: “–– É um louco a escrever uma série de desatinos.”
Lorenzo de Médici
O Duque pede a Ambrósio que converse com Leonardo, quando este chega ao castelo. O diálogo entre os dois é acirrado, o astrólogo diz que aquilo é um monte de heresias e até mesmo o acusa de bruxaria. Contudo, com sua frieza e perspicácia o artista consegue com que o astrólogo se cale.
Ali com 30 anos, Leonardo se dedicou a sua paixão e pode manter-se sem maiores dificuldades financeiras. Alimentava-se pouco, raramente bebia vinho, trabalhava excessivamente. Dedicou-se mais obstinadamente à anatomia e dissecou corpos humanos.
Ludovico, o Mouro, cumprindo suas promessas, encarregou-o de obras importantes. A decoração do castelo de Sforza; os projetos das reformas que deviam se realizar na Catedral. De 1480 a 1490 era artista obrigatório da corte.
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Esta é a primeira parte deste trabalho, retratando a infância e a subida árdua e lenta de sua carreira como artista desde sua aldeia de Vinci até a cidade de Florença.
Desejo a todos que possam aprender com este artista, engenheiro, anatomista, escritor, pintor, este gênio, um pouco de sua vida e feitos que com certeza você nem sequer imaginava.
Então até a próxima parte.
Um grande abraço de seu amigo,
Pallas

domingo, 4 de março de 2012

A mente dos Homens, part III


ser humano,
dom ou
Maldição?
Hoje trago o final da Entrevista com R.R.L Convoitise, na primeira parte de sua entrevista falamos sobre imortalidade, morte e também vida, agora trago a segunda parte perguntas como o que é ser um deus, o que significa o EU, liberdade, mergulharemos na mente desse grande amigo meu.
Que possamos aprender com essa grande pessoa que ainda trilha os caminhos do desconhecido, do conhecimento que todos percorremos e que ele já percorre e busca, que sejamos iluminados.
Muito obrigado R.R.L Convoitise, foi com muito orgulho que pude trazer sua opinião para meu blog, deixo o convite para que sempre volte.
Vamos dar início ao final de nossa entrevista:
 

Ser humano, o que significa ter o maior dom e ao mesmo tempo a pior maldição da natureza?
 
