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domingo, 22 de abril de 2012

Luzes do Esquecimento


Luzes do Esquecimento
Mesmo depois de todas as noites em claro
Mesmo depois de encontrar...
Chorar
Soluçar
Cantar aos céus

Mesmo depois de sorrir
Colorir os fantasmas
Descobrir as verdades

Ainda assim...
Depois de tudo
Nada vejo
Nada desejo
Nada sei

Por dias
Por anos
Sentei-me nos bancos da dor
Caminhei sobre as pedras do sofrimento
Naveguei nas águas do esquecimento
Sob a barca da solidão

Os ventos sopram a brisa da paixão
Os pássaros voam sob a força da vida
As raízes espalham-se pelas lembranças remotas

Existe mesmo o infinito?
O sonhar vibrante
A realidade tocável
O simples olhar do amor?

O beijar dos suaves acordes
O luzir de vozes míticas
O dançar sedutor da melodia

Olhar profundo
Sombrio...
Tangível...
Perturbador dos Mortais

Quem são estes seres
Vestidos com o fino manto da inocência
Trazendo o intocável véu da verdade

Banhado nas sombras da incerteza
Trajando o ego perturbado
O cingir da lâmina da mentira
Na lâmina do corpo
Aqui estou...

Para que trazem a mim
Este véu?
Não sabem que ao tocar meu pútrido ser
Definhará sob o olhar do arrependimento?

Um dia talvez...
Os elos se quebrem
A voz se desfaça
As correntes definhem
Um dia...

Neste dia tudo o que sobrará
Será apenas o
EU
O verdadeiro senhor
O verdadeiro deus
O verdadeiro Universo

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O que significa esta pedra?


