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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Leonardo da Vinci, últimos anos





O Surgir de Mona Lisa 
Nas postagens anteriores falamos sobre Leonardo da Vinci, desde o seu nascimento na aldeia de Vinci até sua estada em Milão e deixamo-lo se despedindo da corte de Milão, sob a tutela de Luís XII, partindo ofendido com o rei, para trabalhar para Cesar Borgia, as postagens anteriores podem ser encontradas aqui: a primeira parte e a segunda parte.
A Virgem dos Rochedos
Agora continuemos com a vida deste homem extraordinário, Leonardo da Vinci:
Após visitar o mural da Santa Ceia no Convento da Santa Maria das Graças, foi para Vaprio, hospedando-se na vila que seu amigo, Jerônimo Mellzi, possuía nos arredores. Dedicou-se a Botânica. Percorria o campo, dias inteiros, a buscar confirmações para seus estudos de Botânica.
Foi nessa época que terminou uma tela iniciada alguns anos antes em Florença, representando a Virgem Santíssima numa caverna, o quadro “A Virgem dos Rochedos”.
Representa Nossa Senhora com os braços abertos para Jesus Cristo e São João Batista, ambos meninos. Ao fundo à sombra do crepúsculo, elevações de uma montanha. Um anjo segura o redentor e indica São João Batista com a outra mão, contempla o grupo com um sorriso de sofrimento tranqüilo, deixando transparecer no rosto o pressentimento dos suplícios do Cristo que iria submeter-se ao martírio da cruz para salvar a humanidade. Maria Imaculada, por sua vez, fita o Salvador com olhar cheio de ternura como a vencer, com a esperança, a tristeza do anjo. São João, ajoelhado frente ao menino Jesus, tinha as mãos juntas em sinal de veneração. E o Menino com os dedinhos levantados abençoa-o. O símbolo, em linguagem plástica, da tragédia sagrada que teve início em Belém e fim no Gólgota.
Logo Leonardo estava à disposição de César Bórgia na Romanha. Em 1502 Bórgia era o homem mais rico de toda a Itália. Leonardo passou a sempre a traçar planos militares e agindo como principal assessor para todos os problemas graves  da cidade.
Não tardou a fazer um plano, uma obra prima, para conquistar Florença. Porém Leonardo desconfiava das intenções de César Bórgia para Florença.
Após uma séria crise na saúde, que o deixou a beira da morte de Leonardo da Vinci, Cesar Bórgia percebeu que suas chances como rei se extinguira.
Durante sua estada em Roma, Leonardo terminou as telas “São Jerônimo no Deserto” e “Santa Ana com a Virgem nos Braços”. Sempre doente e um pouco fatigado, decide retornar a Florença.

   
                            São Jerônimo no Deserto                              Santa Ana com a Virgem nos braços

