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quinta-feira, 29 de março de 2012

O Poder das palavras


Grandes pensadores
As palavras possuem um grande poder, são capazes de transformar uma realidade. Elas nos modificam das mais diversas formas, nos fazem crescer, cair e também levantar. Pensando no poder da palavra reuni aqui pensamentos e ditados de grandes pensadores, com a intenção de nos fazer refletir, questionar nossa forma de pensar:
 
––O amor é como a luz: quem a não vê, nega-a; quem a não sente, não a compreende.
A.Opisso

––Quem ama sente o amor, mas não o conhece; o filósofo que se dedica ao exame desse afeto talvez mostre a sua origem, a sua tendência e o seu fim, e dê suas regras para a sua direção, mas quanto à natureza íntima do amor, vê-se na mesma ignorância que o vulgo.
Jaime Balmes

––Quem quer colher lágrimas deve semear amor.
Francis Bacon

––O amor e o desejo são as asas do espírito para a realidade de grandes feitos.
Johann W. Goeth
 
––O amor nada mais é do que a conquista de nós próprios no outro.
Friedrich Hebbel

––Como se chama o pior dos animais? Perguntou a um sábio o rei. E o sábio respondeu: dos selvagens o tirano; dos domésticos o adulador.
G. E. Lessing

––Consolamo-nos do abandono de alguém que amamos, porque podemos deixar de amá-lo. Mas nunca nos consolamos da sua morte, porque até depois da morte, continuamos a amá-lo.
Condessa Diane

––Os outros no aborrecem exceto no momento em precisamos deles.
O. W. Holmes

––Absurdo é toda opinião que contrarie a nossa.
A. G. Bierge

––O velho amigo é um excelente espelho.
Randle Cotgrave

––Não há solidão mais triste nem mais aflita que a do homem privado de amigos, sem eles, o mundo não passa de um deserto.
Francis Bacon

––Talvez encontre em ti próprio o teu pior inimigo ou o teu melhor amigo.
William Hone

––Ouve o conselho de quem muito sabe, mas sobretudo ouve o conselho de quem muito te ama.

––Nada mais comum que o nome do amigo e, no entanto, nada mais raro que o amigo.
Fedro

––Qual é a coisa que o homem mais trata e menos conhece? Ele próprio. E qual é a que sempre nos mente e sempre cremos? O nosso amor próprio.
Padre Manuel Bernades

––O anão inteligente é superior ao Hércules gigante.
Sadi.

––Ao pintarmos um tigre, podemos pintar-lhe a pele, mas não os ossos.
Provérbio Chinês

O rosto sem sulcos é como a folha de papel em que não há nada escrito.
Gottfried Wilhelm Leibniz

––A grande astúcia de alguns consiste frequentemente na estupidez dos outros.
H. Maret

––Há uma espécie de avareza honrosa: a das palavras.
José Maria Vigil.

––Quem é o avarento? Um homem que se empenha em viver pobre para morrer rico.
Pierre Azais

––Não é a beleza que ilude os homens, são os homens que se iludem.
Justus Doolittle
 



terça-feira, 6 de março de 2012

Realidade, ilusão ou fantasia?



Sonhos Ou Loucura?
Eis a questão...
 
