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domingo, 1 de abril de 2012

Sombras divinas do amor


O cantar de Afrodite

Eu sou a Senhora da Terra
A Senhora dos céus
A senhora dos mares
A senhora dos corações

Senhora dos sonhos
Emoções
Desejos

Ouçam meu chamado
Ele ecoa em cada um de vós

Sob o som da batida do coração disparado
Sob o som dos lábios
Do toque da pele
No cantar da brisa

Trago comigo a energia criadora
A energia do mistério criador
O mistério a que todos se rendem

Todos os seres são minha casa
Todos os seres habitam em mim
A força que em mim habita está  em vós
Meus amados filhos

Ouçam minha voz sob as estrelas
No luar
No pôr-do-sol
No espelho da alma

Estou sempre ao lado de cada um de vós

Os corações anseiam pelos mistérios
Eu sou o maior mistério
Eu habito em vós
Vejam meus olhos
Meu poder
Nos olhos daqueles que mais amam
Neles eu estou

Assim como em você também encontrará a mim
Deixem que meu chamado tome conta de vocês
Que as flechas de meu filho
Tragam não só a dor
Como a maior das alegrias

Está em vós meu poder
Meu maior templo
Minha oração é o cantar de seu coração vibrante
Minha oferenda é o fruto de seu encontro
A semente de meu ser

quinta-feira, 8 de março de 2012

Poesia dos céus


Céus
Viajo...
Viajo através das estrelas
Mas qual caminho seguir?
A minha frente
Existe apenas escuridão
Mas...
Não é um mundo de luz?
De calor?
Onde as estrelas fulguram
Onde os céus se abrem ao infinito?
Então por que...
Sinto esse frio
Enraizado nas raízes dos confins
Incrustados nas rochas perdidas
Congeladas
Indo ao encontro dos mundos
Onde o calor ainda pulsa
Onde os raios da criação permanecem
Emanando vida
Emanando para a eternidade
Uma ínfima parte da essência das estrelas
­­­­­­­­­­­­­­­­­­----------------------
Diante de mim
Há pó
Apenas pó
Será dele que nascem os corpos celestes?
De simples pó?
É isso?
Somos nada?
A força motriz
Que nos matem vivos
É apenas pó?
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Nesta escuridão
Há mais que olhos mortais são capazes de suportar
Apenas no infinito...
Perceber...
Que nosso sol
Nosso tão amado criador
É apenas um grão
Uma célula no universo
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Onde ele se encontra?
De onde vem?
Para onde vai?
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Talvez nunca poderei responder
Porém sei que irei
Buscar
Dizem que os mistérios do universo
São insondáveis
Estão além da compreensão
Mas não vou desistir
-------------------------
Uma forma se aproxima
Um tremeluzir do próprio tempo
Da realidade
Dos mantos que nos cobrem
Tudo parece ruir
Desmoronar
Sob o peso do
Nada
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Com poder
Com magnitude
Soberano dos reinos
Dos céus
A forma a tudo traga
-----------------------
Ali a história dos tempos
Deixa de existir
A luz perde o brilho
As trevas perdem o negror
---------------------
Do nascer das eras
Me aproximo
E a cada passo
A razão
A consciência
Se vão
------------------
Digo adeus
Ao passado
Ao presente
Ao futuro
E através dos mantos
Caminho
Para o ser
Tentando encontrar
O não Ser

domingo, 4 de março de 2012

A mente dos Homens, part III


ser humano,
dom ou
Maldição?
Hoje trago o final da Entrevista com R.R.L Convoitise, na primeira parte de sua entrevista falamos sobre imortalidade, morte e também vida, agora trago a segunda parte perguntas como o que é ser um deus, o que significa o EU, liberdade, mergulharemos na mente desse grande amigo meu.
Que possamos aprender com essa grande pessoa que ainda trilha os caminhos do desconhecido, do conhecimento que todos percorremos e que ele já percorre e busca, que sejamos iluminados.
Muito obrigado R.R.L Convoitise, foi com muito orgulho que pude trazer sua opinião para meu blog, deixo o convite para que sempre volte.
Vamos dar início ao final de nossa entrevista:
 

Ser humano, o que significa ter o maior dom e ao mesmo tempo a pior maldição da natureza?
 
