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quinta-feira, 29 de março de 2012

Masturbação, prazer ou pecado?


A história da Masturbação
 
Nos dias de hoje, na nossa sociedade ocidental vivemos em uma, não necessariamente, repressão, mas sim um esquecimento parcial do sexo e suas variantes, quando digo variante me refiro a atividades que envolvam o corpo, como a masturbação. Falaremos neste post um pouco sobre a masturbação.
Tocar o próprio corpo, o que isso significa? Um pecado? Um ato abominante? Ou algo natural? Essas perguntas assolam e assolaram a mente de nossa sociedade pelos últimos 2000 anos. Afinal o que representa a masturbação?
Essa pergunta encontra diferentes manifestações de acordo com a cultura em que for analisada. Por exemplo para os gregos, amantes do corpo, da beleza do corpo humano consideravam-na como algo natural, a ser incentivado como um forma do jovem conhecer a si próprio. No Egito o mito de Rá diz que o deus copulou com seu próprio punho, ou seja, uma forma de se referir à masturbação, e daí deu-se início a criação. Contudo nem todas as culturas do mundo mostram-se tão adeptas a essa prática.
Na era judaico-cristão em que vivemos ela passou a ser desencorajada e até mesmo punida, não só a religião a condenou como também a medicina, em 1677 com a descoberta do espermatozóide passou-se a considerá-lo como pequenas “crianças”, portanto desperdiçá-los com a masturbação era praticamente um crime. Durante os séculos XVII a XIX ela foi fortemente repreendida, dizia-se que causava distúrbios do estômago e da digestão, perda do apetite ou fome voraz, vômitos, náuseas, debilitação dos órgãos respiratórios, tosse, rouquidão, paralisias, enfraquecimento do órgão de procriação a ponto de causar impotência, falta de desejo sexual e ejaculações noturnas e diurnas, existia e ainda existe a crença de que a masturbação faz crescer pêlos nas mãos.
A cultura indiana também não apóia o ato da masturbação, segundo sua cultura a masturbação acarreta a perda da energia vital, uma vez que o sêmen é considerado como o elixir da vida e deve permanecer o maior tempo possível dentro do corpo. Segundo sua cultura a masturbação pode deixar a pessoa fraca e até mesmo levá-las a morte, isso se deve ao fato de as aminas básicas putrescina e cadaverina que contribuem para o gosto e cheiro do sêmen serem também produzidas na decomposição corporal pós-morte.
Esse panorama ocidental religioso-medicinal foi alterado aos poucos com o surgimento de estudiosos como  SigmundFreud, Kraft-Hebing e HavelockEllis que trouxeram uma nova visão para a masturbação. Atualmente descobriu-se que a masturbação masculina na puberdade e no início da idade adulta contribui para a prevenção do câncer de próstata e também auxilia a diminuir os sintomas da depressão.
Mas ainda mais temida e pecaminosa é a masturbação feminina. Muitas mulheres têm medo de se tocarem, devido à intensa repressão cultural que sofreram ao longo do tempo e para uma mudança na psique da sociedade ocidental judaico-cristã leva muito tempo, ainda mais com as constantes ameaças que esses instituições religiosas fazem frente a essa prática, muitos papas recentes se manifestaram fortemente contra essa prática.
A masturbação feminina é mais intensa, geralmente, que a masculina, o prazer feminino é contínuo, mesmo após o orgasmo, isto também contribuiu com a repreensão á prática da masturbação pelas mulheres, uma vez que é quase um ataque ao machismo e ao poder do “macho” da espécie. Atualmente tem se tornado mais frenquente a masturbação entre o casal antes do coito, uma vez que a mulher fica mais excitada com o orgasmo através da masturbação e também contribui com a libido masculina vê-la masturband-se.
A masturbação para muitos representa uma válvula de escape, principalmente entre os adolescentes, uma forma de aliviar a tensão. Ela também é uma forma de conhecer a si próprio, suas zonas erógenas, uma pessoa que conhece o seu corpo sabe mais o que fazer com ele, como dar e receber mais prazer. Mas o medo ainda continua imperando em nossa sociedade, mas aos poucos ele vem cedendo.
Como ainda não foi explicado acima o termo masturbação foi usado pela primeira vez em 1898, com o Dr. Havelock Ellis, é a junção das palavras latinas manus (mãos) e “eturbari”  (esfregar). A masturbação é comum entre os mamíferos, principalmente entre os primatas.
A masturbação também é conhecida como onanismo, agora o porque deste termo:
Trecho do site Wikepédia
“Segundo o relato bíblico, Er, o primogênito de Judá, teria sido executado por Deus por um motivo grave não mencionado. Como ele não tinha descendência, Judá, seu pai, mandou que Onã, o segundo filho, realizasse o casamento de cunhado (ou casamento levirato) com Tamar, viúva de Er (Gênesis 38:6-8). Assim, se tivessem um filho, a herança de primogênito lhe pertenceria como herdeiro legal de Er. Se não tivesse um herdeiro, Onã ficaria com a herança de primogênito.
Ao ter relações sexuais com Tamar, o texto bíblico diz que ele "desperdiçou o seu esperma na terra", em vez de inseminá-la. Deste modo, acredita-se que não se tratava de um acto de masturbação por parte de Onã, considerando que o relato diz que ele "teve relações com a esposa de seu irmão", apenas evitando que houvesse a concepção, de modo o que pode ter acontecido de fato seria um caso de coito interrompido. Onã, que não tinha filhos, terá sido executado por Deus por causa de sua cobiça e desobediência deliberada (Génesis 38:9-10).”
Devido ao que se percebe pelo trecho acima a masturbação passou a ser execrada tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Contudo neste trecho podemos ver que não é dito, nem usado o termo masturbação, é dito que Onã teve relações com Tamar, ou seja, não houve a masturbação, mas sim o coito interrompido.
Podemos perceber o quão este tema é vasto e também controverso, cada cultura, cada povo a vê de uma forma. È a identidade cultural, porém para muitos também é uma forma de prendê-los, de torná-los pecadores, vítimas de seus medos, tormentos, pressões internas e externas.
Enquanto ainda estamos formando nossa mente psico-sexual somos fortemente influenciados pelo meio em que vivemos, e essa repressão pode trazer sérios danos aos jovens. Não conhecer a si próprio, não saber como seu próprio corpo funciona, temer a si mesmo, é isso o que desejamos para nossos filhos?
A todos vocês deixo meu agradecimento por estarem aqui, em meu blog, visitando-o. E também desejo a todos, que posam conhecer a si próprios, não só fisicamente, como também espiritualmente e mentalmente.
Um grande abraço a todos
Pallas
 