Ultimamente tenho aprimorado junto a um grande amigo meu, alguns pensamentos que sempre rondaram minha mente, e juntos debatemos inúmeras vezes sobre alguns destes temas. Decidi escrever quando lia alguns temas considerados sobrenaturais por alguns e como verdades absolutas por outros. (Deixo aqui o aviso, tudo o que falarei abaixo é fruto de minha observação, não é destinado a ferir nenhum credo)
Alguma vez você já se questionou sobre a origem dos deuses? Sobre a origem do divino? Do sobrenatural? De onde surgiu? Quem os criou? Eles criaram o mundo, mas e quem os criou?
A designação que damos hoje em dia aos mitos é a de que eles foram criados pelos humanos para poderem explicarem o que era considerado inexplicável. Aí vêm os céticos e dizem que tudo não passa de fantasia dos povos antigos. Porém o poder da fé é comprovado hoje em dia.
A fé não é apenas a religiosa, é a crença obstinada de que algo é considerado  verdade. Seu cérebro quando você diz,  que está doente libera determinadas substâncias em seu organismo que o deixa com aqueles sintomas, então mesmo que você não esteja com aquela doença, você sente os sintomas, para você eles são reais, mesmo que os outros, os médicos digam que você não tem nada.
 Um exemplo notório é a da gravidez psicológica, a mulher não está grávida, mas seu desejo de estar grávida é tão grande, que seu cérebro acredita que ela realmente está grávida, ela desenvolve a barriga, produz leite, em casos extremos chega até mesmo a sentir as dores do parto, sem estar realmente grávida. Tudo pela ação insistente da mente.
Placebo são remédios “falsos”, geralmente pílulas de açúcar receitadas a muitos pacientes como se fosse o remédio ideal para o que estão sentindo, quando seu efeito fármaco não existe. Mas a mente do paciente não sabe disso e encara a sua ação como se ele realmente fosse um remédio milagroso e acaba por parar de sentir os sintomas ou as dores, não é que não estivesse sentindo dores antes, mas seu cérebro recebeu a informação de que o placebo faz bem ao seu organismo e a pessoa acaba acreditando tão fielmente nisto que acaba por realmente sentir os efeitos, mesmo que eles não sejam  por causa da pílula mas sim por efeito do cérebro.
Da mesma forma acontecem os milagres. Quando uma pessoa acredita piamente em algo aquilo é real para ela, não é fantasia, ela o sente, sente sua ação, sua mente cria essa realidade. Muitos casos médicos em que a pessoa não possui mais chances de vida e acaba por ser curada, isso é o chamado milagre, ou talvez, a força da mente da pessoa. Porque Jesus no mito judaico-cristão quando vai andar sobre as águas diz aos seus
discípulos para terem fé? Para não duvidarem? Se você duvida de algo, não poderá sentir seus efeitos.
O mesmo vale para os adeptos de inúmeras religiões que mesmo estando em seus templos, nos locais em que cresceram, que seus pais viveram e vivem não se sentem bem, enquanto olham para os lados e vêem muitos realizados em sua fé. Porque não acreditam no que ouvem, na forma com que é passado, não faz parte de sua mente, e conseqüentemente sua fé é fraca, e os efeitos praticamente nulos.
Agora caminhemos para algo ainda mais delicado para milhões de pessoas, a essência dos seres divinos.
Quando um escritor está escrevendo um livro o que ele está fazendo? Criando um mundo não? Ele não cria as bases desse mundo? A forma, tudo ali, ele é o criador deste reino. E quem disse que aquilo não é real? Como não é real se quando lemos tudo cria vida?
É como se vagássemos por outras dimensões, temos o tempo e o espaço. Você já pensou que no lugar em que você está agora existe, existiu, existirá milhares de pessoas, situações, seres ao mesmo tempo? Essa é a questão do espaço, o espaço em que você está não muda, ele continua o mesmo, conseqüentemente tudo ocorre ao mesmo tempo. Há poucos instantes você se mexia e agora não, ano passado havia outros no mesmo espaço que você.  Seria como pensar que o tempo não existe, dessa forma tudo acontece no mesmo local, se você viajar no “tempo” encontrará no mesmo espaço que você talvez um índio, mas você ainda está lá. Já imaginou? Parece confuso, mas não é. Vamos a um exemplo.
Sempre vemos em filmes, desenhos e afins que se formos viajar no tempo não podemos ver a nós mesmos, você já pensou o porquê? Imagina se você volta no tempo, e vê você mesmo, conta coisas a você, certo. Aí você volta, quando você voltar você já sabia que tinha voltado ao passado, pois afinal já viveu isso, porém você decidiu naquele instante, contudo aquele instante só surgiu porque no passado você sabia que voltaria então você volta no tempo por isso, por uma sugestão de você mesmo, portanto o futuro é seu passado, e seu passado seu futuro.
Confuso? Normal, é por isso que você não pode voltar a um lugar em que você existe, pois a linha do tempo não existe mais, afinal o que é passado e o que é presente? E a noção do que é espaço também é controversa, pois existe neste exato instante enquanto lê esse texto milhares de coisas acontecendo no local em que você está, em tempos diferentes, todos ao mesmo tempo paralelo, uma vez que o espaço não vai se deslocar, a única diferença entre vocês é o tempo, vocês dividem o mesmo espaço, você ainda está dormindo em sua cama, enquanto navega no computador, enquanto troca de roupa, caminha e por aí vai...
