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segunda-feira, 19 de março de 2012

Perdido em mim, Capítulo III


Este é o terceiro capítulo do conto Perdido em Mim, o primeiro capítulo se encontra aqui, através dele você pode ver todos os capítulos já publicados desse conto. Espero que gostem, este conto é especialmente importante para mim, então vamos a história:

 
Liberdade do Eu
Posso ver ao longe alguém caminhando, sozinho em uma longa estrada que serpenteia por uma densa floresta. Corro atrás dessa figura, ela me é familiar, a distância é o maior empecilho, talvez se eu conseguisse me aproximar mais, eu possa saber quem é a figura.
Uma chuva fina começa a descer dos céus, através de cada uma dessas gotas posso ver antigos rostos, antigas memórias, lembranças de outros tempos. O toque das gotas na estrada produz uma melodia delicada, melodia que também já ouvi. Em um dia cinza, sentado em frente ao piano, olhando pela janela, vendo a água escorrendo pela janela.
Acompanhando o ritmo deixei que minhas mãos traduzissem em sons meus sentimentos. Agora estou ouvindo a mesma música, vinda não de minhas mãos, mas sim das próprias gotas.
Continuei correndo para tentar ao menos ver quem é aquela pessoa. Ao longe posso ver que ela parou de caminhar, lentamente está se virando para mim. Não sei ao certo de onde o medo surgiu ou mesma a dor, apenas sei que não suportei olhar naqueles olhos.
Antes que eu pudesse ver seu rosto desviei o olhar. Passei a ver apenas o escuro da floresta, algo como uma garganta que a tudo devora.  Sem realmente ver coisa alguma, fugindo do que eu encontraria caso olhasse novamente para a figura.
Daquelas sombras sem nome algo surgia. Com muita calma as sombras tremeluziam, como se no meio delas houvesse uma chama invisível, elas dançavam nas chamas inexistentes. Conforme dançavam, o contorno de uma pessoa surgia.
Essa forma caminhou para mim. Parou a poucos passos. Ainda não sabia quem era, e seu toque lembra o meu próprio toque, com o acréscimo de uma dor sem limites, uma dor que se alimenta dessa pessoa, a consome por dentro, sem que ela nada possa fazer.
Tocou sua testa em mim, com seus olhos fechados, sem que eu a pudesse reconhecer, mesmo estando a centímetros de mim. Pousou seus lábios nos meus, como se emitisse seu último sopro de vida, para que eu vivesse por ela, antes que aquela dor a matasse.
Antes dela ir-se totalmente, como eu sentia que iria, ela abriu os olhos, finalmente pude saber quem era essa pessoa. Eram meus olhos.
Meus olhos, escuros como a noite, tendo como soberana apenas a escuridão. Foi então que acordei. Tudo não passou de um sonho. Não sei ao certo onde estou ou o porquê estou aqui. Essa casa eu não conheço... A única coisa que me é familiar é a música que ecoa pela casa, a música do meu sonho.
Será que ainda estou sonhando? Me belisco e sinto a dor, e como dizem, nos sonhos não sentimos a dor, embora eu duvide dessa afirmação após meu último sonho, como era possível que aquela pessoa não estivesse sofrendo? Que eu não estivesse sofrendo?
De qualquer forma agora parece mesmo que estou acordado. A melodia é mais real, não é apenas um eco ou uma lembrança.
Agora consigo me lembrar, do rio, da sensação de liberdade, dos sonhos perdidos. Agora sei quem era aquela pessoa do sonho, era eu. O Eu que sentia tanta dor a ponto de não mais suportar e querer se libertar dela.
Naquela noite, aquele eu se perdeu no rio, aquele eu realmente ganhou a liberdade e agora faz parte da correnteza. Mas deixou comigo seu último sopro de vida. Deixou sua vida nas asas de meu anjo.

 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Momentos de casal

A Beleza do Amor
 
Existem muitas sensações que apenas quando se está apaixonado nos podemos descobrir, são sensações tão diferentes, únicas que nem mesmo podemos dar um nome certo a elas. Elas surgem em instantes e os tornam únicos, eles nunca saem de nossa memória, ficam ecoando, como se estivéssemos em uma grande galeria e gritássemos nossa felicidade e ela reverberasse, sempre voltando para nós.
Alguma vez você já sentiu isso? Essa sensação tão diferente, única, que nossas palavras são poucas para descrever? E como dizem, as palavras em alguns momentos apenas os destroem, mas um gesto, um toque, transforma tudo.
É quando você está desesperado, não sabe o que fazer, está totalmente perdido, sem rumo, e a pessoa que você mais ama, confia, se aproxima de você, te abraça, põe sua cabeça em seu colo, faz carinho em seu cabelo e diz para você que tudo vai ficar bem, pois vocês estão juntos, vocês podem enfrentar juntos o que vier. 
Não há nada como o beijo, o cheiro, o toque, sentir os braços de quem se ama em volta de si quando você mais precisa deles. Tudo isso é o que chamamos de amor, e que apenas o entendemos realmente quando o sentimos.
 
