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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Sombra da Luz


A Sombra da Luz
Talvez eu nunca diga olhando em seus olhos o quanto eu te amo
Talvez eu nunca mais veja o sorriso em sua face
Seus cabelos ao vento
Seu corpo em uma noite de inverno sob meu toque
Talvez a última vez em que vi o brilho de seus olhos ele estivessem perdidos
Perdidos e molhados pela suave agressão do desespero
O escorrer de um líquido desconhecido
Observando ao longe algo que eu não posso ver
Quem sabe nosso antigo amor
Nossa antiga vivência corrompida por uma densa cortina
Negra como a tempestade que se aproxima
Porém ainda sinto nosso amor
Nossa felicidade
Sorrisos
Nossas vozes nos dias em que estivemos sentados sob as estrelas vendo o nascer da lua
Nos dias em que estivemos procurando nas nuvens tudo o que sentimos
E mesmo não estando lá
Nos fazíamos as formas
Nós podíamos vencer exércitos
Pois juntos somos a maior força que já se viu
Capaz de vergar o próprio tempo
Capaz de correr pelas dimensões e encontrar um mundo só nosso
Onde cada instante é mais que a eternidade
É o único cantar dos pássaros que ouvem nossas vozes e cantam nossos sentimentos
Cantam a vida que apenas nós podemos desfrutar
Cantam aqueles dias que estão sempre conosco
Sempre nos fazendo lembrar que já vivemos os melhores instantes do universo
E agora passamos pelos buracos negros
Somos tragados por algo que momentaneamente nos fez esquecer daquele tempo onde nada era imperfeito
Nós fazíamos a perfeição
Contudo este instante não será eterno
As trevas são apenas um caminho
E no fim desse  destino
Já posso vislumbrar a saída
Coroada por algo ainda mais surpreendente  do que tudo o que já passamos
Nós mesmo no amanhã
Com nossas vidas unidas pelas trevas que passaram e desfrutando com toda a intensidade
A luz que nos foi dada

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sacerdote


Sacerdote do Ser

Há tanto tempo
Num tempo onde não existia o próprio tempo
Pelos prados selvagens
Mesclados com a sombria existência
Com a névoa do ser
O ouro do viver
O prata da luz

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Um sacerdote errante
Em um deserto estrelado
Por seus turvos sentimentos

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Inúmeras noites sonhando
Sonhando em alcançar um céu só dele
Quando perdera as asas
No arfar de um coração

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A cada pulsar da jóia viva
Sonhos desfeitos,
Mas também  enraizados em seu âmago
Trazendo de volta velhos sangramentos
Escoantes por este rio caudaloso
De corrente de rosas
Veludo dos lábios de um amor imaginado
Fundado em ilusões
 
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Sempre desfeitas no pó da escuridão
O cantar da eternidade soando pelos tronos celestes
Embalado por tais mãos sublimes a cônscia mergulha em outro mundo
Neste outro mundo
Onde não existe estações
Apenas uma única cor
Que representa todas as cores
Formadas por perdões
Antigos e novos
O soar dos trovões....
Em uma terra inconstante

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Nas distantes colinas um ponto divisa-se
Petrificado pela persistência
Onde um leve palpitar lhe anima,
Um arfar do divino

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Da colina
Árvores brotam
Trazendo dos céus o brilho dos Cristais
Dos olhos de um apaixonado

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O esgar da morte se rompe
Quando o suspirar da vida surge
Deslocado das sombrias montanhas
Por uma cachoeira imaginada
Por todos aqueles que um dia pensam no Senhor da Lua
Coroando o viajante com os raios da aurora
Velejando por uma embarcação élfica
Vinda de uma beleza insondável
Misteriosa
Oculta
Sempre vindo da direção da Lua
Ofuscando o esplendor do sol

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O navegante desce
Dos olhos escuros
Um sorriso perdido
Um brilho constante
Do sonhador que há tanto visitava meus sonhos

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Velejando por mares abertos
Em busca de nós mesmos
Sob o constante abraço dos astros
Continuamos a viajar...
A procurar...