Agora voltemos ao tema, da mesma forma que essas realidades paralelas existem as que o escritor cria também. Assim como as do mito, dos deuses, do Deus, da sua crença, dos seus sonhos.
Um livro que ilustra muito bem isso é As crônicas de Nárnia O Sobrinho do Mago, quando Digory e Polly usam os anéis do Tio André e vão parar no mundo entre os mundos, naquela espécie de portal de mundos, onde existe bilhões e bilhões de universos, mundos, todos acessíveis a partir daqueles lagos, basta que você mergulhe neles.
Os livros, os sonhos funcionam da mesma forma, não é que sejam irreais, mas sim em realidades diferentes. Todos somos deuses, criadores de um mundo quando escrevemos, que pode ter as formas que quisermos.
A mitologia indiana que nos coloca como o sonho de Brahma , que só existimos enquanto ele sonha faz muito sentido. O mundo dos sonhos é diferente do mundo considerado real. E o que impede de realmente sermos meros sonhos desse deus? Não há como sabermos, e nem como escaparmos da trama que o possível criador cria para nós. Afinal o personagem de um livro pode escapar de sua história? Se rebelar e mudá-la?
Deuses, eles criaram o mundo, mas quem os criou?
Já pensaram e reparam que cada deus, de cada parte do mundo criou seu povo e não o mundo todo? Que cuidam do seu povo, e não de todos os povos?
Sejam os gregos, egípcios, chineses, maias, celtas e por aí vai, todos criaram seu povo e cuidam dele. Mesmo o atual deus supremo, O Deus católico, também criou apenas seu povo, ao menos em seu primórdio, quando ele era Deus de Israel, e só de Israel, como é dito na bíblia, o deus dos judeus é deus dos judeus, não do resto do mundo. Mas ele se tornou deus do mundo conforme as designações dos poderosos. Isso pode afetar diretamente as atuais versões do cristianismo, sejam elas evangélicas, ortodoxas, reformistas e tantas outras,  todas nasceram do cristianismo e não podem negar suas origens e os cristãos não podem negar suas origens judaicas.
Sabemos que os deuses criaram o mundo, porém quem os criou? Essa é uma pergunta vaga, seja em qual religião, seita, que for. Os homens criaram os deuses, e isso não significa que eles não seja reais.
Como já vimos antes a mente humana é capaz de transformar a realidade, e mesmo os cientistas sabem que não conhecemos nem mesmo um terço da capacidade cerebral humana. Então podemos pensar: Quando cremos em algo, aquilo passa a ser real para nós, nossa mente sozinha é capaz de dar forma aquilo, agora imaginem o que centenas, milhares, bilhões de pessoas são capazes de fazer?
Mesmo que aquilo originalmente não fosse real, passa a ser real porque as pessoas os tornaram reais. Já perceberam que em muitas culturas os deuses necessitam da adoração humana? Da oração humana? Mesmo o deus católico necessita dela, da fé dos homens, é o seu elixir divino, seu elixir da imortalidade. Então nos perguntamos por que, se realmente todos esses deuses existem, porque eles não se manifestam e lutam pela supremacia?
Novamente basta observar, se eles são “movidos”, alimentados, pela fé humana, quanto mais fiéis eles tiverem maior é seu poder, e qual o deus atual com maior fiéis na humanidade?
Como dissemos anteriormente cada deus criou, cuida de seu povo, pois foram eles os seus criadores, é confuso, porém faz muito sentido vermos as coisas como são, não é que eles não existam, eles existem em cada um de nós, e mesmo que não acreditemos neles, outros milhares acreditam  e para eles, cada deus é real e por conseguinte existem.
 Dessa forma a supremacia do deus judaico-cristão sobre o mundo se deu pela conquista e domínio dos homens, a batalha divina já não era párea para com este ser supremo que subiu, literalmente, ao trono das divindades pela fé de seu povo, que dominou, vergou outros povos, outros deuses. A ação divina se verifica pelos homens, assim como pelas mãos divinas.
Não minha intenção parecer fatalista, ou cético quanto aos seres divinos. Eu tenho fé, sou pagão, cultuo a essência da Terra, do universo, e isso não me impede de pensar, de ver as outras fé. Não existe religião melhor que a outra, nem pior, todas são perfeitas para seu povo, para cada membro que ouve o chamado  de seu criador, seja ele qual for.
Outra abordagem interessante, que sempre me fascinou e que quem impede de que seja real? No filme MIB Homens de Preto ao longo do filme vemos que eles estão à procura de um universo que está sendo ameaçado de destruição e acabamos por perceber que o universo é do tamanho de uma bola de gude, podemos saber como é o universo? E ao final nosso universo é mostrado como mais uma bolinha de gude entre outras, entre outro universos, e dois seres brincando com eles. Talvez seja assim, não passemos de bolinhas para outros seres que para nossa perspectiva humana é inimaginável. E assim eles também podem ser a mesma coisa que nós, brinquedo de outros seres maiores e assim infinitamente, e nunca saberemos a origem de tudo.
Tudo o que falei acima pode parecer apenas teoria da conspiração, mas é o resultado de observações e debates, deixo a questão com vocês, o que é real? O que é ilusão? O que é fantasia? O que é realidade? Você pode responder?
Um grande abraço,
De Seu grande Amigo
Pallas

