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quinta-feira, 29 de março de 2012

O Poder das palavras


Grandes pensadores
As palavras possuem um grande poder, são capazes de transformar uma realidade. Elas nos modificam das mais diversas formas, nos fazem crescer, cair e também levantar. Pensando no poder da palavra reuni aqui pensamentos e ditados de grandes pensadores, com a intenção de nos fazer refletir, questionar nossa forma de pensar:
 
––O amor é como a luz: quem a não vê, nega-a; quem a não sente, não a compreende.
A.Opisso

––Quem ama sente o amor, mas não o conhece; o filósofo que se dedica ao exame desse afeto talvez mostre a sua origem, a sua tendência e o seu fim, e dê suas regras para a sua direção, mas quanto à natureza íntima do amor, vê-se na mesma ignorância que o vulgo.
Jaime Balmes

––Quem quer colher lágrimas deve semear amor.
Francis Bacon

––O amor e o desejo são as asas do espírito para a realidade de grandes feitos.
Johann W. Goeth
 
––O amor nada mais é do que a conquista de nós próprios no outro.
Friedrich Hebbel

––Como se chama o pior dos animais? Perguntou a um sábio o rei. E o sábio respondeu: dos selvagens o tirano; dos domésticos o adulador.
G. E. Lessing

––Consolamo-nos do abandono de alguém que amamos, porque podemos deixar de amá-lo. Mas nunca nos consolamos da sua morte, porque até depois da morte, continuamos a amá-lo.
Condessa Diane

––Os outros no aborrecem exceto no momento em precisamos deles.
O. W. Holmes

––Absurdo é toda opinião que contrarie a nossa.
A. G. Bierge

––O velho amigo é um excelente espelho.
Randle Cotgrave

––Não há solidão mais triste nem mais aflita que a do homem privado de amigos, sem eles, o mundo não passa de um deserto.
Francis Bacon

––Talvez encontre em ti próprio o teu pior inimigo ou o teu melhor amigo.
William Hone

––Ouve o conselho de quem muito sabe, mas sobretudo ouve o conselho de quem muito te ama.

––Nada mais comum que o nome do amigo e, no entanto, nada mais raro que o amigo.
Fedro

––Qual é a coisa que o homem mais trata e menos conhece? Ele próprio. E qual é a que sempre nos mente e sempre cremos? O nosso amor próprio.
Padre Manuel Bernades

––O anão inteligente é superior ao Hércules gigante.
Sadi.

––Ao pintarmos um tigre, podemos pintar-lhe a pele, mas não os ossos.
Provérbio Chinês

O rosto sem sulcos é como a folha de papel em que não há nada escrito.
Gottfried Wilhelm Leibniz

––A grande astúcia de alguns consiste frequentemente na estupidez dos outros.
H. Maret

––Há uma espécie de avareza honrosa: a das palavras.
José Maria Vigil.

––Quem é o avarento? Um homem que se empenha em viver pobre para morrer rico.
Pierre Azais

––Não é a beleza que ilude os homens, são os homens que se iludem.
Justus Doolittle
 



segunda-feira, 12 de março de 2012

A Guerra VS A Paz


Podemos ter Paz na Guerra?
 
