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domingo, 22 de abril de 2012

Luzes do Esquecimento


Luzes do Esquecimento
Mesmo depois de todas as noites em claro
Mesmo depois de encontrar...
Chorar
Soluçar
Cantar aos céus

Mesmo depois de sorrir
Colorir os fantasmas
Descobrir as verdades

Ainda assim...
Depois de tudo
Nada vejo
Nada desejo
Nada sei

Por dias
Por anos
Sentei-me nos bancos da dor
Caminhei sobre as pedras do sofrimento
Naveguei nas águas do esquecimento
Sob a barca da solidão

Os ventos sopram a brisa da paixão
Os pássaros voam sob a força da vida
As raízes espalham-se pelas lembranças remotas

Existe mesmo o infinito?
O sonhar vibrante
A realidade tocável
O simples olhar do amor?

O beijar dos suaves acordes
O luzir de vozes míticas
O dançar sedutor da melodia

Olhar profundo
Sombrio...
Tangível...
Perturbador dos Mortais

Quem são estes seres
Vestidos com o fino manto da inocência
Trazendo o intocável véu da verdade

Banhado nas sombras da incerteza
Trajando o ego perturbado
O cingir da lâmina da mentira
Na lâmina do corpo
Aqui estou...

Para que trazem a mim
Este véu?
Não sabem que ao tocar meu pútrido ser
Definhará sob o olhar do arrependimento?

Um dia talvez...
Os elos se quebrem
A voz se desfaça
As correntes definhem
Um dia...

Neste dia tudo o que sobrará
Será apenas o
EU
O verdadeiro senhor
O verdadeiro deus
O verdadeiro Universo

domingo, 15 de abril de 2012

A arte divina, Esculturas gregas


A Grécia Antiga
 
Em posts anteriores aqui do blog falamos sobre o Egito, um pequeno resumo sobre este fascinante povo e também em outro post falamos sobre Alexandre Magno, um dos maiores imperadores que já pisaram na Terra. Agora falando novamente de história voltaremos à Grécia, mais especificamente a arte grega, das esculturas.
Não podemos desassociar a Grécia de seus deuses. Um não existe sem o outro. Será os deuses criadores da Grécia ou a Grécia criadora dos deuses? Em todos os casos eles estão tanto nas raias culturais quanto artísticas dos helenos. Podemos dizer, que como em praticamente todas as culturas do mundo, a arte propriamente dita surgiu através da religião, surgiu com o culto aos deuses.
A Grécia pregava o culto ao belo, ao belo da natureza, e isso incluía as formas perfeitas, a perfeição humana. Se os humanos eram seres com condição de se tornar quase ou mais belos, em alguns casos, que os próprios deuses, como fazer a manifestação terrestre das divindades?
Uma questão delicada e fortemente ligada à cultura de cada povo. Podemos ver como era o povo devido a manifestações artísticas, elas funcionam como um vestígio do estado do povo, pequenas particularidades que apenas vestígios de alimentos, vestimentas não são suficientes para se constatar. O Egito produziu alguns dos mais imponentes e belos momentos ainda vivos. Que mesmos os mais hábeis arquitetos, escultores, engenheiros, não saberiam construir.
O Egito sempre exerceu grande influencia em seus arredores, e com a Grécia não foi diferente. Antes do encontro cultural com o povo das terras do Nilo, o povo heleno, na era conhecida como arcaica construía apenas pequenas estatuetas, não dominavam a técnica de manejo das pedras para construção de grandes estátuas. O intercâmbio cultural e artístico com os egípcios proporcionou aos gregos aprimorarem suas técnicas “rudimentares”, se comparadas aos egípcios, da execução de grandes esculturas.
Estátuas do período arcaico