Posso dar algumas definições “politicamente corretas” sobre o que significa ser humano, porém creio que este não seria o caminho mais correto, visto que o objetivo desta entrevista, por suposto, é conhecer a minha forma de pensar. E para mim é um pouco complicado tentar definir o que significa ser humano.
De fato, ser desta espécie é um dom e uma maldição, visto que, somos um pouco mais racionais que os demais seres de espécies diferentes e toda grande habilidade vem acompanhada de grande responsabilidade, responsabilidade esta muitas vezes negligenciada.
Quando digo um pouco mais racional, o faço por repulsa ao conceito de que os demais seres do mundo animal não tenham razão. Não creio que ajam somente por instinto como nosso estimado Darwin que, muito nos auxiliou a entender o processo evolutivo, afirma. Agir por instinto todos os seres agem, mesmo nós humanos.E não é por agirmos em diversas circunstâncias por instinto que deixamos de ser permanentemente racionais, não é?
Penso que todas as criaturas são dotadas de razão e consciência, cada um de acordo com sua própria capacidade, desta forma estamos uma polegada a frente dos demais seres que coabitam nosso planeta. E de fato, este é o dom mais notável que recebemos da Natureza, enquanto entidades viventes e pensantes.
E justamente por sermos um pouquinho mais racionais que nossos irmãos do mundo animal, temos também mais responsabilidades para com nosso Lar. Não que as demais criaturas não tenham seus próprios encargos no nosso grande Lar, chamado Terra, porém creio que a maioria deles, senão todos, cumprem seus devidos papéis para a manutenção e equilíbrio da Casa, a excetuar-se nós os humanos.
Uma coisa que há muito tem me afligido é que, infelizmente, os humanos passaram a se tornar uma ameaça para a vida na terra, uma ameaça para o próprio planeta. Não é que deixamos de seguir o curso natural da evolução, mas o grande problema é que deixamos de respeitar nossa casa, e a nossa Mãe Natureza, posso estar parecendo um neo-adepto do movimento hippie ao dizer “Mãe Natureza”, porém ninguém pode negar que viemos Dela, seja qual for o credo criacionista ou evolucionista, o fato é que pertencemos à natureza, nossa vida teve origem no seio da Terra que, curiosamente foi personificada sob a forma de uma Deusa-Mãe em diversas culturas pagãs no mundo todo (sendo a mais conhecida representação a Deusa Gaia, grega).
Nós, com o passar dos séculos, começamos a agredir nossa Mãe, sim, estas palavras foram colocadas da maneira correta, para transparecer o quão grave é a situação, pelo menos ao meu ver e de uma boa parte de pessoas que começaram a despertar para o abuso que cometemos contra nossa casa.
Todos sabem que, quando uma espécie se torna numerosa demais na natureza ela ameaça o equilíbrio ecológico do ambiente em que vive, com os humanos não é diferente, nos tornamos com o passar do tempo a espécie mais numerosa do planeta, já somos 7 bilhões de pessoas habitando e agredindo indiscriminadamente nosso mundo. Talvez quando esta consciência se tornar global, já será tarde demais.
Eu me entristeço de uma forma indescritível quando começo a pensar sobre isto. E não estou usando de demagogia ao dizer estas palavras, quem me conhece sabe que algumas vezes meu coração se enche de tanto pesar ao perceber o que estamos fazendo com nosso Lar, com nossa Mãe, que quase me coloco em prantos.
Como sabemos também, quando uma espécie passa a ameaçar um determinado habitat, a solução mas eficaz para combater a „praga‟ é a colocação de predadores naturais no mesmo ambiente, e quanto os animais humanos? Quem são nossos predadores? Ninguém. A maior maldição de ser humano para a natureza, é o fato de estarmos no topo da cadeia alimentar. Ninguém consegue conter a praga humana que devasta o planeta como um enxame de gafanhotos devastando uma plantação. Isso é realmente lamentável.
Destruímos nossas matas e construímos nossas colméias, cinzas de cimento, para abrigar nosso enxame, sem nos preocuparmos com as conseqüências que isso nos trará. Sem nos preocuparmos com as conseqüências que isso trará ao Nosso Lar.
Acho que uma outra maldição acarretada pela consciência que os humanos possuem, é o sentimento, em especial o de tristeza e melancolia. Por sermos criaturas um pouco mais racionais que as demais, também nos deixamos ofender e nos entristecemos com maior freqüência, algumas vezes simplesmente por que as palavras proferidas por outrem, para nós, pode ter significados inimagináveis.
Por mais que pareçamos fortes, ainda assim temos sentimentos, nos ferimos, nos magoamos. Talvez eu não tenha usado a forma correta para me expressar, talvez não seja uma maldição, mas apenas uma fraqueza de ser Humanos, uma grande fraqueza.
Digo isto, pois eu mesmo muito tenho sofrido por esta fraqueza, a fraqueza emocional, dos sentimentos infelizes. Será que algum dia aprenderemos a viver de uma forma mais harmônica com nosso ambiente natural e conosco mesmos? Talvez algum dia encontremos as respostas. Talvez um dia você mesmo as encontre.