Às vezes estamos tão perdidos em nosso caminho, é como se caminhássemos e caminhássemos e nunca chegássemos a algum lugar. Todos nós temos grandes amizades, mas mesmo nossos grandes amigos não conseguem nos fazer sentir que realmente estamos acompanhados.
Não é que a amizade não exista, não é que os laços sejam fracos, mas algumas pessoas são como guerreiros solitários, viajam sozinhos. Algo que podemos aprender, e aprendi com o anime Naruto, é que os guerreiros são úteis em tempos de guerra, na guerra são essenciais, prosperam, criam muito poder, mas quando a guerra acaba, acaba também a sua utilidade. Então aqueles que antes eram considerados heróis agora são um empecilho é como se eles chamassem a guerra de volta.
Estes guerreiros sabem que não é pelo povo não os amar, mas sim pelo simples fato de a função deles ter acabado, e quer eles queiram, quer não, não há mais o que fazer ali. Suas intervenções podem apenas gerar mais dor. Por isso as pessoas comuns, não sabem, não entendem porque tantos querem a guerra. Eles, os soldados, generais, capitães e por ai vai, foram treinados, criados para a guerra, ela faz parte deles, sem ela, é como se não vivessem. Por isso o fim da guerra significaria também o fim deles.
Muitos podem ficar chocados com isso, dizerem que não é verdade, que não é assim que as coisas funcionam, mas vejam, se houver uma guerra ou alguma ação que exija um exército ele é bem vindo, caso contrário, não é recebido com um cortejo.
Da mesma forma somos nós. Todos nós somos guerreiros, temos nosso próprio exército, não um exército de milhares de pessoas, mas sim de apenas uma. Esse exército tem que lutar em inúmeras batalhas, guerras, conquistas. Às vezes será bem sucedido, outras não, mas sempre estará em guerra. A paz talvez exista, ou talvez seja a utopia dos oníricos seguidores de Morfeu.
Seja qual for à verdade continuamos a lutar, em muitos casos, a própria paz gera uma guerra. É como se nesse tempo estivessem se preparando, não sabemos o que acontecerá, temos uma trégua onde os oponentes se analisam e medem as forças. Então novamente os defensores da paz se erguem e dizem que isso é mentira, que não é assim que as coisas funcionam. Será mesmo? Será mesmo que alguma espécie neste planeta vive sem suas guerras particulares? Pode não ser guerras grandiosas, como os seres humanos travam onde morrem milhares, mas a guerra pela própria sobrevivência, então existe mesmo um mundo sem guerras?
E agora voltemos à questão de nós mesmos. Como estes guerreiros, as batalhas que vencemos, realizamos nossa missão e depois? Quantas vezes, em um grupo de amigos, em meio a uma multidão, você ficou para trás? Viu seus amigos se distanciarem, se perderem, enquanto você ficava?
Talvez você nunca tenha sentido isso, e talvez tenha sentido mais vezes do que foram necessárias. Existem muitos tipos de pessoas, algumas são grandes guerreiros e exatamente por isso são ameaçadoras, ficam para trás quando a sua função tenha deixado de existir.
Dói ouvir isso. Contudo é a realidade. Nem sempre somos bem vindos. Mas faz parte, faz parte de nossa jornada, de nossas missões se distanciar quando não se é mais notado. Alguns podem dizer que é algo depressivo pensar assim, porém não. Não é que seja depressivo, e sim algo a se pensar.
Lutar sozinho nunca é fácil. E nem sempre aquele grupo, todos seus amigos, terão uma missão com você, onde possam realmente auxiliar uns aos outros sem que nenhum seja deixado.
Mas um dia você também encontrará outro guerreiro como você. Neste dia vocês se uniram para enfrentarem algo grande que ainda estará por vir. Juntos vocês são muito maiores, as habilidades são unidas.
Contudo guerreiros solitários, que sempre guerrearam sozinhos não aprenderam as técnicas um do outro tão facilmente. Será um trabalho difícil, onde se machucarão muitas vezes para entrarem em harmonia e seguirem adiante em sua missão. Essa missão nós chamamos de amor.
 