Vênus de Milos
Contudo os dois povos são muito diferentes. O Egito caracteriza-se por seus monumentos austeros, e praticamente imutáveis, nas características básicas ao longo dos seus mais de 4 mil anos de história. Já na Grécia eles não viam o mundo tão austeramente, ao menos não em seus monumentos para a posteridade.
Nestes primórdios, pode-se dizer que as estatuetas seguiam um estilo mais conservador e austero, suas representações não possuíam sentimentos, denotavam frieza e separação do mundo ao qual estão. Mas isso com o tempo isso mudou. O centro cultural do mundo ocidental se podemos chamá-la assim, não permaneceria fixo em seu passado. Logo suas técnicas superaram e muito as estátuas egípcias, no que se refere à perfeição, suavidade, beleza e proporção.
As estátuas ao longo do tempo parecem que vão criando vida, e logo adquirem tamanha perfeição que quase podemos vê-las se movendo, conversando, nos dando conselhos, nos dando reprimendas. E essa era mesmo a intenção.
Nos templos a câmara central abrigava uma representação da divindade à qual o templo era consagrado. Esta estátua tinha que reproduzir, criar a impressão de que o deus(a) estava ali, diante dos fiéis, com sua presença divina, que a estátua realmente era viva. E era.
Deusa Ártemis
Para os gregos e também para muitos outros povos, quando um escultor está criando sua obra ele está tão empenhado ali, que parte de sua energia, de sua aura, liga-se a sua obra, o escultor deixa de ser mero escultor, enquanto esculpe, ele dá vida à rocha, literalmente falando, ele passa ser um deus, um criador.
A estátua cria vida pelas mãos do escultor, e uma estátua de um deus recebe tanta energia, rituais de purificação, veneração que aos poucos parte da própria essência deste deus realmente passa a habitar aquele recinto, aquele corpo de rocha, metal. Tudo isso contribui para a tamanha fascinação que estas estátuas nos causam.
Modeladas com fé, nas mãos dos maiores construtores que surgiram como Fídias responsável pela construção do Parthenon e também de uma das esculturas mais admiradas de toda antiguidade, a Athena Parthenos ("Atena virgem").
Athena Parthenos ("Atena virgem"), réplica
A singeleza grega não pôde ser repetida, a força que suas estátuas possuem a sua magia, sua essência. O país onde as artes prosperaram e se espalharam, nos deixou não só a Filosofia, a Matemática, Medicina. Geometria, suas lendas e mitos. Como também sua arte. O mármore deixou de ser mármore, e passou a ser a veia, a pele de novos seres, as estátuas.
Abaixo seguem-se algumas esculturas gregas, o deslumbre artístico grego:
Hermes, deus mensageiro dos deuses, senhor dos caminhos, dos ladrões


Deusa Ártemis, Senhora dos bosques, deusa virgem
Perseu, Herói grego que matou a Medusa



De um grande admirador da Grécia
E seguidor de seu culto
Pallas

domingo, 1 de abril de 2012

Sombras divinas do amor


O cantar de Afrodite

Eu sou a Senhora da Terra
A Senhora dos céus
A senhora dos mares
A senhora dos corações

Senhora dos sonhos
Emoções
Desejos

Ouçam meu chamado
Ele ecoa em cada um de vós

Sob o som da batida do coração disparado
Sob o som dos lábios
Do toque da pele
No cantar da brisa

Trago comigo a energia criadora
A energia do mistério criador
O mistério a que todos se rendem

Todos os seres são minha casa
Todos os seres habitam em mim
A força que em mim habita está  em vós
Meus amados filhos

Ouçam minha voz sob as estrelas
No luar
No pôr-do-sol
No espelho da alma

Estou sempre ao lado de cada um de vós

Os corações anseiam pelos mistérios
Eu sou o maior mistério
Eu habito em vós
Vejam meus olhos
Meu poder
Nos olhos daqueles que mais amam
Neles eu estou

Assim como em você também encontrará a mim
Deixem que meu chamado tome conta de vocês
Que as flechas de meu filho
Tragam não só a dor
Como a maior das alegrias

Está em vós meu poder
Meu maior templo
Minha oração é o cantar de seu coração vibrante
Minha oferenda é o fruto de seu encontro
A semente de meu ser

quinta-feira, 29 de março de 2012

O Poder das palavras


Grandes pensadores
As palavras possuem um grande poder, são capazes de transformar uma realidade. Elas nos modificam das mais diversas formas, nos fazem crescer, cair e também levantar. Pensando no poder da palavra reuni aqui pensamentos e ditados de grandes pensadores, com a intenção de nos fazer refletir, questionar nossa forma de pensar:
 
––O amor é como a luz: quem a não vê, nega-a; quem a não sente, não a compreende.
A.Opisso