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De abismos as sombras surgem
Vêem em busca do rubi guardado
Sob o açoite das presas
Das furiosas tempestades encadeadas pelos seres
O veneno espalha-se pelo viajante
Tira-lhe o pouco sopro da divindade herdada
Deixando para trás a mortalidade vã
De um corpo que se esvai pouco a pouco
Levando o coração do sacerdote
Sepultado sob as ondas
Guardado por uma magia tão antiga quanto às forças do universo
Guardado pelo viajante eterno
Que o guarda sob seus cálidos braços
Esperando a hora de tê-lo de volta
 
PS: Em homenagem aquele que com seu barco élfico me arrebatou ao seu leito divino sob o esplendor das estrelas


O pôr do sol


O pôr do sol
O brilho do sol ilumina a praia, o mar, o céu, com seu calor, sua vida. Caminho por esta praia, descalço, sentindo a areia, a umidade, sentindo o cheiro salino do mar.
Hoje, como todos os dias, esta praia está vazia, ela é como um paraíso, perdido, uma ilha neste mundo real. Uma ilha onde meus sonhos se tornaram realidade e também onde todos eles ruíram.
Está um dia tão lindo, onde os sonhos recém formados adquirem força para nadar contra a correnteza, e os antigos espalham suas raízes, crescendo, multiplicando-se.
Posso me lembrar. Foi há tanto tempo. Porém é como se fosse a um minuto atrás. Nesta mesma praia, em um dia como este.
Eu via você, sua felicidade. Corríamos como crianças, corríamos para um lugar ao qual fôssemos os únicos, os únicos viventes, testemunhas do maior dom humano.
Todos os dias sentávamos aqui, víamos o sol nascer e o pôr do sol, as estrelas eram nossas confidentes. Olhávamos os barcos em suas viagens pelo mar, pequenos pontinhos no horizonte e seus olhos brilhavam com a expectativa de um dia ser apenas eu e você viajando pelo mar, com a brisa em nossos rostos, os golfinhos nos acompanhando, as gaivotas nossas únicas visitas.
Naquele dia, tão especial, vendei seus olhos, suas perguntas freguentes querendo saber o porque disso, mas rindo com a expectativa. Levei você pelo cais, de propósito atraquei o barco o mais longe possível, apenas para poder ver a ansiedade estampada em seu corpo e ti abraçar pelo caminho, rindo com você.
Quando chegamos ao barco te abracei por trás sussurrando:
— Agora pode ver!
A felicidade, seus beijos, abraço, foram meus maiores presentes. Levei o barco para alto-mar. Sob o embalar das ondas, à luz avermelhada do pôr-do-sol nos deitamos, apenas observando um ao outro, na esperança de este dia nunca acabar.
Mas o tempo nunca pára, os caminhos  que a vida nos fornece acabam em becos, em armadilhas, precipícios. Olindo pôr do sol transformava-se, o rubro-alaranjado foi substituído por negras nuvens, ameaçadoras, carregando destruição e ódio em suas entranhas. O mar agitou-se. Durante nosso momento eterno a embarcação foi arrastada pelos ventos, nos encurtávamos muito longe da costa, cercados apenas pelo oceano e nada mais.
Meu desespero alcançou tais extremos que eu não sabia o que fazer. Aquela tempestade não era normal, e eu havia procurado saber se uma tempestade se aproximava, e não havia registro. Não havia combustível suficiente para voltarmos estando tão longe da costa.

