sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Resenha de Iracema


Iracema
José de Alencar
Iracema é um clássico romance da literatura nacional, tratando de temas indianistas, buscando a valorização da cultura nacional devido às exigências do romantismo.
Nele os índios, antes esquecidos pela classe burguesa, muitas vezes como um apêndice de sua sociedade civilizada, passam a ser alvo da “mira” dos escritores burgueses. Porém essa abordagem não soa conforme a realidade vemos isto na obra de José de Alencar, o índio nos é apresentado de forma “civilizada” e européia, de acordo com a visão da sociedade “branca”, não em sua forma original.

As longas pesquisas de José de Alencar renderam uma bela obra, um romance da colonização do Norte do país no período da chegada dos europeus na, ainda, terra virgem.
A personagem idealiza, simboliza todo o ideal do romantismo, a pureza virginal, a inocência. A virgindade é sagrada, perdê-la significa perder a vida. No desenrolar da narração fica muito clara essa abordagem romântica.

Iracema, como o símbolo da raça indigna vem a perecer no final do livro, um prelúdio a quase extinção da raça ao longo do tempo, a queda destas nações. Mas Martim, o estrangeiro, o homem branco, parte. Ou seja, esta terra já não será de nenhum destes povos, mas sim de seu filho, uma mistura das raças, destinado a possuir  o Brasil. Moacir, o filho da dor de Iracema,                                   
nascido as custas da morte de sua mãe é o atual habitante do Brasil, todos nós, filhos da dor de Iracema

Esse é um pequeno trabalho que fizemos para a Professora Fabiana, se quiserem saber mais sobre o projeto ele se encontra aqui.
Desculpem a simplicidade, mas ao menos é de exclusiva autoria nossa



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Inquisição, um crime esquecido



Registro Histórico, 
Sangue nas mãos das Igrejas

Registrar o passado talvez nos traga dores das quais nunca nos curaremos, porém o hoje não existiria sem o ontem. Dessa forma falaremos um pouco mais sobre um dos maiores marcos que laceram a carne dos pagãos e soam como mera lembrança às dos povos monoteístas, falaremos um pouco sobre a Inquisição.
A história não deixou de registrar atrocidades e desmandos das religiões que deveriam servir de alicerces para a construção de um mundo novo, onde reinasse a paz e justiça, o amor pelo próximo, e a máxima da coerência e perdão. O mínimo que poderíamos esperar dos líderes e representantes da Cristandade seria a tolerância. 

Podemos perceber a barbárie que foi a Inquisição: uma caça a pessoas que pensavam diferentes do modo imposto por uma  tirania, que planejava estender suas influências a todos e viam em um certo grupo de pessoas  uma ameaça a seu poder.
Vendo estes fatos desconcertantes conclui-se a extensão da barbárie que ocorria durante o obscuro período da Inquisição. O modo das pessoas, taxadas de pagãs, pensarem foi o bastante para verter a brutalidade de Irejas que pregavam a seus fiéis a paz. Acusadas, sem alternativa, frente ao poderio das instituições, foram forçadas a reprimir sua cultura, além de perder, do modo mais brutal, suas vidas.

A ganância serve de mola para atrocidades que são cometidas por seres humanos. A fome pelo poder e riqueza levou a destruição de milhares de pessoas. Auxiliados por uma população analfabeta que se deixava influênciar pelas ditas “santas Igrejas” tornavan-se cegas perantes aos mais bárbaros atos de crueldade.
Abrir os olhos, sermos livres para pensar com livre árbitrio deve nos ser um direito e um dever, para que atrocidades como a Inquisição não retornem a manchar, a tão manchada, História da humanidade.
A paz deve ser cultuada como algo possível de se realizar e não posta em um pedestal inascessível.


“Todos os homens buscam a felicidade. E não há exceção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim. É isto que motiva as ações de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida. ”
 (Blaise Pascal).


Resenha do Livro Trânsito de Vênus


O Trânsito de Vênus
Shirley Hazzard

Ao ver a capa deste livro, seu título, podemos pensar que é uma história de amor no estilo das novelas mexicanas.
Porém, ao transpor as primeiras páginas, ao acompanhar a vida dos personagens, vemos a maestria da autora. Ela apresenta a vida sob um aspecto diferente da forma como estamos acostumados a ler nos romances, e que não reparamos por estarmos mergulhados na rotina da vida.
O começo pode parecer um tanto quanto confuso, até acostumarmos com o nome das três personagens principais.

A mais velha, Dora, têm o hábito de se queixar de tudo, pregar que a única solução viável é a morte. A causa disso é que as três irmãs perderam seus pais muito cedo, e Dora teve que assumir toda a responsabilidade. Não é fácil para um jovem aceitar as abnegações que as responsabilidades dos pais causam. A forma que Dora encontrou para superar suas frustrações foi a da raiva e das constantes imprecações contra a vida.
Dessa forma, as duas irmãs mais novas formam uma unidade para superar esse novo estilo de vida.
 A irmã do meio, Grace, é a personificação da gentileza, da aceitação e também da abnegação.  Ela é o exemplo daqueles que aceitam tudo o que a vida lhes oferece, sem se perguntar se merecem, realmente, o que receberam. Seus cabelos louros, pele clara e olhos claros realçam sua personalidade.
A terceira irmã, Caro ou Caroline, é a mais nova e também a que possui a personalidade mais forte. Seus cabelos negros e olhos negros realçam seu aspecto de força e plenitude interior. Ela é o tipo de mulher que pode assustar muitos homens por seu olhar e atitudes decididas.
A história começa com uma terrível tempestade, um prelúdio para o desenrolar sombrio do romance. É nos apresentado Ted Tice, um jovem cientista com um futuro promissor. Ele veio ajudar um velho cientista de renome, Sefton Thrale, a escolher um local na Inglaterra para construir o maior telescópio da Europa. Estão hospedadas na casa Caro e Grace Bell, Grace está noiva do filho de Sefton Thrale, Christian Thrale, que está viajando.