Aqui estão os sites que usei como referência para escrever esta postagem:





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Entrevista, A mente dos Homens


 
somos mesmo tudo o que sonhamos ser?
Olá a todos, ultimamente tenho refletido muito sobre o ser humano, seus sentimentos, sensações, o que é um ser humano afinal? Alguém sabe a resposta? Talvez nunca saibamos o que ser um humano, mesmo nós sendo um deles. Mas para ajudar nessa compreensão realizei uma série de entrevista que se seguirão pela semana, estas matérias, entrevistas estão todas ligadas ao tema Mente Humana.
Tentando nos ajudar a refletir, a ver tantos significados que nem ao menos nos damos conta. Nos mostrando a sua opinião e reflexão entrevisto hoje Nickson Odon, um grande amigo meu e de uma mente rara e pontos de vistas únicos,  sobre alguns temas que assopram a nossa mente, como por exemplo o que é a VIDA? O que significao amor, o que significas sonhar.



P.S.
Então desta forma vamos a nossa entrevista, fiquem á vontade para me enviarem perguntas ou mesmo algum tema para alguma entrevista e caso se interesse, fale comigo, quem sabe não pode ser você o próximo a nos conceder a honra de expor sua opinião.


VIDA, sempre ouvimos que VIDA é a razão de tudo. Porém o que é viver?


