Mostrando postagens com marcador poesia gay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia gay. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sacerdote


Sacerdote do Ser

Há tanto tempo
Num tempo onde não existia o próprio tempo
Pelos prados selvagens
Mesclados com a sombria existência
Com a névoa do ser
O ouro do viver
O prata da luz

------------------------


Um sacerdote errante
Em um deserto estrelado
Por seus turvos sentimentos

----------------------

Inúmeras noites sonhando
Sonhando em alcançar um céu só dele
Quando perdera as asas
No arfar de um coração

----------------------

A cada pulsar da jóia viva
Sonhos desfeitos,
Mas também  enraizados em seu âmago
Trazendo de volta velhos sangramentos
Escoantes por este rio caudaloso
De corrente de rosas
Veludo dos lábios de um amor imaginado
Fundado em ilusões
 
-------------------------

Sempre desfeitas no pó da escuridão
O cantar da eternidade soando pelos tronos celestes
Embalado por tais mãos sublimes a cônscia mergulha em outro mundo
Neste outro mundo
Onde não existe estações
Apenas uma única cor
Que representa todas as cores
Formadas por perdões
Antigos e novos
O soar dos trovões....
Em uma terra inconstante

--------------------------
Nas distantes colinas um ponto divisa-se
Petrificado pela persistência
Onde um leve palpitar lhe anima,
Um arfar do divino

-----------------------------

Da colina
Árvores brotam
Trazendo dos céus o brilho dos Cristais
Dos olhos de um apaixonado

----------------------------

O esgar da morte se rompe
Quando o suspirar da vida surge
Deslocado das sombrias montanhas
Por uma cachoeira imaginada
Por todos aqueles que um dia pensam no Senhor da Lua
Coroando o viajante com os raios da aurora
Velejando por uma embarcação élfica
Vinda de uma beleza insondável
Misteriosa
Oculta
Sempre vindo da direção da Lua
Ofuscando o esplendor do sol

------------------------------

O navegante desce
Dos olhos escuros
Um sorriso perdido
Um brilho constante
Do sonhador que há tanto visitava meus sonhos

-----------------------------
Velejando por mares abertos
Em busca de nós mesmos
Sob o constante abraço dos astros
Continuamos a viajar...
A procurar...

----------------------------
 
De abismos as sombras surgem
Vêem em busca do rubi guardado
Sob o açoite das presas
Das furiosas tempestades encadeadas pelos seres
O veneno espalha-se pelo viajante
Tira-lhe o pouco sopro da divindade herdada
Deixando para trás a mortalidade vã
De um corpo que se esvai pouco a pouco
Levando o coração do sacerdote
Sepultado sob as ondas
Guardado por uma magia tão antiga quanto às forças do universo
Guardado pelo viajante eterno
Que o guarda sob seus cálidos braços
Esperando a hora de tê-lo de volta
 
PS: Em homenagem aquele que com seu barco élfico me arrebatou ao seu leito divino sob o esplendor das estrelas


