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domingo, 8 de janeiro de 2012

Legado da Arte


Legado da Arte
Taj Mahal, mausoléu para a falecida esposa do sultão
A união humana, rumo ao belo
Partenon, templo grego em honra a Athena

Cada espécie que habita o planeta Terra possui suas particularidades. As abelhas produzem o mel, os pássaros constroem seus ninhos, as aranhas tecem uma das mais belas telas da natureza, a teia. E o ser humano? Qual sua maior marca?
A primeira resposta a vir a nossa mente é, o pensamento, que o homem sapiens é o único animal capaz de pensar. Mas qual realmente é o legado humano, que persiste, mesmo quando a carne apodrece e se esvai? A arte.
Stonehenge, vestígios da cultura celta

A arte humana é a maior capacidade desta espécie, transformou a natureza em algo “belo” segundo suas percepções. O patrimônio artístico que vive nos dias de hoje é a comprovação da história humana.
Agora vamos por partes. Cada cultura humana possuía sua própria forma de expressão artística, como os celtas, os incas, maias, gregos, egípcios, babilônios, persas, mongóis. E a conquista dos mundos pelas diversas potencias de cada tempo levou consigo não apenas a existência mortal, como seu legado a imortalidade. Como os egípcios acreditavam, eles viviam por sua arte, eles sabiam que mesmo depois de mortos continuariam vivos, caso  suas obras permanecessem. Por isso seus monumentos continuam vivos e pulsantes, através dos milênios, quando sua cultura se esvaiu nas areias do tempo, porém continuam vivos na mente das pessoas atuais com suas pirâmides, esfinges, obeliscos, sarcófagos.

As Piramides de Gizé, e a esfinge, no Egito

E qual o direito que temos em destruir tais monumentos? Por mero capricho dos governantes? Ou como foi feito milhares de vezes, um monumento foi destruído porque ele representa uma cultura e ao destruir tal cultura destrói-se o povo, rui-se as bases da nação, tornando-a desmoralizada e de fácil controle.
Palácio de Persépolis
Um exemplo é o palácio da Babilônia. Tal era o esplendor dos babilônios e o poder militar deste povo que sua capital, Persépolis representava o centro do mundo, as pessoas a amavam e proclamavam sua beleza a todos que encontravam. Quando Alexandre, O Grande, líder da Liga Pan-Hêlenica iniciou sua expedição pelo território babilônico e após a expulsão de Dario III, as paredes do palácio real em Persépolis clamaram sua dor ao serem consumidas pelas labaredas do ódio grego e manobra política. Os clamores do povo persa ecoou por todo império ao verem em ruínas o coração de seu império e estandarte de seu poder. Essa realmente era a única saída? A destruição de tal união de culturas?O império persa reunia egípcios, medas, persas, hindus , hebreus, fenícios  e muitos outros povos menores. Todos contribuíram para a construção do palácio. Então como pode ser destruído algo que reúne a mente de inúmeros povos?
Corredor do Palácio

Ao longo do tempo a destruição prossegue, a Biblioteca de Alexandria, onde o saber do mundo ocidental reunia-se, a maior existente em toda antiguidade, queimou com as chamas da ignorância. Caso não houvesse sido destruída a civilização ocidental poderia estar muito a frente do que está hoje, pois, muitas das descobertas que fizeram no último século já haviam sido feitas há mais de 3 mil anos atrás.
Ruínas da biblioteca de Alexandria

Piramide Maia

Os templos sofreram os ataques das novas religiões ou reis, imperadores, sátrapas, sofreram profanação, espoliação, invasão. A alma do povo foi lapidada. Na Grécia, a arte grega em sua forma mais sublime, seus templos foi aniquiladas inúmeras vezes pelos mais diversos povos. Os incas e maias foram aniquilados e também seus legados pela cobiça cega, que não vê limites, nem mesmo para o sagrado.

Templo de Ártemis, uma das Antigas sete maravilhas do Mundo


Agora trazendo para algo mais recente, a basílica de São Pedro, coração da Igreja Católica Romana. Ela representa a cultura ocidental, obra de um dos maiores nomes de nossa cultura: Michelangelo, um dos maiores gênios da renascença. Essa construção é um patrimônio da humanidade, muitas vezes são ditas frases como: “com tanto ouro nesta catedral, porque não desfaz uma coluna e faz doações?” não funciona desta forma. Esta é uma obra de arte, não pode ser violada, como já foi feito milhares de vezes antes, será que ainda não aprendemos com os erros do passado?
Basílica de São Pedro

Quando abrirmos os olhos para o passado e aprendermos a não mais chorar pelo que se foi, mas sim aprender a não mais fazer igual, poderemos dizer que estamos evoluindo como espécie pensante, que tanto proclamamos, porém pouco fazemos para provar isso.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Papai Noel