––Quem ama sente o amor, mas não o conhece; o filósofo que se dedica ao exame desse afeto talvez mostre a sua origem, a sua tendência e o seu fim, e dê suas regras para a sua direção, mas quanto à natureza íntima do amor, vê-se na mesma ignorância que o vulgo.
Jaime Balmes

––Quem quer colher lágrimas deve semear amor.
Francis Bacon

––O amor e o desejo são as asas do espírito para a realidade de grandes feitos.
Johann W. Goeth
 
––O amor nada mais é do que a conquista de nós próprios no outro.
Friedrich Hebbel

––Como se chama o pior dos animais? Perguntou a um sábio o rei. E o sábio respondeu: dos selvagens o tirano; dos domésticos o adulador.
G. E. Lessing

––Consolamo-nos do abandono de alguém que amamos, porque podemos deixar de amá-lo. Mas nunca nos consolamos da sua morte, porque até depois da morte, continuamos a amá-lo.
Condessa Diane

––Os outros no aborrecem exceto no momento em precisamos deles.
O. W. Holmes

––Absurdo é toda opinião que contrarie a nossa.
A. G. Bierge

––O velho amigo é um excelente espelho.
Randle Cotgrave

––Não há solidão mais triste nem mais aflita que a do homem privado de amigos, sem eles, o mundo não passa de um deserto.
Francis Bacon

––Talvez encontre em ti próprio o teu pior inimigo ou o teu melhor amigo.
William Hone

––Ouve o conselho de quem muito sabe, mas sobretudo ouve o conselho de quem muito te ama.

––Nada mais comum que o nome do amigo e, no entanto, nada mais raro que o amigo.
Fedro

––Qual é a coisa que o homem mais trata e menos conhece? Ele próprio. E qual é a que sempre nos mente e sempre cremos? O nosso amor próprio.
Padre Manuel Bernades

––O anão inteligente é superior ao Hércules gigante.
Sadi.

––Ao pintarmos um tigre, podemos pintar-lhe a pele, mas não os ossos.
Provérbio Chinês

O rosto sem sulcos é como a folha de papel em que não há nada escrito.
Gottfried Wilhelm Leibniz

––A grande astúcia de alguns consiste frequentemente na estupidez dos outros.
H. Maret

––Há uma espécie de avareza honrosa: a das palavras.
José Maria Vigil.

––Quem é o avarento? Um homem que se empenha em viver pobre para morrer rico.
Pierre Azais

––Não é a beleza que ilude os homens, são os homens que se iludem.
Justus Doolittle
 