E a tempestade começou. Não podíamos fazer nada. Eu queria um dia só nosso...
Você estava com tanto medo, seu coração acelerado, seus cabelos molhados, não só da chuva forte, mas também de lágrimas.
Abracei voe, porque não havia mais nada a fazer. Uma onda gigantesca se formou, a foice do ceifeiro, destinada a varrer de suas águas tudo que se interpunha em seu caminho de soberana. Deitou-se sobre nós, enlaçados em um beijo, na esperança de absorver a essência um do outro, em um abraço desesperado, em nosso último palpitar, com nossos corações juntos, no mesmo ritmo, sem palavras, unidos pelo corpo e alma.
Ao tragar-nos, elas despedaçaram o barco, despedaçou nosso abraço, levou você com ela, te levou de meus braços para suas entranhas. E levou minha consciência consigo.
Acordei em um hospital, procurando você, esperando te ter ao meu lado. Os médicos vieram até mim, perguntei-lhes onde te colocaram, minha vida, meu amor, onde você estava.
Me disseram que fazia um mês que eu estava em coma, fui encontrado por pescadores em uma praia distante, após o furacão. E não havia sido encontrado outro comigo, nem vivo, nem morto. Que houve uma busca por ele, mas nada fora encontrado, nenhum vestígio do barco, nem de meu amor.
A notícia fez meu mundo desmoronar. Como pode? Por quê? Foi o dia mais feliz da minha vida. Todos os meus sonhos se realizavam, ele é tudo para mim. E agora não existe mais! Não acredito nisso. Logo ele vai entrar por essa porta, me dizer que não foi nada, que estamos prontos para outra, me fazer levantar, irmos ver as estrelas. Ele é a minha realidade. Como ela pode deixar de existir? Nem mesmo existe um corpo para provar o que dizem.
O tempo passou e ele não mais veio. Não veio para casa, para nossa cama, para a praia, os campos, não recebeu minhas flores, meus beijos, não ouviu os acordes que criei para ele, não sentiu o cheiro dos lírios...
Todos os dias, na mesma hora eu me dirijo para este mesmo local, onde nos conhecemos.
Eu estava aqui, olhando para o mar. Pedindo a ele que me permitisse amar, que me permitisse derrubar as muralhas que me cercam, abrir meu coração a passagem de um amor. E atendeste o meu chamado. Me trouxeste ele. Sentou-se ao meu lado, foi como ver os céus se abrirem e deles surgir um anjo para me proteger.