O mestre e o discípulo
Há tantas eras o permanente é meu lar, que pouco me lembro dos tempos em que vivia num distante lugar, onde verdes planícies cantavam com o toque da brisa, embalados pela melodia dos pássaros, refletidos em um límpido espelho de águas, um lugar que seus habitantes batizaram de Terra.
São tempos tão remotos... Pouco ainda se preserva em mim, como em lago que acumula novas águas, e ainda sim as antigas permanecem. Elas permanecem comigo, em meu lago de memórias, uma tarefa árdua mergulhar por estas antigas passagens, canais, cavernas, mas vale à pena descobrir seus mistérios.
Tudo está tão diferentes, as antigas amarras não existem mais, embora novas tenham se formado. Não culpo a ninguém, apenas a mim mesmo, afinal, a escolha é minha, sempre é de cada um, mesmo que queiramos nos iludir do contrário. Foi minha escolha seguir um caminho como pensador, como um filósofo, naqueles primórdios, quando estes termos nem mesmo existiam.
Agora, resultado de tantos questionamentos de mim mesmo, em mim mesmo, reservaram-me a tarefa de guia. Um elo entre mundos, entre dimensões. Provavelmente esta é uma das razões de minha memória ser tão fragmentada. Permaneço pouco tempo em cada mundo, sempre viajo por entre eles. Sou como uma folha ao vento, seguindo caminhos sempre diversos.
Nestes meus caminhos encontrei outra folha perdida, passamos a velejar juntos por essa vastidão sem fim, tentando descobrir parte de nós mesmos, parte do cosmo em si, ainda não deixamos de ser quem éramos, mesmo após deixar a casca da mortalidade.
Nesta nossa jornada encontramos alguém perdido, alguém que deveríamos ajudar. E isto me fez lembrar de uma outra lição perdida em minha história, quando ainda vestia as veste da carne.
Naqueles tempos eu possuía um discípulo, muito curioso, inocente, almejando conhecimento, sabedoria, poder, amor... Almejando, almejando sem nada  realmente almejar.
Um dia caminhávamos pela encosta da montanha, próximo a um templo paramos para descansar e ficamos observando uma pedra que se encontrava diante de nós, uma pedra comum, em uma estrada comum.
––Vê aquela rocha?
––Sim meu mestre.
––Pode me dizer o que ela é? Porque ela está ali?
Meu discípulo ficou a pensar, por horas a fio em uma resposta para aquela pergunta tão intrigante. Após muito tempo ele me respondeu.
––Meu mestre, acho que encontrei a resposta. Aquela rocha simboliza os entraves de nossa vida, tudo o que nos impede de avançar. Simboliza a perenidade do humano. Que apesar de se considerar divino, não passa de um simples pedregulho perante a montanha, perante a montanha do universo. Somos apenas um desgaste dessa gigantesca montanha, e se estamos aqui hoje não significa necessariamente um desígnio divino, mas sim mera casualidade que nos fez descer montanha abaixo. Ou ainda que uma simples rocha pode transformar uma vida, que mesmo em sua pequenez ela pode ser a causa de uma guerra, morte, lutas, destruição pela cobiça desenfreado dos homens pela riqueza, que mesmo as menores coisas, as menores rochas podem ser a causa de grandes guerras, de um desmoronamento, mesmo sozinha ela pode fazer uma grande diferença.
––Parabéns, você refletiu por horas, e chegou a conclusões admiráveis. Impressionantes, que a maioria não chegaria. Porém apesar de tudo o que disseste, é uma interpretação simbólica desta pedra, o que ela é? Uma pedra simplesmente. Não passa de uma pedra, ao qual dois humanos estão horas a se questionar a sua razão de existir, isso muda a sua essência? Meu filho, nós, humanos, temos uma tendência em ver significado em tudo, procuramos um porque, mesmo que ele não exista, para nós, ele tem que existir, pois nosso ego é muito grande. Dificilmente aceitaremos a mais básica das respostas, não sei, não sabemos. Um verdadeiro sábio não é aquele que tudo sabe, mas sim aquele que nada sabe. Aquele que tudo sabe se torna arrogante e prepotente, desafia os outros e até mesmo as divindades em nome de seu ego sem fim. E aquele que nada sabe? Busca aprender, compreender o que está a sua volta, pois está em eterno aprendizado e mesmo depois de milênios aprendendo pode dizer que ainda sim nada sabe. Tome muito cuidado com os significados, às vezes uma pedra é apenas uma pedra. Questionar é sempre válido, contudo criar significados onde não existem para suprir um vazio interior, para não parecer que não seja capaz de ver o que outros vêem não é o que um sábio deve fazer, busque em você mesmo as respostas. E lembre-se, suas opiniões, sua forma de ver o mundo não é a correta, nem mesmo a errada. E os outros não são obrigados a seguirem-na como a correta, ou a repudiarem como a errada.
Este pequeno episódio é apenas uma das muitas histórias que fazem parte de minha viajem, de meu trabalho como barqueiro. Quem sabe um dia eu posso contar outras, trazer a memória outros tempos, lugares... Quem sabe a língua dos bardos não soe em mim... Mas até lá deixo vocês com esta pequena história, na verdade, pequena reflexão.
Até o próximo encontro,