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Inquisição, um crime esquecido



Registro Histórico, 
Sangue nas mãos das Igrejas

Registrar o passado talvez nos traga dores das quais nunca nos curaremos, porém o hoje não existiria sem o ontem. Dessa forma falaremos um pouco mais sobre um dos maiores marcos que laceram a carne dos pagãos e soam como mera lembrança às dos povos monoteístas, falaremos um pouco sobre a Inquisição.
A história não deixou de registrar atrocidades e desmandos das religiões que deveriam servir de alicerces para a construção de um mundo novo, onde reinasse a paz e justiça, o amor pelo próximo, e a máxima da coerência e perdão. O mínimo que poderíamos esperar dos líderes e representantes da Cristandade seria a tolerância. 

Podemos perceber a barbárie que foi a Inquisição: uma caça a pessoas que pensavam diferentes do modo imposto por uma  tirania, que planejava estender suas influências a todos e viam em um certo grupo de pessoas  uma ameaça a seu poder.
Vendo estes fatos desconcertantes conclui-se a extensão da barbárie que ocorria durante o obscuro período da Inquisição. O modo das pessoas, taxadas de pagãs, pensarem foi o bastante para verter a brutalidade de Irejas que pregavam a seus fiéis a paz. Acusadas, sem alternativa, frente ao poderio das instituições, foram forçadas a reprimir sua cultura, além de perder, do modo mais brutal, suas vidas.

A ganância serve de mola para atrocidades que são cometidas por seres humanos. A fome pelo poder e riqueza levou a destruição de milhares de pessoas. Auxiliados por uma população analfabeta que se deixava influênciar pelas ditas “santas Igrejas” tornavan-se cegas perantes aos mais bárbaros atos de crueldade.
Abrir os olhos, sermos livres para pensar com livre árbitrio deve nos ser um direito e um dever, para que atrocidades como a Inquisição não retornem a manchar, a tão manchada, História da humanidade.
A paz deve ser cultuada como algo possível de se realizar e não posta em um pedestal inascessível.


“Todos os homens buscam a felicidade. E não há exceção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim. É isto que motiva as ações de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida. ”
 (Blaise Pascal).


sábado, 21 de janeiro de 2012

Preciosidade da Natureza, Parte II


Florestas e outros lugares esplendidos da Mãe Natureza

A natureza é nossa casa, nossa mãe. E vocês já pensaram em como tem tratado sua mãe?
Nos dias de hoje com a urbanização cada vez maior os lugares selvagens tem ficado cada vez mais escassos. E com isso perdemos muito dessas preciosidades.
E temos cada vez mais apreciado a natureza apenas pelas fotos e pelas telas de TV e de computadores. Elas podem servir de estímulo caso sejam direcionadas a incentivar a ida de pessoas as matas, florestas, lugares ainda virgens e não tocados pelo ser humano e não como substitutas.
Como incentivo a renovação da natureza e também do re-contato com a natureza traga algumas fotos da natureza, para servirem como fonte de inspiração para vocês poderem conhecer lugares tão maravilhosos e majestosos.














quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Conto, Noite Eterna



Noite Eterna, apenas um sonho
 
Estou sentado sob a sombra desse frondoso carvalho. Quantas eras ele não viu passar? Quantas estações não passaram... E ele continua aqui. Sem se vergar ao tempo e ao vento.
O formato de seus galhos me lembram tantas coisas... É como um grande livro de recortes onde as lacunas são preenchidas com estrelas.
Será que meu livro é ilustrado por estrelas? Ou apenas por folhas mortas?
A relva é tão macia. Ela cobre as raízes do carvalho, que mergulham na escuridão da Terra. Se elas não enfrentarem as sombras, como as folhas podem ver a luz?
Me levanto, observo os vales que se estendem por todos os lados. Há caminhos iluminados. Há caminhos onde apenas as sombras imperam.
Vinda das sombras, coberta com um longo manto, uma figura caminha errante. Quem será tal figura? Porque vaga por essa região?
Ela parece não se preocupar com a escuridão, segue seu caminho com firmeza, decisão.
A brisa inicia seu cantar noturno, reverberando os sons da noite. O manto verde dos vales deita-se a sua passagem, lembram as ondulações do mar. Quase posso sentir o cheiro salino do mar, o toque da areia...
Embalado por essa sensação, como uma caravela a mercê dos ventos, sou levado. Navegando as ondas da relva. E a rota traçada leva-me para a figura encapuzada, parada sob as sombras de uma rocha, observando a Lua.
Por tanto tempo permaneceu imóvel que logo estava a poucos passos de distância.
Deixou de observar o céu e passou a me observar. Desta vez iniciou-se não apenas o leve soprar da brisa, mas um vento distante, intenso, forte.
A capa e seus longos cabelos esvoaçavam com o vento, da liberdade das sombras. A voz veio com o vento, porém a voz ecoava como a minha própria voz.
––Tantas vezes vemos o tempo passar e levar consigo tantas coisas que amamos, que nem ao menos percebemos que ele é como a brisa. Inicia-se leve e agradável e transforma-se aos poucos. Logo uma tempestade se forma, levando tudo consigo. Nada barra seu avanço. Então vale a pena simplesmente deixar tudo ser tragado por essa tempestade, sem nunca termos sequer apreciado o toque da relva?
A figura encapuzada abaixou-se e pegou com suas mãos uma quantidade de terra e as jogou ao vento.
––Vê? Ela nem ao menos tocou o solo. Foi-se no horizonte. Da mesma forma as aparências se vão. Não voltam mais.
A figura envolta em sombras olhava-me fixamente. Lentamente retirou seu capuz e o lançou ao vento. Pude vê-lo subir aos céus e ser levado para um lugar que nunca saberei qual é...
Pude ver em seu rosto. Era o meu rosto. Contudo o tempo passara, os anos se foram e eu me encontrava claramente diferente do que sou hoje. Um espelho se formava diante de mim, porém a imagem refletida não era o eu do hoje, mas sim o eu do amanhã, emoldurado pelo vale e pela escuridão.
––Vê? Já não sou quem costumava ser. Ainda vago nas sombras, mas com a diferença que sei que vago por elas para poder chegar à luz.
Como se fossem feitas de areia as vestes de meu eu desfaziam-se, sendo carregadas pelo vendo incessante. Podia me ver despido da humanidade, de todas as máscaras de ilusões.
––Um dia vestimos nossas verdadeiras vestimentas, o nosso ser. E nesse dia realmente podemos ver quem somos. Até lá apenas vemos o nada da existência.
Com as rajadas de vento a figura esfarelava-se, levada como um grão de areia de uma ampulheta, a ampulheta do tempo.
Sozinho, mergulhado no limite da luz e das trevas espero a tempestade chegar, com a certeza de que mesmo em meio a destruição a vida pode surgir.

 