terça-feira, 20 de março de 2012

A cultura do mundo


 
Quem somos nós no tempo dos humanos?
Vivemos em um mundo que já não sabe mais seus próprios caminhos. Ao longo do tempo nossa sociedade ocidental forjou um novo mundo, mas ela não forjou apenas um novo mundo, mas também uma nova cultura.
Quando se reúne inúmeros ingredientes para formar algo novo, tanto pode gerar algo muito bom, quanto também uma catástrofe, ou algo que não podemos controlar, é como vemos em filmes, quando o cientista cria um ser e depois se arrepende e quer destruí-lo, mas esse ser também tem uma vida, também passa a ter sentimentos, pois quer queiramos ou não, não somos os únicos seres com sentimentos. Então acabamos por destruir aquilo que criamos, e aos poucos estamos destruindo nossa cultura para criar uma nova, e essas mudanças não são simples, não vêem ser consequências.
Vamos agora a um exemplo, na antiga Grécia o corpo humano era cultuado e tido como sagrado. Os gregos adoravam seus corpos, como a representação do divino na terra, por isso vemos em suas estátuas uma perfeição no corpo humano que nada se iguala na arte do resto do mundo, tamanha a preocupação dos artistas em retratarem o corpo divino na terra, suas nuances, cada parte deste delicado presente divino.
Mas essa forma de ver o humano não é a vigente em todo mundo. Muitas culturas não vêem o corpo como sagrado, e sim como fonte de pecado, que é necessário livrar-se dos pecados, da sujeira da matéria e apegar-se ao espiritual, esquecer do corpo em favor da alma. São culturas diferentes, cada uma com seu tempo, sua história. Contudo elas não ficaram separadas. Elas foram unidas, coladas ao longo do tempo.
Representação de Baco e suas seguidoras
Quando um grande império pretende criar fortes raízes com os povos conquistados eles precisam inserir sua cultura aos poucos, sem pancadas bruscas, pois sabem que elas não resultarão em nada, que o novo povo não será realmente fiel a eles. Dessa formas os costumes são mesclados aos costumes da própria terra, de modo a soarem naturais, uma transição sem grandes rompimentos com o passado. Afinal quando nascemos em uma cultura, em um povo em que ela vigora há séculos ela está entranhada não só em você, mas em cada pessoa, manifestação da sociedade, e impor uma nova traz revolta, mortes, uma ligação fraca com o império.
Agora os vários impérios que surgiram em nossa história mundial sempre fizeram o mesmo, impuseram sua própria forma de ver o mundo sobre a dos outros, criando uma outra, uma nova forma. A Terra é nossa casa, é como se ela fosse divida em quartos e cada continente é um quarto, e em cada quarto existem povos, línguas, costumes, totalmente diferentes, o que os uni é ainda morar na mesma casa e poderem se comunicar através dos corredores, das portas, mas esse contato não é fácil e, muitas vezes, também não é amigável.
Agora cada um dos quartos quer adentrar ao outro levando consigo seus próprios costumes, sendo que o outro quarto já tem os seus, então o conquistador encontra um meio, uma ponte que os ligue, que faça com que seja fácil o domínio, não só da força através de um exército, mas sim também da mente dessas pessoas, que é o mais difícil. E o que resultará disso? Desse encontro?
Estátua de Perseu
Citamos acima o caso do corpo, podemos ver o exemplo disso nos dias de hoje, quando falamos em corpo humano vem diversas abordagens que não possuem uma raiz própria, uma raiz cultural forte, é como se houvesse inúmeros pedaços e aos poucos alguns são unidos, formando alguma coisa que não é totalmente inteira, tem pedaços das duas partes, uma vez que não sabemos ao certo o que pertence ao que.
Então para muitos o corpo é fonte de pecado, mas também de prazer, então sentem o prazer do corpo, que naquele momento é algo divino, mas depois o vêem como pecado, como fonte de malícia, talvez até de nojo. Então o que vemos? Uma cultura bem estruturada ou fraturada justamente por sua insistência de juntar valores tão diferentes sem saber ao certo à função de cada um? Como podemos saber o que fazer se nas instruções está escrito para gritar e também está escrito para não falar? O que fazer? Os dois? Nenhum? Qual o certo? Há realmente algo certo a se fazer nesse caso?
Aí nesse mesmo exemplo entra algo muito conflitante que vemos em nossa cultura, a nudez. Para muitos representa apenas sexo, “sacanagem”, não é mais algo natural ver alguém nu, é quase como se vermos o corpo fosse ver o “diabo” como dizem. E ao mesmo tempo a nudez é cada vez mais explorada, com a função sexual, não como o corpo em si,  não como os gregos viam nosso corpo, e sim uma visão que fica no meio do caminho, o corpo não é sagrado, mas também é fonte de prazer então deve ser mostrado com essa função, não como arte, como expressão do belo humano. Pensem se realmente não pudéssemos ver a nudez, não nasceríamos assim.
É como se criássemos um monstro e não sabemos lidar com ele. Contudo não é um monstro, é um ser, um ser que ajudamos a construir e aos poucos o abandonamos, abandonamos nossa cultura, nossos valores, por misturas que não sabemos lidar. Permanecer parado no tempo não é a solução, não evoluir, não se adaptar as mudanças, e será que a saída é agir por impulso e se arrepender depois por falta de pensar antes de agir?
Talvez acima eu não tenha me expressado bem, pois o meu desejo é ajudar, a nos fazer ver que vivemos em um mundo quebrado e reconstruído, um bela arte pode e está surgindo dos cacos, mas ainda sim podemos ver os fragmentos, os milhares de pontos, de valores, culturas, sentimentos que forma a sociedade em que vivemos. Isso não a torna melhor, ou pior, mas sim nova.
Perdemos sim muito do passado, e também ganhamos um novo mundo, uma nova obra que ainda estamos moldando. Apenas temos que ter muito cuidado para que esta nova obra construída por tantas mãos diferentes não acabe por destruir o que outros já fizeram.
Nossos antepassados deixaram conosco a missão de moldar o mundo de hoje que está se desfigurando aos poucos. Iremos mesmos deixá-lo se desfigurar totalmente sem nada fazer para ajudar?