Viver muitas vezes é a coisa mais difícil que um ser tem que realizar durante o seu Caminho.  Muitos acham que viver é apenas respirar, existir, estar vivo. Porém viver é algo que vai muito além de tudo isso, viver é tornar cada experiência algo divino.
Viver é quando você fecha os olhos e espera o toque de alguém...
Viver é quando você acorda e sorri apenas por estar vivo...
Viver é quando você torna um momento único...
Você não precisa fazer coisas consideradas grandiosas para empregar o verbo “viver” junto ao pronome “eu”. Muitos acham que viver é praticar esportes radicais, viver aventuras, isso é a forma que alguns têm de tornar momentos eternos, é a maneira que alguns seres encontraram de viver, praticar esportes radicais, viver aventuras é só uma ferramenta usada para viver. Alguém pode usar outro método, como ler um bom livro, ou escrever, ou apenas uma carta para a pessoa que vive em seus pensamentos e, infelizmente, muitas vezes não tão próximos na sua face física.
Viver é quando por meio de algo provamos o Eterno.

AMOR. No íntimo o maior desejo de todo ser humano é amar. E o que significa o amor? Sentir?

Amor é uma das formas de tornar os momentos eternos, é uma das chaves para o Eterno.
Muitas pessoas buscam o amor como uma salvação, um paraíso que irá salva-los de uma realidade que eles não gostam, mas amor é sentir.
Quando o encontramos aprendemos a sentir, e assim, nos aproximamos mais da “realidade verdadeira”, o amor é como uma grande montanha, e nós somos alpinistas, subimos e descemos montanhas, mas quando nos deparamos com o tamanho da Montanha Amor, ficamos com medo, vacilamos, alguns seguem em frente e escalam essa montanha, escorregam, caem, se machucam, algumas vezes a dor parece ser insuportável, outras são “só um pequeno arranhão”, mas quando chegamos lá no topo vemos que a realidade que tentávamos fugir é bela, mas estávamos cegos por uma busca que deveria ser um simples e belo reencontro.
Quando o alpinista chegar ao topo e olhar para o chão, ele verá que a Montanha Amor estava próxima ao chão, e se ele não estivesse cego por essa busca pelo amor, não teria se machucado tanto, teria alcançado o topo da Montanha Amor com apenas um pulo.


DOR, uma das mais temidas sensações e palavras. Será mesmo que sofrer, sentir dor é apenas um castigo? Uma ironia divina?


A Dor é uma forma de aprender, é um livro temido. Muitos acham que a dor é apenas algo ruim, que te faz derramar lagrimas, que apenas te machuca, mas ela te ensina, te prepara para um futuro, para o seu Caminho.
Sentir dor muitas vezes parece ser algo ruim, mas é uma forma de você aprender a viver, a amar, a existir, a evoluir. A dor não é uma das maneiras mais agradáveis de crescer, mas é uma boa e severa Mãe, se a gente souber como compreendê-la, como aceitá-la, esta irá nos ensinar coisas que não aprenderíamos com tanta facilidade com a outra Mãe, a Cura.
Temos que aceitar todas as Mães que aparecem no nosso Caminho, pois cada uma nos ensina algo novo, nos ensina a crescer, e talvez algum dia nos tornaremos grandes Senhores e Senhoras, e ensinaremos outras crianças, e, espero, que elas aceitem com
com mais facilidade e menos medo, pois o nosso medo da dor, e de outras Mães, é apenas porque não conseguimos entender facilmente a sua real intenção.


SONHOS, todos sonhamos. O mundo é feito de sonhos. Contudo os sonhos constroem o mundo?


Nós devemos sonhar, pois os sonhos nos ajudam a não falhar frente a uma das faces da Dor, sonhar é se impulsionar para uma possível conquista, sonhar é viver, sem sonhar não conseguimos extrair a inspiração necessária para seguir o nosso Caminho, infelizmente, o mundo não é construído de sonhos, mas é feito deles, com os sonhos conseguimos arquitetar uma ideia vista como difícil, as vezes até
como impossível, tornando-a física. Sem essa essência, o mundo não poderia ser construído, nós construímos o mundo aos poucos, e sem os sonhos, não iríamos conseguir tal feito com a mesma magnitude.


MONSTROS, eles povoam nossa mente, livros, filmes. E os monstros existem apenas na ficção? Na ilusão? Ou eles são reais?