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Maravilhosa Semente de Pêra


A Maravilhosa Semente de Pêra
Cheng Sung era um homem pobre. Às vezes, quando estava com muita fome, roubava um pedaço de pão ou uma tigela de arroz.
Um dia, enquanto caminhava pela feira, ele viu umas lindas peras.
“Vou pegar uma dessas peras. O feirante não ficará mais pobre se eu comê-la,” pensou. Ele então furtou uma pêra e se afastou.
Estava calmamente comendo-a quando um guarda o agarrou pelo braço e o levou de volta até a banca de frutas.
“Você não pagou por essa pêra!”, disse o feirante. “Vai pagar agora?”
Cheng Sung não tinha um centavo no bolso.
“Vou levá-lo para a cadeia”, disse o guarda. “Lá você aprenderá a não roubar pessoas honestas.”
Cheng Sung escondeu o resto da pêra dentro da camisa antes que o guarda o levasse para a prisão.
Ele passou semanas numa cela suja. Então, meses se passaram e ninguém se lembrava de levá-lo a julgamento.
“Será que eu vou passar o resto de minha vida na prisão somente por causa de uma pêra?”, ele gritou. Olhando para a semente marrom de pêra que ainda guardava consigo, uma idéia lhe veio à mente.
“Guarda!”, ele gritou. “Guarda!”
“O que você quer?”, o guarda perguntou.
“Leve-me ao imperador!”, disse Cheng Sung.
“O quê!”
“Tenho um presente para ele. Um presente muito raro.”
“Vou levá-lo ao palácio. Mas se você não estiver falando a verdade, o Imperador o enforcará!”, disse o guarda com uma risada.
O Imperador franziu a testa quando viu um ladrão maltrapilho e sujo diante dele.
“Que tipo de presente você tem para mim?” ele perguntou.
Cheng Sung curvou-se e abriu a mão.
“O que é isso?”, perguntou o Imperador. “Parece um simples semente!”
“É uma semente de pêra, Majestade. Mas não uma semente comum, Se vossa majestade plantá-la, ela se tornará uma árvore maravilhosa”, explicou Cheng Sung.
“É mesmo”, perguntou o Imperador incrédulo.
“Ah, sim, Majestade. A árvore dará peras de puro ouro!”. Explicou Cheng Sung.
“Bem”, disse o Imperador. “Por que você mesmo não plantou a semente?”
“Ah, em minhas mãos esta semente apenas produzirá peras comuns. Ela dará frutos de ouro se a pessoa que a plantar tiver sido sempre honesta e jamais tiver roubado nada em sua vida. E é por isso que estou dando essa semente para Vossa majestade. Com certeza Vossa Majestade jamais disse uma mentira e nunca enganou ninguém.”
O Imperador ficou em silêncio.Ele se lembrou de todas as coisas que um imperador tem de fazer.
“Não, não” ele pensou, “a semente de pêra não produzirá frutos de ouro no meu jardim.”. Balançando a cabeça, ele disse: “Eu não preciso de mais ouro. Acho que vou dá-la ao Primeiro Ministro.”
“Muito obrigado, Majestade”, disse o Primeiro-Ministro apavorado. “Veja, há muito, muito tempo, antes de Vossa Majestade me indicar para Primeiro Ministro... Bem, talvez haja uma pequena coisa na minha vida passada...” Obviamente ele estava pensando na corrupção que cercava a sua vida no presente.
“Bem”, disse Cheng Sung. “Que tal o comandante do Exército Real?”
“Quem? Eu?”, gritou o comandante. Ele aceitava suborno, exigia presentes ilegais... “majestade”, disse ele, “receio que eu não tenha tempo para cuidar desta árvore especial”.
“Que tal o Supremo Magistrado?”, sugeriu Cheng Sung.
O Supremo Magistrado rejeitou a idéia. Nem sempre ele decidia os casos de acordo com a justiça.
“Majestade”, disse Cheng Sung finalmente, “permita-me dizer que a consciência de vocês não está limpa. Cada um de vocês admitiu que pelo menos uma vez na vida mentiu, roubou ou enganou. Mas vocês nunca foram para a cadeia por essas coisas. Eu, pobre de mim, morto de fome, roubei uma pêra e estou na cadeia há meses. Vossa Majestade chama disso de justiça?”
O Imperador olhou para o ladrão e consentiu com um gesto de cabeça. “Vá, Cheng Sung. Você é um homem livre.”
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Os Três Mohammeds


Conto retirado do livro "A maravilhosa Semente de Pêra e Outras fábulas populares do mundo"