Posso dar algumas definições “politicamente corretas” sobre o que significa ser humano, porém creio que este não seria o caminho mais correto, visto que o objetivo desta entrevista, por suposto, é conhecer a minha forma de pensar. E para mim é um pouco complicado tentar definir o que significa ser humano.
De fato, ser desta espécie é um dom e uma maldição, visto que, somos um pouco mais racionais que os demais seres de espécies diferentes e toda grande habilidade vem acompanhada de grande responsabilidade, responsabilidade esta muitas vezes negligenciada.
Quando digo um pouco mais racional, o faço por repulsa ao conceito de que os demais seres do mundo animal não tenham razão. Não creio que ajam somente por instinto como nosso estimado Darwin que, muito nos auxiliou a entender o processo evolutivo, afirma. Agir por instinto todos os seres agem, mesmo nós humanos.E não é por agirmos em diversas circunstâncias por instinto que deixamos de ser permanentemente racionais, não é?
Penso que todas as criaturas são dotadas de razão e consciência, cada um de acordo com sua própria capacidade, desta forma estamos uma polegada a frente dos demais seres que coabitam nosso planeta. E de fato, este é o dom mais notável que recebemos da Natureza, enquanto entidades viventes e pensantes.
E justamente por sermos um pouquinho mais racionais que nossos irmãos do mundo animal, temos também mais responsabilidades para com nosso Lar. Não que as demais criaturas não tenham seus próprios encargos no nosso grande Lar, chamado Terra, porém creio que a maioria deles, senão todos, cumprem seus devidos papéis para a manutenção e equilíbrio da Casa, a excetuar-se nós os humanos.
Uma coisa que há muito tem me afligido é que, infelizmente, os humanos passaram a se tornar uma ameaça para a vida na terra, uma ameaça para o próprio planeta. Não é que deixamos de seguir o curso natural da evolução, mas o grande problema é que deixamos de respeitar nossa casa, e a nossa Mãe Natureza, posso estar parecendo um neo-adepto do movimento hippie ao dizer “Mãe Natureza”, porém ninguém pode negar que viemos Dela, seja qual for o credo criacionista ou evolucionista, o fato é que pertencemos à natureza, nossa vida teve origem no seio da Terra que, curiosamente foi personificada sob a forma de uma Deusa-Mãe em diversas culturas pagãs no mundo todo (sendo a mais conhecida representação a Deusa Gaia, grega).
Nós, com o passar dos séculos, começamos a agredir nossa Mãe, sim, estas palavras foram colocadas da maneira correta, para transparecer o quão grave é a situação, pelo menos ao meu ver e de uma boa parte de pessoas que começaram a despertar para o abuso que cometemos contra nossa casa.
Todos sabem que, quando uma espécie se torna numerosa demais na natureza ela ameaça o equilíbrio ecológico do ambiente em que vive, com os humanos não é diferente, nos tornamos com o passar do tempo a espécie mais numerosa do planeta, já somos 7 bilhões de pessoas habitando e agredindo indiscriminadamente nosso mundo. Talvez quando esta consciência se tornar global, já será tarde demais.
Eu me entristeço de uma forma indescritível quando começo a pensar sobre isto. E não estou usando de demagogia ao dizer estas palavras, quem me conhece sabe que algumas vezes meu coração se enche de tanto pesar ao perceber o que estamos fazendo com nosso Lar, com nossa Mãe, que quase me coloco em prantos.
Como sabemos também, quando uma espécie passa a ameaçar um determinado habitat, a solução mas eficaz para combater a „praga‟ é a colocação de predadores naturais no mesmo ambiente, e quanto os animais humanos? Quem são nossos predadores? Ninguém. A maior maldição de ser humano para a natureza, é o fato de estarmos no topo da cadeia alimentar. Ninguém consegue conter a praga humana que devasta o planeta como um enxame de gafanhotos devastando uma plantação. Isso é realmente lamentável.
Destruímos nossas matas e construímos nossas colméias, cinzas de cimento, para abrigar nosso enxame, sem nos preocuparmos com as conseqüências que isso nos trará. Sem nos preocuparmos com as conseqüências que isso trará ao Nosso Lar.
Acho que uma outra maldição acarretada pela consciência que os humanos possuem, é o sentimento, em especial o de tristeza e melancolia. Por sermos criaturas um pouco mais racionais que as demais, também nos deixamos ofender e nos entristecemos com maior freqüência, algumas vezes simplesmente por que as palavras proferidas por outrem, para nós, pode ter significados inimagináveis.
Por mais que pareçamos fortes, ainda assim temos sentimentos, nos ferimos, nos magoamos. Talvez eu não tenha usado a forma correta para me expressar, talvez não seja uma maldição, mas apenas uma fraqueza de ser Humanos, uma grande fraqueza.
Digo isto, pois eu mesmo muito tenho sofrido por esta fraqueza, a fraqueza emocional, dos sentimentos infelizes. Será que algum dia aprenderemos a viver de uma forma mais harmônica com nosso ambiente natural e conosco mesmos? Talvez algum dia encontremos as respostas. Talvez um dia você mesmo as encontre.

Um deus, o que significa um ser que tem o poder sobre as essências dos seres.
 
