Canto Africano
Eu vejo teu solo repleto de vida,
Teu povo feliz, vivendo em harmonia.
Escuto teu canto, acompanho tua lida,
Na caça, na pesca, em teu dia a dia.
Tua gente é alegre e vive integrada
À mãe natureza, bondade e abrigo.
Fonte de amor, também, muito amada,
Por quem é feliz, vivendo contigo.
Teus filhos são fortes, guerreiros valentes Que cortam as savanas, sentindo os açoites Dos ventos que sopram histórias dolentes, Enquanto eles dançam, cantando nas noites. Durante o repouso, buscando sua origem, Nas asas do sono, teus filhos deliram
E quando despertam daquela vertigem,
Há só a lembrança, os deuses partiram.
E tal qual estrelas correndo nos céus,
Fugindo do sol em cada amanhecer,
Os deuses retornam, envoltos nos veús
De corpos suados, de mãos a tremer.
E chegam ditando regras p'ra vida,
E ensinam lições muito bem ajustadas.
A todos suplicam, ao amor dê guarida,
Assim como nesta e noutras jornadas.
E por noites e dias, teus filhos viveram, Em liberdade, labuta constante,
Enquanto nas noites, os sons dos terreiros Falava da vida num mundo distante.
Um dia, porém, agitou-se a savana
E teu povo julgou assistir a chegada
de deuses descendoem caravana
E busca da África, sua filha amada.
Mas logo notou, com olhar de tristeza:
Aqueles não eram santos da noite.
De armas em punho, exibiam rudeza,
Enquanto faziam estalar o açoite.
Pegavam teus filhos e filhas tão belas, De pele de ébano, dentes de marfim.
Metiam-nos à ferros, como se feras,
Levadas aos circos de terras sem fim.
E em longas noites cheias de agonia
Viveram suas horas de drama e horror
E dilacerada a África sofria,
Saudade dos filhos, cevada de dor.
E na travessia longa e penosa,
Os braços da morte logo acolheu
Bravos e belas que a vida inditosa
Matou a esperança e por fim, feneceu.
Um dia, cansados, numa terra estranha
Carpindo, chegaram os sobreviventes,
Farrapos tomados de dor tamanha,
Arrastando no solo pesadas correntes.
Da terra distante, só a doce lembrança, Nas horas difíceis do duro labor.
Somente a saudade, somente a esperança, Em gota orvalhada do bálsamo do amor.
E aí, pouco a pouco, a alma dorida,
Ao som de atabaques nas noites escuras, Indagou dos deuses da África perdida:
Por que esta vida de exílio e amarguras? E os deuses, atentos, falaram aos aflitos: Meus filhos, a dor que os faz padecer,
São velhos lamentos, gemidos e gritos
Daqueles que, ontem, fizeram sofrer.
Se querem purgar os erros de outrora,
Aceitem, contritos, a dor do momento,
Amem esta terra e ensinem, agora,
Que só o amor elimina o tormento.
E então, cada noite se encheu de repente, De um hino de paz, em cada terreiro.
Era o negro sofrido, que em canto dolente, Plantava o amor em seu cativeiro.
Teu povo feliz, vivendo em harmonia.
Escuto teu canto, acompanho tua lida,
Na caça, na pesca, em teu dia a dia.
Tua gente é alegre e vive integrada
À mãe natureza, bondade e abrigo.
Fonte de amor, também, muito amada,
Por quem é feliz, vivendo contigo.
Teus filhos são fortes, guerreiros valentes Que cortam as savanas, sentindo os açoites Dos ventos que sopram histórias dolentes, Enquanto eles dançam, cantando nas noites. Durante o repouso, buscando sua origem, Nas asas do sono, teus filhos deliram
E quando despertam daquela vertigem,
Há só a lembrança, os deuses partiram.
E tal qual estrelas correndo nos céus,
Fugindo do sol em cada amanhecer,
Os deuses retornam, envoltos nos veús
De corpos suados, de mãos a tremer.
E chegam ditando regras p'ra vida,
E ensinam lições muito bem ajustadas.
A todos suplicam, ao amor dê guarida,
Assim como nesta e noutras jornadas.
E por noites e dias, teus filhos viveram, Em liberdade, labuta constante,
Enquanto nas noites, os sons dos terreiros Falava da vida num mundo distante.
Um dia, porém, agitou-se a savana
E teu povo julgou assistir a chegada
de deuses descendo
E
Mas logo notou, com olhar de tristeza:
Aqueles não eram santos da noite.
De armas em punho, exibiam rudeza,
Enquanto faziam estalar o açoite.
Pegavam teus filhos e filhas tão belas, De pele de ébano, dentes de marfim.
Metiam-nos à ferros, como se feras,
Levadas aos circos de terras sem fim.
E em longas noites cheias de agonia
Viveram suas horas de drama e horror
E dilacerada a África sofria,
Saudade dos filhos, cevada de dor.
E na travessia longa e penosa,
Os braços da morte logo acolheu
Bravos e belas que a vida inditosa
Matou a esperança e por fim, feneceu.
Um dia, cansados, numa terra estranha
Carpindo, chegaram os sobreviventes,
Farrapos tomados de dor tamanha,
Arrastando no solo pesadas correntes.
Da terra distante, só a doce lembrança, Nas horas difíceis do duro labor.
Somente a saudade, somente a esperança, Em gota orvalhada do bálsamo do amor.
E aí, pouco a pouco, a alma dorida,
Ao som de atabaques nas noites escuras, Indagou dos deuses da África perdida:
Por que esta vida de exílio e amarguras? E os deuses, atentos, falaram aos aflitos: Meus filhos, a dor que os faz padecer,
São velhos lamentos, gemidos e gritos
Daqueles que, ontem, fizeram sofrer.
Se querem purgar os erros de outrora,
Aceitem, contritos, a dor do momento,
Amem esta terra e ensinem, agora,
Que só o amor elimina o tormento.
E então, cada noite se encheu de repente, De um hino de paz, em cada terreiro.
Era o negro sofrido, que em canto dolente, Plantava o amor em seu cativeiro.