Os monstros aparecem de várias formas na “nossa realidade”. As coisas que nos assombram, as sombras de cada um.
 Todos nós temos monstros, somos assombrados por monstros, um medo antigo, uma atitude que nos atormenta.
 Existem vários monstros aqui no planeta Terra, mas não temos que temê-los, somos os seus criadores, temos que saber cuidar deles, controlá-los, deixá-los sob o nosso controle.
Esses monstros são apenas atitudes, pensamentos, acontecimentos que surgiram no nosso mundo. Diferentes dos monstros do imaginário, os monstros que nos assombram podem nos levar a insanidade, mas também podem nos ensinar a entender um pouco mais da nossa essência.


RAZÂO, o ser humano é considerado superior aos outros seres por possuir o que conhecemos por razão. Somos mesmo seres racionais?


Os seres humanos são seres que se acham senhores da Razão, mas a razão é algo que vai muito além do que os “seres racionais” diz ser.
Os seres humanos usam a Razão sem o Sentir, e por isso a corromperam, por isso eles agem de maneira tão irracional. A racionalidade humana é destrutiva, eles agem de maneira mais irracional que os chamados “irracionais”, se tornaram predadores deles mesmos, do seu meio, das suas vidas.         


MEDO, um sentimento que assusta a todos. O medo é apenas algo ruim? Ou ele pode ser um impulso, algo bom?


O medo, assim como qualquer outro sentimento, pode nos prender, impedir que a pessoa faça algo, mas pode fazer como que ela faça algo grandioso, o medo pode nos impulsionar, mas também pode nos deixar petrificados.
 O medo é capaz de fazer um deus cair, mas também consegue tornar um garotinho medroso um grande herói, basta saber como controlar essa energia da melhor maneira possível.
Mas por ser uma energia que assombra muitos, temos que tomar cuidado para que este não se torne um monstro na nossa vida e sim uma energia que nos fará seguir em frente.


 Muito obrigado a você Nick por compartilhar comigo sua forma de ver o mundo, fico feliz em poder passá-la as outras pessoas. Deixo a mensagem a todos, sempre buscaremos o sentido da vida, porém realmente o encontraremos um dia?
Pallas



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Resenha do Livro Trânsito de Vênus


O Trânsito de Vênus
Shirley Hazzard

Ao ver a capa deste livro, seu título, podemos pensar que é uma história de amor no estilo das novelas mexicanas.
Porém, ao transpor as primeiras páginas, ao acompanhar a vida dos personagens, vemos a maestria da autora. Ela apresenta a vida sob um aspecto diferente da forma como estamos acostumados a ler nos romances, e que não reparamos por estarmos mergulhados na rotina da vida.
O começo pode parecer um tanto quanto confuso, até acostumarmos com o nome das três personagens principais.

A mais velha, Dora, têm o hábito de se queixar de tudo, pregar que a única solução viável é a morte. A causa disso é que as três irmãs perderam seus pais muito cedo, e Dora teve que assumir toda a responsabilidade. Não é fácil para um jovem aceitar as abnegações que as responsabilidades dos pais causam. A forma que Dora encontrou para superar suas frustrações foi a da raiva e das constantes imprecações contra a vida.
Dessa forma, as duas irmãs mais novas formam uma unidade para superar esse novo estilo de vida.
 A irmã do meio, Grace, é a personificação da gentileza, da aceitação e também da abnegação.  Ela é o exemplo daqueles que aceitam tudo o que a vida lhes oferece, sem se perguntar se merecem, realmente, o que receberam. Seus cabelos louros, pele clara e olhos claros realçam sua personalidade.
A terceira irmã, Caro ou Caroline, é a mais nova e também a que possui a personalidade mais forte. Seus cabelos negros e olhos negros realçam seu aspecto de força e plenitude interior. Ela é o tipo de mulher que pode assustar muitos homens por seu olhar e atitudes decididas.
A história começa com uma terrível tempestade, um prelúdio para o desenrolar sombrio do romance. É nos apresentado Ted Tice, um jovem cientista com um futuro promissor. Ele veio ajudar um velho cientista de renome, Sefton Thrale, a escolher um local na Inglaterra para construir o maior telescópio da Europa. Estão hospedadas na casa Caro e Grace Bell, Grace está noiva do filho de Sefton Thrale, Christian Thrale, que está viajando.