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Amor e morte

Eu peço a quem for ler esta história que primeiro carregue estes vídeos iniciais, a música faz parte da história, deixe-a tocar ao fundo enquanto lê, é um pedido meu, porque ela é uma história que mecheu comigo e gostaria de poder passar isso também a quem for ler.
Amor e Morte
Numa vala, perdidos em um mundo de morte e podridão, cercados pelos horrores da guerra, vendo seus amigos morrerem diante de si, encontravam-se dois amigos.
Amigos há tanto tempo quanto suas memórias são capazes de se lembrar. Neste dia como todos os outros havia apenas a desolação diante de seus olhos. E uma chuva delicada e cinzenta, vestígios da fumaça das bombas e dos corpos queimados, caía dos céus chorosos. O solo havia a muito perdido suas cores, restava apenas o prateado e o negro das cinzas. Já não se distinguia ao longe inimigos de aliados, havendo grandes riscos de atingir um companheiro.
Os dois estavam sentados sob um toldo isolados dos outros soldados, lembrando das cores de sua terra natal, agora tão sonhada.
Mas o sino do combate não cessava. Puderam ouvir do lado norte do acampamento o retumbar das granadas e seu brilho macabro. Logo após ouviu-se os estampidos dos tiros clamando a presença dos dois.
Movidos por seus corpos, não por suas mentes, os amigos se dirigiram ao local. A cada passo o mundo dos dois desmoronava aos poucos. Thomas, um jovem de olhos e cabelos intensamente negros, uma face de alegria e felicidade corrompidas pela guerra. Ao seu lado, Alexander, cabelos loiros, olhos de um azul intenso, seu rosto fincado por antigas cicatrizes emocionais, mais profundas que as físicas.
Alexander virou o rosto, sujo de sangue e molhado, para Thomas e sorriu. Thomas preencheu-se de um sentimento de perda, como se este fosse um adeus, o último sorriso de seu amigo.
Chegaram ao local do bombardeiro, contudo já não havia combatentes. As bombas estraçalharam os mais próximos, deixando espalhados seus corpos, tingindo de vermelho o cinza reinante. E os que sobreviveram, mataram-se mutuamente com suas metralhadoras. Caminharam pelas sombras, evitando serem localizados por possíveis sobreviventes.
Thomas não encontrando ninguém vivo, levanta-se para aumentar seu campo de visão. Ao erguer-se não percebeu que ao longe, em sua direção havia um homem escondido que apontava em sua direção e disparou.
No momento em que percebeu o que iria acontecer, Alexander atirou-se na frente de Thomas agindo como seu escudo. O tiro acertou-lhe o estômago e o pulmão.
Thomas virou-se, pode apenas perceber que seu amigo caía e sangrava. Colocou sobre si o corpo de Alexander e gritou, um grito que ecoava do mais profundo de seu ser. As lágrimas começaram a rolar. O sangue escorria dos ferimentos e ao tentar falar o sangue também começou a sair por sua boca.
— Não, Alexander, não! Não fale. Não se mexa. Eu vou te levar daqui. Eu vou te salvar. POR FAVOR, NÃO MORRA!
As palavras jorravam junto com as lágrimas de Thomas. Que maculava o cinza de sua roupa com o sangue de seu amigo.
—Thomas... sei que... não tenho muito tempo...
— Não! Não diga isso! Sempre estivemos juntos! Sempre fomos mais que irmãos! Fomos...
—É isso! Thomas... por favor, me escute. Por tanto tempo amei calado, por tanto tempo escondi o amor que habita em mim. E... não quero morrer sem que você saiba.
— O que Alexander?
—EU TE AMO! Por todos esses anos. Cresci com você. Fui seu ombro em todas as vezes que precisou chorar. E quando chorava com você era porque me doía tanto te ver sofrer sem poder fazer muita coisa por você. Quando estava em meu colo, chorando, porque seu coração havia sido partido, o meu esfarelava-se. E, todas as vezes que rimos juntos era como se tudo perdesse o sentido e houvesse apenas você. Quando saíamos para as festas e você sempre me via sozinho, era porque eu zelava por você. E porque a pessoa mais importante para mim estava ao meu lado. E quando decidiu que iria se alistar, não faz idéia do medo que passei em te perder. As lágrimas derramadas. E foi por isso que também me alistei. Não porque era meu sonho. Mas porque você é meu sonho, meu mundo. Os horrores que passamos nessa guerra, apenas me mostraram o quanto eu te amo. A minha vida é sua. Por isso eu a dou a você, meu amor...
— Alexander... por favor... Eu te amo! Com todas as minhas forças. Você me fez ser quem eu sou. É o meu caminho, a minha luz, minha estrela. Por quê? Por que fez isso? Você não pode morrer. Você não vai morrer...