Eu, Pallas desejo a todos os guerreiros, meus irmãos nessa luta, que conquistem a vitória em suas batalhas na maior das guerras, O Amor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amor e morte

Eu peço a quem for ler esta história que primeiro carregue estes vídeos iniciais, a música faz parte da história, deixe-a tocar ao fundo enquanto lê, é um pedido meu, porque ela é uma história que mecheu comigo e gostaria de poder passar isso também a quem for ler.
Amor e Morte
Numa vala, perdidos em um mundo de morte e podridão, cercados pelos horrores da guerra, vendo seus amigos morrerem diante de si, encontravam-se dois amigos.
Amigos há tanto tempo quanto suas memórias são capazes de se lembrar. Neste dia como todos os outros havia apenas a desolação diante de seus olhos. E uma chuva delicada e cinzenta, vestígios da fumaça das bombas e dos corpos queimados, caía dos céus chorosos. O solo havia a muito perdido suas cores, restava apenas o prateado e o negro das cinzas. Já não se distinguia ao longe inimigos de aliados, havendo grandes riscos de atingir um companheiro.
Os dois estavam sentados sob um toldo isolados dos outros soldados, lembrando das cores de sua terra natal, agora tão sonhada.
Mas o sino do combate não cessava. Puderam ouvir do lado norte do acampamento o retumbar das granadas e seu brilho macabro. Logo após ouviu-se os estampidos dos tiros clamando a presença dos dois.
Movidos por seus corpos, não por suas mentes, os amigos se dirigiram ao local. A cada passo o mundo dos dois desmoronava aos poucos. Thomas, um jovem de olhos e cabelos intensamente negros, uma face de alegria e felicidade corrompidas pela guerra. Ao seu lado, Alexander, cabelos loiros, olhos de um azul intenso, seu rosto fincado por antigas cicatrizes emocionais, mais profundas que as físicas.
Alexander virou o rosto, sujo de sangue e molhado, para Thomas e sorriu. Thomas preencheu-se de um sentimento de perda, como se este fosse um adeus, o último sorriso de seu amigo.
Chegaram ao local do bombardeiro, contudo já não havia combatentes. As bombas estraçalharam os mais próximos, deixando espalhados seus corpos, tingindo de vermelho o cinza reinante. E os que sobreviveram, mataram-se mutuamente com suas metralhadoras. Caminharam pelas sombras, evitando serem localizados por possíveis sobreviventes.
Thomas não encontrando ninguém vivo, levanta-se para aumentar seu campo de visão. Ao erguer-se não percebeu que ao longe, em sua direção havia um homem escondido que apontava em sua direção e disparou.
No momento em que percebeu o que iria acontecer, Alexander atirou-se na frente de Thomas agindo como seu escudo. O tiro acertou-lhe o estômago e o pulmão.
Thomas virou-se, pode apenas perceber que seu amigo caía e sangrava. Colocou sobre si o corpo de Alexander e gritou, um grito que ecoava do mais profundo de seu ser. As lágrimas começaram a rolar. O sangue escorria dos ferimentos e ao tentar falar o sangue também começou a sair por sua boca.
— Não, Alexander, não! Não fale. Não se mexa. Eu vou te levar daqui. Eu vou te salvar. POR FAVOR, NÃO MORRA!
As palavras jorravam junto com as lágrimas de Thomas. Que maculava o cinza de sua roupa com o sangue de seu amigo.
—Thomas... sei que... não tenho muito tempo...
— Não! Não diga isso! Sempre estivemos juntos! Sempre fomos mais que irmãos! Fomos...
—É isso! Thomas... por favor, me escute. Por tanto tempo amei calado, por tanto tempo escondi o amor que habita em mim. E... não quero morrer sem que você saiba.
— O que Alexander?
—EU TE AMO! Por todos esses anos. Cresci com você. Fui seu ombro em todas as vezes que precisou chorar. E quando chorava com você era porque me doía tanto te ver sofrer sem poder fazer muita coisa por você. Quando estava em meu colo, chorando, porque seu coração havia sido partido, o meu esfarelava-se. E, todas as vezes que rimos juntos era como se tudo perdesse o sentido e houvesse apenas você. Quando saíamos para as festas e você sempre me via sozinho, era porque eu zelava por você. E porque a pessoa mais importante para mim estava ao meu lado. E quando decidiu que iria se alistar, não faz idéia do medo que passei em te perder. As lágrimas derramadas. E foi por isso que também me alistei. Não porque era meu sonho. Mas porque você é meu sonho, meu mundo. Os horrores que passamos nessa guerra, apenas me mostraram o quanto eu te amo. A minha vida é sua. Por isso eu a dou a você, meu amor...
— Alexander... por favor... Eu te amo! Com todas as minhas forças. Você me fez ser quem eu sou. É o meu caminho, a minha luz, minha estrela. Por quê? Por que fez isso? Você não pode morrer. Você não vai morrer...