 

Espero que possa tê-los ajudado a refletir um pouco. Um grande abraço a todos.
Pallas


segunda-feira, 19 de março de 2012

Perdido em mim, Capítulo III


Este é o terceiro capítulo do conto Perdido em Mim, o primeiro capítulo se encontra aqui, através dele você pode ver todos os capítulos já publicados desse conto. Espero que gostem, este conto é especialmente importante para mim, então vamos a história:

 
Liberdade do Eu
Posso ver ao longe alguém caminhando, sozinho em uma longa estrada que serpenteia por uma densa floresta. Corro atrás dessa figura, ela me é familiar, a distância é o maior empecilho, talvez se eu conseguisse me aproximar mais, eu possa saber quem é a figura.
Uma chuva fina começa a descer dos céus, através de cada uma dessas gotas posso ver antigos rostos, antigas memórias, lembranças de outros tempos. O toque das gotas na estrada produz uma melodia delicada, melodia que também já ouvi. Em um dia cinza, sentado em frente ao piano, olhando pela janela, vendo a água escorrendo pela janela.
Acompanhando o ritmo deixei que minhas mãos traduzissem em sons meus sentimentos. Agora estou ouvindo a mesma música, vinda não de minhas mãos, mas sim das próprias gotas.
Continuei correndo para tentar ao menos ver quem é aquela pessoa. Ao longe posso ver que ela parou de caminhar, lentamente está se virando para mim. Não sei ao certo de onde o medo surgiu ou mesma a dor, apenas sei que não suportei olhar naqueles olhos.
Antes que eu pudesse ver seu rosto desviei o olhar. Passei a ver apenas o escuro da floresta, algo como uma garganta que a tudo devora.  Sem realmente ver coisa alguma, fugindo do que eu encontraria caso olhasse novamente para a figura.
Daquelas sombras sem nome algo surgia. Com muita calma as sombras tremeluziam, como se no meio delas houvesse uma chama invisível, elas dançavam nas chamas inexistentes. Conforme dançavam, o contorno de uma pessoa surgia.
Essa forma caminhou para mim. Parou a poucos passos. Ainda não sabia quem era, e seu toque lembra o meu próprio toque, com o acréscimo de uma dor sem limites, uma dor que se alimenta dessa pessoa, a consome por dentro, sem que ela nada possa fazer.
Tocou sua testa em mim, com seus olhos fechados, sem que eu a pudesse reconhecer, mesmo estando a centímetros de mim. Pousou seus lábios nos meus, como se emitisse seu último sopro de vida, para que eu vivesse por ela, antes que aquela dor a matasse.
Antes dela ir-se totalmente, como eu sentia que iria, ela abriu os olhos, finalmente pude saber quem era essa pessoa. Eram meus olhos.
Meus olhos, escuros como a noite, tendo como soberana apenas a escuridão. Foi então que acordei. Tudo não passou de um sonho. Não sei ao certo onde estou ou o porquê estou aqui. Essa casa eu não conheço... A única coisa que me é familiar é a música que ecoa pela casa, a música do meu sonho.
Será que ainda estou sonhando? Me belisco e sinto a dor, e como dizem, nos sonhos não sentimos a dor, embora eu duvide dessa afirmação após meu último sonho, como era possível que aquela pessoa não estivesse sofrendo? Que eu não estivesse sofrendo?
De qualquer forma agora parece mesmo que estou acordado. A melodia é mais real, não é apenas um eco ou uma lembrança.
Agora consigo me lembrar, do rio, da sensação de liberdade, dos sonhos perdidos. Agora sei quem era aquela pessoa do sonho, era eu. O Eu que sentia tanta dor a ponto de não mais suportar e querer se libertar dela.
Naquela noite, aquele eu se perdeu no rio, aquele eu realmente ganhou a liberdade e agora faz parte da correnteza. Mas deixou comigo seu último sopro de vida. Deixou sua vida nas asas de meu anjo.