Percebo que a maioria de tuas perguntas está relacionada ao significado das coisas. Bem, está certo que tudo, em todos os tempos e em todos os lugares está repleto de significados, símbolos e conhecimentos. Mas a questão é que nem todos os significados são vistos e interpretados da mesma forma por todos. ( As diversas formas de se olhar uma mesma coisa, lembra?)
Com a questão das divindades é bem semelhante. Cada povo tem interpretado e atribuído significados sobre as forças criadoras de uma maneira diferente, geralmente relacionadas aquilo que elas conhecem. Há algum tempo, li um pensamento de Sigmund
Freud, se não me falha a memória, que diz que o “homem [...] criou Deus a sua imagem e semelhança”, segundo ele, nós os humanos criamos a Deus para que tivéssemos a quem atribuir coisas que não conseguíssemos explicar.
Ou simplesmente por que precisamos saber que há alguém superior a nós, o que foi chamado de notação de inferioridade. È como se os humanos precisassem se sentir inferiores a alguém para se sentir bem. Bom, mas receio que ao mencionar este pensamento esteja fugindo do objeto principal desta entrevista, que é conhecer meus pensamentos e minha forma de pensar.
Pois bem, voltemos a mim e meus modestos pensamentos: Eu creio em Deuses, sim no plural, Deuses. Como pagão, creio na existência em mais de uma divindade, que de uma ou outra forma interferem em aspectos da existência humana.
Uma coisa muito interessante que frequentemente converso com meu companheiro de estrada, é que as pessoas pensam que os deuses ( ou Deus, para os monoteístas), não tem mais nada a fazer a não ser ficar olhando os humanos lá de cima, sentados em seus tronos levando uma vida monótona de apenas olhar pela humanidade.
Se levarmos em conta, as mitologias pagãs fazem um pouco mais de sentido que a mitologia monoteísta, pois elas retratam os deuses como seres que também possuem vida própria, seus próprios problemas, suas próprias preocupações.
A mitologia monoteísta nunca explica o que o Deus em que acreditam faz quando não está olhando para a humanidade. Eu, creio nas forças criadores como o eterno masculino e o eterno feminino que, a meu ver faz muito mais sentido já que fomos
“feitos a imagem e semelhança”  de quem nos criou. Ora, não fomos criados homens e mulheres? Não seria então plausível que também tenham sido um Deus e uma Deusa a nos criar, desta forma mantendo sempre o equilíbrio entre as polaridades?
Prosseguindo, a meu ver ser Deus vai muito além de cuidar da humanidade, olhar por ela, interferir na vida dos humanos positiva ou negativamente, ser Deus é ter uma vida própria para cuidar e ainda a vida de uma multidão de humanos que recorre a ele, principalmente nos momentos de precisão.
Ser Deus, é ter poder para interferir de diversas formas no curso da humanidade, sem nunca poder ferir o livre-arbítrio que concederam aos humanos logo após a criação. Mas a questão é: se somos semelhantes aos deuses, então eles também se zangam, entristecem e tem dias ruins, será que em uma dessas ocasiões eles (ou Ele) não interferem diretamente na vida dos humanos esquecendo, nem que seja por um segundo, do livre-arbítrio?
Sei que fugi um pouco de tua pergunta que queria saber „o que SIGNIFICA ser Deus‟ e falei mais do que concebo por “o que É ser Deus”, acho que não sou ninguém para dar significado a algo tão grandioso como uma divindade, creio que cada qual atribui um significado, e acho que não seria legal eu expor aqui um significado realmente muito pessoal, meu medo é que os leitores mais incautos desta entrevista possa deixar-se levar pelos significados que eu atribuo, ou que eu insinue que possam ter, e creio que isso não seria nem um pouco positivo para meu espírito, segundo minhas próprias crenças.
O Fato é que, ser um Deus é algo mais complicado do que as pessoas possam imaginar, exige uma grande responsabilidade, um grande discernimento, pois se tem o controle da vida de todos os seres nas mãos, porém deve-se ser sempre justo e fiel aos humanos, por mais que estes duvidem de sua existência.
Eu, considero a mim mesmo e a qualquer humano que eu conheço, inapto à assumir uma posição desta magnitude, por isso antes de achar que é fácil ser deus, pense como seria ter de cuidar de sua vida pessoal, com seus problemas e ainda ser diretamente responsável e responsabilizado pela vida de milhões de pessoas que perto de seu poder e de sua glória são apenas grãos de areia e, mesmo assim, ter de respeitá-los e procurar amá-los mesmo que a recíproca não seja verdadeira, mesmo que já esteja farto da humanidade e seus erros abomináveis. De fato, a vida dos deuses não é apenas um mar de rosas como muitos julgam ser...

EU, porque tememos tanto o nosso próprio EU?