No momento que vislumbra o rosto enigmático e forte de Caro, Tice se apaixona por ela. É aí que começa o desenrolar próprio do livro. É mais uma história de contemplação, de vislumbres, que nos dão à formação mais detalhada dos personagens.
Estando completamente apaixonado por Caro, Tice começa o laborioso trabalho de conquistar esta mulher. Contudo, surge um novo personagem, Paul Ivory, um escritor ascendente, com aparência deslumbrantemente atraente, sedutor, sociável ao contrário de Ted, para disputar Caro.
    Paul consegue conquistar Caro e passa a dominar a sua vida. Paul Ivory é uma pessoa egocêntrica, egoísta, pensa apenas em seu futuro. A aparência é tudo.
 Tertia a noiva de Paul é um clássico caso da nobreza, olhos vazios com um quê de superioridade, frieza com os que ela supõe serem inferiores. Filha do Lord, dono do castelo, na colina em frente à casa de Sefton Thrale, para Paul uma forma de ascender socialmente.
Sempre vemos os ingleses serem retratados por pessoas de outras nações como um povo extremamente educado, frio, que esconde suas emoções por trás de um véu, pois elas são desnecessárias quando estamos em sociedade, elas são reservadas aos lares e mesmo neles, às vezes são deixadas de lado. Percebemos essa necessidade ao ler clássicos ingleses como David Coperffield, onde vemos as aparências escondendo emoções. O hábito inglês de tratar as pessoas apenas pelo sobrenome, é um exemplo disso. Tornamos-nos impessoais ao tratarmos as pessoas por Mr, Mrs, Miss. Por exemplo, Mr Thrale ao invés do primeiro nome Sefton.
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Quando Caro se apaixona por Paul ela deixa sua personalidade para trás, deixa-se dominar por um homem que necessita estar no controle. Paul abandona Caro quando ela ameaça sua estabilidade.
 É neste momento que a personagem de mais força do livro começa a ruir devido a um amor. O amor pode ser a mais bela forma de expressão, assim como pode ser também uma arma para destruir aqueles atingidos por ele.
Ela começa a trabalhar na repartição publica e a autora mostra, com sutileza, como os homens pensam que são superiores as mulheres. O chefe de Caro, Leabdetter, expressa seu desgosto por Valda, uma das colegas de trabalho de Caro, se recusar a levar café para seus chefes, pois era dever dela, mesmo não estando explicito no contrato, apenas por ela ser mulher. Vemos o conceito machista imperando de formas sutis ao longo da obra.

Neste período de sua vida ela encontra novamente Paul e recomeça um relacionamento às escondidas, devido à fama de Paul com sua peça e o fato de estar casado. Sua paixão por Paul chega uma nova esfera, onde ele passa a ser essencial para ela e vice-versa, uma vez que o casamento de Paul é quase que uma fachada.
Podemos perceber que o casamento é uma forma de parecermos estáveis para a sociedade, porém interiormente ele pode não significar nada. Tertia percebe que pode perder o marido para a amante e decide engravidar para fazer com que ele desista de Caro e permita que ela desfrute de sua monotonia com a tranqüilidade de ter um marido famoso.
Enquanto que a vida de Grace, a mais gentil das irmãs, se desenrola na paz do lar. Ela tem um casamento feliz, um marido com um bom emprego, arrumou três filhos. Porém quando olhamos mais atentamente para as casa, todas iguais, dos subúrbios ingleses vemos a dona de casa, a esposa, a mãe de família e nunca percebemos realmente quem está por detrás da cortina. Grace se sente parte da casa, apagada, uma mera mobília no meio das outras. Afinal depois de todos esses anos, sendo a mãe, a esposa, aonde foi parar sua individualidade?
Quem lhe faz despertar o verdadeiro sentido da existência é o médico que cuida de seu filho mais novo. Ela volta a ser uma jovem apaixonada sofrendo as peripécias do amor. Quando seu amor culmina e seu amado se declara, a moralidade dos dois faz com que achem aquilo impossível de se realizar. 
Porém seu marido, Christian já teve um caso com a secretária quando Grace estava viajando com os filhos. Neste caso de adultério percebemos porque eles são tão comuns em casais que estão juntos há muito tempo. Com o tempo surge a monotonia, a falta do real prazer em manter relações sexuais com o parceiro devido a um desgaste, a sensação de isto fazer parte da rotina. Quando surge alguém novo, é uma possibilidade de novas experiências, uma distração, gerada para quebrar a rotina. Quando se está casado há muito tempo, tem uma família, e é confrontado entre perder isto, a sua rotina diária, por algo novo, a amante se torna obsoleta.
Ao final do livro a paixão de Ted Tice por Caroline finalmente é recompensada, quando ela abre os olhos finalmente, para ver aquele que sempre esperou por ela.
Este é um livro que mostra que o pequeno Vênus pode, sim, encobrir o grandioso Sol. Nunca se sabe o que se esconde por baixo do brilho do sol.