Enquanto falava, misturado as lágrimas e a dor, ao sangue, os dois se abraçaram, Thomas tocou delicadamente o rosto de Alexander na esperança de o impedir de partir, como quando eram crianças e queria que ele fizesse algo. Um último sorriso emanou de seus lábios. Seus olhos começaram a fechar-se. Antes de fecharam-se totalmente Thomas o beijou, o beijou como se conseguisse impedi-lo de partir. Em meio ao gosto salino das lágrimas e do ferro do sangue, Thomas pode sentir o doce hálito da vida que deixava o corpo de Alexander.
Vendo toda a cena havia um soldado inimigo, o próprio que matara Alexander. Mas parara sem reação diante da cena. Com lágrimas em seu rosto e a voz embargada disse:
—Me desculpe...
Com um olhar lacerado, de um homem morto, sem vontade de viver, aninhado ao corpo de Alexander, aos prantos, Thomas não desviou os olhos de seu amor e disse ao soldado.
—A culpa não é sua. É da Guerra. Você é apenas uma criança.
O jovem soldado começou a afastar-se quando os tiros recomeçaram. Desta vez vindos dos aliados de Thomas. Sem saber em quem atiravam, devido à chuva e a falta de cor que permitisse distinguir algo, os aliados atiraram em Thomas, em seu coração.

O soldado pode ver Thomas morrer, era impossível descrever, tão forte e vasta era a dor, que ele mesmo se sentiu lacerado. Como em câmera lenta seu corpo tombou sobre o de Alexander, caindo ao seu lado, com suas mãos entrelaçadas e com os rostos muito próximos como a espera de um beijo da eternidade. Foi à última visão antes que um tiro atingisse sua testa e caísse morto. Foi à visão do amor em meio à morte e destruição.







quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Busca, O Senhor dos Aneis

A busca





O Senhor dos Anéis


O mundo em que vivemos anseia desesperadamente por algo, algo que perdeu ou esqueceu. Começamos um novo século, um novo milênio e com eles vieram, em nossos desejos, a amizade e o amor. E o que é a base destes sentimentos? O companheirismo.
Para entender um povo devemos olhar para suas produções culturais, para seus mitos e lendas, uma vez que estes refletem nosso interior mais profundo. E quais são nossos mitos? J.R.R.Tolkien presenteou-nos com sua fantástica obra, inigualável em criatividade e beleza, ele nos deu uma lenda, cujo principal motor é a amizade. Nosso milênio transformou a obra deste escritor e belíssimos filmes, a saga O Senhor dos Anéis,em algumas das mais belas obras cinematográficas de nosso tempo. E por quê? Por que esta história cativa-nos tanto?
Ao decorrer da história cria-se uma sociedade, a Sociedade do Anel, uma aliança entre os povos da Terra Média. E em nosso mundo a que isso se refere? O livro foi escrito ao longo das duas Guerras Mundiais, e a aliança da história representa a união das nações de nosso mundo, prontas a guerrear contra um inimigo quase invencível, a própria guerra. E como sairmos vencedores?
A resposta, a amizade. Frodo, cuja missão é destruir o anel, fonte dos poderes que ameaçavam a destruição de tudo, representa cada um de nós. Vivemos em um mundo
constantemente em guerra, porém, apesar da grandiosa escala deste inimigo traiçoeiro somos portadores de uma arma única. Está em nossas mãos, individualmente, o destino do mundo.
A trilha árdua de Frodo é a nossa vida, cada vez que ele cai, são os nossos fracassos sendo vistos. Mas ele não desiste, continua em sua jornada, mesmo sabendo ser quase impossível de se concretizar.
Temos também Sam, o amigo fiel de Frodo. A amizade dos dois é um dos maiores desejos de nossa humanidade guiada por motivos mesquinhos e egoístas
A bela ação da jornada se dá quando Sam, vendo que Frodo não conseguirá mais, o toma em seus braços e o leva, porque sabe que o fardo carregado por Frodo não pode ser transferido. O que isso significa?
Não podemos tomar para nós a carga de nossos amigos, ela é intransferível, precisamos lidar com ela individualmente. E existe algo a fazer ao vê-los cair? Oferecer uma mão, oferecer nossos braços para se apoiarem, enquanto se recuperam. Isso é o companheirismo, amizade. Não é por isso que ansiamos?
Muitas vezes o medo nos impede de agir. Não o medo de cair, mas sim de conseguir, porque a partir do momento em que conseguimos algo a responsabilidade recai sobre nós, todo o peso nos é dado, muda-se as antigas formas e novas possibilidades surgem.
Se podemos aprender algo com Frodo e Sam, com esta história envolvente que enlaça tantos mistério e tantos mundos e seres diferentes do nosso, mas nem tão distante assim, é que por mais difícil que seja o caminho, por mais tenebrosa que seja a caminhada ela é necessária. E quando perdermos o equilíbrio, quando perdermos a visão das estrelas, o aroma dos campos, o toque macio da relva temos que ter a lembrança que nada é eterno e tudo se desfaz nas areias do tempo.
 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ao seu lado

Ao Seu  Lado
Quando as lágrimas do medo me tomam
Sei que estará ao meu lado
Quando o brilho das estrelas deixar de fulgurar no céu
Sei que poderei encontrar luz em teu sorriso
Quando o véu da realidade se rasgar
Tu podes me mostrar o que há por trás da realidade
Quando me perco de meu caminho
Estás sempre ao meu lado
Para virar meu rosto
Tocar minha face
E dizer-me:
“Confio em você”
Quando os cristais da dor se formam em meus olhos
Vejo que os teus brilham
Brilham com o brilho das mais belas estrelas
Não perdidas no tempo
Mas as que nascem da poeira
E se tornam Senhoras do céu
Quando meu coração pára
Tu és a eletricidade
A força que o faz bater
Que me lembra
Que apenas crescemos,
Quando aprendemos a cair e a nos machucar
Que os sonhos são reais
Basta que os tiremos de seus reinos
Quando me prosto pelo medo do que virá
Tu me mostras o que somos
O quanto somos pequenos
E é essa pequenez
Que nos torna grandes
Que nos torna capazes
Que somos mais do que sonhamos ser
E menos do viremos a ser
Por isso
Caminho ao teu lado
E prossigo com meus passos hesitantes
Para te acompanhar
E fazer por você
Ao menos um ínfima parte do que fazes por mim
 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quem eu sou?


Quem eu sou?

O que é sorrir?
O que é chorar?
O que é Amar?
Todas essas perguntas apenas serão respondidas quando te encontrar
O ar que me faz respirar
A história que me faz rir
As lágrimas que caem de meus olhos
O meu coração, que há muito esqueceu de trabalhar
Perdeu-se nas entranhas
Esperando por algo
Algo que o faça
Novamente bater
Novamente ganhar a vida
E bombear não apenas sangue
Mas também minha alma
Para cada parte de mim
Uma vez que ela se encontra perdida
E, conseqüentemente também me perco neste oceano