 
O nosso Eu mais profundo é a divindade que habita em nós, é a nossa própria essência. Tememos o encontro com nosso Eu superior, nosso Eu mais profundo, simplesmente por que não sabemos o que esperar. O medo de nós mesmos é um medo instintivo, não sabemos o que há lá no mais escuro canto de nossa alma.
Quando começamos a nos conhecer um pouco melhor, muitas vezes nos assustamos e nosso medo é que, se nos aprofundarmos ainda mais em nossa essência possamos nos assustar ainda mais. Perder-nos no quão desconhecido somos de nós mesmos.
Talvez o encontro com nosso próprio eu seja tão atordoante quanto viver uma vida toda em uma casa e depois de décadas morando lá olharmos pro lado e ver que morava alguém ali conosco, alguém que não conhecíamos e não sabemos como reagir a este encontro, não conhecemos suas capacidades, suas limitações.
O medo do Eu na verdade, nada mais é do que o medo de nos descobrirmos, de nos vermos sem os véus que cobrem nossa essência, pois lá no fundo temos uma vaga consciência de que ainda não estamos preparados ou devidamente evoluídos para essa auto-descoberta, para esse encontro tão transcendental.
Ou ainda, simplesmente por que tememos temer quem somos, passando o medo do Eu a ser medo do próprio medo.
O mais interessante disso tudo, é que sempre julgamos conhecer as outras pessoas, sem nunca parar para perceber se nós nos conhecemos realmente. Nunca sequer paramos para pensar porque é mais fácil se aproximar de outrem que de si próprio.
Talvez algum dia consigamos parar de temer a nós mesmos, pararemos de fugir de nossas próprias habilidades, de nossos próprios fantasmas e quando esta sabedoria tiver sido aceita e difundida entre muitos e todos conseguirem viver em harmonia consigo próprio, talvez também o mundo se torne um lugar harmônico. Já dizia minha mãe, nossa casa (ou nosso quarto – como ela dizia para mim) é o reflexo de nossa alma. O mundo é nossa Casa, ele anda bagunçado ou todo arrumadinho? Pense.

LIBERDADE, uma palavra bela, mas o que implica ter liberdade?
 
As pessoas de um modo geral, e especialmente os jovens, comumente confundem a liberdade com falta de responsabilidades. Acreditam que só serão devidamente livres se
não houver com o que se preocupar, bom talvez seja exatamente este modo de pensar que têm escravizado e aprisionado boa parte das pessoas no mundo.
Uma vez um grande compositor chamado Renato Russo disse: “Disciplina é Liberdade”, essas palavras fazem muito sentido. Ter liberdade implica em respeitar alguns limites. Sei que parece meio contraditório dizer que há limites na liberdade, principalmente quando o conceito de liberdade mais difundido implica em não haver limites, não haver regras a serem seguidas.
Mas o fato é que há diversos tipos de liberdades, e sempre obtemos liberdade quando alguém a concede a nós em algum dos aspectos da vida, seja profissional, amoroso, e etc e etc.
Quando alguém nos “concede” liberdade, significa que ela confia em nossas escolhas e em nossas atitudes e, por suposto, espera que nós não a decepcionemos e que façamos escolhas que não prejudiquem a ninguém. Para se ter liberdade, é preciso ser merecedor dela, é necessário que os limites anteriormente mencionados, sejam levados em conta, mesmo que não sejam definidos, mas fiquem subentendidos.
Ter disciplina é ter liberdade, saber respeitar o espaço do sentimento, da liberdade de outrem. Ter liberdade é, ao utilizá-la sabiamente, provar que somos merecedores de cada vez mais confiança. A plena liberdade só pode ser conquistada aos poucos, a cada liberdade menor que nos é confiada.
Aquele que é fiel no pouco, também é fiel no muito. Podemos ser livres, basta querermos e entender que, liberdade exige respeito. Ou acabaremos livres, como selvagens, sem ninguém por perto com quem compartilhar tamanha felicidade alcançada.
Pois a nossa liberdade está intimamente ligada com a liberdade e a confiança que outros depositam em nós. Se formos indisciplinados de nada valerá qualquer liberdade que recebamos.
Liberdade implica em sabedoria nas decisões, respeito e principalmente disciplina, isto pelo menos a meu ver, é claro.
 
Esta foi à entrevista com R.R.L. Convoitise, realmente agradeço por sua colaboração, meu grande amigo, que Deusa o ilumine e o abençoe, e sempre se lembre que estará
pela eternidade em meu coração.
Há todos muito obrigado por acompanharem nossa entrevista e até a próxima.
Pallas

quinta-feira, 1 de março de 2012

A mente dos Homens, part II


devaneios humanos, conhecemos as respostas?

Olá a todos, hoje trago a continuação da série de postagem A Mente dos Homens, desculpem-me pela demora em trazer a continuação do tema. Mas hoje entrevisto alguém muito especial, que tive o prazer de conhecer através da rede de computadores e também pessoalmente, não imagino como seria minha vida hoje em dia sem ele, R. R. L. Convoitise nos dá a honra de responder a algumas questões, como por exemplo, o que é a morte?  O que é a liberdade? E muitas outras, mas como são respostas grandes essa postagem será dividida em duas, o link para a segunda parte se encontra aqui.
Seguimos agora com a entrevista, que essas perguntas, especialmente as respostas ajudem um pouco a todos vocês a se conhecerem melhor e aos outros.
 

