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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Maravilhosa Semente de Pêra


A Maravilhosa Semente de Pêra
Cheng Sung era um homem pobre. Às vezes, quando estava com muita fome, roubava um pedaço de pão ou uma tigela de arroz.
Um dia, enquanto caminhava pela feira, ele viu umas lindas peras.
“Vou pegar uma dessas peras. O feirante não ficará mais pobre se eu comê-la,” pensou. Ele então furtou uma pêra e se afastou.
Estava calmamente comendo-a quando um guarda o agarrou pelo braço e o levou de volta até a banca de frutas.
“Você não pagou por essa pêra!”, disse o feirante. “Vai pagar agora?”
Cheng Sung não tinha um centavo no bolso.
“Vou levá-lo para a cadeia”, disse o guarda. “Lá você aprenderá a não roubar pessoas honestas.”
Cheng Sung escondeu o resto da pêra dentro da camisa antes que o guarda o levasse para a prisão.
Ele passou semanas numa cela suja. Então, meses se passaram e ninguém se lembrava de levá-lo a julgamento.
“Será que eu vou passar o resto de minha vida na prisão somente por causa de uma pêra?”, ele gritou. Olhando para a semente marrom de pêra que ainda guardava consigo, uma idéia lhe veio à mente.
“Guarda!”, ele gritou. “Guarda!”
“O que você quer?”, o guarda perguntou.
“Leve-me ao imperador!”, disse Cheng Sung.
“O quê!”
“Tenho um presente para ele. Um presente muito raro.”
“Vou levá-lo ao palácio. Mas se você não estiver falando a verdade, o Imperador o enforcará!”, disse o guarda com uma risada.
O Imperador franziu a testa quando viu um ladrão maltrapilho e sujo diante dele.
“Que tipo de presente você tem para mim?” ele perguntou.
Cheng Sung curvou-se e abriu a mão.
“O que é isso?”, perguntou o Imperador. “Parece um simples semente!”
“É uma semente de pêra, Majestade. Mas não uma semente comum, Se vossa majestade plantá-la, ela se tornará uma árvore maravilhosa”, explicou Cheng Sung.
“É mesmo”, perguntou o Imperador incrédulo.
“Ah, sim, Majestade. A árvore dará peras de puro ouro!”. Explicou Cheng Sung.
“Bem”, disse o Imperador. “Por que você mesmo não plantou a semente?”
“Ah, em minhas mãos esta semente apenas produzirá peras comuns. Ela dará frutos de ouro se a pessoa que a plantar tiver sido sempre honesta e jamais tiver roubado nada em sua vida. E é por isso que estou dando essa semente para Vossa majestade. Com certeza Vossa Majestade jamais disse uma mentira e nunca enganou ninguém.”
O Imperador ficou em silêncio.Ele se lembrou de todas as coisas que um imperador tem de fazer.
“Não, não” ele pensou, “a semente de pêra não produzirá frutos de ouro no meu jardim.”. Balançando a cabeça, ele disse: “Eu não preciso de mais ouro. Acho que vou dá-la ao Primeiro Ministro.”
“Muito obrigado, Majestade”, disse o Primeiro-Ministro apavorado. “Veja, há muito, muito tempo, antes de Vossa Majestade me indicar para Primeiro Ministro... Bem, talvez haja uma pequena coisa na minha vida passada...” Obviamente ele estava pensando na corrupção que cercava a sua vida no presente.
“Bem”, disse Cheng Sung. “Que tal o comandante do Exército Real?”
“Quem? Eu?”, gritou o comandante. Ele aceitava suborno, exigia presentes ilegais... “majestade”, disse ele, “receio que eu não tenha tempo para cuidar desta árvore especial”.
“Que tal o Supremo Magistrado?”, sugeriu Cheng Sung.
O Supremo Magistrado rejeitou a idéia. Nem sempre ele decidia os casos de acordo com a justiça.
“Majestade”, disse Cheng Sung finalmente, “permita-me dizer que a consciência de vocês não está limpa. Cada um de vocês admitiu que pelo menos uma vez na vida mentiu, roubou ou enganou. Mas vocês nunca foram para a cadeia por essas coisas. Eu, pobre de mim, morto de fome, roubei uma pêra e estou na cadeia há meses. Vossa Majestade chama disso de justiça?”
O Imperador olhou para o ladrão e consentiu com um gesto de cabeça. “Vá, Cheng Sung. Você é um homem livre.”
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Os Três Mohammeds