Despertou enorme curiosidade ao chegar a Florença. Mas verificaram que ele permanecia o homem forte de sempre, a mesma elegância, com a única diferença nos cabelos brancos e no uso de óculos.
Uma nova geração de artistas conquistaram a celebridade enquanto estivera em Milão, entre eles, Lorenzo di Credi, Miguel Ângelo e Rafael. Enquanto esperava trabalho se dedicou ao estudo da Geometria.
Logo recebeu convite para pintar uma série de afrescos no teto do Conselho, como tema a batalha de Anghiari.
Com grande curiosidade em conhecer Francisco de Giocondo, pergunta ao conselheiro se poderia apresentá-los. No outro dia estava na casa de Giocondo, cuja mulher, Mona Lisa, era apaixonada pela arte. Francesco de Giocondo pede a Leonardo da Vinci que pinte um retrato de sua mulher, Mona Lisa.
Estava muito ocupado, escrevendo um tratado sobre o vôo dos pássaros e com o mural de Anghiari, mas, mesmo assim, aceitou fazer o retrato. Ele sempre se recusara a retratar mulheres ricas e belas, e porque resolvera então retratá-la com tal interesse extraordinário?
E, como combinado, iniciou na semana seguinte o retrato de Gioconda que seria sua obra mais célebre.
Os olhos, a boca, a testa, a face de Mona Lisa, Não há cor, escreveu Vasari, o que há verdadeiramente é carne. O pintor mais hábil do mundo se deterá frente ao quadro. Pôs ao fundo uma paisagem quase de pedra a comprovar o seu realismo com a tela, marcou uma época na história do retrato. Criou ser de sangue, autêntico retrato da Renascença que encarnava o espírito do humanismo. Três anos de trabalho, verdade que com períodos de intervalos, mas retornando ao quadro com cada vez mais interesse, maior entusiasmo.
Durante este período chegou a inventar um telescópio. Trabalhando sempre com lentidão, surpreendeu-se quando soube que Mona Lisa fora para Calábria com o marido. Então voltou-se de corpo e alma para o mural de Anghiari.  Concluiu um esboço depois de trabalho árduo e pesado. E ainda sofria a hostilidade de Miguel Ângelo. No esboço viam-se a incrível brutalidade e a violência da guerra. Com incrível realismo retratou o horror da guerra em seu esboço.
Os membros do Conselho, apesar da impressão artística, não o aprovaram. Dizendo que queriam algo mais épico, mais teatral talvez, porém menos apavorante. Já que o mural ficaria de frente para a sala de reunião.
Manteve-se trabalhando no mural da batalha de Anghiari, lado a lado com Miguel Ângelo, que realizava o seu, que tinha como tema a guerra de Florença e a pequena República de Pisa. Miguel Ângelo era energético e impulsivo com uma execução e concepção extremamente rápidas. Tranqüilo e calmo era Leonardo da Vinci.