Um deus, o que significa um ser que tem o poder sobre as essências dos seres.
 
Percebo que a maioria de tuas perguntas está relacionada ao significado das coisas. Bem, está certo que tudo, em todos os tempos e em todos os lugares está repleto de significados, símbolos e conhecimentos. Mas a questão é que nem todos os significados são vistos e interpretados da mesma forma por todos. ( As diversas formas de se olhar uma mesma coisa, lembra?)
Com a questão das divindades é bem semelhante. Cada povo tem interpretado e atribuído significados sobre as forças criadoras de uma maneira diferente, geralmente relacionadas aquilo que elas conhecem. Há algum tempo, li um pensamento de Sigmund
Freud, se não me falha a memória, que diz que o “homem [...] criou Deus a sua imagem e semelhança”, segundo ele, nós os humanos criamos a Deus para que tivéssemos a quem atribuir coisas que não conseguíssemos explicar.
Ou simplesmente por que precisamos saber que há alguém superior a nós, o que foi chamado de notação de inferioridade. È como se os humanos precisassem se sentir inferiores a alguém para se sentir bem. Bom, mas receio que ao mencionar este pensamento esteja fugindo do objeto principal desta entrevista, que é conhecer meus pensamentos e minha forma de pensar.
Pois bem, voltemos a mim e meus modestos pensamentos: Eu creio em Deuses, sim no plural, Deuses. Como pagão, creio na existência em mais de uma divindade, que de uma ou outra forma interferem em aspectos da existência humana.
Uma coisa muito interessante que frequentemente converso com meu companheiro de estrada, é que as pessoas pensam que os deuses ( ou Deus, para os monoteístas), não tem mais nada a fazer a não ser ficar olhando os humanos lá de cima, sentados em seus tronos levando uma vida monótona de apenas olhar pela humanidade.
Se levarmos em conta, as mitologias pagãs fazem um pouco mais de sentido que a mitologia monoteísta, pois elas retratam os deuses como seres que também possuem vida própria, seus próprios problemas, suas próprias preocupações.
A mitologia monoteísta nunca explica o que o Deus em que acreditam faz quando não está olhando para a humanidade. Eu, creio nas forças criadores como o eterno masculino e o eterno feminino que, a meu ver faz muito mais sentido já que fomos
“feitos a imagem e semelhança”  de quem nos criou. Ora, não fomos criados homens e mulheres? Não seria então plausível que também tenham sido um Deus e uma Deusa a nos criar, desta forma mantendo sempre o equilíbrio entre as polaridades?
Prosseguindo, a meu ver ser Deus vai muito além de cuidar da humanidade, olhar por ela, interferir na vida dos humanos positiva ou negativamente, ser Deus é ter uma vida própria para cuidar e ainda a vida de uma multidão de humanos que recorre a ele, principalmente nos momentos de precisão.
Ser Deus, é ter poder para interferir de diversas formas no curso da humanidade, sem nunca poder ferir o livre-arbítrio que concederam aos humanos logo após a criação. Mas a questão é: se somos semelhantes aos deuses, então eles também se zangam, entristecem e tem dias ruins, será que em uma dessas ocasiões eles (ou Ele) não interferem diretamente na vida dos humanos esquecendo, nem que seja por um segundo, do livre-arbítrio?
Sei que fugi um pouco de tua pergunta que queria saber „o que SIGNIFICA ser Deus‟ e falei mais do que concebo por “o que É ser Deus”, acho que não sou ninguém para dar significado a algo tão grandioso como uma divindade, creio que cada qual atribui um significado, e acho que não seria legal eu expor aqui um significado realmente muito pessoal, meu medo é que os leitores mais incautos desta entrevista possa deixar-se levar pelos significados que eu atribuo, ou que eu insinue que possam ter, e creio que isso não seria nem um pouco positivo para meu espírito, segundo minhas próprias crenças.
O Fato é que, ser um Deus é algo mais complicado do que as pessoas possam imaginar, exige uma grande responsabilidade, um grande discernimento, pois se tem o controle da vida de todos os seres nas mãos, porém deve-se ser sempre justo e fiel aos humanos, por mais que estes duvidem de sua existência.
Eu, considero a mim mesmo e a qualquer humano que eu conheço, inapto à assumir uma posição desta magnitude, por isso antes de achar que é fácil ser deus, pense como seria ter de cuidar de sua vida pessoal, com seus problemas e ainda ser diretamente responsável e responsabilizado pela vida de milhões de pessoas que perto de seu poder e de sua glória são apenas grãos de areia e, mesmo assim, ter de respeitá-los e procurar amá-los mesmo que a recíproca não seja verdadeira, mesmo que já esteja farto da humanidade e seus erros abomináveis. De fato, a vida dos deuses não é apenas um mar de rosas como muitos julgam ser...