Conto retirado do livro "A maravilhosa Semente de Pêra e Outras fábulas populares do mundo"




Os Três Mohammeds

Nos velhos tempos havia um homem rico que tinha três filhos chamados Mohammed. Já de idade avançada, pressentiu o Anjo da Morte pairando ao seu lado. Então ele chamou seus filhos e lhes comunicou seu último desejo e testamento.
“Mohammed será meu herdeiro”, ele disse, ‘e Mohammed será meu herdeiro. Mas Mohammed não será meu herdeiro’. Então sua alma disse adeus e ele morreu antes que seus filhos lhe pudessem perguntar o que aquilo queria dizer.
Eles enterraram seu pai e choraram por ele durante sete dias. Nesse meio tempo, não disseram uma palavra sobre a herança. Mas chegou o oitavo dia e o irmão mais velho disse: “Quem pode g]herdar e quem não pode?”
Embora fossem muito espertos, eles não conseguiram descobrir a resposta para aquela questão. “Vamos até o juiz”, disse o mais jovem dos Mohammd. “Ele há de nos ajudar.”
Então eles foram até a casa do juiz. No caminho eles pararam num lugar coberto com um verde tapete de grama. “Um camelo esteve deitado aqui algumas horas atrás”, disse o irmão mais velho olhando para os seus pés. “Ele não tinha rabo.”
“O pobre animal é cego de um olho”, disse o segundo Mohammed. “Ele estava carregando num lado banha e melado no outro”, disse o mais jovem dos três.
Eles beberam um pouco de água e continuaram no seu caminho. De repente, avistaram um homem na estrada. Ele tinha um cajado de camelo e parecia muito triste.
“Você está procurando o seu camelo?’, perguntaram os irmãos.
‘Sim, estou. Ele fugiu uma hora atrás”, respondeu o homem.
“Ele não tinha cauda, não é verdade?” disse o primeiro irmão.
“É verdade! Um cavalo arrancou-o com os dentes.”, disse o homem.
“E ele só tem um olho, certo?”, disse o segundo.
“Sim, esse é o meu camelo!”
“Não é verdade que ele carregava uma carga de banha e uma carga de melado?”, perguntou o terceiro irmão.
“Exatamente! Fico contente que vocês o tenham encontrado. Que Alá os cubra com suas bênçãos. Onde ele está?”
“Não sabemos. Não o vimos.”
“Não o viram?’. O homem estava fora de si. “Como podem saber tantas coisas sobre meu camelo se não o viram?”
“É verdade’, disse o irmão mais jovem. “Que Alá lhe traga o seu camelo de volta. O fato é que não sabemos onde ele está.”
“Ladrões cínicos!”, gritou o homem. “Eu vou até o juiz acusá-los!”
“Iremos com você”, eles disseram calmamente.
Quando os quatro homens chegaram até o tribunal, que na verdade era a sala da frente da casa do juiz, o homem apontou para os três irmãos e disse: “Estes homens roubaram meu camelo, meritíssimo”.  E então ele contou ao juiz a história toda.
“Devolvam o camelo para o homem”, ordenou o juiz, quando o homem terminou de falar.
“O céu e a terra são nossas testemunhas, meritíssimo”, disse um dos Mohammeds. “Não somos ladrões e não estamos com o animal deste homem.”
“Então como vocês podem saber que o camelo dele não tem rabo, só tem um olho e está transportando banha e melado, se não puseram os olhos nele?”, perguntou o juiz.
“Quando estávamos para vê-lo, meritíssimo’, explicou o Mohammed mais velho, “paramos num lugar coberto de grama. Imediatamente notei que parte da grama estava amassada, e tinha o formato de um camelo.”
“Entendo’, disse o juiz.
‘E o senhor sabe, meritíssimo”, ele acrescentou, “um camelo balança o rabo de um lado para o outro sem parar.”
“É claro”, concordou o juiz.
“E quando ele faz isso, ele amassa a grama. Mas a grama estava alta onde tinha de estar baixa. Então concluí que o animal não tinha rabo.”