Pallas

domingo, 1 de abril de 2012

O soar do paganismo


A voz divina em nós
Algumas vezes já me perguntaram o que é ser pagão, o que significa paganismo. Para muitos o termo pagão é quase um “palavrão”, uma palavra assustadora, significando alguém sem religião, sem Deus, e até mesmo contraditoriamente seguidor do diabo cristão, contudo se você não acredita no Deus católico, conseqüentemente também não acredita na mitologia cristã que envolve a figura do diabo.
Krishna
Durante algum tempo me considerei como um ateu, eu não acreditava em um deus, mas sim na energia do mundo, a energia criadora do universo, em um sentido mais universal da visão que comumente se tem dos deuses. O universo místico sempre me fascinou e eu sempre busquei aprender sobre as mais diversas religiões tanto do credo monoteísta, quanto do politeísta.
Ao longo do tempo percebi que o mais importante em cada uma delas não é o credo em si e sim a fé do crente, seja em Deus cristão, YHWH judaico, KRISHNA indiano, Zeus grego e outra milhares de deidades, elas em si não possuem o poder de transformar, por mais estranho que isto possa soar, o verdadeiro poder de um deus está em seus fiéis que pelo poder criador da fé dá-lhes o poder, portanto é a fé de cada um de nós que nos torna fortes, independentemente do credo que seja.
A religião sempre foi uma herança cultural, a sua religião muito provavelmente também é a de seus pais, raros casos em que a religião dos pais não é dos filhos. Ela é imposta aos recém nascidos e também imposta em escolas, pela sociedade em que se vive, somos obrigados a seguir determinada crença que variará de acordo com o lugar do mundo em que você viver.
E onde o paganismo entra nisso tudo? Paganismo deriva-se do termo latino paganus habitante do campo, que durante a Idade Média quando o termo passou a ser mais fortemente usado eram os camponeses os principais praticantes do paganismo, que é o termo usado para definir qualquer religião não judaico-cristã, religiões não abrâamicas. Como a religião judaico-cristão era uma religião da corte, dos nobres, ricos e poderosos o povo praticava em seus lares os antigos cultos, que com o passar do tempo foi sendo mesclado as práticas cristãs.
O termo pagão ao longo da história foi usado como um termo pejorativo, de ofensa e até mesmo xingamento, e é este um dos motivos que para muitos esta palavra soe tão assustadora. Mas o que é um pagão?
Deus Judeu
Esta resposta vem de um pagão, não de termos escritos em livros escritos por outros, ou mesmo por teólogos cristãos. Não podemos definir o paganismo como uma unidade maciça devido às milhares de crenças que ele engloba. Mas em uma síntese um pagão é o crente dos deuses, da natureza, da essência do universo, do culto ao grande Pai, a grande Mãe.
E uma das maiores diferenças podemos dizer que é o respeito religioso para com as outras crenças. Infelizmente em nossa história não podemos negar que as culturas impuseram suas crenças sobre as outras, e isso não é de uso exclusivo dos cristãos. Contudo há uma grande diferença, os pagãos não negam a existência de outros deuses, de outras religiões, outras formas de ver o mundo.
No apogeu da cultura grega, com a sua expansão pelo mediterrâneo conquistando os povos do mar mediterrâneo, conhecendo novas culturas, totalmente diferentes da sua, com credos muito diferentes, o que eles fizeram? A maior cultura, o mais próspero e poderoso país, o Egito, com suas crenças muito mais antigas que as gregas, qual foi à reação dos gregos ao estabelecer contato com os egípcios? A junção através de mitos das duas religiões.