 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Momentos de casal

A Beleza do Amor
 
Existem muitas sensações que apenas quando se está apaixonado nos podemos descobrir, são sensações tão diferentes, únicas que nem mesmo podemos dar um nome certo a elas. Elas surgem em instantes e os tornam únicos, eles nunca saem de nossa memória, ficam ecoando, como se estivéssemos em uma grande galeria e gritássemos nossa felicidade e ela reverberasse, sempre voltando para nós.
Alguma vez você já sentiu isso? Essa sensação tão diferente, única, que nossas palavras são poucas para descrever? E como dizem, as palavras em alguns momentos apenas os destroem, mas um gesto, um toque, transforma tudo.
É quando você está desesperado, não sabe o que fazer, está totalmente perdido, sem rumo, e a pessoa que você mais ama, confia, se aproxima de você, te abraça, põe sua cabeça em seu colo, faz carinho em seu cabelo e diz para você que tudo vai ficar bem, pois vocês estão juntos, vocês podem enfrentar juntos o que vier. 
Não há nada como o beijo, o cheiro, o toque, sentir os braços de quem se ama em volta de si quando você mais precisa deles. Tudo isso é o que chamamos de amor, e que apenas o entendemos realmente quando o sentimos.
 
E como já dissemos uma imagem vale mais que mil palavras, reuni algumas fotos de casais em momentos que apenas os casais podem desfrutar, aquele sorriso fora de hora, aquele abraço apertado, deitar na grama e ficar olhando as estrelas, as nuvens, ser apenas vocês. Uma magia diferente das outras, a mais poderosas de todas. A magia de um sentimento misterioso, caloroso, assustador e também carinhoso, protetor, o Amor.
Deixo com vocês essas fotografias tão lindas de casais naqueles momentos tão belos. Desejo há todos vocês muito amor, carinho e muitos momentos como os fotografados abaixo.
De seu grande Amigo
Pallas
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

terça-feira, 6 de março de 2012

Maior gênio da renascença Leonardo da Vinci

Este blog é destinado a arte, seja ela qual for, a beleza dos seres, objetos, sentimentos. Há muito tempo fiz um trabalho e pesquisei sobre Leonardo da Vinci, o maior artista da renascença, um dos maiores gênios que nossa humanidade já viu nascer.
Estava pesquisando em minhas pastas e encontrei este trabalho, hoje transcrevo-o aqui para o blog, vale a pena conhecer mais desse artista sem precedentes e procedentes.
Como é um trabalho baseado em uma biografia ele é muito extenso, portanto dividirei a postagem em algumas e atualizarei está página e as seguintes com as demais partes. Aqui está a segunda parte e a terceira parte.
 