O que é a morte?


Eu podia dizer simplesmente que a morte é o fim de tudo. O fim desta nossa existência. Mas Esta é uma pergunta difícil de responder, se é que há uma resposta para ela. Podemos encarar a morte de diversas maneiras. Como um chamado de Deus (como os mais religiosos poder crer), como o término total da vida ou como simplesmente uma passagem de um nível a outro, isto é claro, dependerá da forma que cada um a encara.

A morte é um assunto muito delicado, pois podemos passar a vida toda convivendo com ela sem saber ao certo qual o objetivo de sua existência. Filósofos de todas as épocas tentam entender e explicar o verdadeiro motivo do porque temos de morrer. Conosco não é diferente.
Quando digo “por que”, não me refiro ao sentido biológico da morte do corpo que acontece pelo desgaste das células, cessação das funções vitais e etc, como bem sabemos, quando questiono o porquê de morrer, busco entender o porquê de vivermos tantas coisas se no fim teremos de deixar tudo para trás. A morte e a vida são complementares. É impossível pensarmos em uma sem pensarmos na outra.
A morte pode significar simplesmente deixar de existir como entidade pensante ou significar a liberdade do corpo físico para um corpo mais sutil para os mais espiritualistas. Mas o fato é que o sentido da morte está ligado intimamente ao sentido da vida. E entender o sentido de qualquer uma das duas, é algo para o qual a mente humana ainda é muito despreparada.
Não posso compreender realmente o sentido da morte, mas ela é, de fato, a meta de nossa vida; é o objetivo fatal. Ela é quem, de certo modo, regula nossa vida, a forma que vivemos. Se a idéia de morrer nos apavora, não conseguiremos jamais dar um passo a frente sem hesitar, não conseguiremos continuar seguros durante nossa vida, corremos o risco de não viver.
Há quem prefira não pensar na morte, acreditando que este é o melhor remédio para o transtorno que tal pensamento causa. Perdoe-me o que irei dizer a seguir, mas, de que brutal estupidez pode vir tão primária cegueira? Pois é loucura imaginarmos que assim resolvemos o assunto. Vamos e voltamos, pulamos e dançamos; e da morte nenhuma palavra? Tudo isso pode parecer belo, bonito, mas quando ela chega e nos alcança ou a um de nossos entes queridos, surpreende-nos de súbito e sem preparo de espírito. Gerando tormentos, dores e gritos de desespero, de proporções tão apocalípticas para nossa alma, simplesmente por não termos nos preparado antes, enquanto ainda havia tempo. Logo, se faz necessário atentar mais cedo para ela.
Se a morte fosse inimigo que se pudesse evitar, eu aconselharia uma retirada estratégica a fim de se evitar o confronto. Como, entretanto, é um inimigo que sempre atingiu e atinge a todos, aos de mau caráter e aos homens de bem, aos ricos e aos pobres, ao branco, ao negro, ao pardo ou ao vermelho, aos camponeses, aos nobres e aos guerreiros e como, contra a foice imparcial, não há couraça ou escudo que proteja, é preciso aprender o quanto antes a enfrentá-la de pé, firme e olhá-la nos olhos.
Há ainda um outro olhar sobre a tão temida e sinistra morte. Se ela for rápida e violenta ( falo agora sobre as circunstancias da morte e não da morte em si), não nos sobra tempo para temê-la. Porém se é do contrário, percebendo por mim mesmo este fato á proporção que para ela caminho através da doença, passamos a sentir uma forma de desdém pela vida. Posso verificar que é muito mais difícil aceitarmos a morte, de suportar esta idéia, quando estamos em pleno vigor e cheios de saúde do que quando adoecemos, quando já não nos apegamos mais às comodidades da vida, não do mesmo modo, cujo uso e prazer começamos a perder o apreço.
Nestas circunstancias passamos a ver a morte com bem menos temor. É o que me leva a esperar que quanto mais me afastar da vida e me aproximar da morte, de melhor grado me conformarei com a troca. Assim como eu, mais de uma vez verifiquei a verdade da afirmação de César, de que as coisas são maiores de longe, podemos observar que as doenças nos atemorizam mais quando estamos plenos de saúde do que quando a sofremos realmente.
A saúde, o vigor, o prazer nos faz sentir a doença em dobro, e quando esta chega até nós, verificamos que seu peso não é tão grande quanto parecia. Verifico aos poucos, que com a morte não é diferente. Não é necessário nos atormentarmos, evitando pensar nela. Perturbamos a vida com o „cuidado‟ com a morte e a esta com o „cuidado‟ com a vida. Não é contra a morte que nos preparamos quando a analisamos e pensamos e nos colocamos de pé, nos preparamos para a vida.
 Ao passarmos a pensar e a nos preparar para aquilo do qual não podemos fugir, conseguiremos encarar com mais leveza as coisas que nos rodeiam no dia a dia. Quantas vezes deixamos de fazer muitas coisas por medo de morrer? Por medo de perder a vida? Quando deixamos de fazer qualquer coisas por medo da morte, deixamos também de viver. E deixar de viver pelo medo de morrer é estar morto em vida.