O meio de me salvar se encontra longe
Se encontra em você


E as vagas me engolem
Mal consigo ver por sobre as espuma do mar
Será este meu fim?
Ver na brancura e na negridão meu fim?
Ser levado às profundezas do oceano
Ser guardado junto aos seus inúmeros tesouros?
Nunca mais ver o brilho da lua...
Sentir o calor do sol...
O macio toque da relva


Deitar-me ao seu lado
Sob o brilho das estrelas
Olhar em seus olhos


Seus olhos são meu oceano e quero me perder neles
Mesmo que a morte a me espere
Vale à pena
Vale à pena morrer por ti
Por que sem tua presença quem sou eu?
Quem sou eu neste mundo?
Apenas um viajante
Um ser que vagará eternamente em busca de algo sem nunca encontrar
Me permita...
Permita que...
Juntos possamos encontrar uma razão
Uma razão para nossos corpos
Uma razão para nossa existência
Tão vaga e fluida


De todo medo que me toma
O mais forte é o de perder você
Como poderei te seguir?
Como poderei te seguir ao mundo dos eternos?
Fique comigo
Não me deixe
Venha aos meus braços
No doce embalo do oceano da vida
Que ele nos leve a enseada da morte
Mas que prossigamos juntos
E mesmo sob o julgo das ondas
Ainda resistiremos
Na esperança de podermos viver
o que não podemos viver
De nos tocar pela eternidade
E perecermos nesta imensidão
Incorporados aos seus mistérios
 





quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Olhai os lírios do campo

Olhai os lírios do campo



Erico Veríssimo, através das páginas de “Olhai os lírios do campo”, nos faz deslizar pelos dramas resultantes do mundo capitalista em que vivemos, somos lançados num mar de egoísmo, crueldade, cobiça e libertinagem.  Todos esses sentimentos são observados por um jovem médico que possui suas próprias desilusões, dúvidas e medos. Porém é, para seus clientes, mais que um simples médico, ele representa um confidente e conselheiro para as misérias da vida.
Os personagens vão se desenvolvendo através do fluxo de lembranças contrastadas com o presente vivido por Eugênio. Quando recebe a notícia de que sua amada está prestes a partir deste mundo, parte imediatamente. Durante o caminho para o hospital suas memórias lhe formam o quadro de sua vida.
Embalado pela, talvez, iminente perda de Olívia, retorna ao seu passado. Conhecemos a criança que sofreu preconceitos por ser pobre e as conseqüências para seu caráter. Vislumbramos um menino que possui vergonha de ser pobre e daí nasce o desejo de se tornar alguém, não importando quais os preços que ele teria de pagar.
O menino cresce e, com muito custo, se forma, mas e agora? O diploma é só um papel, seus medos e incertezas continuam. O que será o amanhã? Neste ínterim ele finalmente repara na única mulher que havia em sua turma de medicina.
O jovem médico começa a trabalhar, a trabalhar cercado de seus medos, até mesmo em sua profissão ele treme. Porém agora ele possui Olívia, um ser misterioso que se tornou sua confidente e apóio para seus momentos de desespero.
Olívia é calma e serena, tudo aquilo que ele não é. Ela não se atormenta, ao menos aparentemente, com as frustrações e crueldade da vida. Ela tem fé em seu Deus, possui fé nos homens, que por mais ignóbeis, com a orientação certa podem se tornar os reformadores do mundo, como certo profeta que pregara o Sermão da Montanha.
A relação de Olívia e Eugênio passa da amizade para um complexo sentimento de amor, um sentimento muito parecido com o de uma mãe para com seu filho. Porém a relação se embaça quando ela vai trabalhar como médica em Nova Itália. Deixado aos seus medos, sem os doces pareceres de Olívia, entregado a tratar das misérias do povo, seu desejo de ser rico e reconhecido aflora com força.
Conhece e se casa com a jovem filha do milionário Cintra, Eunice, com esse casamento os luxos da vida lhe são descortinados, e é fácil esquecer as mazelas do mundo quando se vive nos veludos de uma mansão. Após seu casamento Eugênio procura Olívia para pedir perdão a ela por se casar e confessa que casou por puro interesse.
Logo descobre que não vive mais, que nunca viveu. Sua vida até agora foi um mar de desilusões e hipocrisias. Mais ainda há tempo. Procura novamente Olívia para ver se ela o ama e descobre o amor sincero e sem interesse desta mulher incrível e sábia. Outra vida lhe é defrontada, a pequena Anamara, fruto do amor dos dois.
Contudo, até mesmo as rosas possuem espinhos, a paz familiar do trio dura pouco tempo, apesar de Eugênio continuar casado com Eunice. Olívia está no hospital, enquanto Eugênio está longe em uma fazenda junto de sua esposa.
A partir da morte de Olívia, Eugênio enfrenta seus medos, decide mudar sua lamentável existência e passa a ser o médico humano que as pessoas necessitam.