Enquanto falava, misturado as lágrimas e a dor, ao sangue, os dois se abraçaram, Thomas tocou delicadamente o rosto de Alexander na esperança de o impedir de partir, como quando eram crianças e queria que ele fizesse algo. Um último sorriso emanou de seus lábios. Seus olhos começaram a fechar-se. Antes de fecharam-se totalmente Thomas o beijou, o beijou como se conseguisse impedi-lo de partir. Em meio ao gosto salino das lágrimas e do ferro do sangue, Thomas pode sentir o doce hálito da vida que deixava o corpo de Alexander.
Vendo toda a cena havia um soldado inimigo, o próprio que matara Alexander. Mas parara sem reação diante da cena. Com lágrimas em seu rosto e a voz embargada disse:
—Me desculpe...
Com um olhar lacerado, de um homem morto, sem vontade de viver, aninhado ao corpo de Alexander, aos prantos, Thomas não desviou os olhos de seu amor e disse ao soldado.
—A culpa não é sua. É da Guerra. Você é apenas uma criança.
O jovem soldado começou a afastar-se quando os tiros recomeçaram. Desta vez vindos dos aliados de Thomas. Sem saber em quem atiravam, devido à chuva e a falta de cor que permitisse distinguir algo, os aliados atiraram em Thomas, em seu coração.

O soldado pode ver Thomas morrer, era impossível descrever, tão forte e vasta era a dor, que ele mesmo se sentiu lacerado. Como em câmera lenta seu corpo tombou sobre o de Alexander, caindo ao seu lado, com suas mãos entrelaçadas e com os rostos muito próximos como a espera de um beijo da eternidade. Foi à última visão antes que um tiro atingisse sua testa e caísse morto. Foi à visão do amor em meio à morte e destruição.







quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os flancos dos cavalos da ignorância

Porque a sociedade, nós temos tanto medo de ver pessoas que se amam?
É tão assustador assim?
De todos nós, seriam eles espécies diferentes?
Não somos todos filhos dos Deuses?
Então existe razão para esse medo todo?
O amor não é o mesmo?
Faz diferença se é assim:
Ou assim: 
Ou ainda assim:
Pluralidade e naturalidade

União
Laços
Sonhos
Família
Inocência
 
Que o tempo nos ensine a ver o que somos

Respostas?

Respostas?

Muitas vezes nos perguntamos por que estamos aqui, porque vivemos, porque somos quem somos. Mas essa resposta não existe, nem nunca existirá. Podemos passar a vida buscando respondê-la. Caminharmos por todas as estradas, ladeadas de granito, areia, oceano, florestas, palácios, ruínas, destruição, seja qual for à paisagem o resultado da busca é o mesmo.
E para cada um de nós o percurso é diferente, a busca é a mesma, mas o que encontraremos depende de cada um nós. E essa busca é tão árdua, é tão difícil, nos machuca tanto que paramos, muitos desistem, muitos morrem, e se alguém chegou lá nunca retornou para dizer o que encontrou, quais as respostas, novas perguntas, novos horizontes.
Afinal de contas, porque somos homens,  mulheres, negros, caucasianos, asiáticos, loiros morenos, unidos ao homem, a mulher, sejam eles do mesmo sexo ou não? È uma escolha? É uma escolha que fazemos ser quem somos? É uma escolha arrancar de nossa alma tudo o que somos e jogá-las as feras do destino e do tempo? Onde tudo se lacera nos anais e se perdem nas chamas e no fogo do esquecimento?

Se podemos estraçalhar nos esboços do cosmo tudo o que é considerado inútil, inapropriado, anti-natural, diferente, como aprenderíamos a nos superar e evoluirmos?
O deserto é formado por bilhões de grãos de areia, um único grão não faz diferença, mas sem ele o deserto não existiria, é graças a cada um dos grãos que ele existe. E se ele torna-se diferente aos poucos outros também seguem-se a ele, forma-se uma cadeia. Mas ainda que não mude o deserto, seremos apenas mais um grão igual a todos os outros e nunca sermos encontrado em meio as areias?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe seu comentário pelo Facebook