Se a vida é um dom porque nos é tirada? E se a vida é uma maldição porque ela nos foi dada?
 
Não sei dizer se a vida é um dom ou uma maldição. Mas como mencionei anteriormente, não é possível falar de morte sem falar de vida e o contrário também é verdade. A vida pode parecer um fardo pesado demais para uns e para outros uma eterna graça. A importância que damos a nossa vida e como a vivemos é que faz dela um dom ou uma maldição. Podemos encontrar pessoas que tem "tudo o que precisam para ser feliz‟ e ainda assim mostram-se pessoas frustradas e amargas, que crêem que a vida é feita somente de desacordos e infortúnios e que desejam ardentemente pela morte, enquanto outras que vivem com o básico do essencial para uma vida equilibrada dão se por satisfeitas por terem o que tem, e quando se encontram em situações de sobrevida, ainda arranjam forças sabe-se lá de onde para continuar a viver.
 O que eu quero dizer é que a vida que levamos é que define o tipo de presente que recebemos da Natureza, dos Deuses, etc. O que para um parece ser uma vida abençoada, para outro pode parecer uma vida de total desgraça e tormento. A natureza deste presente, chamado vida, que recebemos, bem como das demais coisas e situações, depende muito dos olhos de quem vê.
Torna-se impróprio tentar definir aqui, a vida de um modo geral como um dom ou uma maldição, visto que, esta condição irá variar de olhar para olhar.
Se levamos uma vida razoavelmente confortável e a recebemos como um dom, é natural questionarmos o porquê termos de morrer. Afinal, construímos projetos, realizamos planos, e no final tudo acaba em morte? Qual o verdadeiro objetivo então de vivermos, trabalharmos por aquilo que acreditamos, conquistar vitórias se no final iremos todos morrer? E se vivemos uma vida muito crítica e a vemos como uma maldição podemos nos perguntar por que foi então que nascemos? Gerações e gerações vêm tentando entender de onde viemos e para onde vamos, cada qual com os seus porquês, e o fato é que, ainda não encontramos respostas satisfatórias para estes questionamentos tão pertinentes.
Muitos povos e religiões possuem explicações rápidas para questionamentos desta natureza, há aqueles que aleguem que nascemos para cumprir uma missão importante ou para aprendermos alguma lição espiritual, moral ou afins e que morremos quando nosso propósito foi cumprido, porém não podemos nos apegar a estas respostas muitas vezes baseadas somente na fé (algo abstrato) como se fossem a única e irremediável verdade, pois cada povo, cada cultura e cada credo apresentarão a sua própria versão desta verdade, e qual estará realmente certa? Se nosso nascimento, vida e morte fazem parte de um plano maior, de uma entidade superior, que plano seria esse? Porque enfrentamos dificuldades, sofremos, nos felicitamos, porque temos que viver este misto de coisas como em um carrossel em velocidade máxima?
 Acabo de pensar uma coisa meio curiosa, mas que já foi largamente discutida entre mim e alguns amigos considerando outros aspectos da vida, mas que acho muito aplicável, também, ao presente questionamento: talvez a vida seja dom E maldição.
O equilíbrio para o qual todas as coisas sempre tendem, desde que o mundo é mundo. E o que acontece é que passamos a prestar mais atenção a um dos lados deste equilíbrio, o que nos faz acreditar em uma vida agraciada ou uma vida amaldiçoada, voltando de novo a questão do olhar.
Talvez a solução para este problema esteja em buscar o equilíbrio. Buscar a outra parte e equilibrar de novo a nossa essência. Bem, talvez isso nos ajude a entender os aspectos de benção ou maldição, porém não nos responde a questão do nascer e morrer.
Um Sábio Amigo que encontrei nos caminhos de minha vida uma vez me disse que, há perguntas para as quais não há respostas, pois o mais importante não é chegar a resposta final, mas sim o que aprendemos pelo caminho enquanto a procuramos, uma destas questões é: Porque existimos? – queria ter uma resposta muito satisfatória para essa questão e assim fechar esta pergunta com algo extraordinário, porém ainda não a encontrei e ainda não ouvi dizer de alguém que a tenha conseguido. Mas afinal, não são as respostas que movem o mundo não é? São as perguntas.