Quando na Grécia os deuses híbridos de animais e humanos vindos das terras do Nilo surgiram tinha que haver uma explicação para isso, e a explicação surgiu. Segundo os mitos, depois que Zeus baniu o titã Cronos do trono do céu, assumiu o seu lugar. Com o passar dos anos a fúria dos titãs aumentou e um dia eles se rebelaram e atacaram os deuses. Em um arroubo de poder o trono divino de Zeus foi usurpado e apoderado novamente pelos titãs, que lutaram com os deuses, porém estes fugiram para as terras distantes do Nilo e se misturam aos animais, tendo uma aparência híbrida, sendo cultuada mais tardiamente pelos próprios egípcios.
Cronos Destronando Urano
 A única a ficar ao lado de Zeus foi Athena. Zeus foi desmembrado e seus pedaços espalhados pela terra, como forma de castigo. Depois de milhares de anos, os deuses tomaram consciência de seus atos covardes e retornaram ao Olimpo dispostos a retomar o trono dos deuses. E assim o fizeram, reconstituindo Zeus e com isso banindo novamente os titãs para as profundezas da Terra.
Neste mito podemos ver a capacidade dos gregos de assimilarem a cultura de outros povos na sua, sem destruir a cultura do outro pela dizimação. Outro exemplo claro é a própria deusa Afrodite. A origem desta deusa é controversa, ela é a deidade principal, dos doze grandes mais recente. Tanto que há dois mitos sobre sua origem, um de que ela é filha de Zeus e outro em que ela aparece nascida das ondas graças aos testículos de Urano, pai de Cronos, que quando foi destronado por seu filho acabou tendo seus testículos mutilados, caindo nas ondas do mar, com isso a deusa do Amor surgiu. Devido a isso a própria deusa é mais antiga que Zeus, ela é uma titã também, tia de Zeus.
O nascimento de Vênus, Sandro Botticelli 
Afrodite é uma junção de deusas mediterrâneas muito anteriores a ela, como a deusa babilônica Ishtar e outras deusas primordiais, o amor é uma essência primordial humana, misteriosa e controversa, até mesmo sua representação divina o é, misteriosa e poderosa, e também subestimada por muitos.
O paganismo é esta mistura, não só de crenças, mas também de pessoas, das mais diversas partes do mundo, pois cada região do mundo vê o mundo de uma forma diferente e, portanto seus deuses também o são.
Algo que aprendi e posso sentir emanado de mim é o chamado divino. Essa voz que ecoa em cada um de nós sob diversas formas. Para um cristão ela soa sob a forma de Jesus, para o indiano sob a forma de Krishina, e para mim ela soa sob a forma da natureza, com a voz da Deusa Mãe. Essa voa ecoa em todos nós, ninguém mais a ouve, apenas você, ninguém pode te obrigar a ouvi-la, ela ecoará mais forte um dia em sua vida. Ela sempre ecoa, contudo muitas vezes você está tão ocupado com tantas coisas que nem se preocupa com você mesmo, com seu interior.
Essa foi uma pequena explanação sobre a minha forma de ver o paganismo, sobre minha forma de senti-lo, e convido a cada um de vocês, sejam pagãos ou não que compartilhem aqui sua forma de perceber o mundo, como é a voz divina que pulsa em vocês.
Um grande abraço a todos, que a voz divina da natureza, do universo soe de forma tão poderosa em cada um de vocês que não possa ser ignorada, que ela seja como o som do tambor nas batalhas, a batalha por si mesmo, pelo mundo, a batalha pelo equilíbrio, que toda a força dessa energia abençoe a cada um de nós.
Que assim Seja
E assim se Faça
De seu irmão Pallas

