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quinta-feira, 8 de março de 2012

Poesia dos céus


Céus
Viajo...
Viajo através das estrelas
Mas qual caminho seguir?
A minha frente
Existe apenas escuridão
Mas...
Não é um mundo de luz?
De calor?
Onde as estrelas fulguram
Onde os céus se abrem ao infinito?
Então por que...
Sinto esse frio
Enraizado nas raízes dos confins
Incrustados nas rochas perdidas
Congeladas
Indo ao encontro dos mundos
Onde o calor ainda pulsa
Onde os raios da criação permanecem
Emanando vida
Emanando para a eternidade
Uma ínfima parte da essência das estrelas
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Diante de mim
Há pó
Apenas pó
Será dele que nascem os corpos celestes?
De simples pó?
É isso?
Somos nada?
A força motriz
Que nos matem vivos
É apenas pó?
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Nesta escuridão
Há mais que olhos mortais são capazes de suportar
Apenas no infinito...
Perceber...
Que nosso sol
Nosso tão amado criador
É apenas um grão
Uma célula no universo
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Onde ele se encontra?
De onde vem?
Para onde vai?
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Talvez nunca poderei responder
Porém sei que irei
Buscar
Dizem que os mistérios do universo
São insondáveis
Estão além da compreensão
Mas não vou desistir
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Uma forma se aproxima
Um tremeluzir do próprio tempo
Da realidade
Dos mantos que nos cobrem
Tudo parece ruir
Desmoronar
Sob o peso do
Nada
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Com poder
Com magnitude
Soberano dos reinos
Dos céus
A forma a tudo traga
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Ali a história dos tempos
Deixa de existir
A luz perde o brilho
As trevas perdem o negror
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Do nascer das eras
Me aproximo
E a cada passo
A razão
A consciência
Se vão
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Digo adeus
Ao passado
Ao presente
Ao futuro
E através dos mantos
Caminho
Para o ser
Tentando encontrar
O não Ser

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Mundo dos livros



Os Portais da Realidade

 

Nos dias de hoje as novas gerações estão perdendo o contato com os livros. Apesar de nunca antes em nossa história termos estado tão ligado a escrita, pois a internet não existiria sem ela, ainda sim o contato com o primordial desse mundo tão belo está se perdendo...
As crianças vivem tão distantes dos personagens que povoaram a mente, as nossas mentes, que fizeram parte de nossa infância, por outros personagens, personagens que não pedem a elas mais que a visão, e que elas não precisam pensar, exercitar o cérebro. É triste ver o quão desesperador pode ser nosso futuro.
Cada vez mais o prazer de abrir um livro, de ir em uma biblioteca, ficar horas percorrendo as estantes em busca do título que mais lhe chame atenção, reunir uma pilha com os melhores títulos, com as histórias que mais nos intrigaram e tentarmos selecionar entre elas a que iremos ler até o fim. Quanta indecisão quanto ao livro certo, o quão maravilhoso é percorrer as estantes buscando, retirando livros e livros, como uma caça ao tesouro.
E para os mais jovens vem à resposta rápida e eficiente, hoje em dias temos os livros virtuais, rápido, fácil e ainda nem precisa sair de casa. Mas aí está o grande problema, nada se iguala a caçada a seu livro, a estar entre as estantes, encontrar pessoas que podem se tornar grandes amigas, companheiras de viagens, viagens por mundos desconhecidos, onde desbravamos os mundos sonhados, perigos, romances, mistérios, assassinatos, intrigas, vivemos tudo isso e ainda ficamos para contar a história. A bibliotecária torna-se nossa confidente, confidente de segredos que nem mesmo imaginaríamos que um dia teríamos.
Chegamos em casa, vamos para nosso cantinho onde nos entregaremos a este outro mundo, abrimos com grande ansiedade, expectativa, nosso novo companheiro. No começo temos uma certa desconfiança com ele, será que ele será um amigo tão fiel quanto nosso amigo anterior? Será mesmo que depois que tudo o que já vivemos ainda podemos nos emocionar daquela forma, fazer novos amigos, ter novos amores? É com esse sentimento de hesitação que iniciamos nossa leitura.
Aos poucos vamos nos envolvendo, somos tragados  para este universo paralelo onde tudo é real, onde o mundo em que vivemos sim é fantasia. As páginas nos leva por pradarias, vales, cidades, planetas, oceanos, florestas, aos pouquinhos esse mundo se torna nosso mundo. Emocionamos-nos, rimos, choramos, temos ódio, medo, assim como nosso herói vamos descobrindo o que é viver.
As páginas vão diminuindo, vamos percebendo a história se encaminhando para o final, nos desesperamos, a saudade vem, toma conta, contudo não conseguimos parar, vamos até o fim, até o fim com os seres que passamos a amar. E então o livro acaba, a história termina. Nos deixa paralisados perante a surpresa do fim, como pode acabar?
Tristes voltamos ao portal que nos possibilitou entrar neste mundo paralelo e passamos a procurar outros portais por este mundo entre os mundos, guardado por milhões de seres que nos esperamos nos novos portais, para novas dimensões.
Talvez a realidade não exista, ao menos ela não existe como a imaginamos. Afinal, o que é real? Para estes personagens, seu universo, sua história, sua vida é real e a nossa pura fantasia. Para eles nossa dimensão não importa. Em cada livro existe algo novo para ser descoberto, apenas esperando que possamos abrir uma página.
Então caminhemos para eles, para estes portais, espelhos. Quem sabe o universo em que existimos não passe de um sonho, ilusão, livro, de um ser maior? Não podemos controlar os bilhões de universos, de realidades, mas podemos fazê-los reais.
Somos portadores de um grande dom, o de transitar entre mundos, e nossa nova geração está esquecendo esse dom  preciso é preciso lembrá-los de seus grandes poderes.
Assim como os poderes que todos nos temos de criar novos universos, todos somos criadores, está em suas mãos o destino de “Seu Mundo”.