Os Três Mohammeds

Nos velhos tempos havia um homem rico que tinha três filhos chamados Mohammed. Já de idade avançada, pressentiu o Anjo da Morte pairando ao seu lado. Então ele chamou seus filhos e lhes comunicou seu último desejo e testamento.
“Mohammed será meu herdeiro”, ele disse, ‘e Mohammed será meu herdeiro. Mas Mohammed não será meu herdeiro’. Então sua alma disse adeus e ele morreu antes que seus filhos lhe pudessem perguntar o que aquilo queria dizer.
Eles enterraram seu pai e choraram por ele durante sete dias. Nesse meio tempo, não disseram uma palavra sobre a herança. Mas chegou o oitavo dia e o irmão mais velho disse: “Quem pode g]herdar e quem não pode?”
Embora fossem muito espertos, eles não conseguiram descobrir a resposta para aquela questão. “Vamos até o juiz”, disse o mais jovem dos Mohammd. “Ele há de nos ajudar.”
Então eles foram até a casa do juiz. No caminho eles pararam num lugar coberto com um verde tapete de grama. “Um camelo esteve deitado aqui algumas horas atrás”, disse o irmão mais velho olhando para os seus pés. “Ele não tinha rabo.”
“O pobre animal é cego de um olho”, disse o segundo Mohammed. “Ele estava carregando num lado banha e melado no outro”, disse o mais jovem dos três.
Eles beberam um pouco de água e continuaram no seu caminho. De repente, avistaram um homem na estrada. Ele tinha um cajado de camelo e parecia muito triste.
“Você está procurando o seu camelo?’, perguntaram os irmãos.
‘Sim, estou. Ele fugiu uma hora atrás”, respondeu o homem.
“Ele não tinha cauda, não é verdade?” disse o primeiro irmão.
“É verdade! Um cavalo arrancou-o com os dentes.”, disse o homem.
“E ele só tem um olho, certo?”, disse o segundo.
“Sim, esse é o meu camelo!”
“Não é verdade que ele carregava uma carga de banha e uma carga de melado?”, perguntou o terceiro irmão.
“Exatamente! Fico contente que vocês o tenham encontrado. Que Alá os cubra com suas bênçãos. Onde ele está?”
“Não sabemos. Não o vimos.”
“Não o viram?’. O homem estava fora de si. “Como podem saber tantas coisas sobre meu camelo se não o viram?”
“É verdade’, disse o irmão mais jovem. “Que Alá lhe traga o seu camelo de volta. O fato é que não sabemos onde ele está.”
“Ladrões cínicos!”, gritou o homem. “Eu vou até o juiz acusá-los!”
“Iremos com você”, eles disseram calmamente.
Quando os quatro homens chegaram até o tribunal, que na verdade era a sala da frente da casa do juiz, o homem apontou para os três irmãos e disse: “Estes homens roubaram meu camelo, meritíssimo”.  E então ele contou ao juiz a história toda.
“Devolvam o camelo para o homem”, ordenou o juiz, quando o homem terminou de falar.
“O céu e a terra são nossas testemunhas, meritíssimo”, disse um dos Mohammeds. “Não somos ladrões e não estamos com o animal deste homem.”
“Então como vocês podem saber que o camelo dele não tem rabo, só tem um olho e está transportando banha e melado, se não puseram os olhos nele?”, perguntou o juiz.
“Quando estávamos para vê-lo, meritíssimo’, explicou o Mohammed mais velho, “paramos num lugar coberto de grama. Imediatamente notei que parte da grama estava amassada, e tinha o formato de um camelo.”
“Entendo’, disse o juiz.
‘E o senhor sabe, meritíssimo”, ele acrescentou, “um camelo balança o rabo de um lado para o outro sem parar.”
“É claro”, concordou o juiz.
“E quando ele faz isso, ele amassa a grama. Mas a grama estava alta onde tinha de estar baixa. Então concluí que o animal não tinha rabo.”
“Ah”, fez o juiz. “E quanto ao olho do camelo?”
“Bem”, explicou o segundo Mohammed, “não havia grama do lado direito da figura, mas, do outro lado, a grama não foi tocada. Então concluí que o pobre animal não podia ver com o olho esquerdo.”
“Muito bem”, disse o Luiz, “vocês agora podem explicar como descobriram o que o camelo estava carregando?”
“Isso não foi difícil, meritíssimo”, disse o irmão mais moço.”
“Não foi?”, indagou o juiz incredulamente.
“Do lado esquerdo havia muitas formigas. Elas gostam de coisas doces, o senhor sabe. Do lado direito, vi moscas. Centenas delas. Moscas gostam de comida gordurosa, todo mundo sabe disso.”
O juiz voltou-se para o dono do camelo e disse: “Estes homens não são ladrões. Eles conseguiram identificar coisas ainda que não as tenham visto. Vá procurar o seu camelo, e que Alá o guie.”
Depois, olhou para os três irmãos e disse: “Por favor, sejam meus convidados. Vamos fazer uma bela refeição agora. Amanhã conversaremos sobre o seu problema, seja ele qual for.”
Um criado então trouxe um cordeiro assado e os três Mohammeds se sentaram para comê-lo.
“Lamento que não possa fazer-lhes companhia. Tenho de sair agora, mas estarei de volta assim que puder. Por favor, sirvam-se”, o juiz disse isso e saiu da sala, mas não foi longe. Escondeu-se atrás de uma cortina. Ele queria escutar os homens.
O irmão mais velho empurrou a carne e disse: “Isso é carne de cachorro. Eu não vou comer isso.”
O segundo irmão acrescentou: ‘A mulher que cozinhou este cordeiro está menstruada”.
O terceiro irmão disse: “Eu não me surpreendo. Afinal de contas, o nosso anfitrião é um bastardo!”.
O juiz ouviu tudo aquilo sem dizer nada. Ele foi até a sua criada. ‘Você serviu carne de cachorro para meus convidados?”
“Por Alá, não!”, respondeu a criada. “Era um cordeiro de verdade, mas, quando ele nasceu, a sua mãe morreu, e então eu o coloquei com uma cadela para mamar o leite dela.”
O juiz esta surpreso. “Você está naqueles dias de mulher?’, ele perguntou.
Agora a criada que estava surpresa. “Como, senhor?”, ela disse.
O juiz repetiu a pergunta, usando palavras diferentes. “Você está no seu período de menstruação?”
“Sim, senhor, estou”, admitiu a criada. “Por quê?”
O juiz não respondeu. Correu até o quarto de sua velha mãe. “Diga-me, mãe”, ele disse segurando uma faca perto da garganta dela. “Quem foi meu pai?”
A pobre velha, temendo por sua vida, confessou. “Seu pai não era aquele que você sempre chamou de pai. Era um mercador que...”
“Cala-se!”, ordenou o juiz. ‘Eu não quero ouvir mais! Que Alá a castigue!”
Aquela foi uma longa noite para o juiz. Ele não conseguia dormir. Virando de um lado para o outro, não parava de pensar na sua mãe.
No dia seguinte, os três irmãos lhe disseram por que queriam consultá-lo. O juiz ouviu-os em silencio.  Então ele com tristeza olhou para o irmão mais novo e disse: ‘Você, Mohammed, não herdará nada.”
“Por quê?”, exclamou o rapaz, incrédulo.
“Eu ouvi o que vocês três disseram ontem à noite.”
Ele voltou-se para o irmão mais velho.
“Mohamed, você pensou que o cordeiro tinha gosto de carne de cachorro, por causa do leite de cadela que o cordeiro mamou. E você, Mohammed, pensou que a cozinheira estava menstruada porque não havia tempero no cordeiro, e todos sabem que uma mulher menstruada não consegue distinguir sal de açúcar. E quanto a você, jovem Mohammed, lamento dizer que você não é filho de seu pai. É sabido que somente um bastardo pode reconhecer um outro bastardo.”