“Ah”, fez o juiz. “E quanto ao olho do camelo?”
“Bem”, explicou o segundo Mohammed, “não havia grama do lado direito da figura, mas, do outro lado, a grama não foi tocada. Então concluí que o pobre animal não podia ver com o olho esquerdo.”
“Muito bem”, disse o Luiz, “vocês agora podem explicar como descobriram o que o camelo estava carregando?”
“Isso não foi difícil, meritíssimo”, disse o irmão mais moço.”
“Não foi?”, indagou o juiz incredulamente.
“Do lado esquerdo havia muitas formigas. Elas gostam de coisas doces, o senhor sabe. Do lado direito, vi moscas. Centenas delas. Moscas gostam de comida gordurosa, todo mundo sabe disso.”
O juiz voltou-se para o dono do camelo e disse: “Estes homens não são ladrões. Eles conseguiram identificar coisas ainda que não as tenham visto. Vá procurar o seu camelo, e que Alá o guie.”
Depois, olhou para os três irmãos e disse: “Por favor, sejam meus convidados. Vamos fazer uma bela refeição agora. Amanhã conversaremos sobre o seu problema, seja ele qual for.”
Um criado então trouxe um cordeiro assado e os três Mohammeds se sentaram para comê-lo.
“Lamento que não possa fazer-lhes companhia. Tenho de sair agora, mas estarei de volta assim que puder. Por favor, sirvam-se”, o juiz disse isso e saiu da sala, mas não foi longe. Escondeu-se atrás de uma cortina. Ele queria escutar os homens.
O irmão mais velho empurrou a carne e disse: “Isso é carne de cachorro. Eu não vou comer isso.”
O segundo irmão acrescentou: ‘A mulher que cozinhou este cordeiro está menstruada”.
O terceiro irmão disse: “Eu não me surpreendo. Afinal de contas, o nosso anfitrião é um bastardo!”.
O juiz ouviu tudo aquilo sem dizer nada. Ele foi até a sua criada. ‘Você serviu carne de cachorro para meus convidados?”
“Por Alá, não!”, respondeu a criada. “Era um cordeiro de verdade, mas, quando ele nasceu, a sua mãe morreu, e então eu o coloquei com uma cadela para mamar o leite dela.”
O juiz esta surpreso. “Você está naqueles dias de mulher?’, ele perguntou.
Agora a criada que estava surpresa. “Como, senhor?”, ela disse.
O juiz repetiu a pergunta, usando palavras diferentes. “Você está no seu período de menstruação?”
“Sim, senhor, estou”, admitiu a criada. “Por quê?”
O juiz não respondeu. Correu até o quarto de sua velha mãe. “Diga-me, mãe”, ele disse segurando uma faca perto da garganta dela. “Quem foi meu pai?”
A pobre velha, temendo por sua vida, confessou. “Seu pai não era aquele que você sempre chamou de pai. Era um mercador que...”
“Cala-se!”, ordenou o juiz. ‘Eu não quero ouvir mais! Que Alá a castigue!”
Aquela foi uma longa noite para o juiz. Ele não conseguia dormir. Virando de um lado para o outro, não parava de pensar na sua mãe.
No dia seguinte, os três irmãos lhe disseram por que queriam consultá-lo. O juiz ouviu-os em silencio.  Então ele com tristeza olhou para o irmão mais novo e disse: ‘Você, Mohammed, não herdará nada.”
“Por quê?”, exclamou o rapaz, incrédulo.
“Eu ouvi o que vocês três disseram ontem à noite.”
Ele voltou-se para o irmão mais velho.
“Mohamed, você pensou que o cordeiro tinha gosto de carne de cachorro, por causa do leite de cadela que o cordeiro mamou. E você, Mohammed, pensou que a cozinheira estava menstruada porque não havia tempero no cordeiro, e todos sabem que uma mulher menstruada não consegue distinguir sal de açúcar. E quanto a você, jovem Mohammed, lamento dizer que você não é filho de seu pai. É sabido que somente um bastardo pode reconhecer um outro bastardo.”