domingo, 25 de março de 2012

Aranhas, o mistério dos Mil Olhos


 
O Mistério das Teias
 
Para muitos ver uma teia significa ter um ataque súbito, ou do coração ou de atleta de corrida. Porém observar e saber um pouco mais sobre estes seres tão diferentes e também tão inteligentes nos ajuda a compreender mais sobre a natureza e nos fazer perder o medo que temos delas.
Agora vou fazer um breve resumo sobre as aranhas:
O grupo das aranhas (os artrópodes) é divido em 3 subordens: Mygalomorphae, Araneomorphae e Mesothelae. No Brasil as espécies mais importantes pertencem aos gêneros Lycosa, Latrodectus, Loxosceles e Phoneutria, representadas pelas tarântulas ou aranhas-de-jardim, viúvas-negras, aranhas-marrons e armadeiras, respectivamente.
No mundo existem mais de 35 mil espécies de aranha no mundo, sendo os tamanhos e graus de venenos muito variados, contudo poucas podem causar sérios danos.
O tamanho das aranhas varia muito, a maior espécie é a caranguejeira, podendo chegar até 30cm de comprimento. Elas habitam os mais diversos ambientes, exceto lugares frios, elas também costumam ser encontradas no meio urbano, proporcionando uma maior incidência de acidentes. Existe apenas uma espécie de aranha aquática, a aranha-de-água - Argyroneta aquática – ela cria uma bolsa de oxigênio com sua ceda e consegue ficar debaixo d’água.
Aranha-da-água
Todas as espécies de aranhas são carnívoras e produzem veneno, indispensável para a sua caça e digestão da presa. Elas se alimentam de insetos e pequenos invertebrados, e algumas caranguejeiras da Amazônia, por serem muito grandes, caçam também pequenos roedores e pequenos pássaros.
Outra característica típica das aranhas é o dimorfismo sexual, onde a fêmea é sempre maior que o macho, devido a isso o macho muitas vezes é confundido com uma presa e é devorado logo após o acasalamento, daí vem o nome da viúva-negra.
O tempo de vida de uma aranha varia muito de espécie para espécie, podendo ser de alguns meses, há também alguns anos.
Todas as aranhas produzem seda, mas nem todas produzem teia. Muitas espécies constroem diversas formas de armadilhas para caçar, sempre envolvendo a seda e não propriamente a criação de teias.
A composição da teia sempre fascinou os cientistas, sua tenacidade, elasticidade, ela é mais fina que um fio de cabelo, mais leve que algodão e (nas mesmas dimensões) mais forte que o aço. Várias aplicações desse  novo material surgem na mente dos pesquisadores, tais como roupas e sapatos à prova  d’água,  cabos  e cordas,  cintos  de segurança e pára-quedas mais resistentes,  revestimento anti-ferrugem, párachoques  para automóveis, tendões e ligamentos artificiais, coletes à prova de balas, etc.
A aranha também é recheada de história, lendas, mitos relacionadas a este ser tão intrigante e diferente. A aranha tece a vida, ela cria novos laços, traz para si não só coisas boas como também coisas ruins, assimila as energias, protege a noite com seus muitos olhos.
Abaixo segue-se a lenda grega de como as aranhas surgiram, este texto foi retirado o site Recanto das letras:
“A LENDA DE ARACNE E ATHENA
Numa antiga região da Ásia Menor chamada de Lídia, vivia uma jovem de nome Aracne, que tinha uma extraordinária habilidade e grande reputação na arte de tecer e bordar.
As tapeçarias que desenhava eram tão belas e perfeitas que pessoas vinham de terras distantes só para contemplá-las. Devido a tanta admiração, Aracne começou a comparar-se à Athena - deusa das fiandeiras – e que seria capaz de derrotá-la na arte da tecelagem. Quando a notícia chegou ao Olimpo, Atena ficou furiosa com a petulância da mortal. Sentiu-se desafiada e resolveu aceitar a competição com Aracne, para ver quem merecia de fato ser considerada a melhor na arte de bordar. Antes, porém, a deusa disfarçou-se de uma humilde velhinha e foi ter com Aracne. Pediu-lhe que a escutasse, devido à experiência de sua idade avançada: "Busque entre os mortais toda fama que desejar, mas reconheça a posição da deusa". Aracne, entretanto, não aceitou os conselhos da deusa, e, mais uma vez, a desafiou, dizendo: "Por que motivo sua deusa está evitando competir comigo"? Nesse momento, Atena tirou o disfarce e todos, ao redor, ficaram surpresos, exceto Aracne, que permaneceu impassível. As duas, então, deram início à competição.
 Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Athena representou sobre a tapeçaria os doze deuses do Olimpo em toda a sua majestade e para aviso da sua rival acrescentou nos quatro cantos a representação de quatro episódios mostrando a derrota dos mortais que tinham ousado desafiar os deuses. Aracne ousou ilustrar sobre o seu trabalho as conquistas amorosas de Zeus. Sob a forma de touro, arrebatando Europa; sob a forma de águia, abordando Astéria; sob a forma de cisne, conquistando Leda; sob a forma de sátiro, fazendo amor com Antíope; Zeus fazendo-se passar por Anfitríon para seduzir Alcmene, mãe de Heraclés (Hércules); Zeus, o pastor que fez amor com Mnemosine, mulher-titã; e, ainda, Zeus conquistando Egina, Deméter e Danae, disfarçado de chama, serpente e chuva de ouro, respectivamente. Isso deixou Athena tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e golpeou, com o bastão de tecer, a cabeça Aracne. Ultrajada e desesperada, Aracne enforca-se.
Athena, ao ver o que sua cólera havia provocado, compadeceu-se de Aracne e transformou a corda que ela usara para enforcar-se numa teia. Em seguida, derramou sobre Aracne fluidos retirados das ervas da deusa Hecate e transformou-a em uma aranha. Dessa forma, Aracne foi salva da morte, embora condenada a ficar dependurada em sua teia a fiar e a tecer para sempre. ”
Espero que tenham apreciado e aprendido um pouco mais sobre estes seres tão misteriosos e inteligentes que são as aranhas. Agora deixo com vocês algumas belíssimas fotos de teias e também de aranhas:
 

 Cobalt Blue (Haplopelma lividum), do ramo das tarântulas
 
Cobalt Blue, como diz o nome sua coloração azul metálica impressiona até os mais céticos. Infelizmente pela sua agressividade é uma espécie somente recomendada para pessoas que já possuem profunda experiência no assunto em criatório deste animal. Sua origem é asiática, podendo chegar ao tamanho de 13 cm, também gosta de muita umidade. 