No momento que vislumbra o rosto enigmático e forte de Caro, Tice se apaixona por ela. É aí que começa o desenrolar próprio do livro. É mais uma história de contemplação, de vislumbres, que nos dão à formação mais detalhada dos personagens.
Estando completamente apaixonado por Caro, Tice começa o laborioso trabalho de conquistar esta mulher. Contudo, surge um novo personagem, Paul Ivory, um escritor ascendente, com aparência deslumbrantemente atraente, sedutor, sociável ao contrário de Ted, para disputar Caro.
    Paul consegue conquistar Caro e passa a dominar a sua vida. Paul Ivory é uma pessoa egocêntrica, egoísta, pensa apenas em seu futuro. A aparência é tudo.
 Tertia a noiva de Paul é um clássico caso da nobreza, olhos vazios com um quê de superioridade, frieza com os que ela supõe serem inferiores. Filha do Lord, dono do castelo, na colina em frente à casa de Sefton Thrale, para Paul uma forma de ascender socialmente.
Sempre vemos os ingleses serem retratados por pessoas de outras nações como um povo extremamente educado, frio, que esconde suas emoções por trás de um véu, pois elas são desnecessárias quando estamos em sociedade, elas são reservadas aos lares e mesmo neles, às vezes são deixadas de lado. Percebemos essa necessidade ao ler clássicos ingleses como David Coperffield, onde vemos as aparências escondendo emoções. O hábito inglês de tratar as pessoas apenas pelo sobrenome, é um exemplo disso. Tornamos-nos impessoais ao tratarmos as pessoas por Mr, Mrs, Miss. Por exemplo, Mr Thrale ao invés do primeiro nome Sefton.
.
Quando Caro se apaixona por Paul ela deixa sua personalidade para trás, deixa-se dominar por um homem que necessita estar no controle. Paul abandona Caro quando ela ameaça sua estabilidade.
 É neste momento que a personagem de mais força do livro começa a ruir devido a um amor. O amor pode ser a mais bela forma de expressão, assim como pode ser também uma arma para destruir aqueles atingidos por ele.
Ela começa a trabalhar na repartição publica e a autora mostra, com sutileza, como os homens pensam que são superiores as mulheres. O chefe de Caro, Leabdetter, expressa seu desgosto por Valda, uma das colegas de trabalho de Caro, se recusar a levar café para seus chefes, pois era dever dela, mesmo não estando explicito no contrato, apenas por ela ser mulher. Vemos o conceito machista imperando de formas sutis ao longo da obra.

Neste período de sua vida ela encontra novamente Paul e recomeça um relacionamento às escondidas, devido à fama de Paul com sua peça e o fato de estar casado. Sua paixão por Paul chega uma nova esfera, onde ele passa a ser essencial para ela e vice-versa, uma vez que o casamento de Paul é quase que uma fachada.
Podemos perceber que o casamento é uma forma de parecermos estáveis para a sociedade, porém interiormente ele pode não significar nada. Tertia percebe que pode perder o marido para a amante e decide engravidar para fazer com que ele desista de Caro e permita que ela desfrute de sua monotonia com a tranqüilidade de ter um marido famoso.
Enquanto que a vida de Grace, a mais gentil das irmãs, se desenrola na paz do lar. Ela tem um casamento feliz, um marido com um bom emprego, arrumou três filhos. Porém quando olhamos mais atentamente para as casa, todas iguais, dos subúrbios ingleses vemos a dona de casa, a esposa, a mãe de família e nunca percebemos realmente quem está por detrás da cortina. Grace se sente parte da casa, apagada, uma mera mobília no meio das outras. Afinal depois de todos esses anos, sendo a mãe, a esposa, aonde foi parar sua individualidade?
Quem lhe faz despertar o verdadeiro sentido da existência é o médico que cuida de seu filho mais novo. Ela volta a ser uma jovem apaixonada sofrendo as peripécias do amor. Quando seu amor culmina e seu amado se declara, a moralidade dos dois faz com que achem aquilo impossível de se realizar. 
Porém seu marido, Christian já teve um caso com a secretária quando Grace estava viajando com os filhos. Neste caso de adultério percebemos porque eles são tão comuns em casais que estão juntos há muito tempo. Com o tempo surge a monotonia, a falta do real prazer em manter relações sexuais com o parceiro devido a um desgaste, a sensação de isto fazer parte da rotina. Quando surge alguém novo, é uma possibilidade de novas experiências, uma distração, gerada para quebrar a rotina. Quando se está casado há muito tempo, tem uma família, e é confrontado entre perder isto, a sua rotina diária, por algo novo, a amante se torna obsoleta.
Ao final do livro a paixão de Ted Tice por Caroline finalmente é recompensada, quando ela abre os olhos finalmente, para ver aquele que sempre esperou por ela.
Este é um livro que mostra que o pequeno Vênus pode, sim, encobrir o grandioso Sol. Nunca se sabe o que se esconde por baixo do brilho do sol.



Trânsito de Vênus
Autor: Shirley Hazzard
Editora: Círculo do Livro
Número de páginas: 402
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