sábado, 12 de novembro de 2011

Eco e Narciso

Eco e Narciso

Eco era o nome de uma ninfa muito tagarela, que conversava muito e sem pensar. Não conseguia ouvir em silêncio quando alguém estava falando. Sempre se intrometia e interrompia, nem que fosse para concordar e repetir o que o outro dizia. Um dia, fez isso com a ciumenta deusa Juno, quando ela andava pelos bosques furiosa, procurando o marido Júpiter, que brincava com as ninfas. A tagarelice de Eco atrasou a poderosa Juno, que resolveu:
— De agora em diante, sua língua só vai servir para o mínimo possível.

E a partir desse dia, a coitada da Eco só podia mesmo repetir as últimas palavras do que alguém dissesse. Sua voz deixou de expressar suas próprias palavras.

Por isso, algum tempo depois, quando ela viu um rapaz belíssimo e se apaixonou por ele, tratou de ir atrás sem dizer nada, em silêncio. Esse rapaz se chamava Narciso e dizem que foi o homem mais bonito e deslumbrante que já existiu. Todo mundo se enamorava dele, que nem ligava.

Eco ficou louca por Narciso e o seguia por toda parte. Bem que tinha vontade de se aproximar e confessar seu amor, mas não tinha mais que a própria fala, não podia enunciar seus pensamentos e sentimentos... Só lhe restava ficar escondida, por perto, esperando que ele dissesse alguma coisa que ela pudesse repetir.

Um dia, o belo Narciso estava passeando no bosque com uns amigos, mas se perdeu do grupo e não conseguiu encontrá-los. Começo então a chamá-los:

—Tem alguém aí?

Era a chance da ninfa! E, ela logo respondeu, ainda escondida:

—Aqui! Aqui!

Espantado, Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Chamou:

—Vem cá!

E ela repetiu:

—Vem cá! Vem cá!

Não vendo ninguém, ele perguntou:

—Por que me evita?

—Por que me evita? – foi a única resposta que ouviu.

O rapaz não desistiu:

—Vamos nos encontrar...

Toda feliz, Eco saiu do meio das árvores e correu para abraçá-lo, repetindo:

—Vamos nos encontrar...

Mas ele fugiu dela, gritando:

— Pare com isso! Prefiro a morte a deixar que você me toque!

A pobre Eco só podia repetir:

—Que você me toque... Que você me toque...

E saiu correndo, triste e envergonhada, para se esconder no fundo de uma caverna. Sofreu tanto com essa dor de amor, que foi emagrecendo, definhando, até perder o corpo, desaparecer por completo e ficar reduzida apenas a uma voz, repetindo as palavras dos outros – isso que nós chamamos de eco.

Narciso continuou sua vida, sempre da mesma maneira. Sem ligar para ninguém, nunca se importando com os outros, brincando com os sentimentos alheios. Até que alguém, que ele fez sofrer muito, rezou para Nêmesis, a Deusa do Destino, e pediu:

—Que ele possa amar alguém tanto quanto nós o amamos! E que também seja impossível que ele conquiste seu amor!