Imortalidade. O Desejo dos sãos ou o sonho dos loucos?
 
Ao ouvir esta pergunta notei uma coisa muito interessante, verdadeiro e pertinente: Todos, independentemente de serem sãos ou loucos, absolutamente todos, pensam na imortalidade. Todos pelo menos uma vez na vida apeteceram viver para sempre. A meu ver isso é muito natural, pois como dissemos anteriormente ninguém de fato aceita que nascemos e vivemos para perecer.
Muitos motivos podem levar alguém a desejar a imortalidade, desde o usufruto dos prazeres que a vida pode proporcionar até a sede incessável por conhecimento. Particularmente eu e alguns amigos pensamos na imortalidade como a oportunidade de adquirir conhecimentos. Quando eu era mais jovem costumava dizer que não me conformava que eu irei morrer sem saber a metade das coisas que há para serem aprendidas neste mundo.
Que morrer é um insulto a inteligência humana.A imortalidade ou ao menos a longevidade é algo que desperta o interesse de todas as pessoas, há pesquisas científicas buscando entender os mecanismos da vida e do envelhecimento, visando futuramente retardar e até mesmo interromper o ciclo de envelhecimento, principal „inimigo‟ da longevidade.
Vi um documentário outro dia sobre o Instituto Matusalém, que está tão empertigado nesta que pode ser a maior descoberta do milênio que oferece um prémio de 4 milhões de dólares para o laboratório que conseguir prolongar em 40% a vida de ratos de laboratório e a quantia de laboratórios que estão nesta disputa é realmente surpreendente.
Mas uma coisa que sempre que converso com um Grande Amigo e que parece que as demais pessoas parecem não levar em conta, mesmo os cientistas e buscam insessantemente pela fonte da juventude, é o fato de que talvez a mente humana não seja capaz, ainda, de suportar uma eternidade de existência. De que irá adiantar vivermos eternamente se não lembrarmos das coisas que vivemos e aprendemos ao longo deste tempo? E quanto a população mundial? Já somos 7 Bilhões de humanos no planeta, o que acontecerá se estes 7 bilhões conseguirem a imortalidade e resolverem que querem procriar?
Mas e se a imortalidade fosse restrita a algumas pessoas?
Esta é uma boa solução. Porém, novamente caímos na questão da mente em demasiado despreparada e frágil diante do impacto de se viver para sempre. Sempre que pensamos em imortalidade nos detemos nos prós e nos esquecemos, talvez propositalmente, dos contras. Encontramos um exemplo de um dos contras na mitologia grega, a história de Io que recusando o cortejo de um deus foi amaldiçoada a viver eternamente. Note, a imortalidade foi uma maldição não uma benção. Io foi obrigada a viver eternamente, condenada a ver todos os entes queridos adquiridos ao longo dos séculos, padecerem de males, envelhecerem e morrerem.Será que algum humano realmente está preparado para isso? A imortalidade, o viver durante séculos pode nos trazer grandes e extraordinários conhecimentos e benefícios, porém pode também nos causar dor e desespero de proporções análogas ou mesmo superiores.
A imortalidade pode nos dar de presente tanto uma mente racional e perfeitamente sana repleta de conhecimentos, como também pode nos deixar loucos com o excesso de informação. Mas parece que todos estão dispostos a assumir estes riscos. A imortalidade ou mesmo uma simples extra-longevidade é o desejo de todos, é o que os homens vem buscando a séculos. Muitos foram considerados loucos, outros gênios da humanidade. Foi buscando pela pedra filosofal e, portanto, o elixir da longa vida que os homens (alquimistas) descobriram a Química, por meio da qual hoje obtemos muito para a manutenção da vida, como medicamentos por exemplo. O fato é que, a volição pela imortalidade, sendo aparentemente loucura ou não, produz resultados, e resultados muito significativos para a vida humana.