Trânsito de Vênus
Autor: Shirley Hazzard
Editora: Círculo do Livro
Número de páginas: 402

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Conto, A Estrela e o Homem


Estrela: Um dia vou ser homem
Homem: Um dia vou ser uma estrela
Um dia uma estrela surgiu nos céus, mais bela que o pôr do sol numa praia de diamantes onde sua luz se transforma em uma dança de jóias naturais, lapidadas pelos próprios diamantes. Esta estrela caminhava sozinha, se perguntando, por que ela? Por que ela era destinada a vagar sozinha pelo universo, quando em seu caminho ela via tanta felicidade e não estavam sozinhos... Então o que ela fizera para tanto, sem ninguém para amar, sorrir, compartilhar seus medos e desesperos, conquistas... Ela sempre seguia seu curso, sonhando com um mundo em que ela não fosse uma estrela, mas qualquer outro ser.
Sempre observando-a, seu rastro cósmico, banhado em mantos celestes e divinos, iluminada pela luz dos deuses perdidos. Sempre pensando em como gostaria de ser aquela estrela, sempre com rumo traçado, luz divina, nunca parar, deixar aquele mundo decadente e rumar aos céus em uma busca sem fim. Estar só com sua própria vida, sem que o mundo interferisse em seu curso pelo universo. Vivia um jovem imerso em medos e sonhos.
Em um dos recantos dos mais profundos e tenebrosos da existência a estrela encontrou uma fonte onde pôde ver todos os seus maiores sonhos realizados. Ela via-se como alguém feliz, alguém que fazia parte do mundo, que também sonhava, mas não estava sozinho.
Na verdade a fonte possuía o dom de ligar opostos, assim à estrela via um jovem, levando a vida de seus sonhos como estrela. E o jovem que sempre sonhou com a estrela todas as noites passou a ver seus sonhos de jovem, em ser uma estrela, realizados.
Tanto tempo permaneceram olhando um ao outro que não sabiam mais se viviam a realidade ou seus sonhos. E um dia a estrela bebeu da fonte. Aos poucos as essências dos dois vagaram pelo universo e trocaram de corpos e de existência.

Agora a estrela tornou-se o jovem e o jovem a estrela. Porém logo descobriram que as existências que sonhavam eram apenas sonhos.
Quando se realizaram, perceberam o quanto estavam enganados. E de todas as formas tentaram voltar às suas existências normais. O elo ente eles se quebrou. Não conseguiam mais ver um ao outro.
A estrela passou a observar os céus na esperança de um dia voltar a sua antiga forma, contudo como um mortal em que se tornou logo seu corpo definhou e levou consigo a estrela para o abismo da morte.
E o jovem, com seu corpo imortal continua a vagar pelo universo em busca de seu antigo corpo e existência. Ao contrário da estrela, sua consciência não é imortal, apesar de seu corpo permanecer intacto, sua consciência definhou e seu corpo continua vivo, apenas guiado pela ânsia do jovem por sua vida antiga.