EU, porque tememos tanto o nosso próprio EU?

 
O nosso Eu mais profundo é a divindade que habita em nós, é a nossa própria essência. Tememos o encontro com nosso Eu superior, nosso Eu mais profundo, simplesmente por que não sabemos o que esperar. O medo de nós mesmos é um medo instintivo, não sabemos o que há lá no mais escuro canto de nossa alma.
Quando começamos a nos conhecer um pouco melhor, muitas vezes nos assustamos e nosso medo é que, se nos aprofundarmos ainda mais em nossa essência possamos nos assustar ainda mais. Perder-nos no quão desconhecido somos de nós mesmos.
Talvez o encontro com nosso próprio eu seja tão atordoante quanto viver uma vida toda em uma casa e depois de décadas morando lá olharmos pro lado e ver que morava alguém ali conosco, alguém que não conhecíamos e não sabemos como reagir a este encontro, não conhecemos suas capacidades, suas limitações.
O medo do Eu na verdade, nada mais é do que o medo de nos descobrirmos, de nos vermos sem os véus que cobrem nossa essência, pois lá no fundo temos uma vaga consciência de que ainda não estamos preparados ou devidamente evoluídos para essa auto-descoberta, para esse encontro tão transcendental.
Ou ainda, simplesmente por que tememos temer quem somos, passando o medo do Eu a ser medo do próprio medo.
O mais interessante disso tudo, é que sempre julgamos conhecer as outras pessoas, sem nunca parar para perceber se nós nos conhecemos realmente. Nunca sequer paramos para pensar porque é mais fácil se aproximar de outrem que de si próprio.
Talvez algum dia consigamos parar de temer a nós mesmos, pararemos de fugir de nossas próprias habilidades, de nossos próprios fantasmas e quando esta sabedoria tiver sido aceita e difundida entre muitos e todos conseguirem viver em harmonia consigo próprio, talvez também o mundo se torne um lugar harmônico. Já dizia minha mãe, nossa casa (ou nosso quarto – como ela dizia para mim) é o reflexo de nossa alma. O mundo é nossa Casa, ele anda bagunçado ou todo arrumadinho? Pense.

LIBERDADE, uma palavra bela, mas o que implica ter liberdade?
 
As pessoas de um modo geral, e especialmente os jovens, comumente confundem a liberdade com falta de responsabilidades. Acreditam que só serão devidamente livres se
não houver com o que se preocupar, bom talvez seja exatamente este modo de pensar que têm escravizado e aprisionado boa parte das pessoas no mundo.
Uma vez um grande compositor chamado Renato Russo disse: “Disciplina é Liberdade”, essas palavras fazem muito sentido. Ter liberdade implica em respeitar alguns limites. Sei que parece meio contraditório dizer que há limites na liberdade, principalmente quando o conceito de liberdade mais difundido implica em não haver limites, não haver regras a serem seguidas.
Mas o fato é que há diversos tipos de liberdades, e sempre obtemos liberdade quando alguém a concede a nós em algum dos aspectos da vida, seja profissional, amoroso, e etc e etc.
Quando alguém nos “concede” liberdade, significa que ela confia em nossas escolhas e em nossas atitudes e, por suposto, espera que nós não a decepcionemos e que façamos escolhas que não prejudiquem a ninguém. Para se ter liberdade, é preciso ser merecedor dela, é necessário que os limites anteriormente mencionados, sejam levados em conta, mesmo que não sejam definidos, mas fiquem subentendidos.
Ter disciplina é ter liberdade, saber respeitar o espaço do sentimento, da liberdade de outrem. Ter liberdade é, ao utilizá-la sabiamente, provar que somos merecedores de cada vez mais confiança. A plena liberdade só pode ser conquistada aos poucos, a cada liberdade menor que nos é confiada.
Aquele que é fiel no pouco, também é fiel no muito. Podemos ser livres, basta querermos e entender que, liberdade exige respeito. Ou acabaremos livres, como selvagens, sem ninguém por perto com quem compartilhar tamanha felicidade alcançada.
Pois a nossa liberdade está intimamente ligada com a liberdade e a confiança que outros depositam em nós. Se formos indisciplinados de nada valerá qualquer liberdade que recebamos.
Liberdade implica em sabedoria nas decisões, respeito e principalmente disciplina, isto pelo menos a meu ver, é claro.
 