E como já dissemos uma imagem vale mais que mil palavras, reuni algumas fotos de casais em momentos que apenas os casais podem desfrutar, aquele sorriso fora de hora, aquele abraço apertado, deitar na grama e ficar olhando as estrelas, as nuvens, ser apenas vocês. Uma magia diferente das outras, a mais poderosas de todas. A magia de um sentimento misterioso, caloroso, assustador e também carinhoso, protetor, o Amor.
Deixo com vocês essas fotografias tão lindas de casais naqueles momentos tão belos. Desejo há todos vocês muito amor, carinho e muitos momentos como os fotografados abaixo.
De seu grande Amigo
Pallas
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Perdido em mim, Capítulo II


Este é o segundo capítulo do conto Perdido em Mim, espero que gostem, logo escreverei o terceiro capítulo, espero que gostem:
Anjo
A dor de um ferimento não chega ao receber o golpe, apenas quando vemos nossa carne nos damos conta do estrago e a dor se espalha de tal forma que não há como viver, ela continua a tomar proporções cada vez maiores. Assim também foi com meu ferimento, não havia percebido o quão profundamente a solidão massacrara meu ser, quando percebi um anjo me salvou.
O mais estranho é que eu nem mesmo acredito em anjos e um me salvou. Talvez mesmo que não acreditemos em algo, ainda sim ele exista. Eu não acredito na felicidade, na salvação, e elas existem?
Quando meu corpo, meu espírito se preparavam para entregarem-se a correnteza do rio, a velejar para o grande oceano, para o infinito, minha viajem foi interrompida antes mesmo de começar. Eu não estava sozinho, não era o único a sentir os flocos de neve pairando no ar, a sentir as lágrimas do céu. Quem era ele? Por que impedia minha viajem?
O tempo parou, um espaço na realidade, aqueles braços traziam de volta não só meu corpo, como também minha alma, perdida nas trevas de mim mesmo. Foi tão grande o choque que minha consciência me abandonou aos poucos.
Antes, porém, ela me permitiu um breve vislumbre. Em movimentos serenos, ao menos eu via tudo com extrema lentidão devido à fraqueza de minha consciência, ele abraçou-me com força, puxando-me de volta. Meu corpo gritava em protesto, contudo minha alma esperava. Segurou-me em seus braços, como uma criança que apenas descansava.
Meu corpo tiritava de frio, vendo meu tremores, estando eu nu, ele retirou seu casaco, foi nesse instante que pude abrir os olhos, havia uma aura luminosa em torno dele, um brilho azulado, cristalino, seus cabelos esvoaçavam com o sopro da neve, uma visão que nunca esquecerei, colocou seu casaco sobre mim, ao sentir o toque quente da lã deixei de ver qualquer coisa, desmaiei no colo de meu anjo.
É tão estranho não saber ao certo onde se está, se é noite ou dia, frio ou quente, luz ou trevas, era neste reino insólito me encontrava. Pensava se realmente esse é o outro lado, o além da vida, o nascer da morte, foi então que me lembrei que este ainda não era o reino dos mortos, que eu ainda não fazia parte dele.  Meus olhos se abriram, despertei novamente para o mundo.
Tentei me localizar, porém minha cabeça doía tanto que desisti, então dediquei-me a tarefa de levantar-me, contudo uma voz grave, mas também delicada e gentil veio das sombras.
––Não se mecha. Por favor. Você ainda está fraco e precisa descansar.
––Quem...
––Não diga nada. Não está na hora de respostas. Está na hora de dormir. Feche os olhos...
Ao terminar de falar ele se aproximou, novamente pouco vi de meu anjo, apenas o dourado cascateante de seus cabelos pousado sobre meu rosto e seus olhos de safira lapidada, brilhantes como à gema a luz das estrelas.
Olhou-me com ternura e cuidado, colocou sua mão sobre meus olhos, fechando-os, um toque tão macio, beijou-me a testa, como se ele fosse meu guardião, novamente adormeci, com a certeza de que meu anjo me guiaria, que o céu existe.
Até a próxima
Pallas

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Quem são os Deuses?


Quem são os Deuses?


Imaginamos os deuses, como seres distantes, intocáveis. Mas afinal o que é um deus?
Do mais profundo de cada ser podemos encontrar a resposta. Um deus é tudo o que há e também o que não há. Eles não habitam tronos celestiais,
 paraísos longínquos. Em cada ato da natureza habita o toque divino, em cada soprar da brisa, crescer da relva, canto dos pássaros, rios e oceanos livres, sorrisos, lágrimas, raio de sol. Tudo palpita com a alma de um deus.
E como os deuses habitam cada ser, gesto, ação, tudo compõe o divino. Ainda necessitamos aprender a respeitar e aceitar o divino que habita em nós. Afinal, como ousamos profanar o divino?  Não somos hereges do celestial, do real, da essência divina ao destruir partes sagradas? Não foi pelas mãos humanas que se tornaram sagradas, mas sim pela essência que as habita.
Cada um de nós somos deuses, porém ainda não aprendemos a lidar com nossa divindade.
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