Esta foi a primeira parte da entrevista, aguardem a segunda parte.
Um grande abraço e até a próxima, de seu amigo
Pallas

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Mundo dos livros



Os Portais da Realidade

 

Nos dias de hoje as novas gerações estão perdendo o contato com os livros. Apesar de nunca antes em nossa história termos estado tão ligado a escrita, pois a internet não existiria sem ela, ainda sim o contato com o primordial desse mundo tão belo está se perdendo...
As crianças vivem tão distantes dos personagens que povoaram a mente, as nossas mentes, que fizeram parte de nossa infância, por outros personagens, personagens que não pedem a elas mais que a visão, e que elas não precisam pensar, exercitar o cérebro. É triste ver o quão desesperador pode ser nosso futuro.
Cada vez mais o prazer de abrir um livro, de ir em uma biblioteca, ficar horas percorrendo as estantes em busca do título que mais lhe chame atenção, reunir uma pilha com os melhores títulos, com as histórias que mais nos intrigaram e tentarmos selecionar entre elas a que iremos ler até o fim. Quanta indecisão quanto ao livro certo, o quão maravilhoso é percorrer as estantes buscando, retirando livros e livros, como uma caça ao tesouro.
E para os mais jovens vem à resposta rápida e eficiente, hoje em dias temos os livros virtuais, rápido, fácil e ainda nem precisa sair de casa. Mas aí está o grande problema, nada se iguala a caçada a seu livro, a estar entre as estantes, encontrar pessoas que podem se tornar grandes amigas, companheiras de viagens, viagens por mundos desconhecidos, onde desbravamos os mundos sonhados, perigos, romances, mistérios, assassinatos, intrigas, vivemos tudo isso e ainda ficamos para contar a história. A bibliotecária torna-se nossa confidente, confidente de segredos que nem mesmo imaginaríamos que um dia teríamos.
Chegamos em casa, vamos para nosso cantinho onde nos entregaremos a este outro mundo, abrimos com grande ansiedade, expectativa, nosso novo companheiro. No começo temos uma certa desconfiança com ele, será que ele será um amigo tão fiel quanto nosso amigo anterior? Será mesmo que depois que tudo o que já vivemos ainda podemos nos emocionar daquela forma, fazer novos amigos, ter novos amores? É com esse sentimento de hesitação que iniciamos nossa leitura.
Aos poucos vamos nos envolvendo, somos tragados  para este universo paralelo onde tudo é real, onde o mundo em que vivemos sim é fantasia. As páginas nos leva por pradarias, vales, cidades, planetas, oceanos, florestas, aos pouquinhos esse mundo se torna nosso mundo. Emocionamos-nos, rimos, choramos, temos ódio, medo, assim como nosso herói vamos descobrindo o que é viver.
As páginas vão diminuindo, vamos percebendo a história se encaminhando para o final, nos desesperamos, a saudade vem, toma conta, contudo não conseguimos parar, vamos até o fim, até o fim com os seres que passamos a amar. E então o livro acaba, a história termina. Nos deixa paralisados perante a surpresa do fim, como pode acabar?
Tristes voltamos ao portal que nos possibilitou entrar neste mundo paralelo e passamos a procurar outros portais por este mundo entre os mundos, guardado por milhões de seres que nos esperamos nos novos portais, para novas dimensões.
Talvez a realidade não exista, ao menos ela não existe como a imaginamos. Afinal, o que é real? Para estes personagens, seu universo, sua história, sua vida é real e a nossa pura fantasia. Para eles nossa dimensão não importa. Em cada livro existe algo novo para ser descoberto, apenas esperando que possamos abrir uma página.
Então caminhemos para eles, para estes portais, espelhos. Quem sabe o universo em que existimos não passe de um sonho, ilusão, livro, de um ser maior? Não podemos controlar os bilhões de universos, de realidades, mas podemos fazê-los reais.
Somos portadores de um grande dom, o de transitar entre mundos, e nossa nova geração está esquecendo esse dom  preciso é preciso lembrá-los de seus grandes poderes.
Assim como os poderes que todos nos temos de criar novos universos, todos somos criadores, está em suas mãos o destino de “Seu Mundo”.

 
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