Título: Olhai os lírios do Campo
Autor: Erico Veríssimo
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 283

sábado, 27 de agosto de 2011

Uma Geração


Foi em julho de 1997, após sete longos anos, sendo “gerado”, que Harry Potter veio à luz pela primeira vez. Joanne Rowling, o JK foi um pseudônimo para não identificá-la com mulher imediatamente, uma vez que os jovens leitores masculinos tem um certo receio por livros escritos por mulheres. Deu certo – Joanne conta que uma criança lhe pediu um autografo e lhe disse que a imaginava como um homem e não uma mulher.
Na noite de seu lançamento, Harry Potter e a Pedra Filosofal teve uma tiragem de mil cópias. Uma escritora estreante, que apostou tudo nesta história, cuja inspiração foi uma viajem de trem, que por sorte ficou parada por quatro horas e a idéia do menino bruxo surgiu.

 Joanne acabara de voltar de Portugal onde tivera sua filha Jéssica, foi agredida por seu marido fisicamente e foi embora de Portugal de volta a Escócia, com a ajuda de suas amigas. Desprovida de quaisquer meios de se sustentar, ela volta-se para sua história, que nunca foi esquecida desde que a vigem de trem começou. Conseguiu um auxilio do governo escocês para jovens escritores e passou a se dedicar a sua maior paixão, escrever.
Ia com a pequena filha a um café local, de sua irmã, se sentava ali, pedia um café e embalando sua filha escrevia a história que encantaria gerações.A obra de um escritor é marcada de influencias de sua vida, e não foi diferente com Joanne.
Os dementadores foram criados quando ela passava pelo pior momento de sua vida, inspirados na dor e no desespero da depressão, porque era como ela se sentia, que nunca mais seria feliz, que sua felicidade era sugada pelas trevas. No documentário “Um ano na vida de JK Rowling” ela diz “... eu acordava e sempre olhava minha filha para ver se estava viva, porque temia que ela pudesse morrer a cada dia tamanho era o meu desespero...”. Os seres malignos que tiram toda a felicidade do mundo e torna as coisas gélidas são como a depressão.

Em uma declaração ela chegou a dizer que já pensou no suicídio, porque a dor era tanta, ela se sentia um nada, sem esperança alguma, mas olhava para sua filha e não se permita desistir. Terminado o livro outra jornada começava, a busca de um agente literário.
Joanne trabalhava como professora, próxima a sua casa, e datilografava seus manuscritos lá. Era tão difícil para ela que até mesmo a encadernação dos manuscritos lhe era muito cara.
Pesquisou nas listas telefônicas por agentes e lhes enviou seus manuscritos datilografados, em uma pasta preta. Cristopher Little, um agente visionário, mas não ligado a livros infanto juvenis, uma vez que era um mercado em baixa, foi o único a aceitar a proposta de ser o agente de Joanne Rowling. Briony Evens, responsável por selecionar os livros que chegavam a Cristopher, interessou-se pelo manuscrito de capa preta, uma coisa original. E levou-o para casa para lê-lo, os dois capítulos escritos a fascinaram.  Mas ela sabia que Cristopher não era um agente de livros infanto-juvenis, mas ainda sim estava decidida a tentar.
Entregou o livro para Cristopher ler e o recomendou, dizendo que era um livro extremante envolvente e seria uma grande perda não aceitá-lo. Levando-o para casa o primeiro a lê-lo foi seu filho que pediu a ele para ficar com a história que seria um sucesso. Incentivado por seu filho leu e também se envolveu e decidiu abraçar o projeto.
Foi a partir daí que a história de vida de Joanne começa a se transforma. Cristopher enviou a hístória para várias editoras, mas foi a pequena  Bloomsbury, editora inglesa de pequena porte com obras de não muitas tiragens, aceitou publicar a obra.