Miguel Ângelo já concluíra seu mural quando Leonardo ainda estava na metade. Havia uma circunstância que explicava o atraso. Florença fazia tempo que se achava em guerra com os pisanos. Soderini trouxe um velho arquivo de um projeto de Leonardo para forçar a cidade de Pisa a uma rendição.
O projeto era complexo e complicado, então o Conselho confiou a direção da empresa a Leonardo, O pintor abandonou o mural, para se dedicara à difícil tarefa. Foram tantos os embaraços surgidos e no final uma enchente destruiu tudo o que já havia executado que o projeto foi abandonado.
Batalha de Anghiari
Retornou, e com muito atraso, ao mural no palácio do Conselho. Tinham desfeito os andaimes, Miguel Ângelo já terminara. Leonardo explicou que estava envolvido com a guerra e não teve tempo para o mural, fazendo questão de cumprir o acordo e pagar o que devia. Soderine conhecendo a situação financeira do artista disse que não era preciso, bastava terminar a obra.
Dias depois da conversa com o conselheiro recebera um convite do governador de Milão para que retornasse com urgência. Aceitou o convite, embora o Conselho não ousasse detê-lo à força, quase não pode sair de Florença, porque dele se exigia que terminasse o mural de Anghiari.
Chaumont, o governador de Milão, à sombra de Luís XII dirigiu-se ao Conselho de Florença solicitando que fosse permitida sua viagem. O Conselho não pôde continuar a recusar o pedido de um preposto de Luís XII, concedeu a permissão sob a condição de que retornasse dentro de três meses para terminar a obra. Transcorrido os três meses, Chaumont reagiu fazendo o próprio rei da França falasse energicamente ao embaixador florentino.
O retrato de Mona Lisa viajou com Leonardo da Vinci, em sua bagagem para Milão. Inexplicavelmente e sem que ele próprio soubesse o porquê, acredita que o retrato –apenas aquele retrato de Mona Lisa – bastaria para imortalizá-lo. Ela, a mulher que servira de  modelo falecera antes de sua partida de Florença.
Esboço de Leonardo
Em 1506 soube da morte, em Florença, do seu tio, que, em testamento tornava-o único herdeiro.
Mortos o pai e o tio, sem qualquer vínculo com os irmãos e solteiro, passou a se considerar sozinho no mundo.
Amigo mesmo ele tinha em Charles d’Amboise, governador de Milão. Isso, porém, não impedia que solicitasse salários atrasados.
Permaneceria debruçado sobre plantas a estudá-las e desenhá-las. Desenhava o homem e seus músculos, reproduziu quase fotograficamente a anatomia de um rosto, é um sábio a buscar a estrutura da vida.
Juliã de Médicis irmão de João de Médicis, que acabara de subir ao trono pontifico com o nome de Leão X convida Leonardo da Vinci a morar em Roma, oferecendo uma recomendação ao irmão, o Sumo Pontífice.
Aceitou o convite, já em Roma, verificou que tudo continuava difícil. O Papa, sempre ocupado com as mais complexas questões, não pode ao menos conceder-lhe uma audiência.
Solicita trabalho, não mais pela glória, e, sim, para subsistir. Encarregaram-no de reparar a máquina de cunhar moedas, a ele, o autor de a “Santa Ceia” e “Mona Lisa”, ali, em Roma, sem amigos, sem família, adoeceu.
Em Roma, apesar de tudo, permaneceu até 1515, a trabalhar, escrevendo o tratado da voz humana e a completar suas pesquisas de Botânica nos jardins do Vaticano. E foi quando, antes que o ano terminasse recebeu o convite de Francisco I – que substituíra Luís XII – para que fosse morar na França.
Hospedou o pintor e sábio no solar de Cloux, em Turena, com inúmeros criados. Conferiu-lhe, além disso, uma pensão de setecentos escudos.
Ali em Amboise, instalado no solar de Cloux, retomou aos estudos de engenharia e planejou comunicar Turena e Itália.
Como Francisco I costumava passar curtas temporadas no castelo de Amboise, aproveitava e dava-lhe conhecimento de seus projetos ao rei. O soberano o acolhia e nada lhe pedia, a não ser a sua conversa erudita.
Pôde, ainda, pintar São João Batista que aparece apenas o busto. Ali à mesa de trabalho, coberta de esboços, folhas de herbário e minerais, viveu talvez os melhores dias de sua vida.
São João Batista, último quadro pintado por Leonardo da Vinci
Envelheceu, a mão direita, conseqüência do reumatismo, começou a faltar-lhe. E a si mesmo perguntava ao fim de uma vida que tanto concorreu para ajudar os homens:
–– Alguma coisa chegou a ser feita?
Lúcido, tão lúcido que fará testemunho para sete dias depois – 2 de junho de 1519 – expirar quase sem agonia, Tinha sessenta e sete anos de idade.
Sepultado no claustro da Igreja São Florentino, em Amboise, na França. Chorou Francisco I ao saber de sua morte. E se a Igreja de São Florentino foi demolida em 1808, seus ossos foram recolhidos por um jardineiro e postos numa vala comum.
Homem da renascença que a superou pela própria força do gênio.
Hipplyte Taine escrevendo sobre Leonardo da Vinci, afirma que não há na história do mundo “exemplo de um gênio tão universal, inventivo e completo, que se pôs antes de todos os séculos.”
Esta foi à última parte da série de postagens sobre a vida de Leonardo da Vinci. É com grande pesar que digo adeus a sua história, que me é tão fascinante. Mas fica comigo e com vocês a questão: mesmo o maior dos gênios que já passaram por nossa humanidade ao chegar ao final da vida se perguntou se realmente tinha realizado algo na vida.
Isso não é algo para nos pôr para baixo, apenas para não nos supervalorizarmos e também que devemos nos questionar mais vezes sobre nos mesmos...
Leda e o Cisne
Um grande abraço a todos e até o próximo encontro.
Pallas

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