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Medo

,
Sociedade dos poetas mortos

Um filme de 1989, com direção de Peter Meir e roteiro por Tom Schulman nos faz pensar em alguns temas que preferimos deixar de lado ou simplesmente fingir que não existe: o medo de seguirmos adiante, o medo de encarar quem somos e esquecer o que isso significa para os outros, de ter firmeza em seus pensamentos e emoções.
Ao longo do filme na Welton Academy, uma escola preparatória do mais alto nível na cadeia de ensino, um antigo aluno retorna par a escola, agora como professor de literatura. Neste sistema o que vigora é o padrão, o não pensar, simplesmente seguir o que outros já fizeram, dirigir as cabeças destes jovens de acordos com seus sistemas e impedi-los de erguer a voz contra o sistema que dita a cada um deles o que pensar, quando pensar e o que fazer com suas vidas.
Inserido neste sistema temos um antigo aluno que já viveu todo o “inferno” da escola e sua rigidez acadêmica. Ele vem com um sopro de vida para um ambiente que é corroído pelas traças do tempo, porém funciona. Quem estuda ali sai com as melhores notas do país, porém não são seres pensantes, são meras máquinas de um sistema antigo, limitador de suas capacidades e onde devem ouvir sem dar a opinião, sejam aos professores ou a seus pais, ditadores tiranos. Quem dá direito a um pai de decidir o que o filho irá fazer na vida? Afinal quem irá viver? O pai ou o filho? Quem sofrerá ou rirá com todo o percurso? O que é melhor para meu pai, seus sonhos e desejos é o 
melhor para mim? Quem tem o poder de decidir isso?
E muitos são oprimidos por seus pais, que não conseguiram realizar seus sonhos e vêem em seus filhos uma forma de conseguir aquilo que não conseguiram alcançar na vida. E somos obrigados a seguir o sonhos dos outros? Não importa que esse “outro”seja nosso pai ou nossa mãe. Eles não tem o direito sobre nossa vida. Quem engendra um ser, que o cria, não o cria para si. Cria-o para o mundo. Por exemplo, já viram um pássaro que permanece eternamente com seu filhote sem lhe dar liberdade para abrir suas próprias asas e seguir com sua vida, criar uma nova família? Esse filhote é uma mera sombra, tanto de seus pais, quanto de si mesmo. È um estorvo aos pais que precisam ficar esgotando suas energias após o processo de aprendizagem terminou. Um dia esse filhote precisa sair do ninho e voar e se ele não sai por bem, os pais o obrigam. Não que os pais percebam, mas faz total diferença um filho que nunca sai do ninho e fica ali a esgotá-los, por mais que amem cuidar de seus filhos, eles precisam descansar. E então vem uma pergunta freqüente, mas e eles? E quando eu sair do ninho o que será deles? Não cabe a você decidir, o tempo passa, e se você não construir seu próprio ninho simplesmente perecerá com eles sem abrir as asas e sentir o frescor da brisa em seu rosto.
E quando o pai o obriga a seguir seus passos, com autoridade e rigidez, usando de sua experiência e dependência que você tem dele para te forçar a fazer o que ele deseja? Use o que aprendeu com ele. Afinal um dia você o viu caçar não? Então use as mesmas técnicas. Um submisso que sempre abaixa a cabeça como se não tivesse vida ou vontade, como será capaz de enfrentar o mundo se nem ao menos é capaz de enfrentar os pais? Ou será que você espera que ele simplesmente abaixem a cabeça e te deem passagem dizendo: vai... toma teu rumo que não nos importamos com você. Não é assim que as coisas funcionam. Você tem que enfrentá-los, erguer sua voz para dizer a sua vontade,  os pais são pessoas como outras, mas eles te puseram neste mundo, por isso eles são as que mais se importam com você e cada um reage de formas diferentes com sua cria. Mas a cria tem que mostrar ao seu criador a sua vontade, porque como ele irá saber seus desejos se ela nunca se manifesta? Se não há contestação, provavelmente é porque não há problema algum.