Aranhas caranguejo-das-flores (Misumena vatia)
 
Aranha caranguejo, essa aranha tem a camuflagem mais eficiente de sua espécie. Você precisa olhar bem de perto para ver que esse pedregulho (ou esse caranguejo feioso) é, na verdade, uma aranha. Alguns chegam a confundi-la com fezes de pássaro já que, quando ela senta no meio de sua teia branca, normalmente em folhas, ela parece com a tradicional mancha branca com um pontinho preto no meio. A camuflagem serve dois propósitos: primeiro, ela protege a aranha dos seus predadores, que pensam que ela é uma caca de passarinho. Segundo, ela atrai o alimento da aranha, que são pequenos insetos que adoram ficar circulando a caca de passarinho.
 

Indian Ornamental
 
Apesar de ter um nome simpático é uma espécie muito venenosa, muito agressiva e uma das mais rápidas da natureza. Provavelmente é a tarântula mais perigosa distribuída entre os criadores, e uma picada da Indian Ornamental implicará, seguramente, em internação hospitalar, pois seu veneno é ativo no homem. Sua criação somente deve ser feita por profissionais qualificados. 

Caranguejeira Mexican Red Knee
 
A caranguejeira Mexican Red Knee, é a mais usada como animal de estimação em todo o mundo. Sua beleza inigualável junto a pouca agressividade, leva esta espécie entre todas as tarântulas, a ser a campeã entre todas as tarântulas comercializadas. É originária do México, aonde se adaptou a substituição de seu habitat natural pelas plantações de banana daquela região. São também muito utilizadas como atrizes coadjuvantes em grandes cenas filmes de terror. Esta espécie foram tão capturadas na natureza, que acabaram por receber a classificação de ameaçada de extinção. Felizmente sua reprodução em cativeiro é abundante e hoje esta espécie esta fora desta classificação.  
 
Segue-se abaixo os sites em que pesquisei para escrever este texto:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Olhos belos


O olhar divino do ser humano
 
Somos um espécie tão controversa, tão cheia de mistérios, talvez de origem divina, talvez de origem alienígena ou até mesmo intra-terrena, para os céticos tudo não passa de teoria da conspiração, mas para os crentes nos humanos a resposta está visível, os olhos.
Nossos olhos foram considerados ao longo das eras a evidência da perfeição humana, a prova da existência de um ser superior, afinal como uma estrutura tão magnífica quanto os olhos poderia ser obra do acaso? Da Evolução? E seja em qual cultura for eles sempre revelam mistérios insondáveis da alma.
Mesmo que não os entendamos eles são como janelas para um céu, ou para um abismo. Quantas vezes um olhar muda tudo, com um simples olhar toda a situação muda, a forma de encarar, tudo acaba por transmutar devido a este órgão tão cheio de perguntas.
Pelo tempo ele foi considerado sagrado, no Egito o olho de Hórus, símbolo da proteção, da vida, da essência divina, sendo seu maior símbolo o sol, o olho dos deuses. Os
mistérios, lendas, contos, envolvendo os olhos são infindáveis.
Este é um conto retirado deste blog, sobre a origem das cachoeiras de Lisboa:
 