Nêmesis ouviu essa oração. Achou que era justa e resolveu atender ao pedido.

Havia no fundo do bosque um laguinho de águas cristalinas e tranqüilas, onde nunca vinha um animal beber água e não caíam folhas ou galhos secos - um verdadeiro espelho. Era cercado por uma grama verdinha e macia. Um lugar muito fresco e agradável. Um dia, no meio de uma caçada, Narciso passou por ali. Com sede, resolveu tomar um pouco de água. Deitado na margem. Com a cabeça inclinada sobre o lago, ficou encantado pela belíssima imagem que via. Nunca tinha se visto num espelho e não sabia que era sua própria imagem que via. Imediatamente se apaixonou, maravilhado por tanta beleza. Ficou ali parado, contemplando aquele rosto mais bonito do que o de qualquer estátua de mármore que jamais vira. Suspirava, extasiado diante daqueles olhos brilhantes como estrelas. Admirava o pescoço elegante, o rosto adorável, os cachos abundantes do cabelo, emoldurando um rosto de proporções perfeitas incomparáveis. Nem mesmo um deus poderia ser tão belo!
 
Os amigos apareceram para procurá-lo, mas ele não deu atenção. Chamaram-no para ir embora, mas ele ficou. Olhando o reflexo no lago.

Quando sorria, aquela criatura divina lhe sorria ao mesmo tempo. Quando aproximava os lábios da superfície, via que o outro rosto também chegava mais perto, preparando um beijo. Mas, as se tocarem, o outro rosto sumia e só ficava água. Mergulhou os braços na água, tentando puxar para si aquele pescoço, trazer aquele corpo para seu abraço. Mas tudo se devolvia.

Muito tempo Narciso ficou ali, sem comer nem dormir, admirando aquele ser por quem estava apaixonado. Chorou – e suas lágrimas caíram sobre a imagem, que chorava com ele, e ficou turva.

— Ai de mim! – gemia ele.

A única resposta que tinha era de Eco, sempre escondida:

—Ai de mim!

Consumindo-se de amor, sem conseguir sair dali, Narciso ficou desesperado, rasgou suas vestes, se arranhou todo, puxou os próprios cabelos. Na água, a imagem fazia o mesmo. Mas ele não podia agarrá-la. Nem tinha forças para prestar atenção em mais nada que não fosse aquele rosto refletido no lago.

Desinteressado de tudo, cada vez mais fascindo por si mesmo, foi definhando. Ao perceber que ia morrer, suspirou:

—Adeus! Adeus

Fechou os olhos, deixou cair a cabeça sobre a grama. Na água o rosto sumiu. Só Eco respondeu:

—ADEUS!

Mais tarde, os amigos voltaram. Mas já o encontraram morto. Prepararam tudo para o funeral, e, quando vieram buscar o corpo, ele não estava mais lá. Em seu lugar nascera uma flor branca perfumada e linda, com uma estrela de pétalas brancas em volta de um miolo amarelo. Para sempre chamada de Narciso.






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Príncipe e o Pássaro marinho

O Príncipe e o Pássaro marinho
Um pássaro marinho pousou numa das árvores na saída da cidade de Lu. O príncipe, como nunca tinha visto um pássaro semelhante, achou que fosse uma criatura divina. Enviou um cortejo para recepcioná-lo e o instalou em um dos mais belos templos da região.
Para distrair o pássaro marinho,  o príncipe de Lu enviou seus melhores tocadores de flauta e organizou apresentações de danças e festas magníficas, com as melhores comidas e bebidas.
O pássaro marinho parecia alheio a tudo o que acontecia em volta. Tremia de manhã à noite, não comia nem bebia.
O príncipe de Lu percebeu que queria que o pássaro marinho vivesse conforme ele mesmo vivia e não convém como convém a um pássaro viver.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ajudando as plantas a crescerem

Ajudando as plantas a crescerem
Mêncio

Um homem da região de Song achou que os brotos na sua plantação estavam crescendo muito devagar. Ele puxou um por um para cima e voltou exausto para casa.
—Estou hoje muito cansado – disse para sua família -, estava até agora ajudando as plantas a crescerem.
Seu filho correu até a plantação para ver o que tinha acontecido e encontrou todas as plantas mortas.