Esta foi à entrevista com R.R.L. Convoitise, realmente agradeço por sua colaboração, meu grande amigo, que Deusa o ilumine e o abençoe, e sempre se lembre que estará
pela eternidade em meu coração.
Há todos muito obrigado por acompanharem nossa entrevista e até a próxima.
Pallas

sexta-feira, 2 de março de 2012

Perdido em mim, Capítulo II


Este é o segundo capítulo do conto Perdido em Mim, espero que gostem, logo escreverei o terceiro capítulo, espero que gostem:
Anjo
A dor de um ferimento não chega ao receber o golpe, apenas quando vemos nossa carne nos damos conta do estrago e a dor se espalha de tal forma que não há como viver, ela continua a tomar proporções cada vez maiores. Assim também foi com meu ferimento, não havia percebido o quão profundamente a solidão massacrara meu ser, quando percebi um anjo me salvou.
O mais estranho é que eu nem mesmo acredito em anjos e um me salvou. Talvez mesmo que não acreditemos em algo, ainda sim ele exista. Eu não acredito na felicidade, na salvação, e elas existem?
Quando meu corpo, meu espírito se preparavam para entregarem-se a correnteza do rio, a velejar para o grande oceano, para o infinito, minha viajem foi interrompida antes mesmo de começar. Eu não estava sozinho, não era o único a sentir os flocos de neve pairando no ar, a sentir as lágrimas do céu. Quem era ele? Por que impedia minha viajem?
O tempo parou, um espaço na realidade, aqueles braços traziam de volta não só meu corpo, como também minha alma, perdida nas trevas de mim mesmo. Foi tão grande o choque que minha consciência me abandonou aos poucos.
Antes, porém, ela me permitiu um breve vislumbre. Em movimentos serenos, ao menos eu via tudo com extrema lentidão devido à fraqueza de minha consciência, ele abraçou-me com força, puxando-me de volta. Meu corpo gritava em protesto, contudo minha alma esperava. Segurou-me em seus braços, como uma criança que apenas descansava.
Meu corpo tiritava de frio, vendo meu tremores, estando eu nu, ele retirou seu casaco, foi nesse instante que pude abrir os olhos, havia uma aura luminosa em torno dele, um brilho azulado, cristalino, seus cabelos esvoaçavam com o sopro da neve, uma visão que nunca esquecerei, colocou seu casaco sobre mim, ao sentir o toque quente da lã deixei de ver qualquer coisa, desmaiei no colo de meu anjo.
É tão estranho não saber ao certo onde se está, se é noite ou dia, frio ou quente, luz ou trevas, era neste reino insólito me encontrava. Pensava se realmente esse é o outro lado, o além da vida, o nascer da morte, foi então que me lembrei que este ainda não era o reino dos mortos, que eu ainda não fazia parte dele.  Meus olhos se abriram, despertei novamente para o mundo.
Tentei me localizar, porém minha cabeça doía tanto que desisti, então dediquei-me a tarefa de levantar-me, contudo uma voz grave, mas também delicada e gentil veio das sombras.
––Não se mecha. Por favor. Você ainda está fraco e precisa descansar.
––Quem...
––Não diga nada. Não está na hora de respostas. Está na hora de dormir. Feche os olhos...
Ao terminar de falar ele se aproximou, novamente pouco vi de meu anjo, apenas o dourado cascateante de seus cabelos pousado sobre meu rosto e seus olhos de safira lapidada, brilhantes como à gema a luz das estrelas.
Olhou-me com ternura e cuidado, colocou sua mão sobre meus olhos, fechando-os, um toque tão macio, beijou-me a testa, como se ele fosse meu guardião, novamente adormeci, com a certeza de que meu anjo me guiaria, que o céu existe.
Até a próxima
Pallas

quinta-feira, 1 de março de 2012

A mente dos Homens, part II


devaneios humanos, conhecemos as respostas?

Olá a todos, hoje trago a continuação da série de postagem A Mente dos Homens, desculpem-me pela demora em trazer a continuação do tema. Mas hoje entrevisto alguém muito especial, que tive o prazer de conhecer através da rede de computadores e também pessoalmente, não imagino como seria minha vida hoje em dia sem ele, R. R. L. Convoitise nos dá a honra de responder a algumas questões, como por exemplo, o que é a morte?  O que é a liberdade? E muitas outras, mas como são respostas grandes essa postagem será dividida em duas, o link para a segunda parte se encontra aqui.
Seguimos agora com a entrevista, que essas perguntas, especialmente as respostas ajudem um pouco a todos vocês a se conhecerem melhor e aos outros.
 