Isso cai em um tema marcante no filme, o medo. Temos medo de sermos quem somos, porque temos medo da reação dos outros, de como se comportariam caso seguíssemos este ou aquele caminho e também o peso da preocupação com a opinião dos pais, de desagradá-los, de não ser o suficiente para eles. Mas não tem que ser suficiente para ninguém, tem que ser suficiente para você. Ainda que você viva debaixo de uma ponte é por causa de você e não dos outros, mostra que você viveu, batalhou e se arriscou. E então valeu a pena, porque não ficou sentado a espera de algo acontecer, a espera do comando dos outros, de uma direção a seguir, de um líder para te guiar. Você é seu líder e pode dizer que está onde está por suas determinações e não as dos outros. E no futuro não olhar para trás e ver-se como alguém que nunca viveu, que é uma mera sombra de sonhos dos outros enquanto os seus definharam numa poça de fracasso sem nunca tentar persegui-los. Nunca é tarde para recomeçar, mas também as portas não estarão sempre abertas para quando você quiser passar por elas.

E então caímos em outro tema abordado pelo filme, as emoções e a firmeza no pensamento. Quantas vezes não sublimamos o que sentimos novamente por aquele medo da aceitação? O quão fundas estão enraizadas as raízes da insegurança em nossas mentes? Não podemos arrancá-las e lançá-las no abismo eterno do esquecimento? E plantarmos a certeza, regar com a determinação e colher os frutos da razão?
O mais difícil de tudo é acender uma luz quando um mar de rostos marcados pela própria insegurança e inveja virados contra aqueles que ousam erguer-se e dizer o que pensam quando todos os outros se calam e nada dizem? E para esta pequena vela ,como suportar o açoite dos ventos da ignorância?
Todos temos as respostas para as perguntas aqui abordadas, e também as deixadas pelo filme, mas como o John Keating, o antigo aluno e novo professor, ensina no filme, você precisa aprender a pensar. E é o mais difícil para todos nós. Mas com esforço e determinação podemos conseguir. Então para um exercício inicial tome os assuntos aqui abordados como exercícios e também os do filme. Então poderá melhorar, aperfeiçoar quem você é com mais força e confiança em si mesmo.

P.S.
Caso queira compartilhar os resultados, seja bem vindo. Estou ansioso em saber o que descobriram sobre si memos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ser Humano


Ser Humano


Hoje pude pensar e refletir sobre o quanto os humanos são complexos, não porque o são 
em sua natureza, mas sim porque se fazem de complexos.
Podemos, em muitas ocasiões não saber de que forma agir e ficarmos parados por um longo tempo numa mesma encruzilhada da vida. Mas já nos perguntamos o porquê? Porque a cada obstáculos nos sentamos e esperamos. Esperamos pela providência divina, por ajuda de terceiros sem percebemos que cabe unicamente a nós escolher. E enquanto ficarmos à mercê de algo que talvez nunca venha, como esperar conseguir realizar uma mínina parte de nossos desejos?
Muitos dos obstáculos que se interpõem em nosso caminho estão ali para nos fazer ver o quão somos merecedores de prosseguirmos na estrada. Porém tememos enfrentá-los, tememos antecipadamente. Irá resolver sofrer antes da hora? O sofrimento não é um tormento inesgotável. Ele nos forja, e nesta forja temos que permanecer até que estejamos prontos para seguir e enfrentar as intempéries que surgirão.
Se temos a falsa ilusão de que viveremos em um eterno paraíso sem que nada fizermos para o conseguir, viveremos sempre no inferno. Porque não conseguimos forjar as bases do paraíso no inferno que vivemos, então como podemos esperar que as colunas se ergam? Sozinhas?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os flancos dos cavalos da ignorância

Porque a sociedade, nós temos tanto medo de ver pessoas que se amam?
É tão assustador assim?
De todos nós, seriam eles espécies diferentes?
Não somos todos filhos dos Deuses?
Então existe razão para esse medo todo?
O amor não é o mesmo?
Faz diferença se é assim:
Ou assim: 
Ou ainda assim:
Pluralidade e naturalidade

União
Laços
Sonhos
Família
Inocência
 
Que o tempo nos ensine a ver o que somos
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