A coruja que queria mudar de casa

A coruja que queria mudar de casa
Liu Xiang

A coruja encontrou uma pombinha.
—Aonde vai? – perguntou a pombinha.
—Estou de mudança para bem longe – respondeu a coruja.
— E por quê? – quis saber a pombinha.
—Todo mundo aqui detesta o meu pio – respondeu a coruja. – Por isso estou indo embora.
—Se mudar de voz, tudo bem – disse a pombinha. – Mas se não mudar, mesmo indo para longe as pessoas continuaram a não gostar de você.

O pintor de fantasmas

O pintor de fantasmas
Han Feizi
Um dia o príncipe de Qi chamou um dos pintores que estavam trabalhando para ele.
—O que é mais difícil de pintar?
—Cachorros e cavalos são os mais difíceis.
—E o que é mais fácil?
—Fantasmas e monstros – disse o artista – Cachorros e cavalos nos são familiares. A toda hora vemos um, seja de dia, seja de noite. Porém, é difícil pintá-los do jeito que eles são. Já os fantasmas e monstros não têm uma forma definida. E ninguém nunca os viu. Por isso são mais fáceis de serem pintados.

Fábulas da China


Venho aqui para postar algumas fábulas chinesas ao longo dessa semana. Retiradas do livro 50 Fábulas da China Fabulosa. Espero que elas tragam reflexão a quem as ler. Deixem seu comentário após lê-las, para compormos um panorama maior da cultura e de nós mesmos.


O pássaro de nove cabeças
No monte Nieyao existia um pássaro de nove cabeças. Quando um cabeça queria comer, as oito restante disputavam com ela a comida. Elas lutavam, bicando-se mutuamente e ensopando de sangue as penas. No fim, as nove cabeças estavam machucadas e o pássaro não havia conseguido comer nada.
Um pássaro marinho, assistindo a cena, começou a rir.
— Não percebem que a comida que entra pelas nove bocas enche a mesma barriga? Não há razão para que nove cabeças vivam brigando umas com as outras!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Pavão Queixando-se a Juno


Fábula de la Fontaine
 A Juno, o pavão se queixa,
Dizendo: Ó deusa celeste,
Com razão de murmuro,
Pela má voz que me deste.

Sou ave tua; e, se quero
Entoar os teus louvores,
Estrujo os campos em torno
Com meus guinchos troadores.

O rouxinol tão mesquinho
Deleita, se a voz levanta;
É honra da primavera;
De ouvi-lo, o mundo encanta!

Irada, se torna Juno:
“Cala-te, néscio invejoso!
Por que desejas as vozes
Do rouxinol sonoroso?”

De ricas pedras ornada
Não parece a tua cauda?
O listrão de Íris brilhante
Em teu colo flutua?

Ave nenhuma passeia
Que pareça tão bem;
Em si, ninguém reunir pode
Quantos dotes os mais têm.

Repartiu seus dons com todos,
A profícua Natureza;
Às águias coragem deu,
Deu aos falcões ligeireza;

Por presságio, o corvo grasna,
O mocho nas mortes pia,
A gralha males futuros
Com seu clamor pressagia.

Do que são se apraze todos;
E se torno a ouvir queixar-te,
Dar-te-ei voz de Filomela,
Mas hei de as plumas tirar-te.

Não quis o invejoso a troca;
Que é nosso instinto invejarmos
Sempre o que os outros possuem, Sem o que é nosso largarmos.
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