O que é a morte?


Eu podia dizer simplesmente que a morte é o fim de tudo. O fim desta nossa existência. Mas Esta é uma pergunta difícil de responder, se é que há uma resposta para ela. Podemos encarar a morte de diversas maneiras. Como um chamado de Deus (como os mais religiosos poder crer), como o término total da vida ou como simplesmente uma passagem de um nível a outro, isto é claro, dependerá da forma que cada um a encara.

A morte é um assunto muito delicado, pois podemos passar a vida toda convivendo com ela sem saber ao certo qual o objetivo de sua existência. Filósofos de todas as épocas tentam entender e explicar o verdadeiro motivo do porque temos de morrer. Conosco não é diferente.
Quando digo “por que”, não me refiro ao sentido biológico da morte do corpo que acontece pelo desgaste das células, cessação das funções vitais e etc, como bem sabemos, quando questiono o porquê de morrer, busco entender o porquê de vivermos tantas coisas se no fim teremos de deixar tudo para trás. A morte e a vida são complementares. É impossível pensarmos em uma sem pensarmos na outra.
A morte pode significar simplesmente deixar de existir como entidade pensante ou significar a liberdade do corpo físico para um corpo mais sutil para os mais espiritualistas. Mas o fato é que o sentido da morte está ligado intimamente ao sentido da vida. E entender o sentido de qualquer uma das duas, é algo para o qual a mente humana ainda é muito despreparada.
Não posso compreender realmente o sentido da morte, mas ela é, de fato, a meta de nossa vida; é o objetivo fatal. Ela é quem, de certo modo, regula nossa vida, a forma que vivemos. Se a idéia de morrer nos apavora, não conseguiremos jamais dar um passo a frente sem hesitar, não conseguiremos continuar seguros durante nossa vida, corremos o risco de não viver.
Há quem prefira não pensar na morte, acreditando que este é o melhor remédio para o transtorno que tal pensamento causa. Perdoe-me o que irei dizer a seguir, mas, de que brutal estupidez pode vir tão primária cegueira? Pois é loucura imaginarmos que assim resolvemos o assunto. Vamos e voltamos, pulamos e dançamos; e da morte nenhuma palavra? Tudo isso pode parecer belo, bonito, mas quando ela chega e nos alcança ou a um de nossos entes queridos, surpreende-nos de súbito e sem preparo de espírito. Gerando tormentos, dores e gritos de desespero, de proporções tão apocalípticas para nossa alma, simplesmente por não termos nos preparado antes, enquanto ainda havia tempo. Logo, se faz necessário atentar mais cedo para ela.
Se a morte fosse inimigo que se pudesse evitar, eu aconselharia uma retirada estratégica a fim de se evitar o confronto. Como, entretanto, é um inimigo que sempre atingiu e atinge a todos, aos de mau caráter e aos homens de bem, aos ricos e aos pobres, ao branco, ao negro, ao pardo ou ao vermelho, aos camponeses, aos nobres e aos guerreiros e como, contra a foice imparcial, não há couraça ou escudo que proteja, é preciso aprender o quanto antes a enfrentá-la de pé, firme e olhá-la nos olhos.
Há ainda um outro olhar sobre a tão temida e sinistra morte. Se ela for rápida e violenta ( falo agora sobre as circunstancias da morte e não da morte em si), não nos sobra tempo para temê-la. Porém se é do contrário, percebendo por mim mesmo este fato á proporção que para ela caminho através da doença, passamos a sentir uma forma de desdém pela vida. Posso verificar que é muito mais difícil aceitarmos a morte, de suportar esta idéia, quando estamos em pleno vigor e cheios de saúde do que quando adoecemos, quando já não nos apegamos mais às comodidades da vida, não do mesmo modo, cujo uso e prazer começamos a perder o apreço.
Nestas circunstancias passamos a ver a morte com bem menos temor. É o que me leva a esperar que quanto mais me afastar da vida e me aproximar da morte, de melhor grado me conformarei com a troca. Assim como eu, mais de uma vez verifiquei a verdade da afirmação de César, de que as coisas são maiores de longe, podemos observar que as doenças nos atemorizam mais quando estamos plenos de saúde do que quando a sofremos realmente.
A saúde, o vigor, o prazer nos faz sentir a doença em dobro, e quando esta chega até nós, verificamos que seu peso não é tão grande quanto parecia. Verifico aos poucos, que com a morte não é diferente. Não é necessário nos atormentarmos, evitando pensar nela. Perturbamos a vida com o „cuidado‟ com a morte e a esta com o „cuidado‟ com a vida. Não é contra a morte que nos preparamos quando a analisamos e pensamos e nos colocamos de pé, nos preparamos para a vida.
 Ao passarmos a pensar e a nos preparar para aquilo do qual não podemos fugir, conseguiremos encarar com mais leveza as coisas que nos rodeiam no dia a dia. Quantas vezes deixamos de fazer muitas coisas por medo de morrer? Por medo de perder a vida? Quando deixamos de fazer qualquer coisas por medo da morte, deixamos também de viver. E deixar de viver pelo medo de morrer é estar morto em vida.