E estávamos sós, ele virou seu rosto para mim e sorriu, no mesmo instante senti as muralhas ruírem. A partir daí todos os dias nos sentávamos no mesmo lugar, vendo o pôr e o nascer do sol e das estrelas. Num desses dias, decidimos mergulhar. E sob o último raio de sol, ao toque do mar, sob o canto dos pássaros, você me abraçou, me disse que me amava, que não conseguia ficar longe de meu toque, esquecer o cheiro de minha pele e ansiava por provar o sabor de meus lábios. E nosso primeiro beijo, nunca vou esquecer seu doce hálito, seu toque, seu beijo.
E depois desses setes anos ainda não esqueci. Por isso todos os dias, tenho a esperança de te ver, tocar, sentir. Nunca pude tocar o mar, agora ele é seu leito e não tenho o direito de tocá-lo, agora que está além de meus braços.
Ao longe posso ver um lírio, próximo ao cais. Me aproximo e vejo que é o mesmo lírio que vimos em um campo silvestre. Porém este é uma espécie única, que criei para você. E eles morreram. Então como pode estar aqui?
Caminhando até ele, pego-o e sinto seu cheiro, é o mesmo que o seu meu amor. Não posso conter as lágrimas que sempre caem quando o sol deixa esta praia. Junto ao lírio vejo também uma caixinha. E a reconheço. Mas ela estava perdida, por todos esses anos, ela foi-se com você. Esta caixinha contém as nossas alianças, naquele dia iria te pedir em casamento, no mar, onde tanto sonhávamos viver. Mas não tive tempo. A tempestade te levou e levou consigo as alianças, nunca mais as vi, e agora elas estão aqui, aos meus pés.
Quando olho para o cais, no mesmo lugar em que te levei para atracarmos estava alguém. Fiquei tão atordoado que cai de joelhos e comecei a chorar descontroladamente. Será mesmo que o que eu via era real? Depois de todos esses anos?
A figura não se mexia , olhava para o oceano. Perdida em seus pensamentos. Fui até ela. Parei a poucos metros e chamei.
––Daniel? É você?
––Sim. Sou eu Henri.
Corri até ele, o abracei, o beijei tentando absorver cada parte. Não podia ser real. Como?
––É real Henri. Você não me senti?
Entre lágrimas e beijos eu disse.
––Sim! E é por isso! Como pode?! Faz sete anos Henri...
––E eu nunca saí de perto de você. Nunca permiti que te machucassem. Te deitava sobre meu colo para te fazer dormir, mas você não sabia. Nunca te abandonei. Como poderia fazer isso?
––Ah Daniel... Sinto tanto a sua falta. Durante esses anos ver o sol me doía tanto, porque sabia que na poderia te ter ao meu lado. Mas nunca perdi as esperanças de te ver de novo, porque te sentia nestas praias.
––Nunca vou te abandonar. Hoje é o dia de nos reencontrarmos. Agora pela eternidade. Venha Henri, hoje sou eu que guio o barco.
Entramos naquele barco e fizemos o mesmo percurso, rindo, chorando. E eu não o largava, de medo que ele partisse de novo. E então paramos, no mesmo local de antes.
––Daniel, me perdoe. Foi minha culpa você ter morrido. Se eu não saísse naquele barco, se eu não quisesse realizar um sonho nosso, você não teria ido... você poderia...
––Henri. Não foi culpa sua. Está além de você. E aquele foi o dia mais feliz da minha vida, foi como se o tempo não existisse. E estava ao seu lado. Pude zelar para que despertasse no hospital.
––Naquele dia, eu tinha um pedido a te fazer. E eu quero fazer agora, que tenho a segunda chance. Daniel, você quer se casar comigo? Estarmos juntos pela eternidade. Sermos um só. Sei que são só símbolos materiais, que não são nada diante do amor que sentimos, mas...
––Sim! Eu aceito, Henri! Eu aceito!
Novamente vi aquele sorriso. O mesmo da primeira vez que o vi. Coloquei a aliança em seu dedo e selei nossa união com um beijo. Ao mesmo tempo um brilho intenso cobriu o oceano liberando fumaça e fogo, pude sentir que também me libertava do mundo físico. E eu e o Daniel continuamos sobre as ondas, vendo o último aio de sol no horizonte.


  

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Morte e vida das estrelas


Morte e vida das estrelas
Assim como os seres vivos as estrelas também tem o seu ciclo de vida. Que vai do seu nascimento através de gases e poeira cósmica, passando por sua “maturidade” que na astronomia recebe o nome de “seqüência principal”, e por fim também morrem, ou seja, se extinguem, liberando seu brilho e energia atônica.
As estrelas possuem um ciclo vital semelhante entre si, porém as formas de se extinguirem não são as mesmas. Uma a cada cem estrelas quando morrem acabam liberando o “canto de cisne” seu espetáculo final. È quando toda  a massa destas gigantescas estrelas se focam em um ponto e liberam sua energia de uma só vez, algo equivalente a explosão de um bilhão de sóis. Com a violência desta explosão o campo gravitacional é alterado 
e forma-se os buracos negros.
















Os chamados “buracos negros” são como dobras no espaço temporal, imaginem um tecido esticado, agora coloquem um peso no centro, o tecido enverga não? Da mesma forma é a atuação dos buracos negros, eles envergam o tecido do universo e atraem para si tudo, nada escapa de seu campo gravitacional, nem mesmo a luz, daí o nome de buraco negro.