Lenda dos Olhos de Água 
“Há muito, muito tempo viveu  por estas paragens  um rei mouro e a sua filha.
A princesa uma linda moça, de cabelos negros e olhos de azeitona, perdeu-se de encantos por um pobre jovem que de seu nada tinha. 
Quando se apercebeu do que se estava a passar o rei, como era hábito no seu tempo, impediu que o enlace se consumasse. E ordenou:
- Proíbo-te que vejas de novo o teu amado. Deverás casar com um príncipe muito rico que eu já te reservei. Iremos unir as nossas coroas e a força dos nossos exércitos. Isto te ordeno eu...
Desolada, a princesa nega o seu destino mas, perante as exigências do pai nada podia fazer. Certo dia, com a chegada daquele que seu pai havia escolhido para seu  futuro marido e, aproveitando um descuido dos guardas, ela foge de casa. Abriga-se numas grutas que há junto à nascente do Alviela.
O rei, homem astuto, não mandou os guardas atrás da filha. Encomendou os serviços a uma bruxa. Esta depressa descobriu o paradeiro da princesa. Todos os dias, chegavam de todos os reinos em redor, novos príncipes desejosos de conquistar o coração da princesa. Todos os dias a bruxa lhe apresentava um novo pretendente e, todos os dias a princesa recusava dizendo:
-  Diz a meu pai que: O meu coração tem um dono, pobre que não tem tostão e mais nenhum  outro  senhor conquistará  este  trono, eu prefiro morrer de dor!
Muitos pretendentes depois, deixaram o rei muito zangado com tamanha afronta. Um
dia irritado as palavras saíram duras:
- Pois então se não quer mais ninguém, digo-te já aqui,  encanta um boi e transforma-o num belo rapaz. Que case com um boi! Filha ingrata!
A bruxa assim fez... Mas, nem aquele belo rapaz de falas doces a fez demover do amor que dedicava ao jovem pobre, que de seu nada tinha, e disse:
-  Diz a meu pai que: O meu coração tem um dono, pobre que não tem tostão  e mais nenhum  outro  senhor  conquistará  este  trono, eu prefiro morrer de dor!
Logo de seguida o rei mandou novo recado à filha:
- Como não aceitas nenhum dos pretendente que para ti arranjei, não serás nunca rainha no meu condado. Viverás eternamente nessas grutas! Os bois e as vacas viverão em teu redor. As tuas lágrimas serão tantas e tão grossas que os teus olhos se tornarão enormes... As lágrimas que daí brotarem regarão as terras do Alviela e vão dar de beber a pessoas e a animais.”

Como na lenda acima podemos ver o quão nossos olhos dizem de nós mesmos, de nossa alma, de nossos sentimentos. Não há nada como um olhar apaixonado, como aquele sorriso irradiante dos olhos de uma criança, da pessoa amada, as lágrimas derramadas por nossos sonhos. Tudo nos leva ao nosso caminho, a nós mesmos.
Talvez nunca entendamos este mistério da natureza, nosso olhos, mas eles são a beleza sincera da alma.
Agora para despedir deixo com vocês algumas fotos de olhos lindos e misteriosos, até a próxima...


 







E só para terminar um espiadinha também em meus olhos:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Estações, Outono


As Folhas que Caem
Continuando a falar sobre um tema que nunca terá fim, a natureza, venho agora falar sobre o outono.
 No post anterior tivemos o inverno, com a sua brancura, o veludo enganoso da neve, escondendo perigos mortais.
Nesta estação, o outono, vemos as folhas caírem, o dourado tomar conta da paisagem, o vento espalha uma saudade sem fim, pois estamos nos aproximando do inverno época de ficar afastado, em que hibernamos em nossos corações para podermos seguir adiante com nosso esforço.

Uma grande tristeza paira no ar, uma saudade dos tempos passados, dos tempos idos do verão, o calor passa a se transformar em frio, tudo muda aos poucos. Somos assim, seres mutáveis e a natureza também o é, na verdade é isso que nos permite avançar no patamar do mundo, na nossa evolução, seja ela física ou espiritual.
Aos poucos vamos nos adaptando a ver as árvores perderem suas folhas, seus mantos verdes se tornarem mantos dourados e depois caírem sobre suas raízes forrando o chão, transmutando-o em  algo novo, transforma-o na magia da vida.
Podemos temer as mudanças, mas não vivemos sem elas, elas nos fazem progredi. Que a partir de hoje possamos encarar tudo o que a Mãe Natureza colocar em nosso caminho.
E eu deixo com vocês imagens do outono, das folhas caindo, dos carvalhos, das florestas mágicas:

            

           
  





E para terminar deixo essa mensagem para vocês:
“Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiúra, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente”
Dalai Lama
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