Se a vida é um dom porque nos é tirada? E se a vida é uma maldição porque ela nos foi dada?
 
Não sei dizer se a vida é um dom ou uma maldição. Mas como mencionei anteriormente, não é possível falar de morte sem falar de vida e o contrário também é verdade. A vida pode parecer um fardo pesado demais para uns e para outros uma eterna graça. A importância que damos a nossa vida e como a vivemos é que faz dela um dom ou uma maldição. Podemos encontrar pessoas que tem "tudo o que precisam para ser feliz‟ e ainda assim mostram-se pessoas frustradas e amargas, que crêem que a vida é feita somente de desacordos e infortúnios e que desejam ardentemente pela morte, enquanto outras que vivem com o básico do essencial para uma vida equilibrada dão se por satisfeitas por terem o que tem, e quando se encontram em situações de sobrevida, ainda arranjam forças sabe-se lá de onde para continuar a viver.
 O que eu quero dizer é que a vida que levamos é que define o tipo de presente que recebemos da Natureza, dos Deuses, etc. O que para um parece ser uma vida abençoada, para outro pode parecer uma vida de total desgraça e tormento. A natureza deste presente, chamado vida, que recebemos, bem como das demais coisas e situações, depende muito dos olhos de quem vê.
Torna-se impróprio tentar definir aqui, a vida de um modo geral como um dom ou uma maldição, visto que, esta condição irá variar de olhar para olhar.
Se levamos uma vida razoavelmente confortável e a recebemos como um dom, é natural questionarmos o porquê termos de morrer. Afinal, construímos projetos, realizamos planos, e no final tudo acaba em morte? Qual o verdadeiro objetivo então de vivermos, trabalharmos por aquilo que acreditamos, conquistar vitórias se no final iremos todos morrer? E se vivemos uma vida muito crítica e a vemos como uma maldição podemos nos perguntar por que foi então que nascemos? Gerações e gerações vêm tentando entender de onde viemos e para onde vamos, cada qual com os seus porquês, e o fato é que, ainda não encontramos respostas satisfatórias para estes questionamentos tão pertinentes.
Muitos povos e religiões possuem explicações rápidas para questionamentos desta natureza, há aqueles que aleguem que nascemos para cumprir uma missão importante ou para aprendermos alguma lição espiritual, moral ou afins e que morremos quando nosso propósito foi cumprido, porém não podemos nos apegar a estas respostas muitas vezes baseadas somente na fé (algo abstrato) como se fossem a única e irremediável verdade, pois cada povo, cada cultura e cada credo apresentarão a sua própria versão desta verdade, e qual estará realmente certa? Se nosso nascimento, vida e morte fazem parte de um plano maior, de uma entidade superior, que plano seria esse? Porque enfrentamos dificuldades, sofremos, nos felicitamos, porque temos que viver este misto de coisas como em um carrossel em velocidade máxima?
 Acabo de pensar uma coisa meio curiosa, mas que já foi largamente discutida entre mim e alguns amigos considerando outros aspectos da vida, mas que acho muito aplicável, também, ao presente questionamento: talvez a vida seja dom E maldição.
O equilíbrio para o qual todas as coisas sempre tendem, desde que o mundo é mundo. E o que acontece é que passamos a prestar mais atenção a um dos lados deste equilíbrio, o que nos faz acreditar em uma vida agraciada ou uma vida amaldiçoada, voltando de novo a questão do olhar.
Talvez a solução para este problema esteja em buscar o equilíbrio. Buscar a outra parte e equilibrar de novo a nossa essência. Bem, talvez isso nos ajude a entender os aspectos de benção ou maldição, porém não nos responde a questão do nascer e morrer.
Um Sábio Amigo que encontrei nos caminhos de minha vida uma vez me disse que, há perguntas para as quais não há respostas, pois o mais importante não é chegar a resposta final, mas sim o que aprendemos pelo caminho enquanto a procuramos, uma destas questões é: Porque existimos? – queria ter uma resposta muito satisfatória para essa questão e assim fechar esta pergunta com algo extraordinário, porém ainda não a encontrei e ainda não ouvi dizer de alguém que a tenha conseguido. Mas afinal, não são as respostas que movem o mundo não é? São as perguntas.