Papai Noel
Em nossa sociedade quando pensamos em um mito universal, que todos conhecemos, que a cada ano nos visita, seja por sua mera lembrança ou sonhos que temos com uma época festiva e onde ganhamos e compartilhamos presentes, pensamos em Papai Noel.
Essa figura mítica ocupa muitos níveis que vão além do mero capitalismo e das roupas vermelhas, além de um longa barba. Ele representa um arquétipo que há muito vem tentando ser resgatado: o da solidariedade, do amor ao próximo e também da igualdade (valores muito professados nos dias de hoje pelas religiões e entidades sociais, porém pouco praticado). Em seu trenó ele carrega mais do que simples presentes, carrega também a cura e união para os povos.  Com a globalização que vivemos desde os tempos mercantis, as nações vencedoras impõe sua cultura as outras e essa figura rechonchuda e que trás presentes é um excelente elo.
Agora vamos um pouco na origem deste bom velhinho:
Na Europa germânica habita Odin, o senhor dos deuses nórdicos, que a cada dia 21 de dezembro, no festival de Yule, representando o solstício de inverno, quando os dias são mais curtos que a noite e o momento das trevas reinarem sobre a terra trazendo seu manto gélido, era realizada um caçada festiva em honra a essa transição como um pedido para um inverno não tão rigoroso.
Então com a ajuda de seu cavalo Sleipner corria os céus em busca de sua caça. Sleipnir é um cavalo de oito patas que é capaz de percorrer longas distâncias em poucos instantes, ou seja, rompia a vastidão dos céus em um piscar de olhos. E com tal velocidade ele se cansava facilmente, necessitando parar muitas vezes para recuperar o fôlego. Era aí que crianças por toda  a Germânia colocavam suas botas cheias de feno, açúcar e cenoura próximas a janela. Odin retribuía estes gestos com generosos presentes por sua generosidade.
Além da Germânia temos histórias de bons velhinhos também em Roma. Na Roma Antiga era realizada as saturnálias, um festival em honra a Saturno, deus do tempo, realizada por volta de 23 de dezembro. Neste festival os patrões presenteavam seus servidores e passavam a servir-los como forma de agradecer pelos serviços prestados.
“ Os romanos ofereciam estatuetas de deuses, em argila, pedra-mármore, ouro ou prata, de acordo com suas posses. Durante as festividades do Ano Novo romano, também era costume colocar ramos de pinheiro na porta das casas de pessoas amigas. À medida que o Império progredia, a troca de presentes foi se tornando cada vez mais difundida e simbólica.”
“Numa das lendas que envolvem o personagem Nicolau, certo dia um açougueiro raptou três crianças que brincavam nas redondezas. Elas as matou, esquartejou, e depositou a carne de seus corpos mutilados em barril para que fossem curtidas. Havia escassez de alimentos naquela época, e a intenção do açougueiro era vendê-las no futuro como se fossem presunto. Antes que isso acontecesse, Nicolau chegou à cidade para aliviar a fome dos seus habitantes. Quando encontrou o açougueiro, não só foi capaz de entrever o crime que ele havia cometido, como também ressuscitou as crianças através de suas orações.
Outra lenda narra a história de um homem muito pobre, pai de três filhas que jamais se casariam pois jamais poderiam oferecer qualquer dote. Com isso, as jovens caminhavam para a prostituição. Quando soube do infortúnio desta família, Nicolau quis ajudá-la, mas sua modéstia o impedia de fazê-lo em público. À noite e em silêncio, aproximou-se da janela da casa daquela família e atirou para dentro três valiosíssimas pulseiras de ouro, uma para cada jovem, evitando assim o seu triste destino.”
Por essa união de tantas culturas e costumes, entendemos o porque desta figura ser tão universal. Ela se baseia em muito mais do que as aparências de um velhinho interessado em vender seus bonequinhos. Mas sim em alguém altruísta e constante no tempo, que adaptamos a nossa cultura atual e que ele continua a alimentar nossos sonhos nas noites em que permanecemos acordados esperando o dia de amanhã e a sua visita, mesmo que seja apenas um sonho

Aqui estão as fontes de pesquisas e de onde foi retirado alguns trechos: 




quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Pavão Queixando-se a Juno


Fábula de la Fontaine
 A Juno, o pavão se queixa,
Dizendo: Ó deusa celeste,
Com razão de murmuro,
Pela má voz que me deste.

Sou ave tua; e, se quero
Entoar os teus louvores,
Estrujo os campos em torno
Com meus guinchos troadores.

O rouxinol tão mesquinho
Deleita, se a voz levanta;
É honra da primavera;
De ouvi-lo, o mundo encanta!

Irada, se torna Juno:
“Cala-te, néscio invejoso!
Por que desejas as vozes
Do rouxinol sonoroso?”

De ricas pedras ornada
Não parece a tua cauda?
O listrão de Íris brilhante
Em teu colo flutua?

Ave nenhuma passeia
Que pareça tão bem;
Em si, ninguém reunir pode
Quantos dotes os mais têm.

Repartiu seus dons com todos,
A profícua Natureza;
Às águias coragem deu,
Deu aos falcões ligeireza;

Por presságio, o corvo grasna,
O mocho nas mortes pia,
A gralha males futuros
Com seu clamor pressagia.

Do que são se apraze todos;
E se torno a ouvir queixar-te,
Dar-te-ei voz de Filomela,
Mas hei de as plumas tirar-te.

Não quis o invejoso a troca;
Que é nosso instinto invejarmos
Sempre o que os outros possuem, Sem o que é nosso largarmos.
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