Como é a vida dos “monstros” reais?
Alguma vez já passou por sua cabeça o que significa nascer diferente e ser escorraçado da sociedade e por isso ser considerado uma aberração, um monstro e sempre que você anda nas ruas, se é que você conseguirá andar, será apontado e ridicularizado, como se olhar no espelho? Bem vindo à teratologia, o “estudo dos monstros”.


Porém nos dias de hoje ainda aceitamos melhor estas pessoas. Nos tempos passados eram considerados verdadeiras aberrações da natureza, não nos espantemos de muitos dos mitos, criaturas monstruosos terem surgido devido ao medo que as pessoas nutriam por todos que nasciam assim. Na Grécia, sociedade que cultuava o belo, a perfeição, todas as crianças com alguma anomalia eram sacrificadas, ou deixadas sozinha para morrer. Em Esparta eram todas assassinadas assim que nasciam se apresentassem algum “defeito”. Àqueles que apenas apresentavam a disfunção tardiamente era abandonada, sofria o pior de todos os castigos para um ser humano, a humilhação por nascer diferente e ninguém entender o que você é.
Conforme o tempo passou e o paganismo perdeu forças o monoteísmo se apoderou do mundo e as coisas não mudaram. Na verdade talvez possa se dizer que pioraram, se é que era possível. Na sociedade feudal, na Idade das Trevas, o que significa ter a aparência de um monstro? Duas cabeças, um único olho, pelos por todo corpo, uma mulher barbada, membros em lugares que não deveriam existir e outras infinidades de mutações, significava a ação do demônio, hora da inquisição agir, da tortura, do sofrimento, como se já não bastasse ter que se olhar no espelho e saber que o mundo nunca irá te ver com outros olhos além dos de um monstro.
Nossas histórias atuais demonstram isso, você já Leu Corcunda de Notre dame? Um livro que conta a história de um homem corcunda, com o rosto deformado, quase surdo pelos sinos da Igreja, então como as pessoas o vêem? Como uma das gárgulas, ou apenas uma diversão bizarra, não tem sentimento. Se não o conhece talvez conheça Frankenstein, criado por um cientista, ganha vida e o seu criador o abomina, o considera um ser sem sentimento, algo inescrupuloso e asqueroso. O seu próprio criador o vê assim, então como ele pode encarar o mundo? Um livro tocante e nos faz sentir, ao menos aqueles que possuem empatia pelo outro, o que é estar no lugar do outro.

Mais recentemente eles “ganharam” carreira em um lugar que provavelmente você deve saber, o Circo. Você sentiu curiosidade em ver a mulher barbada? Ou o que eles chamavam de circo das aberrações? Então, alguma vez passou pela sua cabeça a humilhação que significa ser mostrado como um animal em um zoológico para as pessoas apontarem e rirem de você? E pior, muitas vezes ficavam realmente em jaulas, como animais ferozes, sem falar em chamadas como “VENHAM VER OS HORRORES DA HUMANIDADE, MONSTROS VIVOS”.
Um exemplo dessa degradação é o caso de Júlia Pastrana, a mulher barbada que causou sensação ao ser exibida como uma espécie intermediária entre o ser humano e o macaco. Segundo o que se sabe, que não é muito confiável, ela era um índia mexicana, nascida em 1834. Ela tinha pelos grossos e abundantes não só no rosto como nos braços. Com apenas 20 anos ela excursionava pelos EUA como a “Maravilha híbrida”. Ela seguia pelo mundo afora, passando pela Europa. Júlia era descrita como uma mulher delicada, talentosa e inteligente, seu agente, Theodore Lent, casou-se com ela, não se sabe se por seus encantos ou para preservar seu ganha pão. Júlia sofria muito por sua aparência, sentia vergonha de ser exposta como uma aberração, dizia a seus amigos.
Júlia Pastrana
Júlia ficou grávida, os médicos temiam que o parto fosse difícil, pois ela tinha uma pélvis muito estreita, mas deu à luz em 1860 a um menino, igualmente peludo, que viveu apenas 35 horas. Ela morreu apenas cinco dias depois.

Depois de tudo isso fica a mensagem a você leitor. Agradeça por tudo o que tem, por seu corpo, imagine se fosse com você? Como você se sentiria? E também fica a dica, não tenha preconceito, todos somos humanos e temos sentimentos, não falo apenas de anomalias, mas também qualquer preconceito, seja ele racial, religioso, político, sexual não há razão para isso.
Que possamos em Breve Respeitar os Direitos dos Outros.
Um grande abraço
Pallas
Incrível, escreve muito bem. Adorei o texto. Também penso assim.
ResponderExcluirotimo texto
ResponderExcluirAdorei o blog! Ótima escrita também, você está de parabéns.!
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