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Peixe Sobrenatural

O Peixe Sobrenatural
Liu Jingshu
Na beira de um caminho existia uma figueira frondosa. Toda vez que chovi, seu tronco enchia-se de água, pois estava oco. Um dia passou por ali o dono de uma peixaria. Ele sentou-se debaixo da árvore para descansar. Ao descobrir o oco no tronco da figueira, jogou dentro dele um peixe.
Algum tempo depois veio por esse mesmo caminho um viajante. Ele ficou maravilhado ao descobrir que aquela árvore era capaz de dar peixes.
— Deve ser um peixe santo - disse.
A notícia se espalhou. Veio gente de todo lugar para ver o peixe sobrenatural. Rezavam e faziam oferendas ao peixe santo. O lugar ficou muito conhecido, inclusive com um feira próspera, onde se vendia de tudo.
Acontece que passou por ali outra vez o dono da peixaria. Vendo as consequências do seu gesto, ele pescou o peixe e o comeu frito da frente de todo mundo.
Desde então, ninguémmais veio queimar incenso debaixo da figueira. 

O Príncipe e o Pássaro marinho

O Príncipe e o Pássaro marinho
Um pássaro marinho pousou numa das árvores na saída da cidade de Lu. O príncipe, como nunca tinha visto um pássaro semelhante, achou que fosse uma criatura divina. Enviou um cortejo para recepcioná-lo e o instalou em um dos mais belos templos da região.
Para distrair o pássaro marinho,  o príncipe de Lu enviou seus melhores tocadores de flauta e organizou apresentações de danças e festas magníficas, com as melhores comidas e bebidas.
O pássaro marinho parecia alheio a tudo o que acontecia em volta. Tremia de manhã à noite, não comia nem bebia.
O príncipe de Lu percebeu que queria que o pássaro marinho vivesse conforme ele mesmo vivia e não convém como convém a um pássaro viver.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ajudando as plantas a crescerem

Ajudando as plantas a crescerem
Mêncio

Um homem da região de Song achou que os brotos na sua plantação estavam crescendo muito devagar. Ele puxou um por um para cima e voltou exausto para casa.
—Estou hoje muito cansado – disse para sua família -, estava até agora ajudando as plantas a crescerem.
Seu filho correu até a plantação para ver o que tinha acontecido e encontrou todas as plantas mortas.

A coruja que queria mudar de casa

A coruja que queria mudar de casa
Liu Xiang

A coruja encontrou uma pombinha.
—Aonde vai? – perguntou a pombinha.
—Estou de mudança para bem longe – respondeu a coruja.
— E por quê? – quis saber a pombinha.
—Todo mundo aqui detesta o meu pio – respondeu a coruja. – Por isso estou indo embora.
—Se mudar de voz, tudo bem – disse a pombinha. – Mas se não mudar, mesmo indo para longe as pessoas continuaram a não gostar de você.
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