Buraco negro destruindo uma estrela


Também, a partir dos estudos dos buracos negros surgiu-se a teoria dos buracos de minhoca, que voltemos a comparação com o tecido. Se o universo é um grande tecido esticado, o buraco negro é como se um peso tivesse sido colocado e então qualquer coisa que transite em volta acaba caindo neste “buraco” no tecido. Mas e o que tem do outro lado? Se é um buraco na realidade, o que tem do outro lado? Surgiu-se inúmeras especulações sobre esta teoria, uma delas é que do outro lado exista um universo ao contrário. Estes buracos de minhocas são  utilizados nos desenhos animados para tele-transporte, essa seria a forma mais adequada de se viajar pelas galáxias caso conseguíssemos.
Destino de nosso sistema solar
O nosso sol não é uma estrela grande o suficiente para se tornar uma supernova e conseqüentemente um buraco negro.

O nosso destino é que dentro de cinco bilhões de anos o nosso amado sol irá se tornar uma estrela cem vezes maior que atualmente e 2000 vezes mais brilhante. Hoje nosso sol está em sua adolescência, forte e amarelo. Quando envelhecer ele ficará “gasto” e enorme, e também vermelho e englobará no mínimo os três primeiros planetas em sua órbita, ou seja nossa pobre Terra será tragada por seu pai e aí sim será o fim do mundo.
Como nosso “pai” não vai ter mais hélio para queimar, que é o sua fonte de alimento, ele gradualmente vai se tornar uma anã branca.
E será o fim do sistema solar.
Este vídeo mostra a Morte do Sol e como isso afetará a vida na Terra


domingo, 28 de agosto de 2011

Cavalo Selvagem

Cavalo Selvagem
Uma vasta planície se estende
Encobre toda a minha visão
Por mais que eu corra
O horizonte nunca chega
Porém tenho a liberdade
Posso percorrer todos os caminhos pelas quais meu coração me leve
Levo a velocidade do vento em meu corpo
Trago a vastidão das verdes planícies dentro de mim
Minha crina esvoaça ao vento
 Levada ao sabor dos Deuses

Mas é tempo de descansar


A liberdade é cobiçada pelos homens
Eles almejam tudo o que não podem ter
Tudo o que é livre


Em meu descanso muitos tentam me laçar
Prender-me em seus medíocres arreios
Mas apenas um pode me domar
Sendo domado pertenço ao meu senhor
Mas sempre correndo pelas verdes colinas de minha alma
Levando, reclinado sobre meu peito, meu domador
Dos meus olhos escorrem um líquido...
Ao qual não estou acostumado
Ele brilha ao sol
Reflete os olhos do cavaleiro
E ao tocar meus lábios sinto o gosto salino
É isso o que os humanos chamam de lágrimas
E para que elas servem?
Qual a razão deste líquido escorrer?
Por que sinto esse aperto em meu coração?
Sou selvagem
Como muitos dizem...
Porém qual a razão disso?
Os humanos me chamarem de selvagem?
O que é isso na língua deles?
Meu coração dispara como nenhuma outra corrida foi capaz de fazer
E sei que sou capaz de voar pelos campos verdejantes
Porque agora sou verdadeiramente completo
Existe alguém a quem devo proteger
Do meu dorso ele nunca cairá
Enquanto estiver aninhado em minha crina posso lhe oferecer proteção
Posso lhe levar a lugares que sua espécie esqueceu
Protejo-o com minha vida
Caio
Mas ele não irá sucumbir
Minha força é sua
Irei fazer de tudo para que continue
Mesmo que signifique meu fim




sábado, 16 de julho de 2011

Anjo Caído

                                                                 
                     