Leonardo da Vinci
Pai da Arte
Auto-Retrato de Leonardo da Vinci
Esboço de Leonardo
Leonardo nasceu em Vinci, aldeia de Alta Toscana, perto de Florença, nas bases do monte Albano. Em 15 de abril de 1452 ele nasceu, sendo seu pai, Piero, notário na aldeia de Vinci, de onde a família traria o nome. A mãe, Catarina, era camponesa, vivera cinco anos com o filho, quando Piero o tomou para jamais devolvê-lo.
Menino em Vinci era muito ávido em saber o porquê das coisas ao seu redor. Dotado de grande perseverança, nada, mas nada mesmo, o desanimava. Irritavam-no apenas as injustiças, os maus tratos e as humilhações.
Encontrou, em certa ocasião, meninos maiores que se dispunham a matar uma toupeira e, apiedado, lançou-se contra eles tentando arrancá-la de suas mãos. Derrubado, pisoteado quase desacordado, mas percebendo que conseguira fazer com que a toupeira fugisse, sentiu-se pago das agressões. E, não muito tempo depois, acusado te ter promovido uma briga, puseram-no de castigo sem qualquer explicação.
Vítima dos atrasos da época: porque escrevia com a mão esquerda, acusaram-no de bruxaria; uma mulher chegou a afirmar que a cabra que o amamentava estava enfeitiçada. E o melhor menino de Vinci acabou sendo olhado com certo temor pelos habitantes de Vinci.
Certo dia passou por um terreno onde seria construída uma vila. Então passou a observar diariamente os pedreiros trabalharem. Mas a insistência com que acompanhava o curso das obras chamou a atenção do arquiteto, Blas de Rávena, que lhe ensinou noções de Aritmética, Mecânica e Geometria.
Permaneceu até os 17 anos de idade em sua aldeia de Vinci. Em 1469, o pai decide mudar-se para Florença, devido ao talento evidente de Leonardo para a pintura (eram centenas de esboços e croquis – de flores, pássaros, peixes e rochas).
Assim que chegam em Florença, Piero leva seu filho para conhecer Verrochio. Levando seus trabalhos de desenhos e pintura para que ele examinasse. Andrea Del Verrochio, não escondeu o entusiasmo logo que viu os trabalhos de Leonardo. E já que devia passar por um longo período de preparação artesanal e técnica, ingressou como aprendiz na escola de Verrochio onde, em troca de estudos, da moradia e da alimentação devia servir ao mestre durante muitos anos.
O Batismo de Cristo
Verrochio também iniciou Leonardo em Medicina, Geologia, Mecânica e Geologia, sem descuidar do ensino de artesanato da pintura. Como recebia encomendas de grandes quadros e estátuas para estabelecer confiança nos estudantes, os discípulos o ajudavam, inclusive e, sobretudo Leonardo.
Leonardo permaneceu na Escola de Verrochio, impondo-se como principal colaborador, trabalhando inclusive em “O Batismo de Cristo”, como o fim de sua aprendizagem. A contribuição, o anjo mais à esquerda e ao fundo da tela -  a mostrar o contraste dos dois estilos – é de fato o seu primeiro trabalho sério. Porém, este não é o último trabalho na Escola. Leonardo ficou seis anos nessa Escola.
Leonardo permaneceu na Escola e trabalhou inclusive em  “A Anunciação”, até que se inscreveu na Corporação dos pintores de Florença.
A Anunciação
Logo o nome de Leonardo já era amplamente conhecido, o que não demorou que pintasse o primeiro retrato: Ginevra di Benci, uma jovem florentina.
Com o governo dos Médicis ameaçado pelo rei de Nápoles, que pretendia conquistar Florença, Lorenzo de Médicis contratou engenheiros militares e mercenários.
Ginevra di Benci
Embora Lorenzo não solicitasse os seus serviços, Leonardo da Vinci resolveu colaborar desenhando novos tipos de armas (chegou mesmo a inventar uma metralhadora). Porém Lorenzo dele não toma conhecimento.
Leonardo após algumas crises financeiras, quis sair de Florença. Apesar de suas ocupações como pintor e pela sua paixão pela música. Leonardo criou um alaúde de prata, de muitas cordas em forma de crânio de cavalo. E a Lorenzo de Médicis (apesar de não ter nenhuma simpatia por ele) mostrou aquela peça incomum.
Original, tão original e bela que Lorenzo a pediu para enviá-la a Ludovico, o Mouro, Duque de Milão, apaixonado por tudo que era extravagante e não propriamente artístico.
O Duque Ludovico, fascinado pela peça de prata, pediu para conhecer aquele inventor, Leonardo da Vinci. Então, este parte para Milão, com a certeza que venceria como artista, engenheiro e cientista.
Da Vinci envia uma carta contando suas incríveis habilidades como engenheiro militar. O Duque de Milão pergunta a Ambrósio de Rosate o que ele acha sobre a carta. Que ao final da leitura disse: “–– É um louco a escrever uma série de desatinos.”
Lorenzo de Médici
O Duque pede a Ambrósio que converse com Leonardo, quando este chega ao castelo. O diálogo entre os dois é acirrado, o astrólogo diz que aquilo é um monte de heresias e até mesmo o acusa de bruxaria. Contudo, com sua frieza e perspicácia o artista consegue com que o astrólogo se cale.
Ali com 30 anos, Leonardo se dedicou a sua paixão e pode manter-se sem maiores dificuldades financeiras. Alimentava-se pouco, raramente bebia vinho, trabalhava excessivamente. Dedicou-se mais obstinadamente à anatomia e dissecou corpos humanos.
Ludovico, o Mouro, cumprindo suas promessas, encarregou-o de obras importantes. A decoração do castelo de Sforza; os projetos das reformas que deviam se realizar na Catedral. De 1480 a 1490 era artista obrigatório da corte.
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Esta é a primeira parte deste trabalho, retratando a infância e a subida árdua e lenta de sua carreira como artista desde sua aldeia de Vinci até a cidade de Florença.
Desejo a todos que possam aprender com este artista, engenheiro, anatomista, escritor, pintor, este gênio, um pouco de sua vida e feitos que com certeza você nem sequer imaginava.
Então até a próxima parte.
Um grande abraço de seu amigo,
Pallas
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