 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Conto, A Estrela e o Homem


Estrela: Um dia vou ser homem
Homem: Um dia vou ser uma estrela
Um dia uma estrela surgiu nos céus, mais bela que o pôr do sol numa praia de diamantes onde sua luz se transforma em uma dança de jóias naturais, lapidadas pelos próprios diamantes. Esta estrela caminhava sozinha, se perguntando, por que ela? Por que ela era destinada a vagar sozinha pelo universo, quando em seu caminho ela via tanta felicidade e não estavam sozinhos... Então o que ela fizera para tanto, sem ninguém para amar, sorrir, compartilhar seus medos e desesperos, conquistas... Ela sempre seguia seu curso, sonhando com um mundo em que ela não fosse uma estrela, mas qualquer outro ser.
Sempre observando-a, seu rastro cósmico, banhado em mantos celestes e divinos, iluminada pela luz dos deuses perdidos. Sempre pensando em como gostaria de ser aquela estrela, sempre com rumo traçado, luz divina, nunca parar, deixar aquele mundo decadente e rumar aos céus em uma busca sem fim. Estar só com sua própria vida, sem que o mundo interferisse em seu curso pelo universo. Vivia um jovem imerso em medos e sonhos.
Em um dos recantos dos mais profundos e tenebrosos da existência a estrela encontrou uma fonte onde pôde ver todos os seus maiores sonhos realizados. Ela via-se como alguém feliz, alguém que fazia parte do mundo, que também sonhava, mas não estava sozinho.
Na verdade a fonte possuía o dom de ligar opostos, assim à estrela via um jovem, levando a vida de seus sonhos como estrela. E o jovem que sempre sonhou com a estrela todas as noites passou a ver seus sonhos de jovem, em ser uma estrela, realizados.
Tanto tempo permaneceram olhando um ao outro que não sabiam mais se viviam a realidade ou seus sonhos. E um dia a estrela bebeu da fonte. Aos poucos as essências dos dois vagaram pelo universo e trocaram de corpos e de existência.

Agora a estrela tornou-se o jovem e o jovem a estrela. Porém logo descobriram que as existências que sonhavam eram apenas sonhos.
Quando se realizaram, perceberam o quanto estavam enganados. E de todas as formas tentaram voltar às suas existências normais. O elo ente eles se quebrou. Não conseguiam mais ver um ao outro.
A estrela passou a observar os céus na esperança de um dia voltar a sua antiga forma, contudo como um mortal em que se tornou logo seu corpo definhou e levou consigo a estrela para o abismo da morte.
E o jovem, com seu corpo imortal continua a vagar pelo universo em busca de seu antigo corpo e existência. Ao contrário da estrela, sua consciência não é imortal, apesar de seu corpo permanecer intacto, sua consciência definhou e seu corpo continua vivo, apenas guiado pela ânsia do jovem por sua vida antiga.





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