                                Anjo
Um mar de rostos se apresenta frente a mim
Porém...
Vejo apenas um
Neste mar.
---------
Onde se encontra a minha jóia perdida?
Caída dos céus
Enquanto voava por este mesmo mar
----------
A mais preciosa das jóias
Ela que me fez descer dos céus
Desistir da imortalidade
Afinal...
O que é ser um anjo?
Um guerreiro divino...
------------
Vazio...
Apenas um imenso vazio...
----------
Foi-me designada à missão de proteger
Porém...
Meu protegido me salvou
Salvou-me de mim mesmo
--------
As minhas asas
Asas que representavam a liberdade
Presenteavam-me com a vastidão do céu
Tornaram-se minhas amarras
Por elas estou ligado aos céus
Mas não posso abandonar
A Terra
-------
Ela guarda o que mais anseio
-------
Vago por essa vastidão
Esquecido...
Invisível...
-----------
No entanto...
Em cada rosto vazio vejo a mais amada das faces
----------
Abandonei o céu
Abandonei minha missão divina
E qual seria ela?
Por que meu pai?
Por quê?
O que eu fiz a ti, meu pai?
Deste-me o maior dos presentes...
Mas não posso tê-lo
----------
A cada passo meu
Ele se esvai de meus braços
Perde-se nesta vastidão
--------
Só agora compreendo-te meu pai...
Do porque permitires aos humanos amar
Ao se encontrarem uns nos outros
Dá a eles a chance de serem Deuses
A chance de, mesmo que por um momento, entrarem em sua mente
---------
És um senhor
E vagas sozinho pela eternidade
---------
 Permite a suas criações não sofrerem da solidão
Do vazio eterno
-------
Mas é avassalador meu pai...
O traí
Deixei tua casa
Meus deveres
Por um ser
Que não o Senhor
--------
Mas sei que não o colocarias em minha estrada
Se não fosse tua vontade
--------
Só agora compreendo a razão de meu irmão tê-lo desobedecido
Não foi uma traição
O mais belo de meus irmãos...
Ele vaga também
E como saber o desespero que o corrói?
--------
Minhas asas se abrem
Posso sentir o acariciar da brisa sob minhas penas
Mas não pertenço mais aos céus
-------
Parto atrás de minha jóia perdida
Ela precisa de mim
A acolherei sob meus braços
Apoiada em minhas asas
A levarei a um céu só nosso
------
Levanto vôo
E vejo o brilho do sol
Tornando o branco em dourado
E o dourado de meus cabelos no cobre
-------
Vôo em tua busca
Minha jóia
Não temas...
As sombras não o abraçarão
Enquanto puder manejar a flâmula divina que nos habita
-------
Apenas o olhar das estrelas nos animará
Elevará teu brilho
E dormirás sob o véu de meus cabelos
Sobre as plumas de meu corpo
Mesmo que o céu não sejas mais meu lar
Ainda te levarei até lá
Mesmo que em seus sonhos
 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Caminhar

Existe um dia
Existe uma hora
Um momento
Em que tudo o que sonhamos desmorona
Desfaz-se
Porém se recompõe no mais belo oásis
Em meio há um escaldante deserto
Cobrindo-se de terenas miragens de um ilusório paraíso
Mas será mesmo ilusória?
Será mesmo que meu coração criou apenas um oásis em meio a tudo?
Será que o brilho dos olhos de quem amo
Não são reflexos do terno calor do sol em meio à nevasca que me rodeia?
Será mesmo que a voz de meu amor
O suave acorde do mais belo instrumento musical
Você
Esvai-se em meio aos meus sonhos?
Sua presença
A minha razão para continuar na trôpega caminhada
Uma caminhada na qual todos estamos fadados a trilhar
Mas a cada passo cansado
Ao cair
Sei que ao meu lado
Está você
Meu guia
Minha esperança
Meu raio de luz em meio às trevas reinantes
Ao olhar em seus olhos veja a sua alma
Vejo o teu brilho emanar
E me ergo
Ergo-me para enfrentar tudo a minha volta
No final da caminhada
Me aproximo de você
Sussurro
O que me fez chegar até aqui
EU TE AMO

 





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