Imortalidade. O Desejo dos sãos ou o sonho dos loucos?
 
Ao ouvir esta pergunta notei uma coisa muito interessante, verdadeiro e pertinente: Todos, independentemente de serem sãos ou loucos, absolutamente todos, pensam na imortalidade. Todos pelo menos uma vez na vida apeteceram viver para sempre. A meu ver isso é muito natural, pois como dissemos anteriormente ninguém de fato aceita que nascemos e vivemos para perecer.
Muitos motivos podem levar alguém a desejar a imortalidade, desde o usufruto dos prazeres que a vida pode proporcionar até a sede incessável por conhecimento. Particularmente eu e alguns amigos pensamos na imortalidade como a oportunidade de adquirir conhecimentos. Quando eu era mais jovem costumava dizer que não me conformava que eu irei morrer sem saber a metade das coisas que há para serem aprendidas neste mundo.
Que morrer é um insulto a inteligência humana.A imortalidade ou ao menos a longevidade é algo que desperta o interesse de todas as pessoas, há pesquisas científicas buscando entender os mecanismos da vida e do envelhecimento, visando futuramente retardar e até mesmo interromper o ciclo de envelhecimento, principal „inimigo‟ da longevidade.
Vi um documentário outro dia sobre o Instituto Matusalém, que está tão empertigado nesta que pode ser a maior descoberta do milênio que oferece um prémio de 4 milhões de dólares para o laboratório que conseguir prolongar em 40% a vida de ratos de laboratório e a quantia de laboratórios que estão nesta disputa é realmente surpreendente.
Mas uma coisa que sempre que converso com um Grande Amigo e que parece que as demais pessoas parecem não levar em conta, mesmo os cientistas e buscam insessantemente pela fonte da juventude, é o fato de que talvez a mente humana não seja capaz, ainda, de suportar uma eternidade de existência. De que irá adiantar vivermos eternamente se não lembrarmos das coisas que vivemos e aprendemos ao longo deste tempo? E quanto a população mundial? Já somos 7 Bilhões de humanos no planeta, o que acontecerá se estes 7 bilhões conseguirem a imortalidade e resolverem que querem procriar?
Mas e se a imortalidade fosse restrita a algumas pessoas?
Esta é uma boa solução. Porém, novamente caímos na questão da mente em demasiado despreparada e frágil diante do impacto de se viver para sempre. Sempre que pensamos em imortalidade nos detemos nos prós e nos esquecemos, talvez propositalmente, dos contras. Encontramos um exemplo de um dos contras na mitologia grega, a história de Io que recusando o cortejo de um deus foi amaldiçoada a viver eternamente. Note, a imortalidade foi uma maldição não uma benção. Io foi obrigada a viver eternamente, condenada a ver todos os entes queridos adquiridos ao longo dos séculos, padecerem de males, envelhecerem e morrerem.Será que algum humano realmente está preparado para isso? A imortalidade, o viver durante séculos pode nos trazer grandes e extraordinários conhecimentos e benefícios, porém pode também nos causar dor e desespero de proporções análogas ou mesmo superiores.
A imortalidade pode nos dar de presente tanto uma mente racional e perfeitamente sana repleta de conhecimentos, como também pode nos deixar loucos com o excesso de informação. Mas parece que todos estão dispostos a assumir estes riscos. A imortalidade ou mesmo uma simples extra-longevidade é o desejo de todos, é o que os homens vem buscando a séculos. Muitos foram considerados loucos, outros gênios da humanidade. Foi buscando pela pedra filosofal e, portanto, o elixir da longa vida que os homens (alquimistas) descobriram a Química, por meio da qual hoje obtemos muito para a manutenção da vida, como medicamentos por exemplo. O fato é que, a volição pela imortalidade, sendo aparentemente loucura ou não, produz resultados, e resultados muito significativos para a vida humana.

Esta foi a primeira parte da entrevista, aguardem a segunda parte.
Um grande abraço e até a próxima, de seu amigo
Pallas
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