Mal sabiam que o processo de magia que envolve essa saga, o encanto que ela produz, já estava em ação. Porém além da história surpreendente e imensamente criativa, era necessário algo mais para chamar a atenção para a saga. David Heyman foi para a Inglaterra em busca de uma boa história para ser convertida em um filme em nome da Warner Bros. A crítica britânica elogiou o livro, e com esse amparo de publicidade Harry Potter começa a crescer. Mas foi com a venda de direitos de publicação nos Estados Unidos que deu o último impulso. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi leiloado por mais de 100 mil dólares uma quantia absurdamente grande para um livro de uma autora estreante.
A partir daí tudo muda. Inúmeras críticas saem em jornais de grande importância com o Times, o Daily Mirror, elogiando e incentivando a leitura da obra. Em pouquíssimo tempo já o topo dos livros mais vendidos, Joanne faz parte dos escritores seletos que conseguiram superar as vendas dos livros de literatura voltada aos adultos com livros de temática infanto-juvenil.
Com o tempo o sucesso ultrapassou barreiras, hoje a saga conta com mais de 400 milhões de livros vendidos, traduzidos para mais de 65 línguas. Harry Potter é o segundo livro mais vendido da história, superado apenas pela bíblia, JK Rowling figura entre os três autores mais lidos do planeta.
Quando se imaginava o século XXI pensava-se que os ícones seriam futuristas e ultra-modernos, porém o primeiro grande ícone de nossa cultura ocidental é um rapaz que estuda em um internato, um castelo, um ambiente medieval e conservador.
Joanne kathleen Rowling foi capaz de fazer milhares de pessoas lerem, quando a tecnologia hoje engloba os jovens de tal forma que os deixa alienados, mas ela conseguiu manter a atenão dos jovens por livros extensos. Graças a Harry Potter, a literatura conseguiu novamente ganhar destaque, novas sagas puderam se beneficiar do poder desta saga.
Do universo literário para o universo cinematográfico foi um salto. Novamente os números são grandiosos nesta saga, a mais lucrativa da história do cinema somando mais de 6 bilhões de libras ao todo, superando filmes com James Bond e Star Wars.
Em 2001 chegava aos cinemas Harry Potter e a Pedra Filosofal, causando estrondo no cinema com seus números e abrangência. Agora, após 10 anos chega ao fim, no dia 15 de julho de 2011 com Harry Potter e as Relíquias da Morte part 2.

È o fim desta incrível história. Mas qual a razão de tamanho sucesso, porque Harry Potter é tão importante?
Harry, Rony e Hermione traduzem algo cada vez mais raro atualmente a Amizade, nunca desistir, sempre buscar se levantar, correr atrás do que se almeja. Que a vida não se resume a algo bom ou a algo ruim. E além de tudo isso, passamos a amar esse mundo que a cada página e a cada filme se tornava mais real.
Afinal sempre podemos esperar pela carta que nos levará em nossa viagem rumo ao desconhecido e fantástico. Porque, esperamos um dia sentar nos vagões do Expresso de Hogwarts e deixá-lo nos levar aos nossos sonhos e a este mundo tão amado.



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